Revista GGN

Assine

marcos villas-bôas

O Eu escondido (Quarta Parte), por William James

por Marcos Villas-Bôas

Segue a quarta e penúltima parte da tradução do texto "O Eu escondido", de William James. Nesse trecho, James, remetendo a Pierre Janet e outros autores, aprofunda em questões a respeito das diferentes consciências e personagens que um histérico pode assumir, demonstrando quão misteriosa e ainda desconhecida da maioria das pessoas é a consciência humana. 

O Eu escondido (Quarta Parte)

Mais detalhes sobre diferentes consciências e personagens em um único ser.

William James

Tradução: Marcos de Aguiar Villas-Bôas

Ele [Pierre Janet] descobriu em vários sujeitos, quando a ordinária ou primária consciência estava completamente absorvida em conversação com um visitante (e o leitor lembrará quão absolutamente esses histéricos recaem em esquecimento de coisas a sua volta), que o “eu” submerso ouviria a voz dele se ele aparecesse e se dirigisse ao sujeito com um sopro, e responderia obedecendo as ordens tais quais dadas por ele ou por gestos, ou, finalmente, por escrita a lápis numa folha de papel colocada sob o braço.

A consciência ostensiva, enquanto isso, seguiria com a conversação, inteiramente inconsciente dos gestos, atos ou performances escritas da mão. Essa última, por sua vez, apareceu pouco perturbada pelas preocupações da consciência superior. Essa prova, por escrita automática, da existência da consciência secundária é mais cogente e arrebatadora; mas um monte de outros fatos provam a mesma coisa. Se eu adentrá-los rapidamente, o leitor estará provavelmente convencido.

Leia mais »

Média: 5 (2 votos)

O Eu escondido, de William James

por Marcos Villas-Bôas

Estou enviando para publicação uma tradução que fiz de um texto em inglês de 1890 escrito por William James, um dos pais do Pragmatismo Americano e da Psicologia. Creio que esse texto nunca foi traduzido para o português e é desconhecido pela imensa maioria dos brasileiros, inclusive pelos filósofos pragmatistas e pelos psicólogos. 

James defende no texto que os cientistas precisam dar mais atenção àquilo que é considerado místico e mostra que, frequentemente, aquilo que é tido por místico depois se prova com alguma razão acerca dos fenômenos que descrevia. É um texto brilhante sobre a relação entre ciência e mística. Na segunda parte, que estou terminando de traduzir, ele faz uma análise do estudo empírico de Pierre Janet, outro pai da Psicologia, sobre transes, expansão de consciência etc. 

Como achei o texto fantástico e atual ainda hoje, decidi trauzir e acho que vale a pena compartilharmos com o público. 

Leia mais »

Média: 5 (5 votos)

A teoria da tributação ótima e os sistemas complexos, por Marcos Villas-Bôas

Por Marcos Villas-Bôas

Um dos problemas dos estudos jurídicos e econômicos tem sido partir da racionalidade construída durante a Idade Moderna. Eles modelizam a tributação como algo matemático (cartesianismo), que deve ser estudado em partes (reducionismo) e que provocaria sempre, ou quase sempre, os mesmos resultados, gerados mecanicamente (mecanicismo) em decorrência de processos causais (determinismo).

Noções como “o aumento do IRPF (income tax) gera a redução do trabalho” são tidas, inclusive por estudiosos mais preparados, como verdades inexoráveis até hoje, mesmo apesar dos inúmeros exemplos históricos de países que tiveram grandes aumentos de produção enquanto o seu income tax era elevado e de países como o Brasil, que teve uma redução do aumento do seu PIB em 1996, 1998 e 1999, após uma diminuição do IRPF em 1996.

Ainda que a teoria da tributação ótima tenha evoluído, falta um certo grau de complexidade nos modelos utilizados. Falta dar mais valor às circunstâncias específicas de cada país, à cultura de cada sociedade, ao momento vivido e a tantas outras informações contingentes que podem alterar os resultados inicialmente previstos a partir dos modelos tradicionais. Para uma mudança fulcral nas análises de política tributária, é preciso, primeiro, compreendê-la como parte do estudo das políticas públicas e, deste modo, um conhecimento completamente entrelaçado com os sistemas complexos de políticas adotadas pelo Estado.

Leia mais »

Média: 4 (4 votos)

Breve histórico da teoria da tributação ótima, por Marcos Villas-Bôas

Breve histórico da teoria da tributação ótima[1]

por Marcos de Aguiar Villas-Bôas

Não é tão simples determinar um marco inicial da teoria da tributação ótima, pois os estudos sobre as melhores formas de tributar vêm de muitos séculos atrás. Adam Smith, o pai da Economia Moderna, tratou extensamente da tributação na sua obra seminal intitulada no Brasil de forma abreviada “A Riqueza das Nações”[2], que fora publicada pela primeira vez em março de 1776, e estabeleceu alguns princípios que são considerados fundamentais até hoje: a) os tributos devem respeitar a igualdade, devendo ser exigidos na medida das habilidades de cada indivíduo; b) a tributação precisa ser certa, não pode ser arbitrária e sobre ela não devem pairar dúvidas, de modo a evitar insegurança e insolência por parte do contribuinte; c) o momento e a forma de pagamento do tributo devem ser os melhores para o contribuinte, evitando onerar ainda mais aquele que já é onerado pela tributação, reduzindo-se, assim, a perda de eficiência econômica; d) deve ser retirado o mínimo de propriedade do cidadão necessário às atividades do Estado e o máximo desse mínimo deve ser aproveitado, de modo que é importante reduzir ao máximo os custos incorridos para tributar.

John Stuart Mill também tratou de política tributária com rara qualidade, assim como outros pensadores o fizeram durante o século XIX. Em sua clássica obra intitulada no Brasil “Princípios de Política Econômica”[3], publicada em 1848, Mill já fazia interessantes análises de política tributária, muitas delas mais avançadas do que aquelas realizadas nos dias de hoje por alguns autores brasileiros.

Leia mais »

Média: 5 (5 votos)

A necessidade da filosofia na economia II, por Marcos Villas-Bôas

Por Marcos de Aguiar Villas-Bôas

Mais falácias sobre Adam Smith e Karl Marx

Publiquei há pouco tempo aqui no Jornal GGN [1] um texto que tratava da importância de estudar Filosofia (e História, Sociologia, etc.) para compreender bem os grandes pensadores da Economia, como Adam Smith e Karl Marx, e se tornar capaz de transgredir os sensos comuns, as correntes principais que conflitam, imaginando saídas para os graves problemas brasileiros.

Como visto, Smith não era um economista e não se via como tal. Ele foi docente universitário de Filosofia Moral após assumir a vaga do seu professor e mentor, o filósofo Francis Hutcheson.

À frente do curso, Smith começou a desenvolver temas do seu gosto, como ética, direito e política. As suas análises de Economia Política vieram, portanto, dentro do contexto transdisciplinar de seu percurso filosófico.

Além de Hutcheson, outro que o influenciou, e era mais um amigo do que propriamente um mentor, foi o renomado utilitarista David Hume. Compreender as influências de Hutcheson e Hume sobre Smith, partindo de uma análise do primeiro livro dele, A Teoria dos Sentimentos Morais, é essencial para entender a sua visão econômica.

Smith foi um dos principais nomes do Iluminismo Escocês, de modo que juntamente com Hume e outros, era um ferrenho defensor da liberdade.

O período absolutista britânico havia durado até o final do século XVII. Smith nasceu em 1723, quando a Escócia já passava por um processo de fortalecimento do parlamento e enfraquecimento dos monarcas desde 1682, mas os franceses, por exemplo, foram governados pelo temido Louis XIV até 1715.

Leia mais »

Média: 3.9 (7 votos)

Populismo: um mal de direita e esquerda, por Marcos Villas-Bôas

Populismo: um mal de direita e esquerda[1]

Por Marcos Villas-Bôas

O termo “populismo”, como é natural nas línguas humanas, pode ser definido de diferentes formas. Na Ciência Política, alguns o definem como o programa político voltado para atrair a massa popular e criar uma vinculação direta com ela. Normalmente, trata-se de um líder carismático que busca/recebe uma visão de protetor do povo, valendo-se muito do discurso e do marketing/propaganda.

Com base nessa definição, não é à toa que muitos líderes da América Latina sejam associados ao populismo. Mesmo com programas diferentes, Hugo Chávez, Nicolás Maduro, Pepe Mujica, Evo Morales, Lula e outros são considerados populistas.

Como eles são de esquerda, é natural que os opositores tratem o populismo como algo extremamente negativo, porém, como tudo na vida, ele tem aspectos positivos e negativos.

O pensamento brasileiro conservador, como lembra Jessé Souza, fez um papel muito eficiente, apesar de imoral e nocivo ao país, ao definir toda medida em favor dos mais fracos como populista e, assim, conferir uma pecha de negatividade a programas sociais, como o Bolsa Família, e a políticas, como a de aumentos reais sucessivos do salário mínimo praticados no governo do PT.  

Diz-se que o PT tem votos porque é populista, e não porque usou de medidas para melhorar a vida da população pobre e essa quer, por isso, a continuidade do partido no poder. É uma típica falácia criada pela direita contra populistas de esquerda, mas que tem alguma procedência.

Leia mais »

Média: 2.6 (14 votos)