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cabeças de planilha

Nassif: O dia em que André Lara descobriu os cabeças de planilha

Finalmente, no livro "Juros, moeda e ortodoxia: Teorias monetárias e controvérsias políticas -  André Lara Rezende - um dos dois pais do Real - descobriu os cabeças de planilha, a imensa legião de economistas que, armados de slogans e planilhas, sem conhecimento de história, de política, até dos princípios fundamentais de uma economia liberal. .

Ao seu conhecimento e criatividade na política monetária - que resultou na fórmula engenhosa do Real -, o companheiro André inclui agora condimentos de história econômica, preocupações com os impactos políticos das medidas monetárias e outros elementos essenciais nas formulações econômicas, deixando de lado os bordões simplistas com os quais eles, os economistas do Real, conquistaram o jornalismo econômico, abandonado veleidades de análise de realidades complexas.

Não é à toa as expressões de surpresa de Mirian Leitão, na entrevista feita na Globonews. André só faltou falar em problemas estruturais da economia (bordão dos desenvolvimentistas), ao lado dos problemas institucionais (bordão dos liberais), para um certo pensamento econômico que só sabe seguir o manual de frases feitas: se a inflação sobe, é porque os juros estão altos; se o dólar cai, é porque a reforma da Previdência vai ser aprovada; se sobe, é porque não se sabe se a reforma da Previdência será aprovada.

Quando juntar as duas pontas, se terá, finalmente, um diagnóstico preciso de país, por enquanto nublado por uma polarização fundamentalmente emburrecedora. E André poderá ser alçado ao restrito panteão dos grandes pensadores econômicos, ocupado hoje exclusivamente por Delfim Neto.

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Os cabeças de planilha jogam a toalha, mas preservam os frutos

Durante vinte anos apontei as loucuras da política monetária do Banco Central, consolidada a partir do plano Real. Os arquivos da Folha estão repletos de colunas minhas apontando as inconsistências teóricas e práticas.

Aliás, na pesquisa me dei conta de que, apesar dos artigos não terem sido banidos dos arquivos da Folha, Otávio Frias Filho cometeu a mesquinharia de retirar meu nome de todos os índices diários de matérias do jornal.

No livro “Os Cabeças de Planilha” procurei mostrar – com base na semelhança histórica do Encilhamento – como o conjunto de teorias levantadas pelos economistas visava, no fundo, consolidar um novo tipo de poder (o financeiro) e contribuir para o enriquecimento pessoal dos economistas, à custa de custos enormes impostos ao país.

Prossegui nessa cruzada em inúmeros artigos aqui no Blog.

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Mitos e ideologia dos cabeças de planilha e a crise

Publicado no dia 5 de dezembro no jornal Valor Econômico, o artigo “De onde virá a recuperação”, de Gustavo Loyolla, permite uma boa análise de caso sobre como a subordinação à ideologia cria um viés que impede análises isentas sobre o momento.

Sabe-se que a recuperação da economia depende do apareciomento de um fator de demanda, dentre as seguintes alternativas:

1.Gastos públicos.

2.Gastos de famílias

3.Exportação.

Vamos ver como o Gustavo se comporta quando a realidade atropela suas crenças.

A divulgação do PIB do terceiro trimestre pelo IBGE confirmou o pessimismo quanto à velocidade e força da recuperação da atividade econômica. Os números mostram que, após sucessivos trimestres recessivos, o ponto de inflexão apenas ocorrerá no ano que vem e assim mesmo sem levar a uma robusta retomada. Vale recordar que a melhora da confiança de consumidores e empresários após a saída de Dilma sugeriu inicialmente que a recuperação pudesse ser mais rápida. Porém, parece que a herança maldita deixada pela gestão econômica anterior é muito mais pesada do que se imaginava inicialmente.

Qual a lógica? No momento em que Dilma caiu tinha-se à mão todos os indicadores macroeconômicos. Em cima deles, teriam que ser montadas as estratégias e apresentados os cenários. Como alegar surpresa com indicadores que eram fartamente conhecidos?

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Os sofismas dos cabeças de planilha ou em time que está perdendo não se mexe

Desde os anos 90, o mito da "lição de casa" e outros bordões de mercado foram abundantemente utilizados pelos cabeças de planilha como álibi para a falta de resultados ou para os desastres acarretados por algumas políticas imprudentes.

Impunham-se medidas draconianas, que afetavam gastos com educação, saúde, resultavam em recessão pesada, taxas de juros exorbitantes, acenando com o pote de ouro no fim do arco iris. Terminava o ano sem sinal de melhoria.

Aí sacavam-se dois álibis recorrentes:

1. O mito da entrada jogada fora.

Se desistir agora, vai se jogar fora todo o sacrifício até agora feito. Em vez da piora servir para uma análise e correção de rumos, usava-se a imagem da entrada paga que poderia ser desperdiçada, para dar sobrevida ao desastre. Foi esse tipo de argumento que permitiu elevar a dívida pública de 20% a 60% do PIB no período FHC. Ou seja, em time que está perdendo não se mexe.

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Desmontando os cabeças de planilha

Na 5a feira passada, o Project Syndicate - um site norte-americanos de artigos econômicos - divulgou um artigo de Dani Rodrik, professor de economia política internacional na John F. Kennedy School of Government, de Harvard, contendo reavaliações críticas sobre a matematização da economia, ou dos "cabeças de planilha", como os batizei mais de dez anos atrás.

A partir do início da desregulação financeira, nos anos 70, a ciência econômica desenvolveu novas velhas teorias, tirando o baú temas de cem anos atrás para defender o livre fluxo de capitais. Foram criados novos instrumentos financeiros, novas formas de alavancagem e, com a telemática, um mercado global interligado.

A bonança proporcionada pela ascensão da China, e seu efeito deflacionário sobre a economia mundial, passou a sensação de que o mundo entrara em um novo normal, no qual as crises seriam contidas pela pronta ação dos Bancos Centrais integrados.

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Paralelamente, a microinformática democratizou as formas de processamento de dados e as planilhas passaram a dominar a cabeça dos economistas. É como se a matemática, com o concurso do processamento de grandes volumes de dados, tivesse encontrado a fórmula perfeita do equilíbrio.

De pouco valeram os físicos, desenvolvendo os conceitos de teoria do caos, ou os matemáticos, recorrendo à teoria dos jogos para mostrar a impossibilidade do ponto de equilíbrio geral dos preços.

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A crítica aos cabeças de planilha, por Dani Rodrik

Praticamente desde o Plano Real, tornei-me crítico das tentativas do mercado de entender a economia através das planilhas. Cunhei a expressão “cabeças de planilha” para designar esse tipo de analista. Não apenas isso.

Toda minha análise econômica submetia teorias e propostas à prova dos fundamentos.

Isto é, analisar os efeitos das tais propostas sobre os fundamentos mais simples da economia, os que estão efetivamente na base do mercado, do comportamento dos agentes econômicos.

Fazia isso buscando as correlações entre os agentes. Se a teoria ou proposta passasse por esse teste de lógica, então tinha pé ou cabeça.

O artigo de Dani Rodrik – “Economia x Economistas” -, da Kennedy School of Government, de Harvard, expõe com clareza esses princípios e as críticas ao que eles chamam de “mathiness”.

Diz ele que não existe uma teoria única para os problemas da economia. Cada situação exige valer-se pragmaticamente dos instrumentos necessários, independentemente da teoria. E chega-se a esses instrumentos pela arte, pela intuição, não por fórmulas fechadas. A questão não é definir qual o modelo certo, mas qual o modelo que se aplica melhor a determinadas circunstâncias.

Daí a importância do conhecimento empírico, da capacidade de ver e entender os fenômenos do mercado.

Hoje, nos EUA, grandes economistas não poupam críticas a colegas que exageraram os benefícios do mercado.

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