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Xadrez de como os músicos vieram salvar a utopia Brasil, por Luís Nassif

Texto para o Seminário O Renascimento das Utopias, que ocorrerá nos dias 14 e 15 de setembro no Rio de Janeiro

Foram alguns anos de guerra e destruição. Grandes fogueiras arderam por muito tempo, consumindo fiéis e ímpios, a velha política e os jacobinos que ascenderam pregando o ódio e a punição. No centro da arena, o orçamento.

Protegendo-o, a muralha da Constituição. Dentro dela, um punhado de generais vacilantes, reunidos em um sarcófago de nome Supremo. No seu entorno, grupos variados, cada qual manobrando seus instrumentos mortais visando a conquista do butim.

Os juízes entraram armados de sicas  e escudos; os procuradores, de gládios e lanças; os técnicos do TCU, com as redes com pesos nas bordas; e o mercado com seus carros de combate, anunciados por corneteiros da mídia. E as cornetas tinham o condão de espalhar o terror a quem as ouvisse.

A luta ultrapassou os limites da arena e se estendeu por todo o país, especialmente depois que os defensores da Constituição levantaram suas batas, deixando à mostra canelas desossadas, e saíram aceleradamente de ré, para não aparentar a fuga dos deveres. Fugiram sem dar as costas, data venia.

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PEC da Previdência reduz proteção e torna aposentadoria integral uma 'utopia'

Fragilização da Previdência e enfraquecimento das políticas públicas aumentam vulnerabilidade social (ARQUIVO/ABR)aposentado

da Rede Brasil Atual

PEC da Previdência reduz proteção e torna aposentadoria integral uma 'utopia'

Para o Dieese, objetivo é dificultar ou impedir acesso a benefícios – ou retardar o início do recebimento e reduzir o valor. Proposta "se articula com o enfraquecimento das políticas públicas"

por Vitor Nuzzi, da RBA

São Paulo – O Dieese considera a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 287 "um passo a mais na corrosão da confiança no sistema da Previdência pública e, portanto, coloca em risco a Previdência Social e toda a estrutura de proteção social construída a partir da Constituição de 1988". Segundo afirma a instituição, em nota técnica, a PEC apresentada pelo governo Temer em 5 de dezembro contraria políticas que buscam reduzir as desigualdades e torna a aposentadoria integral praticamente uma "utopia", retardando em uma década esse direito do trabalhador que contribuiu para o sistema.

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Espetáculo que trata do esgotamento e utopia estreia em SP

Fotos: Augusto Paiva

Jornal GGN – Neste mês, a Cia. do Miolo estreia para o público a nova temporada de seu espetáculo “Luzeiros”. O teatro de rua será apresentado no dia 5 de dezembro, na Praça do Patriarca e, em seguida, seguirá temporada por diversos lugares de São Paulo, como Vão do Masp, Pátio do Colégio e Largo São Bento. No novo trabalho, a trupe constrói uma narrativa onde tratam do conflito entre o esgotamento e a utopia.

Luzeiros, surge a partir do questionamento: O que fazer quando a dureza da realidade nos impede de vislumbrar um horizonte? Foi assim, que a Cia. se debruçou sobre memórias coletivas de resistência e luta, buscando entender, por meio de suas próprias experiências, o esgotamento e a utopia. A narrativa se dá em uma cidade devastada pela guerra, onde sobrou apenas uma mulher e uma menina. Elas, com suas raízes fincadas nos escombros e ânsias de navegar, abrem o espetáculo com a pergunta: era mesmo uma cidade?

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A busca da utopia no século 21, por Rosane Maia

A tarefa de criticar e transgredir a ordem não poderá ser um arremedo de conserto superficial dos elementos que parecem disfuncionais, mas sim a crítica profunda e radical sobre o sentido de tudo isso que nos rodeia: conferir um novo sentido para o trabalho e recolocar a utopia na ordem do dia

do Brasil Debate

A busca da utopia no século 21

por Rosane Maia

“Os trabalhadores hoje, não menos que o restante da população, são intelectualmente mais bem treinados, mais bem informados e muito menos ingênuos. Eles sabem os detalhes dos assuntos nacionais e as chicanas dos movimentos políticos, particularmente daqueles que vivem da propaganda contra a corrupção”. (MAX HORKHEIMER. Eclipse da Razão. SP: Unesp; pág. 165)

A afirmação acima foi proferida por Max Horkheimer, importante autor da chamada Escola de Frankfurt, em seu livro “Eclipse da Razão” publicado no imediato pós II Guerra. Desiludido com os resultados do desenvolvimento do sistema capitalista no auge do industrialismo, o autor apontou que, desde que a razão se tornou instrumento para a dominação, ela tem-se frustrado em sua própria intenção de descobrir a verdade. Em suas palavras, isso se deve ao fato de que a razão fez da natureza um mero objeto e que fracassou em descobrir o traço de si mesma em tal “objetificação”, presente, em germe, na objetivação primitiva, ou seja, na “contemplação calculista do mundo como presa”.

No entanto, no processo de sua emancipação e satisfação de suas necessidades, o ser humano partilhou o destino do resto do mundo. A dominação da natureza envolveu a dominação do homem. Assim, cada sujeito não apenas tem de tomar parte na sujeição da natureza externa, humana e não humana, mas, a fim de fazê-lo, deve sujeitar a natureza nele mesmo.

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A Guerra de Yuan, de Agenor Bevilacqua Sobrinho. Prefácio de Mayumi Denise Senoi Ilari – FFLCH-USP

A Guerra de Yuan

Prefácio de Mayumi Denise Senoi Ilari – FFLCH-USP

 

A Guerra de Yuan, de Agenor Bevilacqua Sobrinho, narra a história do intrigante personagem do futuro Roberto-yuan-serial 6397.4948.9872.5949.9733, e de um sombrio mundo existente em um tempo não muito posterior ao nosso, controlado pela Yuan-Mind, ou cérebro-“Yuan” de um estado totalitário de mesmo nome, com fortes paralelos à nossa sociedade. Através de uma narrativa a um só tempo enigmática e esclarecedora, o personagem central guia-nos por um mundo de autômatos fortemente moldados e cerceados pelos meios de comunicação, cuja função massificadora é claramente ligada à concentração de um poder central nas mãos de detentores “invisíveis” e não claramente identificáveis, que lograram separar-se completamente da enorme massa de robertos e robertas-yuan seriais, utilizados livremente como carne humana nas grandes engrenagens do mecanismo totalizante e esmagador de Yuan.

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Isenção (midiática) é utópica, mas a busca pela honestidade é inegociável

Enviadop por Chris

Ref. ao texto A importância da competição no mercado de mídia

"No século 20, no entanto, o modelo de grupo de mídia  acabou dispondo de tal influência sobre a opinião pública  - e, através dela, sobre governos, políticos e empresas - que eximiu-se de prestar contas sobre suas obrigações constitucionais."

É Nassif.... neste parágrafo você sintetiza o poder de chantagem que a mídia dispõe sobre qualquer um, indivíduo ou instituição. É curiosa essa serpente de sete cabeças, um poder tão grande mas ao mesmo tempo tão frágil, pois se baseia na dissimulação, numa imagem de isenção que, se for arranhada, o castelo de cartas desaba. Leia mais »

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“Ressocialização com pena mínima é utopia”, diz juiz

Jornal GGN - O Juiz de Direito da 11ª Vara Criminal, Italo Morelle, protocolou uma sentença no qual condenou um assaltante de carro armado a pena próxima à máxima, pelo réu já ter cometido o mesmo crime outras vezes. “Ressocialização com pena mínima é utopia”, afirmou Morelle.

Na constatação do juiz, que considera viver uma luta quixotesca para aplicar penas mais severas, o caráter da pena principal é coercitivo, evitando, segundo ele, reincidências do crime. O réu foi julgado à reclusão de 13 anos, 5 meses e 8 dias, adicionada a 33 dias de pena-multa.

“A ressocialização (e gastaram-se tintas e tintas sobre tal tema), repisando-se o máximo esguardo, em maioria supra summo, entende-se, humildemente, que é vã filosofia de pretensos filósofos. E, assim o é, pois esbarra no livre arbítrio! A jaula torna o tigre mais manso? A raposa menos astuta? E, por melhor que fosse o sistema prisional, ainda assim, volve-se ao livre-arbítrio. (...) A áspide, por sua natureza e sentindo-se ameaçada por mera aproximação, destila sua peçonha na vítima indefesa; porém, se sentir-me excessivamente e desmedidamente ameaçada, por certo, não atacará e empreendera fuga", cita o juiz na decisão.

Morelle critica a postura do Judiciário quanto à ressocialização e demonstra ceticismo quanto à medida aplicada por alguns juízes.

Para ler a decisão completa da Ação Penal, segue documento:

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O pragmatismo e a falta de utopia

Por Assis Ribeiro

Comentário ao post "O avanço do obscurantismo e da perda da generosidade"

Em sentido amplo, a utopia pode ser entendida como tudo o que ainda não foi tentado. A importância da utopia é a de mover segmentos da população que estão insatisfeitos e não comprometidos com a ordem existente, por isso ela é essencial na democracia. A utopia é uma condição “sine qua non” do homem como ser, que deseja, que busca a superação, a transcendência, os sonhos.
 
Ao contrário, o pragmatismo tão propalado nesta sociedade pós – moderna comporta imensos riscos. Ser pragmático é, em miúdas palavras, ser prático ou seguir uma praxe estabelecida. Desta forma, ao exercer esse princípio corremos o risco da apatia, da adaptação, ou, se preferirem, do conformismo. Este conformismo está expresso quando concordamos com o que está posto, quando passamos a acreditar que não existem alternativas no jogo político, por exemplo.
 
Segundo Mannheim: “A desaparição da utopia ocasiona um estado de coisas estático em que o próprio homem se transforma em coisa. Iríamos, então, nos defrontar com o maior paradoxo imaginável, ou seja o do homem que, tendo alcançado o mais alto grau de domínio racional da existência, se vê deixado sem nenhum ideal, tornando-se um mero produto de impulsos. (...) o homem perderia, com o abandono das utopias, a vontade de plasmar a história e, com ela, a capacidade de compreendê-la”
 
Este “estado de coisas estático” é percebido quando ouvimos as pessoas afirmarem que "não gostam de política", ou quando observamos a cristalização de um conjunto de noções anti-políticas no senso comum. Esta expressão de tendências indica fenômenos bem mais amplos do que a simples "desinformação".

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