Revista GGN

Assine
imagem de blogfernando
Profissão Professor
Formação História - UFRGS

CONTEÚDOS DO USUÁRIO

Postagens

Somos de fato tão bestiais?, por Fernando Horta

Somos de fato tão bestiais?

por Fernando Horta

Somos a primeira geração desde o Gênesis a ter o poder de acabar com toda a vida na Terra. Terminada a Guerra Fria, a promessa de um mundo que se desenvolveria economicamente saciando as necessidades materiais da humanidade, simplesmente não aconteceu. Da mesma forma, a promessa que, com o fim da URSS, teríamos a “diminuição das tensões” no mundo e que caminharíamos para a paz, tampouco se concretizou. As guerras e conflitos armados mataram mais gente desde o fim da União Soviética do que nos últimos 20 anos da Guerra Fria. Na prática, temos um mundo mais desigual, mais violento, onde continuam a existir a fome, as guerras, doenças cada vez mais mortais e o ódio vem crescendo a tal ponto que o fascismo já é realidade. Se os acontecimentos na Ucrânia, desde 2014, não foram suficientes para fazer o mundo acordar, se a ultra-direita européia e latino-americana também não tinham feito as sociedades se darem conta do perigo, Charlottesville foi eloquente.

Leia mais »

Média: 4.1 (17 votos)

Em algum lugar se perdeu, por Fernando Horta

Em algum lugar se perdeu

por Fernando Horta

O jogo dos tempos é um dos grandes desencontros da história. O homem só tem o presente. O passado o é por retenção, seja da memória ou da história. O futuro não é ainda, surge somente por projeção. Ao falar do passado, temos, nas palavras de Paul Ricoeur, um “presente-ausente”. O passado não está mais ali, embora dele falemos. Este processo de falar sobre o que já não existe configura um dos espaços da memória e, quando mediado por uma narrativa de alguém diferente de mim, chama-se História.

Parece simples, afinal nada soa mais inexorável ao ser humano do que o tempo. Contudo, a política é capaz de jogar com os tempos de forma a tornar confusa a orientação de todo um grupo de pessoas. Quando eu articulo um discurso de cunho nacionalista, que rememora símbolos, cores, personagens e etc., eu trago o passado de volta através de memórias que foram coletivamente construídas. Os sentidos sociais da memória atuam como mediadores de um tempo que não existe e que, quase sempre, nunca existiu para os que se valem deles.

Leia mais »

Média: 4.3 (12 votos)

Os riscos de uma eleição sem Lula, por Fernando Horta

Os riscos de uma eleição sem Lula

por Fernando Horta

Muitos entendem uma eleição como sinônimo de “processo eleitoral”. Na verdade, dentro do momento sócio-político de uma eleição ocorre, também, um processo eleitoral, mas as coisas não são iguais.

Uma eleição é a refundação ritualística do pacto social gerador de um Estado democrático. É pela representação de um “passado presente” que a sociedade reconstrói e fortalece os laços de respeito e aceitação às regras estabelecidas desde aqueles que já não estão mais entre nós. A eleição é também um júbilo histórico, em que se reafirma que um grupo de pessoas (no nosso caso, mais de 200 milhões) têm mais coisas em comum do que atritos e diversidades.

Leia mais »

Média: 3.9 (22 votos)

Quando a História não é suficiente?, por Fernando Horta

Foto: New York Times

Por Fernando Horta

O século XX não foi o século dos historiadores. O prestígio que a História gozou durante os últimos três mil anos foi eclipsado, no século XX, por uma série de ramos do saber que se diziam detentores de fórmulas para prever o futuro. Até o XIX, o homem olhava para o passado para entender-se, para se referenciar e os historiadores ocupavam – ora com religiosos, ora com filósofos – os postos de “conselheiros” (formais ou informais) do poder político. No século XX, a História foi entendida como “não boa o suficiente”, sendo substituída pela economia, ciência política, relações internacionais, publicidade e outros tantos ramos do saber que prometiam “resultados concretos”, ou ao menos a concretude através de um cientificismo matemático.

Leia mais »

Média: 3.8 (31 votos)

Leis que "pegam'' ou "não pegam" no Brasil de sempre, por Fernando Horta

“Africanos Livres: A abolição do tráfico de escravos no Brasil” é obra recém lançada pela professora e historiadora Beatriz Mamigonian. Uma obra riquíssima para quem quer entender a escravidão brasileira do século XIX, quando o país já discutia, há algum tempo, questões de representação e ideias liberais já faziam parte corrente nos círculos políticos. Para quem não é historiador, pode parecer estranho o liberalismo conviver ao lado da escravidão, e de forma tão cortês. Mas, na realidade, o liberalismo não apenas aceitou a escravidão no Brasil, nos EUA e em círculos europeus no tocante à África, como, no século XIX, apoiou toda sorte de ideologias segregacionistas e de superioridade racial. Muitos acham que o nazismo “surge” na Alemanha, com o verbo “surgir” quase pipocando no texto e trazendo o sentido de surpresa. Nada mais errado. O nazismo é o ponto mais visível de uma série de ideias de supremacia civilizacional do homem branco e da Europa que, se não tinham fulcro direto em teóricos liberais, conviveram harmoniosamente com estes por muito tempo.

Leia mais »

Média: 2.8 (16 votos)

Distritão, distrital e porque alguns estão tão felizes com isto, por Fernando Horta

Distritão, distrital e porque alguns estão tão felizes com isto

por Fernando Horta

Dilma Rousseff iniciou 2014 falando em fazer uma reforma política profunda. Logo no início, ela tentou emplacar o decreto 8243, que nada mais era do que aumentar o nível de participação da democracia. Veja que antes do golpe tínhamos uma democracia representativa e estávamos lutando para passarmos para uma democracia participativa. Agora, lutamos por democracia, qualquer uma, para começar.

Se você pegar as propostas de Dilma em 2014 terá uma noção mais clara do motivo do golpe parlamentar. A discussão sobre a Reforma Política deveria ser feita de forma aberta, consultando-se as universidades, promovendo debates públicos e com grande cobertura da mídia. Está sendo feita às escondidas, por uma série de parlamentares mal preparados, mal assessorados e até mal-intencionados.

Leia mais »

Imagens

Média: 4.5 (15 votos)

A Estética do fascismo, por Fernando Horta

A Estética do fascismo

por Fernando Horta

Os regimes fascistas e nazistas foram os primeiros a entenderem a importância dos meios de comunicação de massa para a política. No final dos anos 20 e início dos anos 30, o rádio se constituía na grande novidade da tecnologia transformada em produto pelo capitalismo. O rádio, paulatinamente, diminuía de tamanho físico e se tornava um aparelho fundamental na vida das pessoas, em tempos de paz e, mais importante ainda, em tempos de guerra.

O nazismo foi ainda mais além, reconhecendo, na segunda metade dos anos 30, a importância da comunicação, em todas as suas áreas. Hitler e Goebbels, por exemplo, conceberam a necessidade de uma comunicação efetiva, que transmitisse mais do que apenas o texto ou a narração. Contrataram a cineasta alemã Leni Riefenstahl porque, diziam eles, precisavam “aliar a arte à política”. Eis o ponto. Riefenstahl criou uma estética para representar o nazismo. Uma estética embebida em sentidos políticos e sociais que são replicados até os dias de hoje.

Leia mais »

Média: 3.1 (34 votos)

Noves fora..., por Fernando Horta

Noves fora...

por Fernando Horta

A saída de Temer era de duvidoso ganho para os trabalhadores.

A votação do relatório negando prosseguimento à denúncia feita pelo Procurador Geral da República contra Michel Temer, nesta quarta, voltou a demonstrar a vergonha que sente o brasileiro de seu Legislativo. Deputados mal preparados, ignorantes, incapazes de pensar em outra coisa do que em seus bolsos e utilizando o tempo e o dinheiro do contribuinte de forma que – com certeza – fere o decoro parlamentar são a imensa maioria. O deputado Wladimir Costa, que já havia tatuado no corpo dizeres em homenagem a Temer, foi flagrado em fotografias de Lula Marques numa conversa profundamente ofensiva e machista durante o tempo da votação. O histriônico deputado, que havia recebido mais de sete milhões de reais em “emendas” do seu homenageado, é o símbolo da atual câmara baixa: baixa, ignóbil e argentária. Os brasileiros estamos enojados.

Como tinha previsto o senador Romero Jucá, Temer foi protegido pelo mesmo bando que babava ignorância na votação do afastamento de Dilma. As capacidades preditivas de Jucá deveriam já ter chamado a atenção de procuradores e policiais, no caso de estarmos com “as instituições funcionando”. De fato, Jucá disse que “Cunha está morto, esquece o Cunha”, e ele estava certo. A votação de hoje mostra uma câmara vil com ou sem liderança. Cunha é dispensável e deveria começar a se preocupar com sua situação, na prisão.

Leia mais »

Média: 5 (20 votos)

As Dinastias do Poder e a Luta de Classes, por Fernando Horta

As Dinastias do Poder e a Luta de Classes, por Fernando Horta

A Ciência não é neutra. Nada, aliás, o é. Mas a Ciência, de todas as formas de aquisição de conhecimento, é a mais objetiva e a que tem tido os melhores resultados práticos. Desde 1620, quando foi publicado o livro Novum Organum de Francis Bacon, a estruturação de uma metodologia científica tem propiciado um intenso desenvolvimento da humanidade. A aquisição de conhecimento e sua validação atingiram também a própria Ciência que se critica e reconstrói a todo o momento.

É claro que vivemos um momento de anti-intelectualismo, em que o conhecimento consolidado precisa lutar por legitimidade com vídeos ou notícias apócrifas na rede mundial de computadores. E esta luta é inglória, pois o juiz frequentemente carece de ferramental cognitivo para fazer a função de julgar. Fica tudo na opinião pessoal, como se nada dali em diante pudesse ser verificado.

Leia mais »

Média: 4.2 (26 votos)

A História como arma, por Fernando Horta

A História como arma

por Fernando Horta

No início desta semana, o chefe da CIA no governo Trump, Mike Pompeo, sugeriu que a agência estaria trabalhando com o México e a Colômbia para depor o governo de Nicolás Maduro. A CIA tem inúmeras “covert actions” na sua história, e o que impressiona é que seu chefe tenha falado de uma delas. De fato, a ação na Venezuela não é mais “covert” há muito tempo. Tanto Capriles quanto Leopoldo López receberam auxílio logístico e até financeiro da CIA, faltava a confissão que Pompeo deu.

Muitos dirão que esta confissão demonstra, “mais uma vez”, que o Brasil também é alvo da CIA e que 2013-2016 seria, então, uma consequência da voracidade yankee. Eu creio que neste tipo de afirmação joga um papel forte o nosso complexo de vira-latas. Entendemos que sequer um golpe nós não temos capacidade de dar sozinhos. É muita falta de fé na nossa direita e nas nossas elites.

Leia mais »

Média: 4.8 (11 votos)

Os Muros, por Fernando Horta

Os Muros, por Fernando Horta

A humanidade, de tempos em tempos, é acometida por um medo irracional de seu semelhante. Desde as muralhas construídas nas primeiras Cidades-Estado da Mesopotâmia, passando pela Muralha da China, pela Muralha de Adriano, o Muro de Berlim e chegando aos atuais muros da Cisjordânia, de Belfast, e a tentativa feita por Trump, na fronteira dos EUA e México. Existem inúmeros outros, com certeza. Em todos os continentes, em todas as culturas, em todos os tempos. Na prática, os muros sempre serviram para proteger algo que algumas pessoas julgavam valioso, de quem era julgado desprezível ou dispensável. Desde razões religiosas, econômicas e até, mais recentemente, culturais são invocadas para consecução material do nosso ódio ao outro: o muro.

Temos inúmeros muros no Brasil. Qualquer condomínio fechado, ou casa com cerca elétrica, é uma reprodução em miniatura deste ódio atemporal que cultivamos. Mas, como a História mostra que os meios mais baratos de contenção não são os físicos, existem muros, de palavras, de valores e até de vazios. Brasília é um bom exemplo. Quem conhece sua urbanística atual percebe que imensos espaços vazios afastam as populações mais pobres dos núcleos ricos ou de onde se exerce poder. Portanto, o muro pode ser de concreto, de pedra ou de vazios. Continuam sendo muros, cujo objetivo é separar e evitar que aqueles que estão fora, entrem.

Leia mais »

Média: 4.4 (14 votos)

O cidadão contra a Lei, por Fernando Horta

O cidadão contra a Lei

por Fernando Hora

Desde o Império Romano se tem claro que o Estado dispõe de tantos meios e recursos que é preciso dar-lhe um limite. Lá, no Velho Continente, depois da Revolta do Monte Sagrado (494 a.C.) os plebeus ganharam o direito de terem um representante seu no Senado. A figura recebeu o nome de “Tribuno da Plebe”, também para que ficasse claro que ele não era (nem nunca poderia ser) senador. As fontes falam em algo entre 4 e 10 representantes da plebe. O número jamais faria frente ao número de senadores, mas o Tribuno tinha dois importantes poderes: tinha poder de veto e sua casa era inviolável. O poder de veto dava ao Tribuno uma oportunidade de barganhar em favor da plebe e a inviolabilidade de sua casa o protegia das artimanhas do Estado e de opositores.

Esta percepção, da possibilidade do abuso do poder, vai ir e voltar durante a Idade e Média e Modernidade, tornando-se sólida apenas após a Revolução Francesa. Era preciso proteger o cidadão do Estado. Os direitos individuais, tornados, ao longo do século XIX e XX, pétreos e, em seguida, aumentados para os “direitos humanos”, têm por função também tal proteção. Para dizer pouco, esta é a pedra-de-toque da construção de todo o arcabouço político e social norte-americano.

Leia mais »

Média: 4.7 (13 votos)

O golpe de Schroedinger, por Fernando Horta

O golpe de Schroedinger, por Fernando Horta

Numa das mais célebres passagens da física contemporânea, o físico Erwin Schroedinger, construiu uma experiência hipotética, em 1935, com uma caixa, radioatividade e um pobre gato. Segundo a mecânica quântica, diversos estados da matéria coexistem no mesmo momento. Como, em realidade, temos que olhar para as partículas que formam a matéria, o mundo seria um, se estas partículas assumissem um estado de matéria, ou seria outro, se assumissem um estado de energia, por exemplo. Como esta dualidade se daria em nível subatômico, qualquer interferência externa seria suficiente para alterar esta realidade, para constituir um universo ou outro, dentro de tantos possíveis. Leia mais »

Média: 3.4 (25 votos)

Com Supremo, com tudo, por Fernando Horta

Com Supremo, com tudo

por Fernando Horta

Em março de 2016 vazava uma conversa entre o ex-presidente Lula e a presidenta Dilma Rousseff em que Lula dizia, em alto e bom som, que temos uma “suprema corte totalmente acovardada”. Não vamos rediscutir a ilegalidade do vazamento, a falta de punição aos agentes públicos que vazaram o áudio ou ao fato de que os governos de Lula e Dilma terem indicado quase todos os ministros desta corte. De fato, se Dilma tivesse continuado seu governo e a PEC da Bengala não tivesse sido aprovada, Lula e Dilma teriam indicado 10 dos onze ministros do STF. Apenas Gilmar Mendes seria a exceção.

Este cenário também deve ser levado em conta para entender a inércia da corte quanto ao golpe.

Mas para quê, afinal, serve o STF?

Existem estimativas de que o STF custe R$ 1,7 milhão de reais por dia ao povo brasileiro. Um tribunal caro para um judiciário que está entre os mais caros do mundo, chegando ao valor anual de quase 80 bilhões de reais, o que representa algo como 1,3% do PIB. Segundo números do judiciário, ele próprio arrecadou apenas R$ 45 bilhões, sendo deficitário, portanto.

Leia mais »

Média: 4.1 (19 votos)

A Estrada do Desespero, por Fernando Horta

A Estrada do Desespero, por Fernando Horta

Em 2008 ocorreu a maior crise da história do capitalismo. Só para a economia norte-americana estima-se um prejuízo de vinte e dois trilhões de dólares e mais de três milhões de empregos[1]. O prejuízo no mundo todo é ainda difícil de calcular mas estima-se que seja mais quinze trilhões de dólares[2]. Os estudos científicos falam numa queda de mais de 50% do comércio global[3]. Este efeito foi ainda piorado pela crise do Euro em 2010[4], na desaceleração do consumo chinês[5] e pelo fim o super ciclo das commodities em 2013[6]. Para se ter uma ideia, os principais parceiros comerciais brasileiros são a China, a União Europeia e os EUA (nesta ordem[7]) e todos reduziram seus consumos.

Se o prejuízo material da crise de 2008 supera o da crise de 1929[8], a percepção social não chegou a tanto. Em 29, houve caos social, pânico econômico, suicídios diversos e a geração de uma percepção de que o capitalismo estava errado em essência. Duas ideologias opostas passaram a atacar o capitalismo internacional de forma muito clara: o nazi-fascismo e o socialismo soviético. A força de ambos os discursos vinha da própria realidade econômica, a URSS simplesmente não sofreu abalo algum com os efeitos de 29 e seguiu crescendo a taxas bem altas e a Alemanha, após ter sua economia destroçada entre 29 e 33, conseguiu com Hitler atingir o pleno emprego e retomar o crescimento. As duas fórmulas atacavam a percepção do individualismo e do capitalismo transnacional, mas davam soluções diferentes. Enquanto o modelo nazifascista trabalhava com a ideia central de “pátria” e reafirmava a necessidade de um “capitalismo nacional” o modelo soviético propunha a negação tanto da ideia de nação quando da de capitalismo.

Leia mais »

Média: 4.1 (17 votos)

Fotos

Sem colaborações até o momento.

Vídeos

Sem colaborações até o momento.

Documentos

Sem colaborações até o momento.

Áudio

Sem colaborações até o momento.