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Saipem

Lava Jato poupou as estrangeiras, por Janio de Freitas

Da Folha de S. Paulo

Jatos desiguais

Por Janio de Freitas

Uma busca preliminar no que sucedeu desde a "Operação Juízo Final", criada há um ano para a prisão de dirigentes de empreiteiras, faz mais do que surpreender. E, dadas as indagações que suscita, clama por uma reflexão sobre as características não difundidas da Lava Jato e seus efeitos presentes e futuros.

Menos de uma semana depois daquela decisão que elevou o juiz Sergio Moro às culminâncias do prestígio, dava-se outro fato determinante na Lava Jato. Ex-gerente da Petrobras, Pedro Barusco assinava, em 19 de novembro, o acordo de delação premiada. Sua advogada era Beatriz Catta Preta, que mais tarde abandonaria os seus clientes, invocando ameaças recebidas. Ela e um batalhão de 14 procuradores e delegados da Polícia Federal assinaram o acordo.

Catta Preta já conduzira acordo semelhante para Julio Camargo. Sem vínculo com a Petrobras, esse lobista chegou a uma posição de destaque no noticiário da Lava Jato a partir da confissão de que ganhou muito dinheiro fazendo, em transações com dirigentes da estatal, a intermediação para as contratações da coreana Samsung e da japonesa Mitsui.

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Depois de pressionar por 4 meses, Moro fecha delação para incriminar Duque

Apesar do discurso da força-tarefa de que delação não é forma de chantagem, alguns depoimentos revelam jogo de coerção utilizado por Sergio Moro
 
 
Jornal GGN - O juiz Sergio Moro, da Justiça Federal do Paraná, homologou nesta segunda-feira (26) mais um acordo de delação premiada na Operação Lava Jato. O novo colaborador é João Antônio Bernardi Filho, ex-executivo da Odebrecht e representante da empresa Saipem, que foi assaltado quando levava a propina de R$ 100 mil em espécie para Renato Duque, ex-diretor de Serviços da Petrobras. 
 
Desde junho, João Antônio Bernardi Filho aguentou quatro meses os trâmites naturais, pela Justiça, a que foi denunciado. Pressionado, acertou a delação, automaticamente confessando a prática de crimes investigados na Lava jato, o que deu ao suposto intermediário da propina, em troca, o direito de responder em liberdade. 
 
O interesse de Sergio Moro nos novos depoimentos de João Antônio Bernardi Filho é fechar os elos que incriminam Renato Duque, indicado pelo PT ao cargo na estatal. Atualmente, o ex-diretor da Petrobras já é denunciado pelos crimes de corrupção ativa e passiva e lavagem de dinheiro, ao favorecer a empresa italiana Saipem nas obras do gasoduto da Bacia de Santos. 
 
O termo de delação, que já foi vazado à imprensa (leia abaixo), mostra que o executivo era quem gerenciava as contas e recebimentos de Duque, sobretudo no exterior. Ele teria aberto uma offshore, a Hayley SA, no Uruguai, e uma filial no Brasil, para receber e ocultar as quantias. No depoimento oferecido no dia 15 de outubro, Bernardi afirma que "entre 2009 e 2010 a Hayley recebeu por volta de 5 milhões de dólares". 
 
Desde que o instrumento da delação premiada foi acusado pelas defesas que se tratava de uma forma de chantagear os investigados a admitirem os crimes em troca da liberdade, a equipe da força-tarefa da Lava Jato encabeçou uma campanha, contabilizando que a maioria das delações não ocorreu com delatores presos, mas soltos.
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