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projeto de país

Desafio do país é avançar na mudança estrutural da sociedade, por Márcio Pochmann

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Foto: Mídia Ninja

Da Rede Brasil Atual

 
Crise global iniciada em 2008 traz consigo a semente de uma nova possibilidade de transformações dos entraves nacionais: o crescente movimento social de basta ao atraso recessivo e às reformas regressivas
 
por Marcio Pochmann* 
 
Do ponto de vista histórico, os principais períodos de mudanças estruturais na sociedade brasileira não resultaram de rupturas decorrentes do progresso técnico. O contrário, todavia, do que se pode constatar em outras sociedades como a inglesa, a estadunidense e a alemã, se tomadas como exemplos.
 
Desde a segunda metade do século 18, com o salto proporcionado pela primeira Revolução Industrial e Tecnológica, produtora da mecanização assentada na indústria têxtil – com a introdução do tear mecânico –, além da ferroviária e naval – com o motor a vapor –, o Reino Unido se transformou profundamente. O progresso tecnológico trouxe para a sociedade de lá repercussões internas e externas, o que permitiu, por exemplo, levá-la a ocupar inédita posição de hegemonia no sistema capitalista em formação mundial.
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Xadrez da política após o vendaval

Peça 1 – sobre o essencial e os detalhes

Para colocar um pouco de ordem nessa barafunda.

1.     No epicentro do terremoto relaxe e espere a terra assentar. A realidade nunca é tão ruim quanto parece no olho do furacão.

2.     Toda essa movimentação em torno da lista de Fachin tem dois objetivos claros. O atual, é o desmonte do sistema de seguridade social e outras reformas antissociais; o de 2018 obviamente são as eleições.

O que está em jogo é o desenho de país que se terá, o futuro dos avanços civilizatórios das últimas décadas, o destino de milhões de pessoas hoje em dia amparadas pelo sistema de seguridade social. 

Esse é o ponto central. O restante são os meios, as táticas políticas.

Peça 2 – sobre o jogo político

O segundo cuidado é entender de que lado estão os principais personagens da Lava Jato: Leia mais »

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Candidatura de Doria é uma aventura desesperada, por André Singer

Vestido de gari, prefeito de São Paulo, João Doria, tira selfie em seu primeiro dia útil de trabalho (Foto Rivaldo Gomes/Folhapress)

Jornal GGN - André Singer, em sua coluna de hoje na Folha, mostra o desespero dos partidos tradicionais, em rota de colisão com o trator da Lava Jato, soltando todo tipo de "ideias bizarras, sonhos pueris e ambições midiáticas". Com a certeza de que Doria precisa de um projeto municipal antes de se arvorar a postular o cargo de presidente do país, e precisa de mais ainda depois da instabilidade deflagrada com o impeachment da presidenta Dilma Rousseff. Leia o artigo a seguir.

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A CIA e a crise política brasileira, por Janio de Freitas

O papel da inteligência americana e da mídia brasileira no desmonte de um projeto de nação no Brasil 

 
Jornal GGN - Como foi possível, em tão pouco tempo, o Brasil passar de o país do futuro, aclamado em todas as análises internacionais, para se tornar mais um país sem relevância? Janio de Freitas junta as pontas para responder essa questão em um artigo, mais uma vez, magistral, começando pelo papel da CIA na invasão de dados, não só de governos, como também de qualquer pessoa, a partir dos novos aparelhos domésticos de TV, que hoje captam conversas no ambiente domiciliar.
 
Em seguida, Janio avalia o papel da mídia brasileira em reproduzir as notícias de interesse internacional, deixando de lado sua responsabilidade em investigar fatos verdadeiramente relevantes para o desenvolvimento independente do país. O jornalista resgata, ainda, a discussão sobre o interesse crescente dos Estados Unidos sobre os países africanos do Atlântico Sul, justamente entre as nações que o Brasil dos governos Lula se aproximou para trocar tecnologia, possivelmente pelas reservas de petróleo naquela região de geologia semelhante ao pré-sal brasileiro. 
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Xadrez da saudade de Lula

Peça 1 – a nostalgia de Lula

Como era previsível, há total incapacidade das forças que planejaram o golpe em montar qualquer projeto minimamente competitivo para 2018.

Não há uma estratégia para superar a crise econômica, mas apenas um projeto ideológico de desmonte do Estado de bem-estar.

O chamado mercado pouco está se lixando para as consequências futuras desse desmonte. Conseguiu-se uma maioria pontual para alterações na Constituição e é o que basta para despertar o espírito animal dos empresários. Demanda, desemprego, instabilidade política são detalhes irrelevantes para esses cabeças de planilha.

Têm-se, então, a seguinte anti-fórmula política dos grupos de poder:

1.     Um modelo cujo caminho para o paraíso consiste na eliminação de direitos sociais, deterioração dos serviços públicos e desmonte das políticas industriais.

2.     A não entrega do combinado: a recuperação da economia. Sequer a elaboração de uma utopia qualquer, capaz de dar sobrevida ao arrocho.

Por outro lado, a intensa campanha negativa da mídia logrou apagar da memória recente da opinião pública os anos de glória do segundo governo Lula. Com o aprofundamento da crise e a ampla incapacidade dos grupos de poder de recriar o sonho, já está havendo uma volta das lembranças dos anos dourados. A ofensiva contra a Lava Jato desnudará de vez a hipocrisia nacional.

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As difíceis encruzilhadas da vida..., por Gilberto Carvalho

As difíceis encruzilhadas da vida...

por Gilberto Carvalho

Mais uma vez o Partido dos Trabalhadores vê̶se numa encruzilhada, devendo tomar uma decisão polêmica. Neste caso, trata-se de nossa posição na eleição das mesas diretoras e presidências da Câmara e Senado.

Decidi apresentar estas reflexões pelo dever de tentar contribuir com o processo, sabendo que minha posição provocará divergências que reputo saudáveis e necessárias.Nestes dias, devo confessar, minha posição a respeito desta “encruzilhada” sofreu alterações, justamente em função de muitas conversas com companheiras e companheiros, além dos textos que li.Vamos ser claros: a posição mais tranquila neste momento (e que eu sustentava até agora), é a que considera que em função da situação excepcional de golpe, é reclamada uma posição mais dura e clara do nosso Partido, declarando que não votaremos em golpistas e tentando assegurar na Justiça a ocupação dos postos a que temos direito, pelo critério da proporcionalidade do número de parlamentares.

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Lula conclama movimentos a se unirem em torno de um projeto para o país

Lula: "Tenho casca dura, a preocupação agora é com os movimentos sociais. Querem criminalizar os movimentos de esquerda"

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Ex-presidente participou de ato com movimentos sociais e de trabalhadores, artistas e intelectuais contra invasão da Escola Florestan Fernandes pela Polícia Civil. Estiveram representados 36 países

por Redação RBA

São Paulo – O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva abriu seu discurso na tarde de hoje (5), em ato realizado na Escola Nacional Florestan Fernandes, em Guararema, em São Paulo, propondo uma reflexão sobre a conjuntura política no Brasil. "Não sei se nós já construímos uma teoria para entender o que está acontecendo", disse, ao levar solidariedade ao Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) pela invasão policial na escola na manhã de ontem. "Precisamos de um diagnóstico preciso, juntar o máximo de pessoas em torno desse diagnóstico, com propostas. O que nós vamos propor para este país para os próximos 20, 30 anos? Qual proposta vamos construir?

"Estamos na hora de construir alguma coisa mais sólida, não é partido, não é entidade, é um movimento. Até agora o que melhor fizemos foram as Diretas Já. Mas agora precisamos criar um movimento para restabelecer a democracia neste país", disse, sendo acompanhado por gritos de 'Fora, Temer' e 'Volta, Dilma'. Afirmou que é preciso unir as ideias para que se possa "acreditar que é possível".

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Brasil: essa força estranha, por Geniberto Paiva Campos

no Desenvolvimentistas

Brasil: essa força estranha, por Geniberto Paiva Campos

(...) " Tive uma boa relação pessoal com Fernando Henrique Cardoso quando era presidente da república e eu primeiro ministro da Itália. Considerava-o um homem inteligente. Também conheci Serra. Não entendo como personalidades deste porte não percebam que o Brasil está na rota do desastre." - Massimo D'Alema – Carta Capital, nº 899 – abril, 2016

1. OS DOIS BRASIS

Publicado em 1957, o livro do sociólogo francês Jacques Lambert "Os Dois Brasis" contribuiu para alimentar a polêmica sobre o subdesenvolvimento econômico do Brasil, ao enfatizar sérias diferenças regionais. Fazendo comparações reunindo as regiões sul/sudeste e norte/nordeste, entre as quais, à época, predominavam flagrantes desigualdades, o livro de Lambert mostrava como o sistema capitalista promovia estas desigualdades entre os países, no plano internacional, e internamente, através das gritantes diferenças na capacidade de produção de riquezas e no potencial de desenvolvimento entre as diferentes regiões.

Embora tenha havido a atenuação dessas desigualdades devida à continuidade do processo de industrialização, urbanização acelerada, acesso à educação e alocação de mão-de-obra no setor terciário da economia, integração ao processo de globalização, nas regiões "atrasadas" o conceito dos "dois brasis" permanece válido no atual, tumultuado, cenário político do país. Não mais para definir desigualdades estruturais profundas, vigentes o Brasil no século passado, mas para designar correntes de pensamento político – ideológico, predominantes no contexto partidário, entre os intelectuais, no ambiente cultural e no mundo acadêmico. Agora relacionados a valores intangíveis, fundamentais para o permanente aperfeiçoamento das relações sociais, econômicas e culturais, itens imprescindíveis para a construção de uma sociedade democrática e civilizada.

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O país moderno não será derrotado

De onde virá o novo? Dificilmente de Dilma Rousseff, que não consegue vencer o medo. Menos ainda de Aécio Neves, um moleque político. Nem de José Serra, um político que hibernou no início dos anos 90 e acordou no século 21 sem nada ter aprendido sobre gestão, inovação, políticas sociais, projetos de desenvolvimento. Lula já deu o que tinha que dar, com suas políticas de inclusão. E Fernando Henrique Cardoso não dá o que nunca teve para dar.

No entanto, há um país em construção, com roteiro pronto e acabado para quem conseguir desvendá-lo.

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Agenda de país 1: a lógica das políticas públicas

A construção de uma agenda de governo é como um puzzle onde, a partir da definição da missão – os valores que a integram, os objetivos a serem perseguidos – vão se juntando as peças até se enxergar o todo.

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O país encerra os ciclos da estabilização e da inclusão dispondo de uma estrutura de país maduro, com instituições, aparatos legais, organizações no Estado e na sociedade civil, acervo de diagnósticos e de protagonistas, grandes multinacionais e mercado de capitais e organizações sociais distribuídas por todo o país.

Os direitos sociais avançaram de forma irreversível e se tornaram um dado objetivo da realidade. Logo, a nova etapa exigirá o aprofundamento da democracia social e a redução das desigualdades. Leia mais »

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É hora de se espelhar nos cantores do novo

A vã economia supõe que projetos de país se desenham com planilhas, régua e compasso. É mais que isso. Antes do projeto vem a confiança, o auto-conhecimento, estimulando o país a romper com a inércia.

A Abolição não teria saído sem os cânticos indignados dos menestréis. Com seus poemas, incendiaram os sentimentos de uma elite pequena e acomodada na velha prática patrimonialista. Nos anos 20, foi o rádio que deu voz à nova cultura popular que nascia do sangue negro dos morros e da vitalidade dos imigrantes que chegavam ao país, uma nova classe popular e média liberta do padrão de coronelismo da Velha República.

Foram eles que olharam a nova tecnologia, entenderam o alcance do rádio e do disco e trouxeram à tona um Brasil profundo que se escondia nas favelas, nos mocambos e nos grotões. E transbordaram não apenas na canção popular mas na modernização erudita dos filhos da elite reunidos na Semana de 22.

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O projeto de Brasil Grande de acordo com o ministro Delfim Neto

Por Delfim Neto

Deem-me o ano, fiquem com a década

No Valor Econômico

Confesso que não posso escrever sobre a década. Estremeço ao ver uma projeção de cinco anos levada a sério. Não disfarço o tédio diante de uma de dez. Perco a paciência diante de prazos maiores. Diante da impostura da projeção; da irresponsabilidade do falso tecnicismo que pretende vender mundo arrumadinhos; da falta de pudor profissional de futurólogos que pretendem ter descoberto os segredos do desenvolvimento cuidadosamente escondidos nas entranhas da história. Recomponho­-me e me divirto quando lembro Michael Scott, o célebre futurólogo do século XII, que deixou muitas receitas de transmutação de metais menos nobres em ouro. Tendo previsto que iria morrer de uma pedrada na cabeça, Scott andou toda a vida com um capacete de metal. Um dia, dentro de uma Igreja, ao tomar a hóstia, obviamente descoberto, caiu­-lhe uma pedra no crânio, levando-­o desta para a melhor... 

"A ação do governo no campo econômico tem que ser meramente instrumental porque toda a formulação da política econômica tem que ser subordinada aos grandes objetivos políticos e informada pela filosofia do projeto Desenvolvimento-­Liberdade- Segurança. É preciso distinguir a ação direta do governo (o governo como agente econômico produtor de bens e serviços) de sua ação indireta (a formulação da política econômica) que condiciona o comportamento do setor privado. 

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Da necessidade de articular estratégias nacionais

 

A China avança de forma exponencial na economia mundial. Banco da China, Banco dos BRICs, Banco Asiático de Investimento em Infraestrutura, todo esse aparato significa a invasão chinesa no último reduto inexpugnável da economia internacional: o mercado financeiro e as instituições multilaterais, desde Bretton Woods sob firme controle dos Estados Unidos.

Aconteceria agora ou mais tarde. Mas essa ocupação de território ocorre em um momento de total apatia da política externa norte-americana.

Lá e cá o mesmo fenômeno.

Primeiro, um estilhaçamento do poder, provocado pela globalização e suas múltiplas facetas: os movimentos migratórios, as redes sociais, os grandes movimentos de inclusão, a expansão do crime organizado e do terrorismo internacional, a implosão dos sistemas tradicionais de controle das informações através dos grandes grupos de mídia.

Todos esses fenômenos corroeram as formas tradicionais de poder, abrindo espaço para novos interlocutores antes que um novo aparato institucional surgisse para domar os novos tempos.

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Sobre o projeto de país - 4

Por Jose Mayo

Comentário ao post "Um projeto à espera de um estadista"

Todas as ideias-força a que o texto mãe se refere, existem sim, mas não estão à busca de UM Estadista, estão à busca de um Estado verdadeiramente Federado, em que o Poder seja, também, descentralizado e presente nos tres níveis de comando e livre para estabelecer em que ponto da "rede" lhe interessa interagir e se estabelecer, ponto a ponto, tomando para si ao menos parte dos benefícios do seu próprio mercado. 

O primeiro passo para isso seria verdadeiramente definir quais são as atribuições e esfera decisória, nos níveis executivo e legislativo, entre Federação, Estados e Municípios, sem sobreposições e contradições e mesmo subordinações nessas esferas de comando; O segundo, evidentemente, distribuir de forma realista os recursos gerados na região à conformidade das atribuições e responsabilidades de cada nível de comando.

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Sobre o projeto de país - 3

Por gentilhomme

Comentário ao post "Um projeto à espera de um estadista"

ia dizer que o Nassif se contradiz ou não se faz entender muito bem: ele frequentemente clama por aproveitar o ativismo civil brasileiro, provavelmente à la Tarso Genro, aumentando os poderes do CDES (Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social, Conselhão), ampliando-o, aprofundando experiências como as dos Planos Plurianuais durante o Lula, na qual, sob comando de Gilberto Carvalho e Dulci, tentou-se incluir objetivos debatidos pelos movimentos sociais.

No CDES chegou-se a propor uma Agência Nacional de Desenvolvimento, e a começar a montar Grupos de Trabalho para implemnetar a imensa lista de objetivos propostos (acho que eram mais de 50). Talvez dois exemplos ajudem a ilustrar como não funciona, a menos que fosse acompnahda de uma revisão constitucional, vale dizer, um "projeto" amplo e geral calcado na participação social para ser implementado de fato não depende apenas do Executivo (por óbvio que seja). ex 1: aumento do Copom, para passar a incorporar representantes da indústria, da academia e dos trabalhadores. ex 2: alteração dos indexadores dos contratos de concessionárias. 

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