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Moro não tem a coragem nem a discrição do juiz do caso Herzog, diz filho do jornalista

Foto: Lula Marques
 
 
Jornal GGN - Ivo Herzog, filho de Vladimir Herzog, afirmou em entrevista ao Valor que Sergio Moro está muito longe de ser comparável ao juiz Márcio Moraes, que condenou a União pela tortura e assassinato do jornalista, em 1975.
 
Em entrevista ao Estadão, o presidente do TRF4 (Tribunal Regional da 4ª Região), Thompson Flores, quis elogiar a sentença de Moro contra Lula por causa do triplex no Guarujá, e decidiu fazer uma comparação com a sentença do caso Herzog. Flores disse que a decisão de Moro, a exemplo da sentença do juiz Moraes, "vai entrar para a história". 
 
Para Ivo, o paralelo foi "absolutamente inapropriado". Primeiro porque Mário Moraes não era o juiz natural do processo sobre a morte de Herzog. À época, agentes da ditadura manobraram para tirar a ação do magistrado originalmente designado, acreditando que Moraes, por ser um juiz em início de carreira, não iria ter coragem de decidir contra o Estado.
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As marcas da ditadura, os porões da memória e as Clínicas do Testemunho

Da GQ - Editora Globo

Nos porões da memória

por Vítor Hugo Brandalise

O ESTADO BRASILEIRO TENTA CURAR OS DANOS CAUSADOS A SEUS CIDADÃOS DURANTE A DITADURA MILITAR. NOS ÚLTIMOS MESES, GQ ACOMPANHOU UM PROGRAMA INÉDITO DO GOVERNO FEDERAL QUE DÁ ASSISTÊNCIA PSICOLÓGICA A VÍTIMAS DE TORTURA E SUAS FAMÍLIAS. NO MOMENTO EM QUE O GOLPE COMPLETA 50 ANOS, CONTAMOS COMO O TRATAMENTO ESTÁ TRAZENDO VIDA NOVA A QUEM SOFREU COM A VIOLÊNCIA – E COMO PODE AJUDAR A CURAR OS TRAUMAS DO PAÍS INTEIRO

IMAGEM DE UM REGIME   Vladimir Herzog, no DOI-CODI de São Paulo. Jornalista e militante do Partido Comunista Brasileiro, ele foi levado para prestar depoimento, em 1975. Acabou torturado e assassinado no quartel.  (Foto: Reprodução José Cruz/ABr)

A ex-guerrilheira percorreu com passos firmes os 20 metros que separam o saguão principal da Secretaria de Justiça do Rio Grande do Sul da saleta nos fundos do prédio, onde relembraria os dias em que quase foi morta. Dilma Vana Rousseff chegou com semblante altivo, o queixo apontando para o alto e, ao sentar-se para prestar depoimento, parecia tranquila. Ela falou durante 40 minutos, um discurso límpido e assertivo, que seria usado em um processo de indenização para vítimas de tortura na ditadura militar. Dilma contou que foi colocada no pau de arara, apanhou de palmatória, levou choques e sofreu hemorragia no útero. Falou da solidão da cela e do sentimento de encarar a morte. Manteve o tempo todo a postura firme e o olhar fixo no entrevistador. Até que, ao detalhar as formas como foi torturada – “me deram um soco e o dente se deslocou e apodreceu” –, Dilma desabou.

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Ex-agente do DOI-Codi, Capitão Ubirajara é alvo de escracho em São Paulo

Jornal GGN – O ex-delegado da Polícia Civil Aparecido Laertes Calandra, mais conhecido como Capitão Ubirajara, acusado de atividades de tortura e morte nas dependências do DOI-Codi, foi alvo de um “escracho” durante a manhã desta terça (1º). Entre as denúncias contra Calandra está o envolvimento na alteração do laudo de morte do jornalista Vladimir Herzog, que apontava como causa o suicídio. 

O ato pacífico ocorreu em frente à residência do delegado aposentado, no bairro Ipiranga, em São Paulo, por volta das 6h30. A Polícia Militar informou que a ação reuniu cerca de 30 participantes. Já os organizadores, membros do Levante Popular da Juventude, contabilizaram o triplo de adesões.

Durante o movimento, integrantes do Levante entregaram panfletos e conversaram com vizinhos. O grupo, que sustenta que "já que não há justiça, há escracho", também organizou, em 31 de março, o protesto contra o coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra. Eles pintaram os rostos, fizeram batucada e picharam frases como “Aqui mora um torturador” em muros próximos à casa dos agentes da ditadura militar.

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