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Delfim Netto e o capitalismo inovador, por Márcio Valley

Por Márcio Valley

Bastante interessante esse pequeno artigo de Delfim Netto, publicado no GGN e cujo link disponibilizo aqui, sobre as condições sociológicas históricas que dão azo à formação do capitalismo. Destaco a parte em que ele pontifica que o capitalismo é apenas um momento no processo histórico, não podendo ser classificado, nem como natural, nem como eterno. Que ótimo que isso seja dito por um intelectual conservador, não é mesmo? Delfim corrobora o que costumo dizer: a honestidade intelectual dá sabor e veracidade à palavra, escrita ou falada, que, assim, clama por ser consumida. Nada mais detestável do que um texto sofista e tendencioso.

Tendo a concordar com Delfim com relação ao que Marx pensaria sobre o capitalismo atual, que provavelmente o entusiasmaria, embora mantendo a crítica da imoralidade e da injustiça que o permeia.

Não cabe negar que a situação da miséria e das condições de trabalho, hoje, aí incluído o ganho de renda e melhoria das condições higiênicas do ambiente de trabalho, é bastante superior ao testemunhado por ele em final do século XIX. Claro que tal melhoria levou mais tempo - um século - para alcançar uma parcela algo significativa e ainda não suficiente da população mundial do que seria desejável, já que sabemos que a concentração da riqueza é de tal magnitude que menos de um porcento da população mundial detém mais da metade da riqueza material e que existem bolsões gigantescos da mais degradante miséria em vários cantos do planeta, alguns totalmente esquecidos pelo restante da humanidade. Ainda assim não se pode negar ser um ganho considerável se cotejado com a experiência histórica dos séculos anteriores, no qual a miséria era a regra.

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A faxineira e o delegado, por Marcio Valley

do blog do Marcio Valley

Imagine a seguinte situação absolutamente hipotética: você chega na sua mesa de trabalho e descobre que um colega comeu um bombom de sua caixa. O que você faria?

Se você for uma pessoa equilibrada e altruísta, você terá colocado a caixa de bombons à vista justamente porque queria que os colegas os consumissem.

Se você for só equilibrado, mas não altruísta, sorrirá pela sapequice do colega e não ficará demasiadamente aborrecido.

Se for um pouco exigente demais, irá no máximo considerar que houve um certo abuso e ficar chateado.

Se for um ranzinza cricri, irá se queixar diretamente com o colega.

Se além de ranzinza, for egoísta, irá se queixar ao chefe e pedir que ele admoeste o colega de trabalho.

Se for um celerado, um ególatra ou um completo retardado mental, você irá a uma delegacia policial registrar queixa pelo crime de furto.

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A república dos parvos ou por que a crise política não acaba?, por Marcio Valley

Por Marcio Valley

Por que a crise política se eterniza, por que não acaba?

É a pergunta que me tenho feito insistentemente ante a percepção de que o Brasil, ao contrário do que tentam fazer crer, não se encontra em situação econômica pior do que a que já esteve na maior parte de sua história. Só acredita nisso quem tem menos de cinquenta anos e não vivenciou a crise que parecia infindável e que durou do início da década de 1960 até o final da década de 1990, portanto por cerca de quarenta anos. Até quando contava cerca de quarenta anos de idade, cheguei a acreditar que jamais viveria num país com uma certa estabilidade financeira e com uma boa oferta de trabalho e renda para sua população. Afinal, sou do tempo em que, praticamente em todas as ruas do Centro do Rio de Janeiro, da porta de cada prédio jorrava, como uma enorme língua, imensa fila de pessoas candidatando-se a uma mísera vaga de emprego. Fui parte dessas línguas em várias oportunidades e arrepiava-me a ideia de ter que retornar à saliva de uma delas.

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O deputado e o motorista, por Marcio Valley

do blog do Marcio Valley

Lamentável a violência ocorrida no episódio no qual o deputado Takayama (PSC-PR), de 67 anos, acabou levando um soco do motorista do senador Delcídio do Amaral (PT-MS) nas vias de acesso ao Congresso Nacional.

Não é possível defender ou justificar qualquer violência, muito menos quando verificada a desproporcionalidade física entre os envolvidos. O deputado, afinal, é um idoso.

Porém, as imagens captadas pelo sistema de segurança da Polícia Legislativa do Congresso são inquestionáveis. Os vídeos, que foram divulgados, claramente comprovam que: (a) não houve manobra de risco acentuado por parte do motorista quando dirigindo; (b) o deputado inicia a agressão ao desferir um tapa ou um soco no motorista, que somente então revida.

Além disso, aparentemente as lesões derivaram mais da forma com que se deu a queda do deputado, do que propriamente do soco que recebeu.

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É hora de Gilmar Mendes devolver processo, por Marcio Valley

do blog do Marcio Valley

Passadas as marchas pró e contra o governo, é hora de nós, brasileiros e brasileiras, nos juntarmos para, sem coloração partidária, sem ressentimentos e sem rivalidades mesquinhas, promovermos ações políticas coletivas que estejam acima de qualquer suspeita de ambos os lados.

Tanto nas passeatas do dia 13, como nas do dia 15, era imenso o número de pessoas portando cartazes e faixas contra a corrupção. Trata-se, pois, de uma agenda política de todos os brasileiros. Que tal representantes de ambos os lados da disputa política, como, por exemplo, Lobão e Stédile ou FHC e Lula, demonstrarem que não se limitam à retórica emocional dos palanques? Que estão dispostos a abraçar uma causa objetiva e concreta que possui amplas possibilidades de produzir algum efeito positivo em nossa política?

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Cena do Sarau no Rio

Sarau no Rio, em 15 de março de 2015,com o jornalista Luis Nassif (ao lado do violonista), seus amigos seresteiros e comentaristas do blog. Marcio Valley, atrás da câmera, filmou esse momento bacana, em que, juntos, o povo cantava a música, Foi Um Rio que Passou em Minha Vida, de Paulinho da Viola. Divirtam-se.

Vídeos

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Sucesso nas manifestações pró-governo. Agora é esperar o dia

Autor: 

do blog do Marcio Valley

As manifestações de hoje (13/03), a favor da Petrobras, pela reforma política e contra o desvario do impeachment foram bem sucedidas. Nas 22 capitais em que foram realizadas, foi considerável o afluxo de manifestantes. Milhares de cidadãos atenderam ao chamado da CUT.

Um mar vermelho tomou conta das capitais. Vermelho da CUT, mas também do PT. Incontáveis cartazes defendiam a Presidente Dilma. Outros tantos exigiam uma reforma política decente.

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Afinal, "coxinha" é um palavrão?; por Marcio Valley

do blog do Marcio Valley

Não há dúvida de que, em qualquer setor do conhecimento e da práxis humana, a polifonia sempre será saudável. Isso se aplica também, principalmente e não poderia ser diferente, à política, pois a existência de visões múltiplas sobre a melhor maneira de organizar a sociedade permite que a escolha recaia sobre aquela que se revele mais adequada.

Como diz o velho e sábio ditado, várias cabeças pensam melhor do que uma.

Esse processo, claro, envolve a discordância dos defensores do projeto perdedor. Tal oposição é normal e aceitável na democracia, desde que não extrapole o âmbito da razão e não ser arvore na pretensão de derrubar, por vias oblíquas, o que democraticamente foi decidido. A racionalidade é o caminho, sempre.

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O sistema político-econômico que se avizinha, por Marcio Valley

Por Marcio Valley

Do blog do Marcio Valley

Historicamente, nada é imutável e nada é insubstituível. Não fosse assim, a própria noção de história, entendida como a sucessão de eventos no tempo, seria seriamente comprometida e a previsão de Fukuyama não faria sentido algum. Por outro lado, em geral todas as mudanças são lentas e graduais, mantendo-se durante muito tempo pontos de intercessão entre os modelos antigo e moderno. Leia mais »

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O inimigo comum imaginário criado pelo diabo que não existe

Autor: 

Charge de Ivan Cabral

do blog do Marcio Valley

Há uma máxima, atribuída ao poeta francês Charles Baudelaire, segundo a qual o maior truque realizado pelo diabo foi convencer a todos de sua própria inexistência. Grande esperteza. O diabo sabe que o povo estará pronto para adotar uma atitude passiva e se acomodar quando restar convencido de que determinado mal é fruto de lenda urbana, de teorias da conspiração ou da histeria de poucos. Nada como a inação popular para quem deseja o poder. Em terra de apáticos, o mal ativo será rei.

O diabo, porém, é ainda mais maligno. Não satisfeito em, num passe de alquimia, transmutar uma existência concreta, a sua própria, em delírio de poucos para, com isso, se tornar invisível, a liberdade da invisibilidade lhe proporciona realizar outra façanha alquímica extraordinária: metamorfosear uma inexistência, o éter, em medo coletivo palpável. Isso porque o diabo sabe que a melhor maneira de conquistar, manter e ampliar o seu poder é através da criação de um inimigo comum que, unindo o povo num propósito, direcione a energia coletiva para o objetivo desejado pelo mal.

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Beija-Flor e o ditador: a vergonha de uma vitória, por Marcio Valley

 

do blog do Marcio Valley

A República da Guiné Equatorial é um país localizado na porção centro-atlântica da África, com cerca de vinte e oito mil quilômetros quadrados, população de seiscentos mil habitantes e PIB de de quinze bilhões de dólares, ou seja, a área de Alagoas, com a população do Amapá e o PIB do Rio Grande do Norte. Até pouco antes do ano 2000, a economia da Guiné era, basicamente, focada na exportação de cacau, café e madeira. A partir daí, ganhou relevo substancial a exploração de petróleo. Até 1778 era uma colônia portuguesa e, a partir daí, passou ao domínio espanhol, somente alcançando independência em 1968.

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Zizek e a importância da esquerda radical, por Marcio Valley

do blog do Marcio Valley

Slavoj Zizek, em seu pequeno livro "Bem-vindo ao deserto do real", trata do confronto, ou do falso confronto, entre democracia liberal e fundamentalismo islâmico. Foi escrito a propósito do atentado às torres gêmeas, sendo, dessa forma, um tanto profético em relação aos recentes acontecimentos em Paris. Zizek é uma leitura difícil, não é para iniciantes, como eu. Tanto que, ao arrogantemente tentar ler um de seus livros mais densos, "A visão em paralaxe", a evidente ausência da bagagem necessária me fez desistir da empreitada, repondo o livro na estante à espera do imprescindível amadurecimento intelectual.

Zizek, como todo bom filósofo, e talvez até mais do que a maioria, dada a sua inclinação psicanalítica, produz muito mais indagações do que respostas. Da leitura que fiz de suas falas, tanto em relação ao 11/09, como agora no que concerne ao triste episódio de Paris, o filósofo sugere que a democracia liberal, no que possui de mais conservador, deve entender o papel preponderante que a esquerda radical exerce como fiel da balança da justiça e da paz sociais, ainda que a própria esquerda radical não consiga convencer o povo dos benefícios de seu projeto político utópico. Em outras palavras, os projetos políticos nascidos no berço da esquerda radical devem ser apropriados pela democracia liberal, com concessão em doses minúsculas, homeopáticas, no intuito de atenuar a pressão social e garantir a manutenção do status quo e da tranquilidade do sagrado mercado. Ao mesmo tempo, tais suaves concessões servem ao propósito de inibir uma eventual escalada ao poder dos representantes da própria esquerda radical. Claro que essa estratégia cria um paradoxo inescapável: nesse jogo de concessões, de dose homeopática em dose homeopática, o projeto da esquerda vai se materializando aos pouquinhos.

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A regulação da mídia, por Marcio Valley

 

do blog do Marcio Valley

A regulação da mídia

João Feres Júnior, cientista político que coordena o projeto Machetômetro da UERJ, cujo objetivo é analisar as valências das matérias publicadas na grande imprensa, declara, em entrevista ao jornal GGN, ser “muito preocupante para a democracia brasileira esse tipo de comportamento da grande mídia. A cobertura se encerrou com uma página deprimente". Referia-se ele à capa da revista Veja publicada dois dias antes da eleição e repercutida nos grandes jornais e no Jornal Nacional, da Rede Globo.

Ainda na mesma entrevista, o pesquisador sustenta que "a cobertura dos três jornais que a gente estuda, a Folha de S. Paulo, o Globo e o Jornal Nacional, se caracterizou por um viés bem forte contra a candidata do Partido dos Trabalhadores Dilma e contra o PT. Agora, no final da campanha, acho que a coisa se revestiu de uma radicalidade que eu nunca tinha visto antes. Todos os jornais e revistas semanais juntos querendo dar um golpe de mídia, ou seja, virar o resultado eleitoral por meio de um factoide que a Veja começou a publicar e que rebate nos outros jornais todos". Para ele, a campanha da oposição ao governo federal foi bancada pela revista Veja.

Como explicar esse alinhamento da opinião política manifestada pelas maiores empresas da imprensa brasileira?

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O que é essencial para o mundo e para o Brasil?

Por Marcio Valley

O que é essencial para o mundo e para o Brasil? Há uma certa unanimidade em torno da palavra mágica "crescimento econômico" como uma suposta panaceia para os problemas humanos. Poderiam até estar corretos, não fosse a perspectiva com que a palavra é entendida.

O problema é que, quando se fala em crescimento econômico, pensa-se no modelo do passado, do final do século XIX e início do século XX, que tão bem soube retratar Chaplin em “Tempos Modernos”. O mesmo modelo que atemorizou Marx, em seu formato não-sustentável, fundado em maior quantidade de indústrias, incremento do comércio, profusão da mineração, mais hidrelétricas e termoelétricas, enfim o tipo de crescimento que implica necessariamente em sujeira, poluição e destruição do meio-ambiente. Na verdade, trata-se do paradigma “cachorro perseguindo o próprio rabo”, onde a economia persegue e tantas vezes quer se antecipar ao crescimento demográfico.

Contudo, o momento exige outra dinâmica social: o decrescimento populacional e, via de consequência, econômico. O tempo é de formação de políticas voltadas para o estímulo à diminuição gradativa da população através de sério planejamento familiar.

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Brasil: farol ou lanterna do mundo?, por Marcio Valley

Por Marcio Valley

Vivenciamos um momento político sério e um tanto perigoso. Esse momento pode ser simbolizado pela junção, orquestrada ou não, da atuação de quatro pessoas que trabalham incansavelmente para a desestabilização democrática: um ministro do Supremo que não respeita a toga que veste; um candidato que perdeu a eleição e resolveu retirar a máscara de bom moço que até então lhe serviu bem; um ex-cantor sem talento que voltou aos holofotes exclusivamente pelo oportunismo da grande mídia; e um ex-presidente intelectual amargurado por perceber que a história lhe reservará um papel secundário na política brasileira, principalmente em decorrência da atuação presidencial de um ex-operário sem doutorado que lhe roubou o título de estadista.

Além desses quatro trapalhões do apocalipse, não se pode olvidar do papel, muito mais relevante e significativo, da imprensa, que ecoa todo e qualquer movimento dos quatro, chegando a transformar pequenas passeatas de algumas centenas de pessoas em importantes “movimentos populares”.

A partir dessa união meio não querida, meio desejada, outros oportunistas entram no jogo, sentindo que, para qualquer direção que o barco vire, serão beneficiados, como Serra e Alckmin, além de aproveitadores de ocasião, como Eduardo Cunha, um certo juiz que preside um processo criminal no Paraná e diversos delegados federais mal-intencionados politicamente, que chegam a exibir despudoradamente na rede social suas reais intenções partidárias.

Tudo isso acaba por produzir um caldo político disforme, sem consistência quanto às reivindicações, mas ambos com a pretensão de passar por cima do processo eleitoral democrático e extirpar o PT do governo. São duas correntes, uma jurídico-política que pretende dar ares de constitucionalidade ao golpe e outra mais autêntica e desavergonhada que quer o golpe a qualquer preço, mesmo ao custo da ruptura institucional e imposição de uma ditadura.

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