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A tradução integral de Ivo Barroso

“Faço da tradução um programa de vida, amor fiel, constante e desesperado”, diz o tradutor dos sonetos de Shakespeare.

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A tradução integral de Ivo Barroso

por Gilberto Cruvinel e Emmanuel Santiago

agradecimento à Denise Bottmann pela colaboração imprescindível

Quando a hora dobra em triste e tardo toque
E em noite horrenda vejo escoar-se o dia,
Quando vejo esvair-se a violeta, ou que
A prata a preta têmpora assedia;
Quando vejo sem folha o tronco antigo
Que ao rebanho estendia a sombra franca
E em feixe atado agora o verde trigo
Seguir o carro, a barba hirsuta e branca;
Sobre tua beleza então questiono
Que há de sofrer do Tempo a dura prova,
Pois as graças do mundo em abandono
Morrem ao ver nascendo a graça nova.
    Contra a foice do Tempo é vão combate,
    Salvo a prole, que o enfrenta se te abate.

William Shakespeare, Soneto 12 

O mineiro Ivo Barroso é um dos nossos maiores tradutores de prosa e poesia para a língua portuguesa. É o responsável por traduções definitivas para o português de poetas como Arthur Rimbaud, Eugenio Montale, T.S.Eliot, Charles Baudelaire e William Shakespeare.

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O Eu escondido, de William James

por Marcos Villas-Bôas

Estou enviando para publicação uma tradução que fiz de um texto em inglês de 1890 escrito por William James, um dos pais do Pragmatismo Americano e da Psicologia. Creio que esse texto nunca foi traduzido para o português e é desconhecido pela imensa maioria dos brasileiros, inclusive pelos filósofos pragmatistas e pelos psicólogos. 

James defende no texto que os cientistas precisam dar mais atenção àquilo que é considerado místico e mostra que, frequentemente, aquilo que é tido por místico depois se prova com alguma razão acerca dos fenômenos que descrevia. É um texto brilhante sobre a relação entre ciência e mística. Na segunda parte, que estou terminando de traduzir, ele faz uma análise do estudo empírico de Pierre Janet, outro pai da Psicologia, sobre transes, expansão de consciência etc. 

Como achei o texto fantástico e atual ainda hoje, decidi trauzir e acho que vale a pena compartilharmos com o público. 

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Traduzindo Jabberwocky, de Lewis Carroll, por Flávio Aguiar

[Adaptação do poema Jabberwocky, de Lewis Carroll, feita pelo artista gráfico Eran Cantrell para o segundo volume da antologia Cânone Gráfico: clássicos da literatura universal em quadrinhos. A tradução do texto original ficou a cargo do professor de literatura e colunista do Blog da Boitempo Flávio Aguiar.]

Do Blog da Boitempo

Traduzindo Jabberwocky, de Lewis Carroll

Por Flávio Aguiar.

A tradução de Jabberwocky, de Lewis Carroll, foi uma aventura de interpretação meio surrealista e absolutamente pessoal de uma das obras primas do nonsense literário. Lembrei-me de uma frase do professor canadense Northrop Frye, de quem tive a honra  e o prazer de ser aluno, no Victoria College, em Toronto, nos anos 80 do século passado. Ele dizia que um professor atinge sua máxima potência quando pode realizar o que chamava de “improvisação erudita”, isto é, pode improvisar na sala de aula a partir, por exemplo, de uma pergunta que introduz um tema não previsto, com a mobilização de seus conhecimentos acumulados ao longo dos anos. Neste contexto improvisação não tem nada de negativo, pelo contrário: é como no jazz, toma-se um motivo e sai-se por pautas e acordes nunca dantes navegados. É claro que isto envolve conhecimento, estudo, análise e interpretação do original e seu contexto, de sua fortuna crítica, tudo feito com bastante cuidado e atenção. Mas depois é necessário entregar-se a um fluxo de consciência, talvez até junto de alguma semiconsciência, para captar e reconstruir aquela energia poética na própria língua do tradutor. Tem que haver uma combinação de cálculo e espontaneidade. O professor Frye também costumava dizer que os poetas maduros não criam poemas; são estes que, estando latentes na linguagem, encontram os seus poetas…

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