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Os colunistas do GGN: Romério Rômulo e a solidão da poesia

Romério Rômulo e a solidão da poesia

O contato do poeta Romério Rômulo com o Blog tem mais de dez anos. Nesse período todo, Romério tornou-se um colaborador precioso, com seus poemas e suas histórias. Sua série sobre Maradona e outros poemas encantam permanentemente os leitores do Blog.

Doze poemas de Romério Romulo

Hoje, Romério conversou longamente comigo, trazendo informações preciosas sobre o mundo da poesia, para um levantamento que estamos fazendo sobre os colunistas do GGN.

Romério começou a poetar aos 13 anos, quando amigos mostraram que ele pensava como poeta. Ao longo da vida, do grupo inicial de amigos que escreviam poemas, apenas Romério se manteve fiel à poesia.

Do grupo mais próximo a ele, o grande nome foi Tião Nunes, colunista do GGN também, que em 1988 deixou a poesia e enveredou pela crônica.

Romério se define como um poeta solitário, com seu trabalho individual, sem se juntar a grupos ou tendências.

Márcia Denser, romancista conhecida, fez uma pesquisa com quinze escritores que influenciaram vários poetas e cronistas. Romério faz poesia sempre buscando o soneto de Camões.

Um dos poetas que mais o influenciou foi Augusto dos Anjos, poeta que, tempos atrás, estava na boca do povo. Lembrou Mário Lago dizendo que nos anos 40, a uma hora da manhã, em todo bordel do Brasil um bêbado recitava Augusto dos Anjos,

Teve grande influência também de Zé Limeira, o poeta do absurdo

A virgem Maria estava
Brigando com São José:
Você vendeu a jumenta
Me deixou andando a pé
Desta maneira eu termino
Voltando pra Nazaré!

Romerio cita o poema “Desmantelos”, de Zé Limeira.

Manuel Bandeira foi o primeiro poeta do qual Romerio leu tudo, dos sonetos clássicos à poesia visual, “Rosa Tumultuada”. Teve também grande influência de Baudelaire.

‘Romério lembra que poesia é produto pouco consumido. Da poesia só viveram poetas garantidos por mecenas.

Outra influência fundamental foi de João Cabral de Mello Neto, mas ele é único.

Na poesia em geral alguém cria uma linguagem e, depois, aparecem outros poetas que incorporam a linguagem e fazem melhor. Menos João Cabral de Mello Neto.

Na entrevista, Romério discorre longamente sobre sua amizade com o pintor Carlos Scliar, que tinha casa em Ouro Preto. O projeto editorial dele para a revista Senhor foi um marco no mercado editorial brasileiro.

Para Romério, um dos poetas fundamentais é Murilo Mendes. Nascido um ano antes de Drummond, acabou se mudando para a Itália e perdendo o contato com o Brasil.

Romério discorre também sobre Joaquim Cardozo, que foi mestre de João Cabral, mais pelas ideias matemáticas do que pela poesia. Foi o grande calculista de Oscar Niemeyer e autor de uma poesia altamente matemática.

Fala também sobre as visitas de Vinicius de Moraes a Ouro Preto, abrigando-se dos militares sob as asas amigas do governador Israel Pinheiro, que ele tinha conhecido em Brasília.

Foi lá que estreitou a amizade de Vinicius e Scliar, que o definia como pessoa extremamente generosa e amorosa com os amigos.

 

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Ivan de Union

Muito, muito boa entrevista,

Muito, muito boa entrevista, Romerio!  Fiquei ate chateado quando chegou ao fim!

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Lindeza de post!

Mas bonita mesmo é a obra.

Grande Poeta.

As quartas-feiras não começam até que a poesia de RR tenha sido posta à luz!

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Anna Dutra

Q história! Muito bom. Estou

Q história!
Muito bom.
Estou interessado em aprender braile.
Deve ser interessante ler suas poesias em braile.
Jå vi que seis pontos foram suficientes para o braile e isso encantou-me: pela simplicidade.

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Grandes

Grande Romério, grande poeta! Ponto para o GGN.

Abraços aos envolvidos

 

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O macho adulto branco sempre no comando
E o resto ao resto, o sexo é o corte, o sexo
Reconhecer o valor necessário do ato hipócrita
Riscar os índios, nada esperar dos pretos ♪♫

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Luiza Benevenuto

Muito bom!

Muito bom!

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Schell

"O bêbado e o equilibrista",

"O bêbado e o equilibrista", comete injustiça para com Joaquim Cardozo, em seus primeiros versos (... caía a noite como um viaduto), ao fazer referência a obra calculada pelo Cardozo, que ruiu - não por erro de cálculo, mas, já naquele tempo, pelo emprego de material inferior, politicamente utilizado para fazer sobrar alguma "corrução".

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Regis Gonçalves

Romério Rômulo e Joaquim Cardoso

Considero Romério Rômulo um dos poetas mais originais que conheco. Conhecimento pessoal, que virou amizade ao longo dos anos, e literário, pois tenho familiaridade com toda a sua obra. Sua persona poética é como a de João Cabral, como ele o chama:é única.

 

Respondendo ao comentário de Shell, acho que Aldir Blanc, autor - e grande autor - da letra de "O bêbado e o eqjuilibrista" tinha em mente ao escrevê-la a queda do Viaduto Paulo de Frontim, no Rio de Janeiro, obra que, segundo penso, nada tem a ver com o poeta e calculista pernambucano.

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Schell

Erro meu, pois, Joaquim

Erro meu, pois, Joaquim Cardoso: 

Especializado em cálculo de estruturas, notabilizou-se pela sua colaboração com o arquiteto Oscar Niemeyer na construção do conjunto da Pampulha e dos palácios de Brasília. Envolveu-se em grande polêmica na época da queda do Pavilhão da Gameleira, em Belo Horizonte, obra de ambos que ruiu, causando a morte de dezenas de operários, mas, como ficou provado posteriormente, sem erro de cálculo ou projeto.

Já no caso do viaduto:

A perícia constatou que a causa do acidente foi a abertura das janelas de inspeção na estrutura. O engenheiro Sérgio Marques de Souza foi condenado a um ano e quatro meses, mas ganhou sursis.

Leia mais: http://acervo.oglobo.globo.com/em-destaque/em-novembro-de-1971-elevado-paulo-de-frontin-desabou-matando-29-pessoas-10808571#ixzz4q8IOCBDg 
stest 

 

humildes desculpas.

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