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De como traduzi 'Os Gatos', de Eliot, por Ivo Barroso

Apresentação de Gilberto Cruvinel

Ivo Barroso, entrevistado pelo Jornal GGN no início de abril, aqui, em vista do grande interesse que o assunto tradução tem despertado, decidiu abrir as portas da oficina dele aos coleguinhas tradutores e por isso escreveu o artigo “De como traduzi ‘Os Gatos’ de Eliot”. Esta tradução remonta ao período em que Ivo viveu na  Inglaterra, entre 1983 e 1984, quando dedicou-se à poesia de T. S. Eliot. É considerada pelos especialistas como um dos momentos mais altos da tradução literária no Brasil e foi premiada com o Prêmio Jabuti (1992). O Prêmio de Tradução da Academia Brasileira de Letras (2005) foi para a a tradução do "Teatro completo" de Eliot. Este artigo é publicado com exclusividade pelo GGN.

 

 

DE COMO TRADUZI OS GATOS, DE ELIOT

por Ivo Barroso

Já contei esta história algumas vezes: eu morava em Londres nos anos ’80 e, em companhia do douto José Guilherme Merquior, fomos assistir à estreia do musical “Cats”, de Andrew Lloyd Weber, mais para ver como o compositor se havia comportado diante daqueles versos de    Eliot, que tanto admirávamos. Ficamos surpresos por ver que ele havia conseguido levar à cena os principais lances do livro sem alterar em nada os versos. Merquior argumentou comigo que seria, portanto, possível fazer uma tradução sem deturpar seus elementos constitutivos (métrica, rima, jogos de palavras, etc), desde que se encontrassem, evidentemente, equivalências de linguagem e situações que correspondessem às glosadas pelo autor. Da hipótese à intimação foi só um momento, que passou a se materializar em cobranças quase diárias sobre o andamento dos trabalhos.

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A tradução integral de Ivo Barroso

“Faço da tradução um programa de vida, amor fiel, constante e desesperado”, diz o tradutor dos sonetos de Shakespeare.

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A tradução integral de Ivo Barroso

por Gilberto Cruvinel e Emmanuel Santiago

agradecimento à Denise Bottmann pela colaboração imprescindível

Quando a hora dobra em triste e tardo toque
E em noite horrenda vejo escoar-se o dia,
Quando vejo esvair-se a violeta, ou que
A prata a preta têmpora assedia;
Quando vejo sem folha o tronco antigo
Que ao rebanho estendia a sombra franca
E em feixe atado agora o verde trigo
Seguir o carro, a barba hirsuta e branca;
Sobre tua beleza então questiono
Que há de sofrer do Tempo a dura prova,
Pois as graças do mundo em abandono
Morrem ao ver nascendo a graça nova.
    Contra a foice do Tempo é vão combate,
    Salvo a prole, que o enfrenta se te abate.

William Shakespeare, Soneto 12 

O mineiro Ivo Barroso é um dos nossos maiores tradutores de prosa e poesia para a língua portuguesa. É o responsável por traduções definitivas para o português de poetas como Arthur Rimbaud, Eugenio Montale, T.S.Eliot, Charles Baudelaire e William Shakespeare.

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