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Nassif: O dia em que André Lara descobriu os cabeças de planilha

Finalmente, no livro "Juros, moeda e ortodoxia: Teorias monetárias e controvérsias políticas -  André Lara Rezende - um dos dois pais do Real - descobriu os cabeças de planilha, a imensa legião de economistas que, armados de slogans e planilhas, sem conhecimento de história, de política, até dos princípios fundamentais de uma economia liberal. .

Ao seu conhecimento e criatividade na política monetária - que resultou na fórmula engenhosa do Real -, o companheiro André inclui agora condimentos de história econômica, preocupações com os impactos políticos das medidas monetárias e outros elementos essenciais nas formulações econômicas, deixando de lado os bordões simplistas com os quais eles, os economistas do Real, conquistaram o jornalismo econômico, abandonado veleidades de análise de realidades complexas.

Não é à toa as expressões de surpresa de Mirian Leitão, na entrevista feita na Globonews. André só faltou falar em problemas estruturais da economia (bordão dos desenvolvimentistas), ao lado dos problemas institucionais (bordão dos liberais), para um certo pensamento econômico que só sabe seguir o manual de frases feitas: se a inflação sobe, é porque os juros estão altos; se o dólar cai, é porque a reforma da Previdência vai ser aprovada; se sobe, é porque não se sabe se a reforma da Previdência será aprovada.

Quando juntar as duas pontas, se terá, finalmente, um diagnóstico preciso de país, por enquanto nublado por uma polarização fundamentalmente emburrecedora. E André poderá ser alçado ao restrito panteão dos grandes pensadores econômicos, ocupado hoje exclusivamente por Delfim Neto.

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Ives Gandra não é Moreira Alves

Conheço Ives Gandra desde os anos 80, período em que caiu nas boas graças dos donos de jornais.

Sempre foi uma pessoa extremamente agradável, didático, bem relacionado com empresários, Ministros, desembargadores e jornalistas. E sempre foi pau para toda obra. Qualquer tema que exigisse uma fonte jurídica tinha Ives em plena disponibilidade.

Sua especialidade original foi a tributária. Era sócio de um grande tributarista de origem inglesa, que garantia a reputação do escritório e que me ensinou os primeiros conceitos de tributação - eu na condição de repórter econômico iniciante.

No campo dos pareceres, Ives sempre fez parte do corpo de juristas que atendia a qualquer demanda, em qualquer tema, mesmo fora da sua especialidade.

Tive um exemplo no dia em que os economistas do Cruzado me passaram a informação de um decreto estranho, preparado pelo então consultor geral Saulo Ramos, reinstituindo a indústria da liquidação extrajudicial - pela qual o banco quebrava, seus ativos eram corrigidos e o passivo (dívidas junto a fundos públicos) congelados.

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