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Sergio Motta

Nassif: FHC, PSDB, PT e o combate ao centralismo brasiliense

No artigo “Convicção e Esperança” (https://goo.gl/sGRuQg), no Estadão e em O Globo, Fernando Henrique Cardoso demonstra uma insuspeitada saudade de um partido que ele ajudou a enterrar: o PSDB socialdemocrata, substituído por um PSDB radicalmente mercadista e, depois, radicalmente à direita.

Era o PSDB de Mário Covas que, embora não fosse um pensador, pela atuação de centro-esquerda no velho MDB e, especialmente, na Constituinte, inspirava ideias e projetos socialdemocratas.

No velho PSDB, quem melhor representava esse espírito eram os economistas da FGV-SP, Luiz Carlos Bresser Pereira e Yoshiaki Nakano, os irmãos Mendonça de Barros. E a grande cabeça política, o José Dirceu do PSDB, era Sérgio Motta, um furacão generoso e solidário, que ajudava a empurrar o lado inercial de Fernando Henrique e José Serra.

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Lula e a defesa que não houve, por André Araújo

Por André Araújo

Conheço Lula há 35 anos, quando ele presidia o Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo e eu era diretor tesoureiro do SINAEES, um dos sindicatos patronais que se contrapunha ao dos trabalhadores metalúrgicos, com a diferença que o meu sindicato era nacional e o do Lula era municipal. Na grande greve do final do governo militar, sendo Ministro do Trabalho Murilo Macedo, assinei pelo Grupo 14 o acordo final na Delegacia do Trabalho em Santa André, com Lula do outro lado da mesa.

Acompanhei de perto todo o processo de "acochambramento" do Lula sindicalista por um grupo da FIESP que se posicionava como "moderno", chefiado por Luis Eulálio Vidigal, então presidente, mais Claudio Bardella, Paulo Francini e outros, ao que se contrapunha o grupo mais tradicionalista de Mário Amato. Era "moda" ser amigo de Lula e Mário Amato era do grupo antagônico que não acompanhava esse modismo, não era do fã clube de Lula na FIESP, que levavam Lula para almoçar no Ca D’Oro, no Gallery, para se mostrar" olha como somos democratas e avançados".

 Gerenciei um dos comitês que trabalharam a candidatura Amato, ficava ao lado do antigo bar Pandoro, nos Jardins. Não sou, portanto, admirador de Lula e posso dar meus palpites sobre sua postura nesse último lance da operação anti-Lula.

Os ataques a Lula são destituídos de sentido lógico e Lula não está se aproveitando dessa circunstância para se defender, parece que se esconde em vez de responder diretamente e duramente a essas admoestações da mídia.

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Os sítios de Lula, Figueiredo e Fernando Henrique, por Janio de Freitas

Folha de S.Paulo

Por Janio de Freitas

Uma visita ao sítio


A renovada notícia sobre obras em um sítio que a família de Lula frequentaria, na paulista Atibaia, dá oportunidade à recuperação de dois casos reais da afinidade rural comum a presidentes e empreiteiros. Embora um caso se passasse na ditadura e outro na democracia, a discrição que os protegeu teve a mesma espessura.

A ótima localização de um sítio em Nogueira, seguimento de Petrópolis, não chegava a compensar o aspecto simplório dada à área, nem a precariedade da casa. Em poucos meses, porém, acabou o desagrado do general-presidente com as condições locais. O terreno foi reurbanizado, a casa passou a ser um moderno bangalô de lazer. Surgiram piscina, uma pista de hipismo, estrebaria, estacionamento e um jardim como as flores gostam. Uma doação da empreiteira Andrade Gutierrez ao general Figueiredo, então na Presidência.

Em poucos anos de novo regime, a Andrade Gutierrez podia provar que sua generosidade não padecia de pesares nostálgicos. Proporcionou até uma estrada decente para a fazenda em Buritis, divisa de Goiás e Minas, que o já presidente Fernando Henrique e seu ministro das Comunicações e sócio Sérgio Motta compraram em operação bastante original. Como a democracia tem inconvenientes, dessa vez a estrada foi guarnecida de um pretexto: era só dizer que serviria a uma área que a empreiteira comprara ou compraria na mesma região.

O sítio que não é de Lula, mas recebeu-o em visitas injustificadas para a imprensa e depois para a Lava Jato, entrou nas fartas suspeições de crime quando "Veja" e logo Folha noticiaram, em abril do ano passado: a OAS de Léo Pinheiro "realizou uma reforma em um sítio a pedido do [já] ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva", área de 173 mil m² dos sócios de um filho de Lula.
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A matriz de todos os escândalos, por Luciano Martins Costa

do Observatório da Imprensa

CRISE NA PETROBRAS

A matriz de todos os escândalos, por Luciano Martins Costa

O noticiário de sexta-feira (6/2) marca a culminância da escalada de denúncias no escândalo da Petrobras. O ponto alto é a declaração de um dos acusadores, o ex-gerente executivo Pedro Barusco, segundo o qual o Partido dos Trabalhadores recebeu, ao longo de dez anos, um total que pode chegar a US$ 200 milhões de empresas que detinham os maiores contratos com a estatal. A denúncia produz o fenômeno das manchetes trigêmeas, que já se tornou rotina na imprensa brasileira.

Como basicamente tudo que se tem publicado até aqui tem a mesma fonte, ou seja, confissões feitas por operadores do esquema que negociam penas mais brandas, a verdade aparente é apenas aquela que os jornais definem como tal. No entanto, o cruzamento das denúncias permite prever uma mudança importante na direção do escândalo, pelo simples fato de que a pista que leva ao tesoureiro do PT, João Vaccari Neto, também conduz à direção do PSDB.

Entre as confissões de Barusco, cujo ponto central, na escolha dos editores, é sua suposta relação com o tesoureiro do PT, oculta-se uma informação crucial para colocar em novo contexto o escândalo da Petrobras: o autor da delação premiada informa que o esquema de desvios começou em 1997, o ano em que o monopólio da Petrobras, instituído por Getúlio Vargas em 1953, foi revogado pelo então presidente Fernando Henrique Cardoso. O esquema que agora sitia a presidente Dilma Rousseff foi consolidado e institucionalizado na empresa no ano 2000, segundo o denunciante.

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FHC e a arte de se apequenar antes e depois

Perguntam-me dos motivos para a implicância com o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso.

São vários.

O principal é que tinha base de apoio no seu partido, conhecimento, descendia de família de militares que participaram de episódios centrais de formação do país; tinha formação e adesão de parcelas importantes da opinião pública para montar um governo socialdemocrata, que conduzisse reformas mas lançasse as bases de políticas sociais legitimadoras. Tinha tudo, até a assessoria luxuosa da verdadeira estadista que era dona Ruth para lançar as bases do combate à miséria.

Em vez disso, terceirizou a política econômica para os financistas do seu governo, permitiu a manutenção de políticas cambial e monetária ruinosas, mesmo após três graves crises externas. Jamais conseguiu pensar como um verdadeiro estadista. Era deslumbrado com as pompas do poder, mas não com a possibilidade de mudar realidades. Leia mais »

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