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Xadrez da contagem regressiva para 2018

Peça 1 – o jogo das expectativas sucessivas

Uma das retóricas recorrentes dos “cabeças de planilha” é a criação das expectativas sucessivas. Monta-se uma política monetária e fiscal que mata qualquer possibilidade de recuperação da economia e vende-se o mito da “lição de casa”. Ou seja, se cortar o leite da merenda escolar, a aposentadoria dos velhinhos, as políticas de renda mínima, se atingirá a prosperidade eterna, na qual todos ganharão.

Aplica-se o arrocho, e nada. Alega-se então que a lição de casa não foi suficientemente radical. Aplica-se nova rodada de cortes em cima dos direitos dos mais fracos, e nada. Até o momento em que o tecido social se esgarça, a paciência geral se esgota, as distorções econômicas se avolumam e o plano vai por água abaixo – por uma crise cambial, por uma crise fiscal, por terremotos sociais, por uma reação política.

Consumado o fracasso, a culpa é atribuía à falta de vontade dos pecadores, que não ousaram cumprir a penitência até o final.

Já se chegou a esse estágio.

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Esquerdas: dos escombros à reconstrução?, por Aldo Fornazieri

Imagem: Grafite de Banksy

Esquerdas: dos escombros à reconstrução?

por Aldo Fornazieri

As eleições municipais - primeiro e segundo turno - tiveram o efeito de uma bomba termobárica sobre o PT em particular e sobre a esquerda em geral. Com os resultados, as estruturas institucionais de poder foram drasticamente reduzidas. Isto importa perda de capacidade de articulação, de mobilização e de interação política e social. No segundo turno, a derrota do PT foi ampliada: não venceu em nenhuma prefeitura que disputou e do chamado cinturão vermelho da Grande São Paulo não sobrou nada. Em que pese as boas votações no Rio de Janeiro e em Belém, o PSol não consegui se viabilizar como a alternativa de esquerda que imaginava ser.

Das eleições emergiu um cenário que já se tornou mais ou menos óbvio: o grande vitorioso é o PSDB, com o fortalecimento de Alckmin e enfraquecimento de Aécio Neves; partidos pequenos e médios, situados ao centro e à direita, se fortaleceram, o que poderá dificultar a reforma partidária e a introdução da cláusula de barreira; com a vitória de Crivella se fortalece o projeto político da Igreja Universal e o conservadorismo no âmbito dos direitos civis e individuais e no terreno dos valores e costumes; o bloco de sustentação do governo Temer deverá prolongar a sua unidade reforçando a tendência de aprovação de reformas conservadoras; com  viabilização do governo Temer, seja pelas vitórias eleitorais do campo que o apóia seja pela aprovação da PEC 241 por ampla margem na Câmara dos Deputados, a ameaça de afastamento do presidente  pela via de decisão do TSE foi praticamente afastada.

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Xadrez do marco zero das esquerdas

As eleições municipais simbolizam um marco zero para as esquerdas, de fim da era de predominio  absoluto do PT. 

O partido nasceu moderno nos anos 80, como uma confluência de coletivos. 

Nos anos 90 amoldou-se para a luta política convencional, revendo dogmas, aplainando radicalismos estéreis. Mas, para tanto, recorreu a um centralismo que pouco a pouco foi  inibindo o protagonismo dos coletivos. 

Com a chegada ao poder, tentou manobrar as ferramentas de luta institucional. Nesse período, perdeu quatro elementos centrais: José Genoíno e Luiz Gushiken, tragados pela AP 470; o ex-Ministro Márcio Thomaz Bastos; manteve ainda José Dirceu atuando como eminência parda, mas sem dispor mais das ferramentas institucionais e afastado do centro de poder pelo isolamento a que foi confinado pelo governo Dilma, crítica de seus métodos.  Leia mais »

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A operação de Temer e a evanescência da esquerda, por Aldo Fornazieri

A operação de Temer e a evanescência da esquerda

por Aldo Fornazieri

Mesmo antes que se completasse um mês de duração do governo ilegítimo de Michel Temer o mundo aventureiro e irresponsável das elites e de seus consultores chegou à conclusão desalentadora de que nenhuma das reformas almejadas pelo conglomerado golpista será realizada. Os movimentos protelatórios começaram ainda na época da interinidade: prometia-se o céu com a aprovação definitiva do impeachment. Consumado o golpe, as injunções da conjuntura jogaram as promessas de propostas para depois das eleições. Avizinhando-se a data das eleições, agora as coisas estão ficando para 2017, 2018 e para 2019. Ou seja: para o futuro governo. A única reforma efetivamente encaminhada, a do Ensino Médio, se revelou coisa de governo autoritário no método e desastrosa no conteúdo.

Impopular, ilegítimo, com uma série de citações, junto com seus pares, nas delações da Lava Jato, Temer não mostrou ser o político habilidoso de que se cantava em prosa e verso. Parte do seu ministério inicial caiu sob o golpe de denúncias. O ministério atual prima pelas declarações desastrosas, pelos desmentidos subsequentes, pela irrelevância de muitos ministros, pelas pessoas inadequadas em pastas altamente sensíveis para a sociedade. A parte da sociedade que foi contra o afastamento de Dilma hostiliza abertamente o atual governo. E quem era contra a Dilma, também não o quer. Como já se afirmou em outro artigo, é um governo que será abandonado paulatinamente porque dele não emerge nenhuma perspectiva de poder futuro. Os aliados de ocasião e de oportunismo, o deixarão pelo caminho.

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A esquerda, a advertência e a promessa, por Aldo Fornazieri

A esquerda, a advertência e a promessa

por Aldo Fornazieri

Não resta dúvida de que a esquerda, nas suas diversas matizes e pluralidades, vive uma crise que se projetou ao longo do século XX, com o stalinismo e com a socialdemocracia, que se prolonga no tempo e que se agrava nos dias de hoje. O colapso soviético, os rumos do comunismo chinês, o adesismo socialdemocrata ao liberalismo e os descaminhos da esquerda latino-americana deixaram pouco mais que escombros de uma tradição socialista e, em geral, marxista, que se pretendeu redentora da humanidade, radicada na promessa de uma terra de igualdade, justiça e liberdade.

Existem várias causas e várias explicações para o fracasso e crise da esquerda. Mas, talvez, uma delas, quem sabe a mais importante, tenha sua origem genética na forma com que a esquerda vê o ser humano e o processo histórico. A rigor, o pensamento político antigo e moderno se inscreve em duas grandes linhas constitutivas: a realista e a utópica. A forma como essas duas linhas percebem o ser humano e a história e os dois elementos incontornáveis da política – a advertência e a promessa ou o medo e a esperança – são praticamente divergentes.

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Autocrítica, por Pedro Augusto Pinho

Autocrítica, por Pedro Augusto Pinho

Comentário ao post A necessidade da autocrítica das esquerdas

Caro Nassif

Há uma variável importante: a própria sociedade brasileira, desinformada e preconceituosa. Acredito que nestes 12 anos de governo do PT perdeu-se uma enorme oportunidade de reduzir estas percentagens. No artigo que acrescento há, ainda que remota, uma consequência desta postura arrogante dos sonos do poder. Continue na luta.
PRECONCEITO E BURGUESIA

Perdão!.. de não ter ousado
Viver contente e feliz!
Perdão da minha miséria,
Da dor que me rala o peito,
E se do mal que te hei feito,
Também do mal que me fiz!
(Gonçalves Dias, Ainda uma vez – Adeus!)

O escritor inglês Edward Gibbon (1737 – 1794), célebre por sua obra “Declínio e Queda do Império Romano”, foi batizado aos 16 anos no rito católico romano. Seu pai, irado, retirou-o de Oxford, entregou sua educação a um calvinista e ameaçou executar seu conversor religioso.

Transcrevo o comentário que D. A. Saunders, especialista nesta obra de Gibbon, apresenta, na Introdução de uma das edições, sobre a referida passagem biográfica: “Era tal a índole da época que, poucos anos mais tarde, uma turba londrina, enfurecida pelas propostas de abrandamento das leis penais discriminatórias contra os católicos romanos, queimou distritos da cidade e teve de ser reprimida pela força armada”.

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A construção da Frente Democrática e Progressista e 2018, por Aldo Fornazieri

A construção da Frente Democrática e Progressista e 2018

por Aldo Fornazieri

A crise das esquerdas, particularmente no Brasil, é de larga magnitude e de ampla significação. A sacramentação do golpe, que deverá ocorrer em agosto, selará uma derrota histórica das esquerdas, particularmente do PT. O que é estranho nessa crise é que boa parte dos dirigentes e dos militantes das organizações de esquerda não se deram conta da profundidade e da gravidade da crise e continuam girando numa escala analógica quando os acontecimentos estão se movendo em velocidades digitais.

Se a tese do golpe foi importante num determinado momento para estimular o retorno às ruas de dirigentes e militantes acuados, o problema é que já nesse segundo momento ela se transformou numa mera zona de conforto e numa espécie de autojustificação moral, principalmente dos dirigentes, que pensam que com o golpe a história os absolverá de seus erros e de sua passividade, pois eles estariam no “lado justo” dessa contenda. O mais provável é que a história condene tanto os golpistas quanto os dirigentes das esquerdas, particularmente os dirigentes petistas, já que eles também foram coparticipes da construção da presente tragédia política.

A crise das esquerdas brasileiras é de tal grave singularidade que é até mesmo difícil imaginar que sobre os escombros das atuais organizações é possível construir uma nova perspectiva de futuro. Ocorre que boa parte dos dirigentes e dos militantes da esquerda opera no passado, voltada para o passado. Apenas para dar um exemplo: muitos julgam que os recursos do Estado são infinitos e que um governante pode gastar o quanto quiser desde que gaste em favor dos desvalidos, embora muitos gastem em favor de seus partidos e, inclusive, muitos terminem se locupletando privadamente como    está sobejamente demostrado.

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As ilusões da conjuntura e o silêncio das esquerdas, por Aldo Fornazieri

As ilusões da conjuntura e o silêncio das esquerdas

por Aldo Fornazieri

A gravidade da delação premiada de Sérgio Machado deveria ter produzido o efeito de uma bomba termobárica sobre o governo e sobre o sistema político brasileiro. Não teve. Em qualquer país sério, os dirigentes dos principais postos políticos do país teriam sido obrigados a se afastar de seus cargos e estariam presos, inclusive o presidente ilegítimo Michel Temer, Renan Calheiros, Eduardo Cunha, vários ministros e as cúpulas dos principais partidos. Não estão. Se a delação tivesse ocorrido durante o governo Dilma, a mídia teria feito uma enorme escandalização, mas agora não fez. A oposição teria saído a campo para exigir explicações, demissões, afastamentos, renúncias. A oposição de agora mal se pronunciou. Como entender essa situação anômala?

Ocorre que a vitória do golpe foi também a vitória da hipocrisia e do cinismo. Nos ambientes cínicos impera a desfaçatez, não há mais mesuras com a moral e os bons costumes e nem sequer os políticos se importam com as aparências. Nem mesmo os colunistas e analistas políticos de plantão e a grande mídia em geral: todos foram tragados pelo cinismo ao ponto da grande mídia brasileira ver-se desmoralizada junto à mídia europeia e norte-americana.

No ambiente cínico as denúncias já não importam. Tanto faz ser considerado honesto ou corrupto. Os políticos, com Temer à frente, se dão uma qualquer missão autoatribuída e agem em nome dela ignorando as denúncias que os atingem. A grande mídia e boa parte da opinião pública, ambas desmoralizadas pelo monstro que ajudaram a produzir, procuram envernizar a aquilo que não comporta nenhuma aderência a qualquer produto lustroso. Mas tanto faz. Afinal de contas, a Dilma foi afastada e tenta-se dar a esse golpe desastroso para a democracia brasileira a aparência de normalidade.

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Por que as esquerdas continuam perdendo?

Sugerido por Assis Ribeiro

Da Carta Maior

 
O fato de as direitas estarem ganhando e as esquerdas estarem perdendo se deve a vários fatores. Um deles é que as direitas têm muito mais dinheiro.
 
Por Vicenç Navarro (*)
 
O fato de as direitas estarem ganhando e as esquerdas (especialmente, a social-democracia) estarem perdendo se deve a vários fatores. Um, muito importante, é que as direitas têm muito mais dinheiro e, portanto, recursos do que as esquerdas. O capital (termo utilizado apenas aqui por ser considerado “antiquado”) as apoia, lhes dá dinheiro e oferece as grandes caixas de ressonância que são os meios de comunicação e persuasão. Porém, outra causa do pouco êxito das esquerdas é que elas aceitaram, em sua maior parte, os termos e conceitos estabelecidos e promovidos pela direita, por detrás dos quais o capital está. Entre eles está a ideologia liberal (na verdade, neoliberal), que guia a maioria das políticas públicas atualmente apoiadas pelas direitas e reproduzidas (em versão light) pelas esquerdas.

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Por que as esquerdas foram derrotadas em 1964?

Sugerido por Marcos Chiapas
 
Do Polo Comunista Luiz Carlos Prestes
 
 
Quarta, 06 Novembro 2013 14:27
 
Por Anita Leocadia Prestes
 
Tornou-se um truísmo, a partir de 1/4/1964, a crítica ao PCB por não ter resistido ao golpe civil-militar, assim como a acusação de que tal posicionamento seria decorrência de sua política pacifista, do despreparo para a resistência aos golpistas e de ilusões na burguesia e no “esquema militar” do presidente João Goulart.
 
O PCB contava com importantes lideranças sindicais à frente do Comando Geral dos Trabalhadores (CGT) e de numerosos sindicatos, com inúmeros aliados tanto no movimento sindical urbano quanto rural, com a presença significativa de seus militantes na União Nacional dos Estudantes (UNE) e junto ao movimento estudantil universitário e secundarista. Da mesma forma, o PCB exercia influência em múltiplos setores do mundo social e político brasileiro, em particular, junto a personalidades e a agrupamentos com posições democráticas e nacionalistas, que se pronunciavam contra a ingerência imperialista no país e pela reforma agrária.

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