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manifestações de junho 2013

A voz que não sabíamos que vinha das ruas

 

Há quase um ano, mais precisamente em junho de 2013, ao ver as ruas tomadas por multidões protestando sobre tudo (ou nada!), tive em casa um momento de DESASSOSSEGO, que me despertou ainda mais o desejo de participar de forma ativa da sociedade em que vivo.

Meu filho, jovem e cheio de vontade de se fazer ouvir, disse-me que estava organizando junto com colegas, por meio das redes sociais, um processo de mobilizações, de protestos que queriam levar às ruas. Perguntei-lhe sobre o que eles pretendiam "protestar", que "bandeiras" iriam levantar. Ele me disse que estavam resolvendo, que só sabia que uma delas seria a respeito do transporte público - tema este que não poderia ficar de fora. Disse-me também que iriam elencar uma pauta de reivindicações para mobilizar as pessoas.

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A primeira vítima das jornadas de junho

O morador de rua Rafael Braga Vieira, de 26 anos, foi condenado à pena de cinco anos e 10 meses de prisão, em regime fechado, acusado de portar artefatos explosivos –dois coquetéis molotov - na manifestação de 20 de junho, no Rio de Janeiro.

A defesa alegou que as garrafas encontradas com o catador continham água sanitária e o desinfetante Pinho Sol.

No duelo verbal entre o Ministério Público e a Defensoria Pública, não se sabe a verdade sobre a natureza dos líquidos.

Na dúvida, puna-se o homeless, ainda que centenas de milhares de pessoas tenham saído às ruas em junho e, entre elas, algumas dezenas com coquetéis molotov – estas últimas a salvo, por serem bem-nascidas.

Sobrou para o moço catador – de latas, ou seja, não era um desocupado.  E a sentença soa desproporcional ao suposto delito, uma vez que ele não foi visto atacando policiais ou o patrimônio público. Moço, aliás, cujo nome consta do relatório encaminhado pela ONG Justiça Global à Comissão de Direitos Humanos da OEA. Leia mais »

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A cultura política brasileira e a 'indivisão' social

Sugestão de Kuruzu

Do Viomundo

O tempo corre contra Dilma

 

AUTOR: Antônio David

O impasse do lulismo, ou a inexorável necessidade de encontrar a justa medida

por Antônio David, especial para o Viomundo

I – Manifestações e manifestantes

“O gigante acordou”. Mais do que um bordão repetido durante os protestos de junho pelo Brasil, a expressão parece corresponder à representação que os manifestantes fizeram de si mesmos, como se naquele momento tivéssemos testemunhado não a expressão de um conflito no interior da sociedade, mas um grito da sociedade contra algo ou alguém.

Penso que essa estranha autorepresentação coloca-nos diante de um traço nefasto da cultura política brasileira: a imagem da indivisão social.

A violência que marca as relações sociais no Brasil é sistematicamente ocultada, para em seu lugar impor-se a imagem de uma sociedade harmônica e coesa. Talvez Gilberto Freyre seja quem tenha levado mais longe essa imagem, quando propõe que no Brasil subsista um “equilíbrio de antagonismos”: apesar dos antagonismos, haveria entre nós equilíbrio. O interessante é que a fórmula pode ser invertida: apesar do equilíbrio, a sociedade brasileira é recortada de cima a baixo por antagonismos.

Guardamos hoje os traços de nosso passado escravocrata. Herdamos dele a abissal desigualdade entre ricos e pobres. Como todas as sociedades complexas, também a nossa é dividida. Ocorre que a sociedade brasileira não é apenas dividida; é muito dividida.

Quando Lula foi eleito em 2002, o Brasil era o país mais desigual do mundo; ainda hoje figura entre os mais desiguais. E talvez justamente por ser tão desigual, é que se imponha com tanta força a imagem de uma sociedade harmônica e coesa, simbolizada pelo verde-amarelo.

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