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Como a Lava Jato entregará a repatriação de empresas brasileiras ao mundo

Entenda o jogo de interesses que mobiliza um aparente bem-intencionado acordo de cooperação internacional: todos os países e investigadores ganham, menos as empresas brasileiras
 

Lava Jato durante a apresentação da "Car Wash", com procuradores suíços e dos EUA - Foto: Geraldo Bubniak / AGB
 
Jornal GGN - A Lava Jato de Rodrigo Janot está de olho no ex-procurador suíço Stefan Lenz, que se auto caracteriza como o "cérebro" das investigações no país sobre o esquema de corrupção envolvendo a Petrobras e Odebrecht. Por não se sentir reconhecido, financeiramente e por seus superiores, ele pediu demissão. Jornais alemães e suíços acessados pelo GGN dão conta, ainda, que Lenz poderia avançar nas investigações que fazem "estremecer políticos brasileiros e, inclusive, levar à prisão o ex-presidente Lula da Silva".
 
A frase foi reproduzida de uma reportagem no periódico alemão "Aargauer Zeitung", em outubro do último ano, quando Lenz abandonava a sua equipe de investigadores por aparentes conflitos internos. Lá, o investigador teria criado inimizade com o procurador-geral, Michael Lauber. E enquanto uma troca no grupo de delegados da força-tarefa no Brasil foi vista como um desmanche das investigações, o país europeu mostrou-se determinado a fortalecer as investigações que tem como mira as empresas brasileiras.
 
 
Daqui, a força-tarefa de Curitiba e o procurador-geral, Rodrigo Janot, não demonstram preocupação com possíveis interferências de investigadores estrangeiros nas irregularidades ou ilícitos dentro das companhias nacionais, ao contrário, agradecem publicamente a mobilização de mais de uma dezena de pessoal, como advogados, procuradores especialistas em corrupção e técnicos forenses no país, exclusivamente para mirar a Petrobras.
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JBS, campeão nacional da Irlanda, por André Araújo

Por André Araújo

O grupo JBS, maior empresa privada brasileira não financeira, com faturamento de 153 bilhões de Reais em 2015, que cresceu 20 vezes desde que começou a ser apoiado pelo BNDES com empréstimos e participação acionária, anuncia que pretende mudar sua sede legal e tributária para a Irlanda,  com a criação de uma nova empresa, a JBS Foods International, que controlará 80% de seu faturamento, ficando 20% com a empresa brasileira que todavia tambem será controlada pela estrangeira.  A reestruturação  ainda precisa ser aprovada pelos acionistas, entre os quais o BNDES, que tem perto de 24% do capital do grupo e tem poder de veto nessa decisão.

O sentido político e fiscal dessa transferência de País é incalculável. O Brasil perde sua maior empresa privada que, para todos os efeitos, passará a ser uma empresa estrangeira com atividades no Brasil.

Nos Estados Unidos esse processo de mudança de sede de grandes multinacionais que querem sair dos Estados Unidos para países com baixa tributação, como é o caso da Irlanda, tem provocado fortíssimas reações do Governo americano, que usa todo seu peso político para impedir que isso aconteça, fazendo muitas com essa intenção desistirem da ideia, como foi o caso da Pfizer que ameaçou ir para o Reino Unido e desistiu.

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A questão nacional na Operação Lava-Jato, por Motta Araujo

A questão nacional na Operação Lava-Jato

Por Motta Araujo

A operação Lava-Jato afeta profundamente questões macro, a saber:

1. A governança e sobrevivência da PETROBRAS

2. A governança e sobrevivência de grandes empresas nacionais de engenharia que em conjunto e por suas subsidiárias, concessões, participações, terceirizações garantem a sobrevivência de mais de um milhão de pessoas.

Não é exagero. Os seis aeroportos comerciais privatizados são controlados por empreiteiras.

Não se trata, portanto, de punir o Cerveró e o Paulo Roberto apenas e sim no impacto sobre a economia e sobre setores estratégicos do País, não só de construção mas também de logística, de telefonia, de defesa.

Aparentemente nem o Governo e muito menos as corporações do Judiciário e do MPF estão preocupados com isso.

Quando no meio de uma operação que começa com alcance individual se depara uma questão nacional é normal que os Governos se mexam para limitar os danos.

Não é o que parece estar acontecendo. Cada instancia mira apenas no seu espaço como se fosse um problema de algumas pessoas e não do País, o Governo é apenas observador.

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Lava Jato e a Conta de Padaria, por Motta Araujo

Conta de Padaria

Por Motta Araujo

De boas intenções o inferno está cheio, é o velho ditado português. As boas intenções das ilhas de poder autônomo que não respondem ao Estado, situação única no planeta, não há Ministério Publico ou Polícia independente que faz o que quer sem limite do Poder eleito, as ilhas de poder são braços do Estado, não são Reinos.

Nos EUA, democracia sólida,  procuradores são nomeados sem mandato pelo Presidente e podem ser demitidos a qualquer momento,  vão levar o País a uma crise politica e econômica 500 vezes mais cara que as grandes propinas da Lava Jato. As prisões, os bloqueios de capital de giro, os confiscos de ativos, tudo isso produz mega efeitos.

1. PERDA DO VALOR CORPORATIVO E DE MERCADO DA PETROBRAS - Se a empresa se salvar será um pária corporativo, processada por todo lado, gastando suas energias, atenção da diretoria e esforços da gerência para manter a cabeça acima da água, a primeira grande dificuldade será captar dinheiro para rolar a divida de US$130 bilhões, a segunda conseguir dinheiro para o plano de investimentos, US$45 bilhões por ano, a terceira gerenciar os projetos que estão sendo desenvolvidos, há clima para isso? Veremos mas acho difícil.

Ao liquidar com diretores por tabela liquidam com a empresa, está ai para quem quiser ver, imagem corporativa é mais delicada do que reputação de mulher, trincada é difícil colar, a Petrobras virou a Geni da vez.

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