newsletter

Assinar

PMDB rumo ao “liberou geral” já nas eleições deste ano

Por Rudolfo Lago

O PMDB é aliado enquanto o projeto é viável; deixa de ser aliado quando o projeto se inviabiliza. Em outros momentos, isso sempre se deu num processo paulatino. Não deverá ser diferente agora
 
 
 

Ninguém jamais espere do PMDB mais do que cálculo político. O partido é uma constelação de caciques regionais e foi moldado para que cada um deles alcance, por seu intermédio, o melhor proveito possível. Bem lá atrás, depois que cristianizou as candidaturas de Ulysses Guimarães e Orestes Quércia, o PMDB optou por não ter um projeto nacional próprio, mas aderir sempre àquele projeto com mais chances de vencer. Assim, atingia dois propósitos, que se retroalimentam: aliado a esse projeto, conseguia garantir as maiores bancadas na Câmara e no Senado e número expressivo – senão o maior – de governos e prefeituras; com as maiores bancadas e o maior número de estados e municípios, garantia o cacife para sempre se apresentar como aliado imprescindível para qualquer governo.

Assim, o PMDB é aliado enquanto o projeto é viável; deixa de ser aliado quando o projeto se inviabiliza. Em outros momentos, isso sempre se deu num processo paulatino: primeiro, se tira um pé da canoa, passa-se o pé para outra canoa, fica-se com um pé em cada canoa por um tempo e, então, finalmente, passam-se os dois pés para a outra canoa. De acordo com um experimentado observador peemedebista, é muito pouco provável que, agora, o partido opte por um outro tipo de caminho.

O primeiro sintoma peemedebista para o movimento de troca de canoa é o partido rachar, aparecendo uma ala que se opõe às posições do comando do partido. É neste momento que o PMDB está. Os grupos ligados ao presidente da Câmara, Eduardo Cunha (RJ), e a parlamentares como o deputado Lúcio Vieira Lima (BA), irmão de Geddel Vieira Lima, pontificam esse racha. Aí, temos também o grupo do vice-presidente Michel Temer e a turma do presidente do Senado, Renan Calheiros (AL), hoje a ala mais ligada ao governo.

O primeiro fato que mostrará a velocidade com que o PMDB pretende fazer a sua mudança de canoa será a eleição do líder do partido na Câmara. O atual líder do PMDB na Câmara, Leonardo Picciani (RJ), estará nesta terça-feira (12) em Brasília para começar a medir as suas chances de permanecer no cargo. Originalmente aliado de Eduardo Cunha, Picciani aproximou-se do governo, numa jogada meio desastrada para diminuir os poderes de Temer, que então acumulava as funções de articulador político do governo. O Palácio do Planalto aumentou o cacife de Picciani, transformando-o no principal interlocutor quando Dilma escolheu os ministros peemedebistas na reforma ministerial. Os demais grupos reagiram ao poder excessivo de Picciani, especialmente depois que ele escolheu apenas aliados fieis do governo na primeira tentativa de formação de comissão especial para discutir o impeachment da presidente Dilma. Os oposicionistas destituíram Picciani, elegeu-se uma chapa oposicionista para a comissão especial. Mas o STF (Supremo Tribunal Federal) barrou tudo, Picciani retornou, tudo voltou à estaca zero. Em fevereiro, Picciani tentará ser reconduzido ao cargo.

Como mostrou há alguns dias a Coluna do Fato, Michel Temer tenta um acordo para manter Picciani no posto de líder. Em troca, ele seria reconduzido no comando do PMDB, na convenção marcada para março. A essa altura, o racha no partido ameaça esse acordo. Mas esse observador peemedebista acha que, pela natureza do PMDB, o mais provável é que agora o partido chegue a um entendimento e adie suas divisões para mais adiante.

O partido em nada ganharia rachando já agora. As eleições de 2018 estão distantes. Os projetos políticos ainda não estão muito claros. Difícil ainda apostar no cavalo vencedor. Agora, seria mais provável um acerto, que pode levar à recondução de Picciani. Já a partir da convenção em março, porém, a história poderá ser diferente.

Pode até ser que o processo futuro se dê com Temer ainda no comando do PMDB, mas o que se aposta é que o partido, a partir dessa convenção, comece a construir um processo de afastamento gradual do governo, pavimentando o caminho para se aliar a um outro projeto em 2018 – que, pela falta de clareza, poderia desta vez ser até um projeto próprio.

Mas a primeira etapa concreta desse afastamento já aconteceria nas eleições municipais deste ano. O que se imagina é que a convenção desta vez desautorize alianças preferenciais que colocassem o PT e a aliança em torno do governo como prioridade. Os peemedebistas, assim, ficariam liberados agora para fazer em cada município a aliança que julgarem mais conveniente, seja o aliado governista ou oposicionista. Em cada cidade, o cálculo eleitoral mais interessante para o projeto de cada cacique.

Com isso, o partido engordaria nas eleições municipais, seja conseguindo os melhores aliados para os seus próprios candidatos ou se aliando, quando não tiver candidato próprio, ao projeto com mais chances de vencer.

Saindo assim, maior e mais forte das eleições municipais, o PMDB se apresentaria mais uma vez como noiva imprescindível, sem a qual qualquer governo que vença em 2018 se sentisse inviabilizado. Esse é o jogo.

 

Média: 3.2 (6 votos)
6 comentários

Comentários

Espaço Colaborativo de Comentários

Opções de exibição de comentários

Escolha o modo de exibição que você preferir e clique em "Salvar configurações".
imagem de Flavio Dias Gonçalves
Flavio Dias Gonçalves

Enquanto o PMDB for grande o Brasil será pequeno !!!

Nenhum governo, depois da Ditadura, governou sem o PMDB e o PMDB, nunca deixou ninguém governar sozinho.

Aliás, só se faz alianças políticas com quem se elege. Assim é a democracia!!!

Por melhor que sejam as minhas ou as suas intenções, a pessoa que for eleita presidente, governador ou prefeito, não virá nos consultar, pedir conselhos ou apoios. As alianças são feitas com quem é eleito!!! Com quem vota no congresso!!!

O PMDB é o maior partido do Brasil e I-N-F-E-L-I-Z-M-E-N-T-E, ainda o será por um bom tempo. Veja porque:

Governo Sarney, PMDB puro…

O ministério Sarney, organizado por Tancredo Neves, de maneira a garantir a transição pacífica, tinha feição fortemente conservadora, incluindo cinco políticos que até meses antes haviam apoiado o governo militar:

PFL (DEM)
Aureliano Chaves (Minas e Energia),
Olavo Setúbal (Relações Exteriores),
Marco Maciel (Educação)
Paulo Lustosa (Desburocratização),

PDS
Antônio Carlos Magalhães (Comunicações),

PMDB
Afonso Camargo (Transportes),
Almir Pazzianotto (Trabalho),
Aluísio Alves (Administração),
Carlos Santana (Saúde),
Fernando Lira (Justiça),
Flávio Peixoto (Desenvolvimento Urbano),
Francisco Dornelles (Fazenda),
João Sayad (Planejamento),
José Aparecido de Oliveira (Cultura),
Nélson Ribeiro (Reforma e Desenvolvimento Agrário),
Pedro Simon (Agricultura),
Renato Archer (Ciência e Tecnologia),
Roberto Gusmão (Indústria e Comércio),
Ronaldo Costa Couto (Interior),
Valdir Pires (Previdência),
José Hugo Castelo Branco (Casa Civil),

Militares ligados ao PMDB
General Rubens Bayma Denis (Casa Militar),
General Leônidas Pires Gonçalves (Exército),
Brigadeiro Otávio Júlio Moreira Lima (Aeronáutica),
Almirante Henrique Sabóia (Marinha),
General Ivan de Sousa Mendes (Serviço Nacional de Informações)
General José Maria do Amaral (Estado-Maior das Forças Armadas).

Ao final do governo Sarney, o PMDB venceu as eleições para os governos de 22 dos 23 estados existentes à época e elegeu 57% dos congressistas !!!

Quem sucedeu o Sarney na Presidência ?
Collor!
Que tinha sido Governador de Alagoas por qual partido?
PMDB!

Quem sucedeu o Collor na Presidência?
Itamar Franco!
Que era Senador em Minas Gerais, por qual partido?
PMDB!

Quem sucedeu Itamar na Presidência?
FHC!
Que havia sido Senador, por São Paulo pelo.... PMDB e havia ajudado a fundar o PSDB há apenas 10 anos.

Quem sucedeu FHC na presidência?
Lula!

Que é do PT e tentou, heroicamente, quebrar esse circulo vicioso da política brasileira.

Aí vc dirá: Como? Se a vaga de vice-presidente do governo Dilma foi dada a Michel Temer, do PMDB.

A questão é simples…

A culpa da aliança entre o PT e o PMDB é do PT ? 

Não.

Olha que engraçado…

Se a mídia, cobrisse com isenção, os erros e acertos do governo Lula/Dilma, muito provavelmente, não fosse necessário o PT aliar-se com o PMDB. Essa aliança só existe para que o PT tenha tempo de tv durante as campanhas eleitorais para poder mostrar aquilo que naturalmente, a mídia já deveria ter mostrado. 

O PMDB domina a maioria dos meios de comunicação do Brasil:

http://donosdamidia.com.br/pessoas

Logo, se o PT não precisasse dessa aliança, o PMDB começaria a diminuir de tamanho muito mais rapidamente, pois não teria a cadeira de vice, os ministérios que detém e nem milhares de cargos e o apoio nos estados. 

Uma imprensa imparcial é isso que o Brasil precisa!!!

Muitos dos 36 partidos existentes hoje, são dissidências do PMDB…isso explica muita coisa, não !?!

Enquanto o PMDB for grande o Brasil será pequeno !!!

Seu voto: Nenhum
imagem de Apenas leitor
Apenas leitor

Penso diferente. As eleições

Penso diferente.

As eleições municipais são muito mais regionalizadas que as majoritárias para os estados e as instâncias federais. E o PMDB vai jogar o jogo que sempre jogou, ou seja, vai se utilizar do puro paragamatismo -  o cálculo mencionado no post - e tantar obter o maior número de prefeitos e vereadores. Ponto.

Em 2018, a história é outra e, pelo que tenho lido, as eleições majoritárias também terão uma configuração diferente do que agente se acostumou a ver nas últimas (desde FHC). Não será mais PT x PSDB. Teremos Lula, Ciro, Marina, Álvaro Dias, Alkimim, Serra e Aécio - cada uma representando um partido diferente - daí surge a dificuldade de o PMDB aderir a um projeto alternativo. Lembrando que em 2002, o PMDB forneceu o vice - Rita Camata - para o Serra, que não foi eleito e o PMDB foi se achegando ao governo petista devagarzinho (mas não tão devagar assim, se é que me entende). Então, nesse caso, imagino que ele vai manter o apoio ao PT - no "oficioso", mas flertando com os que sobressaírem - pra depois definir o que fazer.

Concluindo, a bola ainda está nas mãos do PMDB e ele vai adotar o velho e bom jogo do feijão com arroz.

 

Seu voto: Nenhum

Partido Mercenário Do Brasil

Partido Mercenário Do Brasil

Seu voto: Nenhum (2 votos)
imagem de Flavio Dias Gonçalves
Flavio Dias Gonçalves

Peste Maldita que Destroe o

Peste Maldita que Destroe o Brasil

Seu voto: Nenhum (1 voto)
imagem de akio
akio

Parasita

A rima do dia  Melhorar o vocabulário nunca é demais Segue a definição de parasita do dicionário Houaiss Organismo que vive de outro organismo Dele obtendo alimento Não raro causando-lhe dano Sinônimos e variantes Sanguessuga, chupa-sangue Incrível semelhança desta definição Com a atuação de um partido político Que tem como figura máxima um vampiro O Conde Dracula sorrateiro Que agora quer tomar o lugar do hospedeiro Passou esses últimos anos da vida Se escondendo no cargo de vice Com a crença na recaída E torcendo pra que ela saísse  Não tem como chegar ao poder com o que tem a oferecer Gruda naqueles que a duras penas fez por merecer Agora tenta começar o golpe Com uma carta de desabafo Dizendo que encheu o saco E para deter o avanço da lava jato É apoiado por um bando de safados Pois a investigacao começa a resvalar também o outro lado Se posam de estadistas Mas que o tempo mostra que são menores e oportunistas Deus queira que o bem vença o mal Ou então o país entrará em uma grande convulsão social Pois o impeachment não será o episódio final E todos irão pensar um dia Eu era feliz e não sabia

Seu voto: Nenhum (1 voto)
imagem de Heitor_pr
Heitor_pr

Essas eleições municipais vai

Essas eleições municipais vai ser a mais dividida de todas, como foi para deputados. Dificilmente o PMDB vai aumentar o número de prefeituras. Pode ser que continue com maior número de prefeituras mas vai ser menor que hoje,

O que vai acontecer é que partidos aspirantes a PMDB tipo: PP, PR, PTB, PDT, PSB, PPS, PRTB, PSC, PSD vão aumentar o número de prefeituras. 

E os partidos mais em destaque PT, PSDB assim como os seus aliados de sempre como  DEM vão diminuir o número de prefeituras.

E os novos  e não tão novos como a Rede, PC do B, PSOL, PV vão ficar nanicos.

Pelo arranjo político atual o PSD vai ser o partido que mais vai crescer em número de prefeituras.

Pela coerência as executivas do PT e PSDB deveriam proibir coligações entre os dois, nem que seja para apoiar outros partidos. Alias PT e PSDB deveria só coligar quando os candidatos forem ou de situação ou de oposição. A Rede por coerência também não poderia apoiar ou ser apoiado por candidatos do PT ou PSDB. Mas duvido que os três partidos que tem os candidatos mais fortes para 2018 vão fazer uma verticalização nas candidaturas para prefeito.

Quanto a posição do PMDB não é novidade. Já na eleição em 2014 apoiou mais candidatos da oposição do que do PT.

Uma saída para o PT não diminuir muito é focar nas candidaturas para vereadores, porque os vereadores são potenciais candidatos a deputados em 2018.  E ter a coragem de focar nas eleições de 2014 e deixar 2018 para depois, não tem condições de ceder para o PMDB as vagas nas disputas municipais. O PT errou sempre nas eleições municipais, primeiro foi focar na reeleição de Marta em 2004, depois foi dar muito poder nas eleições de 2012 para o PMDB e oas aliados menores: PR, PP e a conta esta sendo paga agora, com a eleição de uma base de partidos que tem muitos integrandes que são oposição declarada ou as escondidas.

Seu voto: Nenhum
imagem de altamiro souza
altamiro souza

o jogo é meio sujo mesmo, mas

o jogo é meio sujo mesmo,

mas éeste o jogo....

Seu voto: Nenhum

Kunha

O PMDB ainda não expulsou o Kunha?

Então posso entender que o PMDB respalda e está de acordo com os métodos do Kunha?

E, isso quer dizer que o objetivo de cada integrante do PMDB é ser bonito e famoso como o Kunha?

-Ai gisuis...!!!

Seu voto: Nenhum (3 votos)

Comentar

O conteúdo deste campo é privado e não será exibido ao público.