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No rastro do ódio semeado, surge uma trilha rumo a um Brasil na contramão da felicidade, por Hildegard Angel

No rastro do ódio semeado, surge uma trilha rumo a um Brasil na contramão da felicidade

por Hildegard Angel

As pessoas se assustam com a crescente onda de obscurantismo no Brasil. A truculência que arrebata nosso cotidiano, em todos os campos de relações, nos estádios de futebol, discussões de trânsito, desavenças de vizinhos, pequenas discórdias do cotidiano, que antes seriam resolvidas com um aperto de mão ou um desaforado palavrão, daqueles ‘caseiros’, hoje resultam em violentas agressões morais e físicas, até em morte.

Esquadrões de trogloditas musculosos, cheios de endorfina para brigar (e não para amar), são arregimentados, bastando uma compartilhada de Facebook, e vão às dezenas, centenas, aos milhares, barbarizar nas finais de campeonato, em manifestações políticas, discotecas ou bares da madrugada. São hordas e hordas de acéfalos tatuados, deformados pelos anabolizantes proibidos, tanta musculatura que são obrigados a andar meio curvos, fazendo lembrar os antepassados pré-históricos, pré-Civilização, da Idade da Pedra.

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Em 55 dias na Justiça, Serraglio dedicou um terço a ruralistas e investigados

Osmar Serraglio, ministro da Justiça - Foto: Agência Brasil
 
Jornal GGN - O ministro da Justiça, Osmar Serraglio (PMDB), completou 55 dias de mandato na pasta. Desde o princípio emplacado pela bancada ruralista e evangélica do PMDB, o então diretor jurídico da Frente Parlamentar da Agropecuária mostrou que sua atuação na Câmara na luta contra direitos e demarcações indígenas refletiu na gestão do Executivo.
 
Em balanço realizado por reportagem da Folha de S. Paulo, Serraglio teve em menos de dois meses a agenda dominada por ruralistas e alvos da Operação Lava Jato. Junto à Frente que comandou na Câmara, reuniu-se 100 vezes com integrantes da bancada e nenhuma sequer com representantes indígenas.
 
A pasta do Executivo é a responsável pela Polícia Federal, tema que já trazia receios de interferências nas investigações da Operação Lava Jato, e o dever pelas terras indígenas, uma vez que traz como subordinada a Funai (Fundação Nacional do Índio).
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Empresários são os verdadeiros donos de 153 emendas da reforma trabalhista, revela The Intercept

Foto: Fabio Rodrigues/Agência Brasil

Jornal GGN - Empresários do setor de transporte, da indústria e banqueiros são donos, literalmente, de mais de 100 emendas apresentas como se fossem de deputados federais ao projeto da reforma trabalhista, aprovado pela Câmara na quarta (26).

Segundo levantamento exclusivo do The Intercept Brasil, do total de 850 emendas apresentadas por 82 parlamentares, 34% foram integralmente redigidas em computadores de representantes da Confederação Nacional do Transporte (CNT), da Confederação Nacional das Instituições Financeiras (CNF), da Confederação Nacional da Indústria (CNI) e da Associação Nacional do Transporte de Cargas e Logística (NTC&Logística). Desse total vinculado a lobistas, 52% (153 emendas) foram integral ou parcialmente aprovadas com o relatório final.

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Leonardo Stoppa: interesse dos EUA na derrubada dos frigoríficos brasileiros

 
Jornal GGN - "Os Estados Unidos estão destruindo o nome 'Brasil produtor de carne' para que eles consigam comprar a nossa carne, por um preço baixo, e mais importante que isso, a nossa carne 'in natura'. Eles não vão comprar de frigorífico brasileiro, só as peças de carne para que os frigoríficos americanos e de outros países especuladores possam revender essa carne com o nome deles", resumiu o jornalista Leonardo Stoppa.
 
O jornalista lembra que os investigadores e Judiciário brasileiros já "sabiam que isso estava acontecendo há dois anos", com as irregularidades agora deflagradas na Operação Carne Fraca. Stoppa defende que o problema já poderia ter sido resolvido, "de uma forma muito mais simples, sob segredo de Justiça", visando a proteção das empresas brasileiras frente ao mercado internacional. 
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Política, política, política e política, por Juliano Santos

Política, política, política e política

por Juliano Santos

Comentário ao post Lula, Ciro e a frente das esquerdas, por Luis Nassif

Não diria que a política de conciliação fracassou, pois durou treze anos e fêz muita coisa. Desandou, por falhas do PT, quais sejam, conciliação "em excesso", o tal "republicanismo" e acomodação burocrática da cúpula partidária. Sem contar uma geração de políticos sem sangue nas veias. Com esses Humberto Costa, Vianas, Tarsos, Cardozos e covardes que não aparecem, não há partido que resista. Salvam-se poucos como Lindeberg, Pimenta, Wadih e Gleisi.

Não falo nas "falhas" da direita, que deu o golpe, porque não foi falha, muito pelo contrário. Falha é não ver que em algum momento eles cansariam de perder eleição e partiriam para o tudo ou nada. Leia a história do Brasil e se constata que a direita brasileira é golpista, sempre foi.

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Serra volta ao Senado em meio a negociações de petrolíferas

Serra e o secretário de Estado dos Estados Unidos, John Kerry
 
Jornal GGN - O então ministro de Relações Exteriores José Serra (PSDB-SP) pediu demissão, nesta quarta-feira (22), em carta ao presidente Michel Temer. Alegando problemas de saúde, Serra disse estar impedido "de manter o ritmo de viagens internacionais inerentes à função de Chanceler".
 
Justificou ao Planalto que "segundo os médicos, o tempo para restabelecimento adequado é de pelo menos quatro meses". No fim de dezembro, Serra foi submetido a uma cirurgia de descompressão e artrodese da coluna cervical.
 
Apesar da recuperação, boletim médico do Sírio Libanês, hospital em São Paulo onde foi realizada a cirurgia, não destacava gravidade no procedimento. Ao contrário, a nota divulgada no dia 19 de dezembro informava que a cirurgia era, na verdade, uma "técnica minimamente invasiva".
 
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Moraes modifica demarcação de terras indígenas garantidas na Constituição

Texto dá poderes a Executivo para alterar demarcações garantidas em 1988, de acordo com interesses de ruralistas, e esvazia autonomia da Funai
 
 
Jornal GGN - O ministro da Justiça, Alexandre de Moraes, altera a demarcação de terras indígenas garantida desde os anos 90. Uma portaria foi publicada nesta quarta-feira (18) no Diário Oficial dá poder ao Executivo de reavaliar o sistema atual, realizar "diligências" e modificá-lo.
 
A medida possibilita a alteração dos processos de demarcação, incluindo todos os interesses do agronegócio e bancada ruralista do Congresso. Entre elas, concedendo a última palavra da demarcação ao Ministério da Justiça e à Presidência da República.
 
Seguirá o ritual de análise antropológica da Fundação Nacional do Índio (Funai), com a discussão do tema, o direito de manifestações das partes, a apresentação de documentos, etc. Mas, em seguida, o caso será levado ao Executivo para aprovar ou desaprovar a demarcação, fragilizando a independência da Funai.
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Contra corrupção, quebra-se a Odebrecht, mas se protegem as estrangeiras

 
Jornal GGN - A cooperação aceita pelos procuradores da República da força-tarefa da Lava Jato no Brasil com a Justiça norte-americana, desde o fim de 2014, teve um de seus desfechos no final do último ano. O resultado foi a tutela das autoridades brasileiras para Departamento de Justiça dos Estados Unidos investigar e fiscalizar as empresas nacionais.
 
Desde o início da cooperação internacional, os procuradores anunciavam que o intercâmbio era positivo ao país. Um dos gestos mais simbólicos da extensão dessa aliança na Operação foi a visita do procurador-geral da República, Rodrigo Janot, em fevereiro de 2015, aos Estados Unidos, para fechar um acordo de "entendimento" com o Banco Mundial contra a corrupção.
 
Aquele era o início da abertura dos investigadores brasileiros à fiscalização e controle dos EUA, ainda que infringindo medidas de proteção do Estado contra a soberania nacional.
 
No dia 21 de dezembro de 2016, o Departamento de Justiça norte-americano concluía uma das principais etapas desta colaboração. Anunciava um acordo assinado pela Odebrecht, por intermédio dos procuradores da República brasileiros, para pagar multas aos EUA e Suíça, além do Brasil, pelas práticas ilícitas e de corrupção [leia aqui].
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A República estilhaçada e a falência do STF, por Aldo Fornazieri

Imagem - Divulgação

A República estilhaçada e a falência do STF

por Aldo Fornazieri

Uma república se sustenta sobre a funcionalidade do tripé dos três poderes - Executivo, Legislativo e Judiciário - conforme o estabelecido na Constituição. Nas últimas semanas, a república brasileira veio abaixo com o desmoronamento do último poder que ainda mal subsistia: o Judiciário. Fruto de um golpe, o Executivo, sem legitimidade não podia ser considerado um poder republicano desde a posse de Temer. Além da ilegitimidade originária, esse governo era e é inaceitável pelo seu caráter criminal. Se alguém ainda duvidava de que se tratava de uma quadrilha, as delações dos executivos da Odebrecht acabam de desvelar qualquer dúvida. A principal missão desse governo é a de investir com violência contra os direitos sociais e contra o espírito e a letra da Constituição de 1988.

O Congresso, na sua dupla composição - Câmara e Senado - foi o principal fautor do golpe. Por serem casas comandadas por pessoas acusadas de cometer vários crimes, sendo que um de seus dirigentes, Eduardo Cunha, está preso e com denúncias graves pesando sobre os ombros de vários membros, o Congresso não tem respeito e legitimidade junto à sociedade. As delações recentes mostram que a soberania da representação popular foi vendida, privatizada, vilipendiada, conspurcada, ao sabor dos interesses privados de empreiteiras e de outros grupos que compram leis, favores e benefícios. Não há como considerar que esse Congresso seja uma instituição republicana, pois ele é a face perversa da destruição da res publica.

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PMDB quer blindar Renan e Maia para manter governabilidade de Temer

 
Jornal GGN - Após a votação polêmica do Supremo Tribunal Federal (STF), que por maioria aprovou a manutenção de Renan Calheiros (PMDB-AL) na Presidência do Senado, retirando-o apenas da linha sucessória da Presidência da República, bastidores do Congresso alimentam que caciques parlamentares tentam uma Proposta de Emenda à Constituição para blindar os presidentes da Câmara e Senado.
 
Como as duas Casas Legislativas são indicações do PMDB, Renan no Senado e Rodrigo Maia (DEM-RJ) na Câmara, o intuito é beneficiar parlamentares para proteger a agenda de interesses do governo de Michel Temer.
 
Isso porque os dias estão contados para acelerar na pauta da Câmara e do Senado as medidas do governo peemedebista. Entre elas, a PEC 55, do Teto dos Gastos Públicos, que busca congelar por 20 anos os investimentos da União, afetando diretamente a saúde e a educação.
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A não-notícia ou como jornal pode ver copo "meio cheio" e "meio vazio"

 
Jornal GGN - O grande trabalho de tabular índices de 2.945 prefeitos que se candidataram à reeleição não gerou os efeitos esperados para a Folha de S. Paulo. Nem para mais, nem para menos. Isso porque o resultado da longa análise foi de 47% de êxito para os já prefeitos que tentaram pela segunda vez o posto e 54% foram os que perderam a disputa.
 
O balanço equilibrado não geraria notícia, uma vez que não se pode ter uma das duas constatações extremas, seja a positiva ou a negativa para os candidatos às Prefeituras. Mas já com o trabalho feito e gasto, os repórteres optaram pelo posicionamento no jornal, e com o maior destaque possível em um diário, estampando a capa do impresso e do online. Qual foi o posicionamento? Os dois.
 
A manchete de capa do jornal paulista em sua versão online trouxe: "Nem metade dos prefeitos consegue se reeleger no país em meio à crise", com a linha-fina: "Mesmo com o controle da máquina pública, mandatários centralizaram insatisfação". Diante dessas palavras, o leitor espera que a pesquisa vá revelar uma minoria considerável de prefeitos que alcançaram o feito. 
 
Mas, usando os mesmos critérios das pesquisas de votos em campanhas eleitorais, o que houve foi um "empate técnico". Porque aproximadamente metade deles conseguiu e a outra metade não.
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Cerveró negou que tenha recebido dinheiro a mando de Lula para desistir de delação

Delcídio do Amaral era diretor da Petrobras - onde a roubalheira era "histórica" - desde o governo FHC. Foi ele quem emplacou Nestor Cerveró na Diretoria Internacional. Em troca, pediu o desvio de R$ 6 milhões para pagar dívida de campanha. Há a possibilidade de Delcídio ter comprado o advogado de Cerveró para impedir qualquer acordo de delação que trouxesse seu passado à tona. Pego em flagrante, o ex-senador jogou a bomba no colo de Lula

Jornal GGN – Delcídio do Amaral é um dos principais delatores na ação em que Lula é acusado de tentativa de obstruir a Lava Jato. Após passar uma temporada na prisão por ter caído num grampo que comprova que ele ofereceu dinheiro e uma rota de fuga para Nestor Cerveró, Delcídio decidiu jogar no colo de Lula a responsabilidade pela tentativa de comprar o silêncio do ex-diretor da área Internacional da Petrobras.

Para deixar a prisão e fechar um acordo de cooperação, Delcídio confessou à Lava Jato que pagou cerca de R$ 250 mil ao advogado Edson Ribeiro, que fazia a defesa de Cerveró. Esse montante saiu do bolso de Maurício Bumlai, filho de José Carlos Bumlai, que teria sido procurado pelo próprio Delcídio para "colaborar" com a operação cala-a-boca. O papel de Lula teria sido o de pedir a Delcídio que algo fosse feito para evitar que Bumlai caísse na delação de Cerveró. 

Mas o depoimento de Cerveró à força-tarefa mostra algumas incongruências nessa denúncia. A começar pela teoria que ainda não ganhou espaço na imprensa tradicional, talvez por favorecer a defesa de Lula: a de que Delcídio estaria pagando o advogado Edson Ribeiro para impedir Cerveró de fechar qualquer acordo com a Lava Jato - principalmente se fosse para implicar o ex-senador.

A teoria tem base na gravação do depoimento de Cerveró, feita pela Lava Jato e entregue ao Estadão para publicação.

A partir dos 23 minutos, o ex-diretor da Petrobras comentou o caso de tentativa de obstrução deixando claro que nunca recebeu dinheiro para não fazer delação, ao contrário de seu advogado. Ele também negou que Lula tenha participado da operação de Delcídio.

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Wolfgang Leo Maar: A burguesia ameaça a democracia

Jornal GGN – O programa Aula Pública, da TVT, recebeu na PUC de São Paulo o professor titular da Universidade Federal de São Carlos, Wolfgang Leo Maar, que falou sobre a atual crise na democracia brasileira. Ele falou sobre o futuro da política no capitalismo contemporâneo e buscou responder à pergunta: a burguesia ameaça a democracia?

Para ele, as políticas sociais adotadas pelos governos petistas representaram uma contenção dos interesses burgueses. Ele explicou que a dívida pública tem pouco mais de 100 mil credores, que usufruem de aproximadamente metade do orçamento nacional, algo em torno de R$ 600 bilhões. “As políticas de redistribuição de renda afetaram, evidentemente, esses ganhos”.

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Sob a Névoa da Conjuntura, por Mauricio Metri

Sob a Névoa da Conjuntura

por Mauricio Metri

Existem conjunturas nacionais em que se deflagram processos sociais complexos. Um de seus sintomas é a radicalização das posições e do debate político em geral, assim como a simplificação de questões relevantes. Essas conjunturas, no entanto, não se explicam somente pelas disputas entre os grupos internos envolvidos. Também não se esgotam pelas conspirações diárias do jogo político nacional, embora sejam estas um de seus elementos mais importantes.

Pode-se supor que perpassam, sobre essas conjunturas, dinâmicas mais profundas, que atuam de modo mais silencioso. Forças que, em geral, não são percebidas claramente no cotidiano, mas que podem balizar o “presente” e “energizar” os atores em luta. São forças de caráter mais perene, de movimentos lentos, depreendidas e ponderadas sobretudo quando analisadas com lentes de maior alcance, voltadas a espaços dilatados (tabuleiros internacionais) e a tempos mais longos (de décadas ou mesmo séculos).

Mas o que permite supor a existência de tais forças? Há alguns anos os governos Lula e Dilma implementaram algumas iniciativas estratégicas “não-convencionais” sobre temas sensíveis na área internacional (sobretudo defesa, petróleo e finanças), com desdobramentos complexos em tabuleiros maiores. Embora tenham sido realizadas com base em estratégias de não confrontação, essas iniciativas têm acarretado antagonismos em contextos de assimetrias desfavoráveis ao Brasil, com “agravante” de que, quando pensadas em conjunto, revelam um outro significado, porque existem, em torno delas, fios que as articulam e multiplicam seu potencial perturbador.  Ademais, começaram a vir à tona algumas evidências de articulações internacionais de protagonistas internos.

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Pesquisa tenta mapear grau de liberdade de imprensa no Brasil

Estudo mensura o grau em que as redações brasileiras são afetadas por relações de poder com grupos políticos e econômicos

Jornal GGN - Pressões externas oriundas de interesses econômicos, políticos, pessoais, por exemplo, que restringem o exercício profissional do jornalista e também as condições de acesso à informação para a prática do jornalismo. O quanto isso tem prejudicado a produção no Brasil?

Pesquisa realizada pela Universidade Federal do Paraná, com apoio da Comissão Nacional de Ética dos Jornalistas Brasileiros e pela Federação Nacional dos Jornalistas tenta mapear o grau de liberdade desfrutada pelos jornalistas para exercer a sua profissão.

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