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Governo Temer, a contradição em processo, por Marcio Pochmann

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da Rede Brasil Atual

Governo Temer, a contradição em processo

O dique da base parlamentar do presidente não mais parece ser suficiente para impedir o transbordamento do mar de lama da corrupção. Pelo visto, poucos sobreviverão

por Marcio Pochmann

Uma contradição fundamental se processa no golpismo que sustenta o governo Temer desde a sua imposição no ano passado. Quanto mais forte o seu governo maior a exposição de sua fraqueza.

Isso porque a sua fortaleza provem justamente dos responsáveis por sua própria criação. De um lado, a extensa e integrada base parlamentar no poder legislativo federal, que oferta apoio jamais observado ao longo do ciclo político da Nova República, iniciado em 1985.

O centro deste apoio não parece ser ideológico, programático ou grandioso em nome do Brasil melhor. Pelo contrário, pois fundamentado na individual e rasteira lógica da sobrevivência cada vez mais ameaçada pela contaminação proveniente do mar de lama da corrupção.

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Romero Jucá recua de PEC que blindava linha sucessória presidencial

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Jornal GGN - Após repercussão negativa até entre os próprios parlamentares, o senador Romero Jucá (PMDB-RR), presidente nacional de seu partido e líder do governo no Senado, decidiu retirar a tramitação de Proposta de Emenda Constitucional (PEC) que tentava blindar os membros da linha sucessória presidencial.
 
A PEC foi protocolada na última quarta-feira (17) e dizia que os presidente da Câmara, do Senado e do Supremo Tribunal Federal (STF) teriam o direito de não serem investigados por eventuais crimes ocorridos antes do mandato, enquanto ocuparem o cargo.
 
A regra já vale atualmente para o presidente da República. Jucá disse que desistiu da PEC atendendo a pedido de Eunício Oliveira (PMDB-CE), presidente do Senado. Antes da retirada da tramitação, José Aníbal (PSDB-SP), disse que iria encaminharia um pedido para a Mesa Diretora do Senado para tirar sua assinatura da lista de apoios.

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O anúncio enganoso do Temer, por Jeferson Miola

O anúncio enganoso do Temer

por Jeferson Miola

Michel Temer prometeu afastar ministros denunciados ou tornados réus na Lava Jato. Um anúncio calculado nos milímetros, para aparentar decência e moralidade. No comunicado, Temer foi metódico no uso de condicionais – "se" o ministro for denunciado, "se" comprovada a denúncia, "se" acolhida a denúncia, "se" instaurado inquérito, "se" convertido em réu; se, se, se ...

A tecnalidade jurídica grifada no discurso do Temer escamoteia a malandragem de quem conhece os caminhos dos arreglos e da impunidade seletiva no judiciário.

Até que algum ministro da turba golpista seja formalmente denunciado pelo MP, poderão transcorrer anos, por mais que abundem provas e contas milionárias em paraísos fiscais. Para que algum ministro já denunciado seja finalmente transformado em réu, serão outros tantos anos. Ou seja, o anúncio do usurpador é diversionismo puro.

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"Se a gente afastar Dilma, Temer é blindado, ninguém o pega mais", diz Lindbergh

Jornal GGN - O senador Lindbergh Farias (PT) disse nesta quinta (25), durante sessão final do julgamento do impeachment de Dilma Rousseff, que se a presidente eleita for afastada em caráter definitivo, o interino Michel Temer (PMDB) ganhará imunidade processual e não poderá ser investigado pela Operação Lava Jato enquanto ocupar a presidência da República.

"Se a gente afastar Dilma, Temer é blindado, ninguém o pega mais", disparou o senador. Lindbergh despertou a revolta de senadores aliados ao governo quando disse, na tribuna, que o governo Temer quer acelerar a conclusão do processo do impeachment porque tem medo de delações. "Se Eduardo Cunha abrir a boca, Temer cai", pontuou, sob protestos de governistas.

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Quando a promiscuidade entre público e privado envolve Serra, mídia silencia

Jornal GGN - A delação de Odebrecht na Lava Jato reafirmou um dos capítulos do manual de redação usado por veículos da grande mídia: se atinge José Serra (PSDB), a notícia deve ter o valor de um Snapchat, ou seja, duração de, no máximo, 24 horas. Depois disso, o silêncio é a regra. Aprofundar uma denúncia ou fazer associações entre esquemas? Jamais.

É isso o que aponta o jornalista João Filho no portal The Intercept, após analisar a reação da grande mídia à informação, colhida pela Lava Jato, de que Serra teria recebido R$ 23 milhões. 

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Nas ruas, tropa de choque. Nos jornais, blindagem a Alckmin

Secretaria de Segurança e gabinete de Alckmin foram poupados de comentar cenas de violência da PM contra estudantes. Por falta de oportunidade para questionamentos, não foi. Afinal, o tucano foi almoçar com a direção da Folha ontem

Jornal GGN - Na noite de terça-feira (1º), enquando a oposição ao governo Dilma Rousseff (PT), liderada pelo PSDB do governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, obstruia a pauta de votação, a senadora petista Gleise Hoffmann pediu a palavra para informar que pela primeira vez desde a ditadura militar, uma dirigente estudantil havia sido presa pela Polícia Militar durante um protesto.

Camila Lanes, presidente da UBES (União Brasileira dos Estudantes Secundaristas), participava da manifestação dos estudantes da escola Maria José, na Bela Vista, no centro da capital paulista, quando a PM de Alckmin - que tentou forçar a desocupação que ocorria em protesto ao plano de fechar mais de 90 escolas no Estado - invadiu o local. O deputado federal Orlando Silva (PCdoB) precisou ligar para o governador paulista intercedendo pela liberdade da líder estudantil.

Na edição impressa da Folha, nenhuma linha sobre este fato. O que aconteceu ao longo da terça-feira entre a PM e estudantes que repudiam o que a grande mídia chama de "reorganização do ensino" paulista, aliás, foi melhor registrado em vídeos e imagens que circularam na internet. Algumas, inclusive, mostram a PM abordando menores de idade com armas de fogo. Em outras, há agressões com cassetetes a meninos e meninas à luz do dia, indiscriminadamente.

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As explicações de Aécio para o dinheiro das empreiteiras em sua campanha

 
Não se espere de Aécio Neves qualquer contribuição ao debate de ideias. Como reconhecem seus próprios apoiadores, é incapaz de sustentar qualquer discussão sobre qualquer tema nacional. No máximo, repete bordões sobre economia e tamanho do Estado.
 
Sua entrevista ao Estadão (veja aqui) confirma esse diagnóstico. É incapaz de uma ideia sequer sobre o futuro do país. Só senso comum e considerações sobre o momento mais apropriadas a mesas de bar.
 
Suas alegações sobre as contribuições à sua campanha são deboches.
 
A primeira alegação é de que ele nada tem a ver com a Petrobras. Coloca o chapéu de burro nos leitores do jornal e se exime de explicar as obras que UTC, Andrade Gutierrez e outras receberam no seu governo. A começar da Cidade Administrativa.
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PSDB agora diz que situação de Cunha pode ficar insustentável

Jornal GGN - Depois de dizer que o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB), tem o "benefício da dúvida" e não precisa se afastar do cargo em função de reportagens dando conta de que ele detém contas secretas na Suíça com cerca de 5 milhões de dólares já bloqueados por autoridades daquele País, o PSDB decidiu voltar atrás e avisar que se as provas surgiram, a situação do peemedebista ficará "insustentável".

Segundo informações da Folha, o apoio a Cunha foi rediscutido em reunião dos tucanos na terça-feira (6). Na ocasião eles chegaram ao consenso de que não cabe atirar pedras nem blindar o presidente da Câmara, neste momento. Até que surjam as provas, "a sigla não pode servir como linha auxiliar dos que pressionam Cunha" por explicações, apontou o jornal. A postura do PSDB está relacionada ao fato de que Cunha é quem pode encaminhar o impeachment de Dilma Rousseff, ação que interesse à oposição ao governo.

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Aécio diz que não foi ao TCU interferir no julgamento das contas de Dilma

Jornal GGN - O senador Aécio Neves (PSDB) disse que não foi recebido pelo presidente do Tribunal de Contas da União, Aroldo Cedraz, na tarde desta terça-feira (6), para "interferir" no julgamento do exercício fiscal do último ano do primeiro mandato de Dilma Rousseff (PT), agendado para amanhã, a partir das 17h. 

Segundo Aécio, o TCU abriu as portas para a oposição ao governo para receber apoio após ter sido atacado de maneira "vil" e "grosseira" pelo Planalto, que anunciou, no último domingo, a estratégia de pedir o afastamento do relator das contas de Dilma, Augusto Nardes, por ter antecipado seu voto contra na imprensa.

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Folha de S. Paulo não muda editorial, blinda-se

Por Márcio A M Gomes

Comentário ao post "O dia em que a Folha voltou a ser a Folha"

A chave do dilema sofrido pela fsp é o seguinte: como continuar a ser politicamente conservador, mas liberal nos costumes? É o dilema que vive também parte da sociedade brasileira. No mundo todo, o advento da internet favoreceu muito a luta pelos direitos civis das minorias. Os pleitos e casos de violação de direitos têm repercussão imediata nos tribunais das redes sociais. No Brasil, essa bandeira sempre foi da esquerda, pois a direita sempre conviveu bem com os gays em particular, mas nunca em público. Quem tivesse uma posição mais assertiva, teria que buscar outro nicho político, como foi o caso, por exemplo, de Marta Suplicy.  

O caso de São Paulo é emblemático. As duas fases da mistura conservadorismo político e liberalidade nos costumes sempre conviveram muito bem naquele caldeirão étnico e cultural. Não é à toa a identificação imaginária que o paulista tem com os americanos do norte, onde o máximo do progressismo político é ser liberal, como se diz por lá. SP não mudou muito politicamente: continua sendo governada pelo PSDB, que era uma espécie de congregação de déspotas esclarecidos, antes da cruzada santa de Serra e do moralismo udenista do Aécio. O PSDB de vinte anos atrás representava bem o espírito paulista: a nobreza com algum verniz intelectual, ligeiramente progressista, mas não tanto. Se o projeto de vinte anos do Sérgio Mota tivesse vingado, a fsp estaria muito confortável, representando seu papel de defensora da pluralidade e fiscalizadora equânime do poder público. O governo era dos seus, e com isso dava pra conviver, e ainda dar alguma chance ao jornalismo verdadeiro.

Mas aí vieram os governos do PT. Com eles, progressismo de fato, protagonismo dos excluídos, democratização de espaços públicos, etc. Quanto mal-estar isso causou e vem causando, sentimento que evoluiu ao ódio rapidamente. Mas esse ódio ainda era privado. O conservadorismo sempre atuou nos bastidores, nas redações dos jornais, inclusive. Sempre teve um misto de vergonha e hipocrisia para se mostrar sem disfarces.

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CBF e a cara do Brasil

Há muitos anos se sabe que uma das caras do crime organizado é o futebol, nas suas vertentes de comércio de jogadores e de torneios.

No Brasil, o antigo presidente da CBF (Confederação Brasileira de Futebol), Ricardo Teixeira, montou uma blindagem intransponível no Judiciário carioca e na Polícia Federal. A exemplo de outras figuras poderosas - como o presidente da Câmara Eduardo Cunha e o Ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Gilmar Mendes - passou a sufocar os críticos com montanhas de processos, saindo ileso de todas as ações contra ele.

Essa blindagem permitiu-lhe passar isento pela CPI da Nike, que visava apurar denúncias de corrupção na entidade. Nenhum órgão de fiscalização interno - nem PF, nem Ministério Público Federal - ousou avançar contra os esbirros do setor.

Assim como no caso Alstom, foi necessário uma investigação externa para levantar o véu dos malfeitos do futebol brasileiro.

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É fácil entender as razões dessa blindagem.

O atual presidente da CBF, Marco Polo Del Nero, é estreitamente ligado ao influente deputado petista Vicente Cândido. Este foi vice-presidente de Del Nero na Federação Paulista de Futebol e depois na CBF, além de seu sócio no escritório particular.

Ricardo Teixeira é amicíssimo de Aécio Neves (PSDB) e Renan Calheiros (PMDB).

J. Hawila, o empresário que comandava a venda de campeonatos e de patrocínios, é umbilicalmente ligado às Organizações Globo. E não apenas pela amizade íntima com Marcelo Campos Pinto, diretor da Globo responsável pela compra de direitos de transmissão de campeonatos.

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