Revista GGN

Assine
imagem de marcio valley
Profissão servidor público

CONTEÚDOS DO USUÁRIO

Postagens

A obsessão pelo crescimento econômico como patologia social

do blog do Marcio Valley

Tim Jackson, em seu livro "Prosperidade sem crescimento: Vida boa em um planeta finito", surpreende os leitores ao apontar estudos que desvinculam o sentido de prosperidade individual à posse de riqueza. Questionadas, as pessoas tendem a identificar o desejo de prosperidade, precipuamente, ao bom relacionamento com familiares e amigos, à segurança de si e das pessoas a quem quer bem, à possibilidade de realizar coisas pelas quais se sinta gratificado, à manutenção de um emprego decente com renda meramente suficiente para a manutenção de uma vida digna e ao sentimento de pertencimento a uma comunidade da qual possa participar de forma ativa. Jackson denomina de florescimento a possibilidade do indivíduo alcançar esse conjunto de fatores. A prosperidade, assim, está plenamente vinculada à capacidade do indivíduo de florescer. Alcançar riqueza não é, em geral, incluída pelas pessoas como um dos requisitos do florescimento. Uma renda digna, não riqueza, é um elemento considerado, todavia apenas como um meio para o sucesso na meta do florescimento.

Essa espécie de prosperidade que advém do florescimento independe do crescimento econômico. De fato, é possível imaginar uma economia estável, com crescimento variando em função do número de habitantes do planeta e, sendo assim, tanto podendo crescer, como decrescer, na qual as pessoas consigam viver num ambiente de fraternidade, trabalhando com renda digna, realizando o que gosta de fazer e com segurança, ou seja, florescendo em sua condição de ser humano.

Leia mais »

Média: 4.6 (11 votos)

Banestado e Petrobras: dois atos de uma mesma peça, por Marcio Valley

do blog do Marcio Valley

A deputada federal Iriny Lopes publicou no Facebook um excelente texto sobre a questão da corrupção na Petrobras. O texto é público e vale a pena lê-lo para refletir sobre os processos que conduzem à derrota das oportunidades de combater a corrupção e evitar que isso se repita no caso da Operação Lava Jato, sobre a Petrobrás.

No texto, a deputada Iriny faz uma interessante ligação entre o atual problema da Petrobras e o caso do Banestado, Banco do Estado do Paraná, cujo enredo possui idênticos personagens: o mesmo juiz, o mesmo doleiro e o mesmo Estado do Paraná como origem.

O caso Banestado, ocorrido em meados da década de 1990, foi possivelmente o maior caso de desvio de dinheiro na história do país. Poderosíssimas forças políticas ergueram um muro de contenção para paralisar o andamento das investigações. Ao final, somente peixes miúdos foram responsabilizados. O caso está relatado no livro do Amaury Jr, "A privataria tucana".

A impunidade no caso Banestado incentivou o mesmo sistema criminoso a prosseguir na roubalheira. A história que surge agora, na Petrobras, em menor escala que o do Banestado, é certamente só uma das pontas desse nó até agora inextricável de corrupção. Somente foi evidenciado em decorrência de uma "bobeira" da mídia em sua cruzada contra o governo do PT. A capa da arma chamada Veja, com o famoso "Eles sabiam" que pretendia ser a "bala de prata" contra o PT, voltou-se contra o sistema que operava a arma. Os delegados federais da oposição criaram um monstro que dificilmente poderá ser contido sem a denúncia da blogosfera.

Leia mais »

Média: 4.3 (12 votos)

Para o bem geral, política e religião não se misturam

Por Marcio Valley

Do seu blog

O ser humano é naturalmente gregário e, mesmo antes do surgimento da fala, havia se habituado a viver em sociedade. Australopitecos viviam em bandos estratificados por uma tênue organização do tecido social, que possuía um chefe, assim como hoje é observado em grandes primatas, como os chimpanzés, em cujos bandos se verifica que o líder, o macho alfa (chefe), é apoiado por um segmento de outros machos do bando (soldados), o que o auxilia a impôr sua liderança aos demais membros (cidadãos), que são os que respondem pela criação dos filhotes, catação e extrativismo. Dentre os chimpanzés, quem aspira a ser líder do bando não necessariamente precisa ser o mais forte e nem obter a liderança através de vitória em enfrentamentos físicos com o antigo líder. No mais das vezes, o chimpanzé macho que almeja a liderança busca a simpatia dos componentes do grupo que dão sustentação ao macho alfa. Através de afagos e agrados diversos, conquista a confiança desse segmento e, ancorado nessa força, avoca para si a liderança, expulsando o antigo chefe.

Extraordinariamente, os chimpanzés, com esse comportamento, exercitam um rudimento de política, o que demonstra que toda sociedade, ainda que primitiva, precisa ser organizada politicamente de alguma forma. Isso se explica pela necessidade imposta à vida em grupo de tomada de decisões que sejam respeitadas pela coletividade, o que implica limitação da liberdade individual. Se cada um resolver fazer o que quiser, quando quiser, sem planejamento, dificilmente o grupo conseguiria o alimento e a segurança de que necessitam.

Leia mais »

Média: 5 (3 votos)

Existem juízes que orgulham a magistratura brasileira

do blog do Marcio Valley

O presidente do Supremo Tribunal Federal, Ricardo Lewandowski, manifestando-se sobre o caso do juiz que deu voz de prisão à agente da Lei Seca, disse que "o juiz é um homem comum. É um cidadão como outro qualquer".

Certamente existem juízes, desembargadores e ministros que se mostram despreocupados em realizar ações que envergonham a magistratura brasileira, talvez em número maior do que seria adequado. O mesmo elemento que justifica a criminalidade em geral, justifica esse despudor: a sensação de impunidade, neste caso provocada pelo corporativismo. Cientes da improbabilidade de serem punidos ou, nos raros casos em que isso ocorre, de que sua maior punição é a aposentadoria compulsória, provavelmente a melhor punição do mundo (a conferir), essa parcela da magistratura pouco afeita à ética delira com a ideia de que são superiores aos cidadãos, os mesmos que pagam seus salários. Consideram-se acima do comum do povo. Imaginam-se deuses à salvo do alcance da lei.

Como tudo que é ruim pode ficar pior, esse quadro é agravado pela existência de juízes que, ainda mais delirantes, confirmam essa superioridade divina por sentença ou acórdão.

Leia mais »

Média: 5 (12 votos)

O paradoxo da felicidade

 

do blog do Marcio Valley

Estudos do Worldwatch Institute (State of the world, 2008) indicam a existência de um paradoxo da felicidade. Segundo esses estudos, o ser humano possui necessidades básicas de natureza urgente que, se não atendidas, acarretam a infelicidade. Assim, para pessoas que estejam na miséria ou na pobreza extrema, ganhos de renda são imediatamente seguidos de um notável aumento da felicidade individual. Contudo, a partir de um determinado nível de renda o ganho relativo de felicidade passa a ser inferior e, até mesmo, a decrescer.

Detectou-se que o limite para o ganho de felicidade a partir do incremento da renda gira em torno de quinze mil dólares, ou pouco menos de quarenta mil reais, por ano. Levando-se em consideração o que tais estudos indicam, e ao contrário do que possa sugerir o senso comum, um brasileiro com salário mensal de pouco mais de três mil reais não verá sua felicidade dobrar exclusivamente porque seu salário foi multiplicado por dois, sendo possível até que diminua. Veja o gráfico:

  Leia mais »

Média: 4.3 (11 votos)

Corruptos, os corsários da contemporaneidade, por Marcio Valley

Corruptos, os corsários da contemporaneidade

do blog do Marcio Valley

Atualmente o tema que mais tem suscitado acaloradas discussões e divergências na política brasileira vem traduzido na palavra corrupção. Um dos polos desse debate utiliza o discurso moralista da corrupção para desacreditar o outro lado, que, por sua vez, devolve a acusação sob a assertiva de que, no Brasil, nenhum partido detém o monopólio da corrupção ou da honradez. O questionamento que se impõe, porém, é se está bem transparente, para ambas as partes, o tema a partir do qual se digladiam. Afinal, o que é exatamente a corrupção?

Semanticamente e sob um prisma axiológico, a palavra corrupção busca simbolizar a perda de valor, de utilidade ou de sentido de alguma coisa pela ação deletéria de outra. Corrupção é, assim, a degradação, o apodrecimento, a putrefação de alguma coisa por efeito do mal, da vilania. Nessa acepção, pode-se entender como mal a oxidação que torna apodrecida uma fruta até então madura. A oxidação corruptora transforma aquilo que era alimento numa fruta corrompida.

Leia mais »

Média: 3.7 (3 votos)

América Latina e Brasil como modelo de desenvolvimento

Sugestão de Márcio Valley

da Folha

publicado em 01/novembro/2014

'Prioridade de Dilma deveria ser melhoria das cidades', diz geógrafo

 

 

O geógrafo britânico David Harvey, professor emérito de antropologia da Universidade da Cidade de Nova Iorque, afirma que Dilma Rousseff, em seu segundo mandato, terá que decidir se vai tentar uma acomodação com os mercados ou se buscará satisfazer as demandas da população.

Segundo ele, a sociedade brasileira, hoje, quer mais democracia e participação nas questões políticas. A principal demanda da população atualmente é por uma maior qualidade de vida nas cidades, com um projeto urbano que priorize a melhora dos serviços de transporte, de saúde, de educação e moradias decentes.

Harvey está certíssimo. As manifestações de junho de 2013 revelaram a vontade popular de participação direta. Infelizmente, as iniciativas do governo foram barradas à época, e continuam a sê-lo hoje, como se viu da movimentação do Congresso para impedir a participação popular através dos Conselhos Populares criados por Dilma.

Leia mais »

Média: 4.2 (5 votos)

América Latina e Brasil como modelos de desenvolvimento

O geógrafo britânico David Harvey, professor emérito de antropologia da Universidade da Cidade de Nova Iorque, afirma, em entrevista publicada na Folha de São Paulo, que Dilma Rousseff, em seu segundo mandato, terá que decidir se vai tentar uma acomodação com os mercados ou se buscará satisfazer as demandas da população. Leia mais »

Média: 5 (5 votos)

O grito doentio da intelectualidade corrompida

Autor: 

 

do blog do Marcio Valley

O filósofo da USP Paulo Eduardo Arantes, atualmente aposentado, publicou um artigo na Folha de São Paulo, em 27 de maio de 2001, intitulado “Extinção” (1), por ocasião do apagão elétrico ocorrido durante o governo FHC.

Em seu artigo, o filósofo recordava que Adorno e Horkheimer, meio século antes, haviam advertido que “uma das lições que a era Hitler nos ensinou é a de como é estúpido ser inteligente”, pois, segundo esses pensadores, fora a mais alta intelectualidade europeia que teria pavimentado a estrada em direção à ascensão do nazismo a partir de argumentos lógicos sobre a inviabilidade do sucesso de tamanha aberração. Deu no que deu.

Leia mais »

Média: 4.4 (21 votos)

Jornalistas, eu os acuso!

A responsabilidade da imprensa pelo acirramento de ânimo entre petistas e anti-petistas é evidente. Estão fabricando um fosso que vai se aprofundando. Um dia será impossível a construção de pontes para o retorno à confraternização.

Ontem (18/10) publiquei um twit com a seguinte mensagem: "O antipetismo cego está se radicalizando e dividindo o país. Um dia ainda conseguem a guerra civil.”. É o que penso de verdade, mas esse pensamento não cabe em somente cento e quarenta caracteres, por isso a razão desse texto.

Estamos entrando num caminho extremamente perigoso, a partir do qual a percepção de uma parcela da população quanto à dificuldade de solução política pela via democrática começa a criar, em mentes menos tolerantes, perigosas ideias de dominação a qualquer preço, a qualquer custo. Leia mais »

Média: 4.7 (13 votos)

A crise hídrica e a eleição presidencial, por Marcio Valley

Do blog do Marcio Valley

Sentia no ar eleitoral um odor desagradável que vinha incomodando fortemente, mas cuja origem até agora me escapava. Sei que são comuns os golpes eleitorais midiáticos. Situações de escândalos historicamente vêm sendo reiteradamente criadas pela imprensa às vésperas das eleições. Até já nos acostumamos a aguardar a chamada "bala de prata" da imprensa, aquela capaz de matar o lobisomem petista na boca da urna. "O que será que a Veja vai publicar no dia anterior à eleição?", pergunta-se a sociedade antes de toda eleição. Não fosse trágica essa atuação da imprensa, a situação seria ridícula, vergonhosa. Obtiveram sucesso em algumas eleições, perderam em outras.

Leia mais »

Média: 4.6 (9 votos)

O coronelismo utópico de Da Matta, por Márcio Valley

Três dias atrás (09/10), escrevi o ensaio "Carta aberta ao antropólogo Roberto DaMatta", através do qual refutava o artigo desse renomado intelectual brasileiro intitulado "Um soco na onipotência", artigo cujo objeto era a defesa passional da candidatura de Aécio Neves à presidência da república. Nunca foi minha intenção negar ao DaMatta [foto] o seu sagrado direito de optar por uma candidatura, direito constitucional de todos os cidadãos eleitores do Brasil.

Leia mais »

Média: 4.7 (31 votos)

Carta aberta ao antropólogo Roberto da Matta, por Márcio Valley

Um soco na arrogância da visão seletiva supostamente intelectual (ou, Carta Aberta ao antropólogo Roberto DaMatta)

do blog do Marcio Valley, quinta-feira, 9 de outubro de 2014

Roberto DaMatta, li, ontem (08/10/2014), o seu texto “Um soco na onipotência”, onde você defende que o PT seja “defesnetrado do poder” e revela ter sentido a angústia diminuída ao ver Aécio chegar ao segundo turno dessas eleições. Na sua visão, Aécio, tendo “achado o seu papel e o seu tom”, e “com sua tranquilidade”, irá proporcionar ao Brasil a “descoberta da soma e da continuidade”.

Senti uma enorme tristeza ao término da leitura. Sempre respeitei você e seus pensamentos. O seu texto para mim significou, de fato, um soco de alto teor destrutivo, porém não na onipotência do PT, mas na imagem do antropólogo Roberto DaMatta, que nunca imaginei pudesse abdicar da inteligência para defender uma causa. Leia mais »

Média: 4.8 (52 votos)

A espantosa distribuição da riqueza mundial

O planeta possui 7 bilhões de pessoas. Dados espantosos sobre a distribuição da riqueza:

1 - Qualquer pessoa que possua bens em valor total superior a R$ 8.600,00 (uma moto usada) possui mais riqueza do que 3 bilhões e 500 milhões de pessoas no mundo inteiro. Está na metade superior da posse de riquezas.

2- Quem possui bens em valor superior a 162 mil reais (uma casa simples em São Gonçalo, RJ) possui mais riqueza do que 6 bilhões e 300 milhões de pessoas. Pertence aos dez porcento mais ricos do mundo.

3- Quem tem bens em valor superior a um milhão e seiscentos mil reais (uma boa casa em Camboinhas, Niterói, RJ), possui mais riqueza do que 6 bilhões e 930 milhões de pessoas. Faz parte da fatia correspondente a um porcento da população mundial, mais rica do que os 99% restantes. Leia mais »

Média: 4.2 (79 votos)

Fotos

Sem colaborações até o momento.

Vídeos

Sem colaborações até o momento.

Documentos

Sem colaborações até o momento.

Áudio

Sem colaborações até o momento.