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A homenagem de Jussara Silveira e Renato Braz para Gal Costa, por Aquiles Rique Reis

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Por Aquiles Rique Reis

O selo SESCSP lançou Fruta Gogoia – Uma homenagem a Gal Costa, álbum que brilha na saudação a uma grande cantora, que completa cinquenta anos de carreira.

Vamos combinar: tem como dar errado um CD com as vozes certeiras de Jussara Silveira e de Renato Braz? Com um seleto time de instrumentistas: Itamar Assiere (piano), Teco Cardoso (sopros), Celso de Almeida (bateria), Swami Junior (violão de sete cordas), Sizão Machado (baixo), Bré Rosário (percussão), e Toninho Ferragutti (acordeom e arranjo para “Fruta Gogoia”, do folclore pernambucano)? E com direção musical e arranjos de Dori Caymmi (ele que ainda toca violão em 12 faixas do disco? É ruim, hein?!

Ao decidir reverenciar uma cantora apresentando músicas já gravadas por ela e interpretadas por duas vozes singulares, Luiz Nogueira, produtor artístico do CD, teve pela frente um desafio.

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Um CD irresistível, por Aquiles Rique Reis

Um CD irresistível

por Aquiles Rique Reis

Quebranto (Biscoito Fino) reúne dois dos nossos melhores violonistas. Sem dúvida esse CD do gaúcho Yamandu Costa e do paulista Alessandro Penezzi estará presente nas listas de melhores CDs instrumentais do ano.

A magia contida no título do álbum (na cultura cigana, quebranto é um feitiço usado para seduzir) se espraia pelas treze composições do CD: cinco da dupla, três de Penezzi, três de Yamandu, uma de autoria de Sérgio Belluco – valsa escolhida por Penezzi para homenagear o autor – e outra de Yamandu em parceria com seu professor Lucio Yanel.

A audição do CD é uma jornada extremamente prazerosa. Consagradas em pleno ato de se mostrarem raras, as músicas que interpretam têm incomparáveis nuances. E assim eles se esbaldam.

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O criador sublevado, por Aquiles Rique Reis

O criador sublevado

por Aquiles Rique Reis

Lucas Santtana é um experimentador. A fobia ao usual remexe os seus miolos. Para ele, um avião não é apenas um monte de placas de aço que avoa fazendo com que as distâncias entre um ponto e outro diminuam, quase inexistam: o avião é um modo delirante.

Cérebro que se recusa à simetria, o de Lucas se move sem que seja possível adivinhá-lo. Seus caminhos não estão na palma da mão, mas num plano de voo. De tão atento a novas ideias, elas lhes vêm aos sonhos. Lembranças confusas que chegam bizarras, atiçadas por bloody marys e bolinhas de tarjas pretas. Rumo ao fundo do céu ou do mar, ele está fora de enquadramentos que resumem estrelas e oceanos apenas a binóculos e águas marinhas.

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Toque de Arte: aprimorados e populares, por Aquiles Rique Reis

Toque de Arte: aprimorados e populares

por Aquiles Rique Reis

Marcelo Eloi, Marcelo China, Marcio Costa e Fernando Regis são o Toque de Arte. Além de tocarem samba, gênero que os lançou e até hoje é reverenciado por eles, os caras cantam o fino! Conheci-os ao ouvir seu segundo CD lançado em 2008. À época, não escondi a minha satisfação pelo fato de terem buscado a experiência do saudoso diretor musical no MPB4, Magro Waghabi, que criou quase todos os arranjos vocais do disco e ajudou a inoculá-los com o vírus do vocal – esse que, após contraído, não há remédio que cure: é para a vida toda. Sob suas bênçãos, o Toque de Arte chegou, cantou, tornou-se um bamba do samba, deu asas às suas vozes e cresceu – e aí é que está a grande sacada que os diferencia.

E agora os rapazes estão novamente na área, com Toque de Arte – 20 anos – ao vivo (Fina Flor), gravado no Citibank Hall, no Rio de Janeiro. Amadurecidos, conhecedores dos segredos do palco e do que faz seus admiradores vibrar, o repertório selecionado é poderoso – só sucessos; os arranjos vocais seguem a trilha aberta pelo Magro. O Toque apresenta um aprimoramento vocal que, apesar de não o impedir de ser popular, o torna único na cena do samba.

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Antonio Adolfo: O som de um craque, por Aquiles Rique Reis

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Foto: Divulgação

O som de um craque

por Aquiles Rique Reis

Dentre mil e uma qualidades, Antonio Adolfo tem outra que o caracteriza e realça: a sua fidelidade ao som contemporâneo e virtuoso de alguns instrumentistas que, costumeiramente, a cada gravação, dividem os estúdios com ele. E isso desde há muito tempo.

Nesse novo trabalho, Hybrido – From Rio to Wayne Shorter (AAM Music), voltam a tocar com ele Jorge Helder (baixo acústico), Rafael Barata (bateria), André Siqueira (percussão), Jessé Sadoc (trompete), Marcelo Martins (sax e flauta), Serginho Trombone (trombone) e o violão do norte-americano Claudio Spiewak. Desta vez, a guitarra ficou nas boas mãos de Lula Galvão.

Juntando seu talento ao desses cobras, tendo a garantia de que suas concepções sonoras seriam interpretadas exatamente como as concebeu, Antonio partiu para criar os nove arranjos do CD. Assim como em seus discos anteriores, cada improviso, cada levada, cada riff, brotam cristalinos, tatuados que estão na alma do grande arranjador que ele é.

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O borogodó de Júlia Vargas, por Aquiles Rique Reis

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Foto: Divulgação

Por Aquiles Rique Reis

Mulher fortaleza, louca varrida, dona do nariz. Ares de menina – mulher de voz potente. Afinação de diapasão. Suingue negro na flor da pele. Pop, rock, baião, samba, balada, tango, tudo serve à voz de quem não se prende a um universo limitado – caminha sem se emparedar, sem tirar o pé do acelerador. Voa e paira sobre vilas e mundos. Navega em mil e uma águas: rasas, profundas, turvas, cristalinas, bravias, plácidas.

Timoneira de seu destino, está pronta para encarar o que chegar. De seu canto brota a gênese de uma vitória que surge, inexorável. Respiração precisa, o diafragma não lhe falta – sempre que carece ali está ele, atento, flexível –, e sem golpes de ar que forçam a voz a fraquejar aos primeiros compassos. Ginga maneira; divisões que multiplicam a força dos versos; falsetes, graves, agudos e vocalises desdobrando-se nos cantares.

Cantora, dançarina, tem o dom da emoção ilimitada. Mulher criança, cantando como gente “mais maior de grande”. Mágica, mandinga? Pé de pato mangalô três veiz. que assim seja e siga (en)cantando. Mulher música que o infinito escolheu, ávido para ser seu parceiro de fé. Duo fantástico: mulher infinita.

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Radiola em transe, um CD arrebatador, por Aquiles Rique Reis

Radiola em transe, um CD arrebatador

por Aquiles Rique Reis

Não há ordem, não há desordem; nem início e nem fim, meio também não há. Então o que há? Há música! Há som e há ritmo. Há palavras para traduzir o indizível; há a teia de quem não propõe facilidades; há a música de quem dela faz um cordão luminoso que liberta a si e a quem mais quiser se desatar.

Ouça o transe daqueles que, atrevidos, deixam-se ver ao avesso. Dança ensandecida, corpos nus envoltos em bruma; dança de quem rodopia ao sabor do que lhe vier à telha; balé desconjuntado, pontas de pé – je sui désolée, mon amour, viens avec moi pro lixo que restou no rendez-vous.

Ouvir o silêncio e o grito; ir do cadafalso ao pico do swell avassalador. Ouvir o que tem a dizer o contraditório: proporcionar-lhe a chance de ser o que busca ser, ainda que ele diga o que não lhe faz sentido; deixar-se ser doido e juntar-se à loucura, cantar com ela e vê-la com olhos não da sádica indiferença, mas com os da alegria.

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A força da mulher nordestina no terceiro álbum de Khrystal, por Aquiles Rique Reis

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Imagem: Divulgação

A força da mulher nordestina

por Aquiles Rique Reis

Ao ouvir Não deixe pra amanhã o que pode deixar pra lá, o terceiro CD da compositora, atriz e cantora Khrystal, deparei-me com uma intérprete de voz viva, com aguçada poética nordestina, e pude imaginar que a sua musicalidade teatral amalgama seus predicados.

Aliás, a força nordestina está presente em outras mulheres, que como Khrystal cantam e compõem, deixando aflorar um forte sentimento de pertencimento geográfico. Desde há muito essa força vem se alastrando e rendendo cantoras admiráveis, como Maria Bethânia, Mona Gadelha e Margareth Menezes. Suas vozes sempre estiveram – e ainda estão – a serviço de todas as suas potencialidades, o que as torna, além de grandes cantoras, boas atrizes e compositoras.

Pois bem, ouvindo Khrystal percebi tais qualidades da região de onde ela vem, o Nordeste da seca, do orgulho de suas raízes. A força de todas essas mulheres advém desse intenso sentimento de nordestina brasilidade.

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Desbravando horizontes, por Aquiles Rique Reis

Desbravando horizontes

por Aquiles Rique Reis

O pianista e compositor David Feldman lançou seu terceiro CD, Horizonte (independente), no qual gravou sete obras de sua autoria. Além delas, músicas de Oscar Castro Neves, Johnny Alf e Toninho Horta. Como as participações especiais não param por aí, Raul de Souza, com seu trombone, enriquece a sonoridade do álbum.

David escolheu apenas dois instrumentistas para tocarem com ele: Marcio Bahia (bateria) e André Vasconcelos (baixo acústico). Todos os arranjos são de David, com pitacos dos dois. Assim, deu-se o prazer de ouvir tocadas as linhas melódicas de suas músicas atuais com um trio. E foi assim, disposto a ampliar sua visão, abrindo-a para além de horizontes musicais já experimentados, que David pensou o seu CD.

“Chora Tua Tristeza” (Oscar Castro Neves e Luvercy Fiorini) inicia. A canção mais jazzística do CD é a praia dos três. Após um pujante solo de bateria, vem o piano, arritmo, tocando notas soltas, para logo a seguir retomar a levada original da música. O trio, num crescendo, conduz ao final... Oscar Castro Neves, sua lembrança me comoveu. Estou certo de que, seja lá onde você estiver, estará ouvindo a sua música num ipod celeste e com um sorrisão aberto.

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Trinca de ases de ouro, por Aquiles Rique Reis

Trinca de ases de ouro

por Aquiles Rique Reis

Foi pleno de uma alegre expectativa que pus para rodar Dos Navegantes (Biscoito Fino), trabalho conjunto de Edu Lobo (voz), Romero Lubambo (violão e guitarra) e Mauro Senise (flautas e saxes) – todos experientes, virtuosos, talentosos –, produzido por Ana Luísa Marinho (mulher de Senise).

O CD abriga onze músicas de Edu Lobo, sendo uma inédita, e dez regravações, cujos arranjos originais, escritos pelos maestros Chiquinho de Moraes, Cristóvão Bastos e Gilson Peranzzetta, foram adaptados pela trinca de ouro.

E assim, com o reforço do contrabaixista Bruno Aguilar (em dez faixas), do percussionista Mingo Araújo (uma faixa) e a participação especial do arranjador e pianista Cristóvão Bastos (uma faixa), Lobo, Senise e Lubambo reforçam a sacada da hora: num momento de crise, unir forças é o caminho que os músicos vêm trilhando. Tocar e cantar junto finda sendo bom para eles e também para o público: os músicos pelo prazer de agregar talentos e fãs, o público pela chance de curtir um trabalho inédito.

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Boa estreia de Denise Studart, por Aquiles Rique Reis

Boa estreia

por Aquiles Rique Reis

A cantora carioca Denise Studart acaba de lançar Joia Rara (independente), seu primeiro disco, no qual ela volta seu olhar para a obra do compositor Sandor Buys, ele que, junto com Denise e o violonista Luiz Flavio Alcofra (arranjador das dez músicas do álbum), cuidaram da produção musical.

Denise Studart (notem que as três letras finais de seu sobrenome apregoam arte) começou sua carreira aos 21 anos, na Itália, apresentando-se principalmente na cidade de Florença, cantando música brasileira.

Curioso que sou, perguntei a ela o porquê da escolha de cantar um disco inteiro com músicas apenas de um compositor. Sua resposta veio certeira: “Eu queria fazer algo “novo” (cantar músicas do Chico, Gil, Caetano, Noel etc., que adoro, muitas cantoras já haviam feito.) Foi muito bacana gravar algo totalmente novo, dar espaço a um jovem compositor, trabalhar com novos arranjos, tudo isso foi muito estimulante. Conheci o Sandor e o Luiz Flavio Alcofra na Escola Portátil de Música (Casa do Choro), um ambiente muito estimulante, que frequento todos os sábados”.

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Vozes siamesas, o CD de Kleber Albuquerque e Rubi, por Aquiles Rique Reis

Vozes siamesas, o CD de Kleber Albuquerque e Rubi

por Aquiles Rique Reis

Hoje saberemos juntos sobre Contraveneno (Sete Sóis, com distribuição da Tratore), CD recém-lançado pelo compositor, cantor e violonista paulistano Kleber Albuquerque, e Rubi, cantor e violonista brasiliense – dupla que tem sólidos trabalhos individualmente lançados (Rubi, três CDs, Kleber, seis).

O cantar de Rubi é doce quando carece, intenso se necessário. O cantar de Kleber é  conciso, exato como bote de cascavel. Amplificado por duas vozes raras, o álbum gira com elegante informalidade. Em Contraveneno (produzido pelo compositor e poeta Flavvio Alves), tudo se dá na mais requintada sincronia entre as canções interioranas e a contemporaneidade da música planetária.

Gravado “ao vivo” num estúdio paulistano, o violão requinto de Rubi e o violão de Kleber integram-se à perfeição com suas vozes. E ainda mais quando seus instrumentos juntam-se em congraçamento com o cello de Mário Manga e o violão e a guitarra de Rovilson Pascoal, ele que é responsável pela mixagem do álbum.

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O novo pernambucano Zé Manoel, por Aquiles Rique Reis

O novo pernambucano Zé Manoel

por Aquiles Rique Reis

“Simples como habitualmente são as grandes obras; profundos como costumam ser os trabalhos que se perpetuam; simples como voo de passarinho; profundo como amor incondicional; singelo como canto de ninar; intenso como fogo de lamber a alma...”

Foi com estas afirmativas que comecei o texto da coluna anterior, na qual comentei o primeiro CD da jovem cantora Alice Passos. Mais do que afirmações, são expressões do desejo de que os jovens prossigam na busca por belezas simples e profundas. Quando um disco mexe com minhas emoções, corro a buscar palavras que digam do meu contentamento por ter em mãos um trabalho arrebatador, mas que, ao mesmo tempo, revelem a angústia por crer que o novo nome dificilmente chegará ao grande público.

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Simples e profundo, o CD de Alice Passos, por Aquiles Rique Reis

Simples e profundo, o CD de Alice Passos

por Aquiles Rique Reis

Simples como habitualmente são as grandes obras; profundos como costumam ser os trabalhos que se perpetuam; simples como voo de passarinho; profundo como amor incondicional; singelo como canto de ninar; intenso como fogo de lamber a alma... foi remoendo tais afirmativas que comecei a escrever este texto.

A cantora Alice Passos inicia sua trajetória reunindo sete músicas inéditas e seis regravações, de gêneros diversos, e gravou Voz e Violão (Fina Flor), seu primeiro disco. Seu primeiro passo: tudo som de arrepiar; tudo canção de amar; de doer; de, enfim, tudo sentir; todo (en)canto; tudo, enfim, música...

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Décio Rocha, o artesão de sonoridades, por Aquiles Rique Reis

Artesão de sonoridades

por Aquiles Rique Reis

Nascido em Cabo de Santo Agostinho, em Pernambuco, o compositor e multiinstrumentista Décio Rocha é, além de ótimo compositor, um artesão de sonoridades. Suas composições brilham com arrebatadoras descobertas sonoras. Achados que surgem da cata por materiais jogados no lixo, “porcarias” inúteis para quem não possui o mesmo dom que ele.

Dito isso, vamos a Nem sei, faz tanto tempo (Saravá Discos), sexto CD, basicamente instrumental, de Décio Rocha. Além das dez músicas só dele, há uma em parceria com Chico César e outra com Zeca Baleiro, que também é o produtor do trabalho. São as únicas com letra, cujo canto Décio divide com cada um de seus parceiros. Tem também “Pedro, Antônio e João”, a famosa quadrilha junina de Benedito Lacerda e Oswaldo Santiago, cantada por Décio e André Abujamra.

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