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"Onde está Tenório?": veja vídeo sobre pianista sequestrado na Argentina

Jornal GGN -  Aos 33 anos, o pianista carioca Francisco Tenório Júnior, o Tenorinho, era um famoso músico de bossa nova e jazz quando sumiu misteriosamente em Buenos Aires, na Argentina. Hospedado em um hotel daquele país, por estar em turnê com Toquinho e Vinícius de Moraes, ele saiu na noite de 27 de março de 1976 para comprar cigarros e nunca mais voltou. Naquele ano, o Brasil já vivia uma ditadura e e Argentina estava às vésperas do golpe de Estado, contra Isabel Perón.

Mesmo após muitas especulações sobre seu paradeiro e o consequente assassinato, há 37 anos as circunstâncias de seu sequestro ainda são uma incógnita. Para a filha do pianista, Elisa Cerqueira, Tenório foi pego simplesmente por ter o "estereótipo do subversivo", caracterizado por seus cabelos longos e a pela farta barba. "Meu pai era um cara de esquerda, mas não tinha atividade política. Talvez eles [militares] tenham feito alguma ligação entre ele e um primo-irmão, que era militante e vivia na clandestinidade".
 
Segundo ela, devido ao sumiço do pai, Vinícius de Moraes, que à época ainda era diplomata, ficou um mês na capital portenha para tentar viabilizar as investigações sobre o paradeiro do músico, mas sem sucesso.
 

O procurador federal argentino Miguel Angel Osorio, que investiga ações da Operação Condor (ação conjunta entre os países sul-americanos para localizar ativistas políticos contrários aos regimes ditatoriais), disse ao Jornal GGN que não há indícios concretos sobre o que, efetivamente, ocorreu com Tenorinho. "Não temos elementos que digam onde está Tenório, (...) o que nos leva a pensar que se equivocaram quando o sequestraram. Também não temos nenhum documento dizendo que o Brasil tivesse interesse na prisão de Tenório".
 
De acordo com a filha do pianista, mais informações sobre o que poderia ter acontecido com o músico foram fornecidas por Claudio Vallejos, militar argentino que estava escondido no Brasil havia três décadas e foi extraditado no ano passado pelo procurador argentino. Osorio.

Em entrevista à Revista Senhor, em 1986, Vallejos admitiu ter participado, dez anos antes, na condição de motorista do Serviço de Informação da Marinha Argentina, da prisão do pianista brasileiro Francisco Tenório Cerqueira Junior, o Tenorinho, que tocava em Buenos Aires com o amigo Vinicius de Moraes. Misteriosamente, Tenorinho nunca mais apareceu. Vallejos também é suspeito de ter participado de torturas e mortes de civis na ditadura militar argentina. Quando foi extraditado para a Argentina, disse à Justiça que tudo que a revista havia publicado era mentira.

Esta é a primeira entrevista com o procurador, após a extradição de Vallejos.
 
Assista ao documentário produzido pelo Jornal GGN:

 
 
Imagens: Nacho Lemus
Reportagem: Nacho Lemus, Lilian Milena, do Brasilianas, e Julia Nassif

 

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13 comentários

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Tiago Bevilaqua

Se foi cocaína que ele foi comprar então pode?

Supondo como garante Pedro Luiz que o Ferreira Gulart garante que ele estava com cocaína (ou ia comprar?) então parece que para este Sr. que um dia foi um bom poeta pode prender e matar? E como será que ele sabia disso?

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Tiago Bevilaqua

Tenório

Tenório foi meu colega de colégio. Íamos de bonde juntos do colégio para casa, ele para Laranjeiras e eu logo a seguir, para o Cosme Velho (Rio de Janeiro). Aos domingos íamos a algo como domingo dançante no Fluminense e também nesse clube durante um tempo jogamos tênis. Era chamado de Tenório, pura e simplesmente, e não pelo diminutivo, que para mim soa mal paca.

Com uns 16-17 anos formou um grupo que tocava em festas, ele tocando acordeon.

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Fim de Semana em Eldorado!

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lucianohortencio

O filme Os desafinados,

O filme Os desafinados, de Walter Lima Jr., entre outras coisas, inclui o "desaparecimento" de Tenório Jr., cuja personagem de ficção é encarnada por Rodrigo Santoro.

 

 

 

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Sambinha

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lucianohortencio

Consolação

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lucianohortencio

Inútil Paisagem...

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lucianohortencio

Tenório Jr.

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lucianohortencio

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Pedro Luiz

Tenório e Ferreira Gulart

Nassif e amigos:

Quando uma pessoa se torna odienta e relega o passado por R$ ou por poder (Globo) o ódio ao passado se torma ainda  maior, a pessoa sabe que se vendeu, tem plena conciência disso e sabe que os outros sabem também,dái se torna muma  metralhadora giratória de todos os  jargões da ultra direita  - onde o o poeta do C PC escreve hoje? - na FOLHA DE  SAMPA e com destaque!!!

Quando fala do pianista Tenório ,conta que Tenório saiu do hotel PARA COMPRAR COCAINA , repito em maiúsculas novamente - SA|IU PRA COMPRAR COCAINA!!!  e ao ser abordado pela Polícia ou Esquadrões da Morte da Argentina,foi confundido e  morto por portar COCAINA E SER BARBUDO.

Li diversas reportagens do pianista Tenório e a versão do COMPRAR COCAINA somente do Ferreira Gulart. e assim ele justifica seu desaparecimento.

Até  um poeta pode se tornar um Monstro - se um de nós  cairmos nas mãos do atual poeta  - que tipo de tortura poética  nos reservará?

Sem medo de ser processado pois o artigo existe e repetido em outras cronicas,abaixo meu nome completo.

Abraços  ao Nassif e a todos

Pedro Luiz Moreira Lima

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Paulo Figueira

Na cabeça do poeta vendido, o

Na cabeça do poeta vendido, o fato de Tenório ter saído para comprar cocaína, dando-se como verdadeira a versão do poeta vendido, é motivo suficiente para terem sequestrado e morto o pianista.


Gulart e Roberto Freire são exemplos vivos de ex comunistas que ternaram-se mais realistas que o rei.

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Mais um traíra na praça

Mais um traíra na praça, triste esse arremedo de Cabo Anselmo e há outros por ai: Aloysio Nunes Ferreira, Roberto Freire, Eduardo Campos, oh turma de 'ex", alías, só consigo perceber como revelador de falta de caráter essa coisa de se renegar o passado quando  poderiam  de alguma forma incorporar isso à sua histórias  mas não, o que podemos perceber é que os tais "ex"  destilam ódio e ressentimento o tempo todo e prá tudo quanto é lado, nem os mortos escapam do veneno dessas víboras.,.não sei pq me lembrei de Joaquim Barbosa Silvério dos Reis...rsss

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...spin

 

 

Em pleno golpe militar

"ele saiu na noite de 27 de março de 1976 para comprar cigarros e nunca mais voltou. Naquele ano, o Brasil já vivia uma ditadura e e Argentina estava às vésperas do golpe de Estado, contra Isabel Perón."

Há uma imprecisão de datas nessa informação. O golpe militar que derrubou Isabelita começou em 24 de março de 1976 e foi consolidado em 29 de março com a posse da junta militar encabeçada pelo general genocida Jorge Videla. Ou seja, Tenorinho desapareceu já em pleno golpe militar, quando a caça às bruxas da ditadura argentina começava.

Me recordo que, em 1979 ou 1980, a revista Playboy brasileira publicou um longo artigo sobre o desaparecimento do Tenorinho.

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André Borges Lopes www.bytestypes.com.br

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crisbr

Parabéns! por esse  grande

Parabéns! por esse  grande documento histórico.grande trabalho.

Com relação ao que a filha falou eu concordo que a lei de anistia é um absurdo  e deve ser revista mas ao contrário do que ela disse o maior problema não são os civis são os militares de hoje  e de ontem que continuam se vangloriando do que fizeram com o apoio da extrema direita aqui no Brasil as forças armadas parecem que não podem ser criticadas parecem que são de "louça' cometeram crimes contra a humanidade. os militares brasileiros são negacionistas haja vista que eles escrevem livros de extrema direita como "Orvil" e outros que são muito populares entre  a extrema direita.A ditadura militar continua extremamente popular entre eles hoje nas academias militares pelo Brasil eles ensinam que não houve golpe que tudo foi invenção dos "proto comunistas" etc. O Bernardo KUCINSKI recebia ligações de torturadores até o ano de 2010!!!!  eles tiravam  sarro da morte da irmã dele em 1974 ( para quem quiser conferir ultima página do livro k). Ustra é o porta voz da extrema direita na internet. Na Alemanha se algum militar nega A ditadura nazista ele é expulso. mas as forças armadas aqui no Brasil são intocáveis a imprensa morre de medo de questionar os militares sobre  os desaparecidos. O governo parece ter medo de pressionar os militares para achar os corpos dos desaparecidos parece até que se os militares forem pressionados eles vão ficar "bravinhos" e derrubar a democracia de novo. As forças armadas nunca fizeram autocrítica do que fizeram externamente nem internamente, a imprensa quer o pacto de silencio evocando esse Frankstein juridico que foi essa lei de anistia de 1979 .Assim os policiais continuam torturando os Tenórios e Amarildos. E para fechar para mim os familiares devem ir a corte internacional de Haia contra o Brasil eles já ganharam na OEA. Não sei como funciona o tribunal mas o Brasil seria obrigado a extraditar os torturadores como Ustra(envolvido em assassinatos) para eles serem julgados na Holanda .SE Brasil se recusasse sofreria sanções economicas. uma grande humilhação para o Brasil claro!mas para mim é  a única maneira de os militres brasileiros serem punidos.

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matuto

Generais

Generais dificilmente vão prá cadeia. Aqui no Brasil e em todo mundo. Na verdade somos todos refens de quem tem as armas e o controle delas nas mãos. Os militares são uma classe a parte da população com tribunais e leis propias nenhum país conseguiu integrá-los de maneira que fizessem parte do povo. E só obedecem a quem lhes interessam. A elite só se mantem graças a eles, aliás, fica mais facil mudar a elite do que muda-los.

Os Generais nunca deixam o poder. Apenas aguardam ou se aposentam.

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Toda vez que um "babaquinha

Toda vez que um "babaquinha classe média leitor de revista veja" chega com o papo que "quem a ditadura perseguia era comunista que queria implantar outra ditadura no país", eu concordo, dizendo que JK, Carlos Lacerda e Evandro Lins e Silva eram perigosos marxistas-leninistas, e por isso foram cassados e perseguidos.

O problema é que os leitores da veja são tão ignorantes que não entendem a ironia, e muitos concordam comigo...

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