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Formação Pós-doutor e doutor em História (UFF), mestre em Ciência Política (UFRJ)

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Mito e verdade da revolução brasileira, por Nildo Ouriques

Resenha da reedição do livro "Mito e verdade da revolução brasileira", de Alberto Guerreiro Ramos. Florianópolis: editora Insular, 296 páginas. O livro foi originalmente publicado em 1963


Por Nildo Ouriques

Mito e verdade da revolução brasileira  é um retrato do clima intelectual e político do início da década de sessenta e condensa, sobretudo, a intensa polemica no interior da esquerda entre as tendências socialistas e os nacionalistas, capítulo inconcluso da Revolução Brasileira.

Não cometo injustiça em dizer que Alberto Guerreiro Ramos era o intelectual mais importante do país antes da ditadura; era também a cabeça pensante mais importante e fecunda do trabalhismo brasileiro e do ISEB. Guerreiro Ramos foi pioneiro em divulgar a força da obra de Lúckacs no Brasil e, tal como o filósofo marxista húngaro, abriu ácida polêmica em relação ao “marxismo-leninismo”, a ideologia de estado divulgada na Rússia e adotada, sem restrições, por grande parte da esquerda no mundo.

No entanto, ele não confundiu o essencial: Marx e Lenin figuram para Guerreiro Ramos como homens de excepcional capacidade intelectual e, no caso do revolucionário russo, um gênio de “irrepreensível honradez revolucionária” pelo qual nutria admiração, especialmente pela sua “sincera convicção de que estava trabalhando pelo desaparecimento da espoliação do homem”. Guerreiro Ramos acusou o caráter obsoleto da teoria leninista do partido indicando que o problema da organização não poderia mais ser resolvido nos termos da Revolução Russa.
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Instalado o pior cenário: um golpe acompanhado da desmobilização popular

por Roberto Bitencourt da Silva

A todo momento o presidente interino Michel Temer alardeia o objetivo de adotar “medidas impopulares”. Despudorada e frequentemente, um dos principais agentes da movimentação golpista, que está ofendendo a consciência nacional e democrática do povo brasileiro, reúne-se com círculos empresariais, interpelando por apoio aos donos do capital.

Todo e qualquer discurso proferido pelo entreguista, reacionário e golpista Temer tem como foco exclusivo os agentes capitalistas forâneos e do país. E os trabalhadores, como ficam? Absolutamente desconsiderados enquanto sujeitos políticos portadores de direitos.

Isso surpreende? Não a quem acompanhou com atenção os setores sociais, econômicos e políticos, bem como as intenções fragmentárias que giravam em torno da movimentação golpista, desde o ano passado.

Após recente reunião do ilegítimo presidente da República nesses circuitos empresariais, o povo brasileiro tomou conhecimento da proposta feita pelo presidente da CNI, Robson Braga de Andrade – um mero testa de ferro das multinacionais, que dominam a indústria no país –, de reduzir os direitos trabalhistas, visando ampliar ilimitadamente a jornada de trabalho.

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Educação e questão nacional



A crise instalada no estado do Rio de Janeiro é séria e tem como um dos resultados mais visíveis a ocorrência de greve dos professores da educação básica e superior, há quase quatro meses.

Longe de constituir um fenômeno limitado ao povo fluminense e carioca, a crise é bastante reveladora de traços característicos da preocupante cena política e econômica nacional.

O governo fluminense, bem como os espúrios agentes que se apossaram do governo federal, por meio de um grotesco golpe parlamentar-judicial-midiático, são expressões odientas da lastimável condição brasileira, remota e atual.

A crise, a qual experimentam o estado do Rio de Janeiro e o país, está longe de ser momentânea. Entre outros, é manifestação aguda da inserção subordinada do país na divisão internacional do trabalho.

O nosso crítico cenário deriva da acentuada queda dos preços dos produtos primários – o país e o RJ vivem deles –, reduzindo drasticamente as receitas obtidas com exportações. Leia mais »

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As desonerações e a grave crise no estado do Rio de Janeiro, por Roberto Bitencourt da Silva

Por Roberto Bitencourt da Silva

Meses atrás tivemos a oportunidade de abordar o tema da crise no estado do Rio de Janeiro. Tínhamos em vista, especialmente, chamar a atenção para uma das raízes mais flagrantes da crise e, ainda hoje, silenciada pelos conglomerados de mídia: a elevada e injustificável desoneração tributária.

Operamos com alguns números parciais, relativos a dados disponíveis em orçamentos dos últimos anos do governo fluminense. Ademais, foi identificada uma e outra vantagem concedida a determinadas empresas, sobretudo multinacionais.

Os números eram e são chocantes, porque há casos em que somente uma empresa, como a Volks Caminhões, consegue alcançar, em benefícios, os orçamentos anuais somados de duas grandes instituições educacionais públicas: a Uerj e a Faetec (1).

Contudo, nos últimos dias, foram divulgados importantes e esclarecedores números pertinentes ao montante de recursos que o governo do estado deixou de arrecadar, em todo o sombrio período de gestão do PMDB/PP, com Sergio Cabral Filho, Pezão e Francisco Dornelles.

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A Rede Globo é a mãe do analfabetismo político, por Roberto Bitencourt da Silva

por Roberto Bitencourt da Silva

Do ponto de vista político, o domínio da escrita e a habilidade da leitura consistem em recursos importantes para o exercício da cidadania. Como diria Paulo Freire, contribuem para a leitura do mundo.

Mas, infelizmente, é forçoso lembrar que não são os fatores decisivos para a alfabetização política. As experiências cotidianas e os contornos do tempo em que agem os sujeitos são aspectos mais importantes para uma politizada “leitura do mundo”.

Nos anos imediatamente anteriores ao golpe civil-militar de 1964, grossa parte da população não era letrada. Era “analfabeta” do ponto de vista escolar.

Porém, prevalecia uma imprensa não oligopolizada – somente na cidade do Rio de Janeiro havia mais de 20 jornais em circulação –, e uma televisão que não possuía influência maior nos esquemas de percepção da população.

Ademais, entre os estratos baixos e altos das classes trabalhadores, bem como em frações da pequena burguesia, as experiências cotidianas no trabalho, nas escolas, nas universidades e nos quartéis, permitiam uma percepção mais aguçada do país em que viviam.

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Quem virou as costas para quem?

Enviado por Roberto Bitencourt da Silva

 

Da webpágina das Mães de Maio no Facebook
 

Nós respeitamos demais o guerreiro Mano Brown Racionais, entendemos a intenção de chamar a população periférica na responsa para os perigosos rumos do país daqui em diante... Leia mais »

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A marca da sabotagem, por Valter Duarte

Enviado por Roberto Bitencourt da Silva

Por Valter Duarte Ferreira Filho

Palavras do presidente da FIESP: “Com um cenário político estável, acreditamos que haverá uma retomada rápida da economia”. Palavras do presidente da CNA: “Temos de fazer um novo pacto social para reconstruir a economia”.

Não me canso de dizer, e tenho um livro fundamentando isso, que economia não existe. Das muitas coisas decorrentes dessa afirmação veio a descoberta de que dinheiro é direito/meio de comando, objeto político representante incruento da violência. Por isso leio de modo diferente o que dizem esses dois presidentes de associações burguesas.

Não me importa que falem em “economia”, pois sei o que pretendem significar e o que estão propondo, conscientes ou não da contradição que praticam. 
Com “economia” apelam para que se entenda uma realidade impessoal e autônoma. É confiança no resultado do que o imaginário liberal logrou produzir com imensa força cultural.

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Estatizações: um tema que virou tabu



Por Roberto Bitencourt da Silva

A mentalidade econômica liberal colonizou de maneira decisiva as consciências no país. O fenômeno é tão evidente que nos acostumamos a não questionar o óbvio: o caráter especulativo e parasitário das grandes empresas, nacionais e internacionais.

Mesmo entre atores individuais e coletivos ditos socialistas, em elevada medida, o tema das estatizações simplesmente sumiu da pauta. Virou um tabu. Uma lástima, pois a reflexão sobre os problemas sociais e nacionais gestados pelas grandes corporações deveria passar, forçosamente, pelo questionamento do cânone da pretensa “iniciativa privada”.  

Em primeiro lugar, porque as empresas concessionárias de serviços públicos, privatizadas, vivem exclusivamente de dinheiro público. Senão todas, desde a era FHC, a maioria foi adquirida por grupos econômicos, por meio de financiamentos e empréstimos públicos. Leia mais »

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A primavera estudantil no Rio de Janeiro, por Roberto Bitencourt da Silva



Por Roberto Bitencourt da Silva

 Por escolhas do governo, um estado em crise

As finanças do governo do estado do Rio de Janeiro encontram-se completamente desequilibradas, implicando em grave crise nos serviços públicos, que transcorre, com maior dramaticidade, há quase um ano.

A segunda parte do 13º salário dos servidores foi parcelada em cinco meses. As datas de pagamento dos salários do funcionalismo já foram modificadas duas vezes, desde dezembro de 2015, importando em um verdadeiro caos na vida dos servidores e seus familiares.

Há dias são noticiadas informações que dão conta de falta de previsão para o pagamento dos vencimentos no mês de abril. Por conta disso, e motivada por outras razões abaixo mencionadas, boa parte da educação pública escolar e universitária (Seeduc, Faetec e Uerj) encontra-se em greve há um mês. A partir do dia 4 de abril também a Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro irá aderir à greve, como ainda está prevista a possibilidade de deflagração de uma greve geral no funcionalismo estadual, após o dia 06/04.

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Apresentação teatral dos alunos da Escola Martins Pena (Faetec), em frente à Alerj.
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Temer, Dilma e as instituições

Por Roberto Bitencourt da Silva

Assistir ao vice-presidente da República, Michel Temer (PMDB), falar em ética dá embrulho no estômago. Mas, ele salientou, em gravação veiculada pela mídia, uma questão que chama a atenção e integra o acrítico e influente discurso político nacional de anos.

Uma questão que precisa ser muito bem refletida pelas pessoas, especialmente por aquelas que renitentemente repetem o mesmo e difuso jargão. Disse Temer, envolto em mesquinhos e antinacionais interesses próprios, visando nublar as denúncias em torno do golpismo em marcha: "As instituições estão funcionando regularmente". Leia mais »

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Não ao golpe e à frágil bipolaridade!

A narrativa pretensamente bipolar entre um amplo leque de agentes golpistas (Globo, Fiesp, capital internacional, Folha, Estadão, grupo Abril, PSDB, PMDB etc.) e o PT precisa ser revisada urgentemente. Sobretudo pelos próprios petistas. 

O PT - por inegável que sejam determinadas oportunidades oferecidas às camadas populares mais humildes, em alguns anos -, é orientado por uma concepção de país muito similar à apresentada por seus atuais e ferrenhos adversários. Leia mais »

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RJ: ato da Frente Povo Sem Medo diz não ao golpe e ao ajuste fiscal

Por Roberto Bitencourt da Silva

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Cenário espinhoso e escolhas difíceis, por Roberto Bitencourt da Silva

Por Roberto Bitencourt da Silva

Estão em jogo na cena política nacional interesses poderosíssimos de setores empresariais internacionais e do país. São alvo, das aves de rapina, importantes garantias constitucionais, como os mínimos orçamentários destinados para a saúde e a educação; a privatização eventual da Petrobras e a entrega do pré-sal ao capital estrangeiro; a intensificação do controle policialesco sobre os movimentos sociais, as classes populares; assim como direitos trabalhistas no regime celetista e estatutário.

Poderosas frações empresariais almejam retirar o que resta de direitos sociais e privatizar o parco patrimônio público de interesse nacional, ainda sob o controle do Estado. A agitação judicial, política e midiática possui esse pano de fundo, precisamente em um contexto em que as exportações caíram bastante e não há como compatibilizar interesses, mesmo que muito desiguais, entre empresários e trabalhadores. O empresariado - a Fiesp, não gratuitamente, é o símbolo do movimento de sabor fascistóide e contra a legalidade - quer o controle absoluto do Estado. Pretende abocanhar todos os recursos orçamentários. Está sedento por isso.

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O “povão” como agente social e político esquecido

Por Roberto Bitencourt da Silva



Para muitos, inclusive aderentes petistas e do governo federal, as últimas semanas foram ricas no aprendizado sobre importantes características de parte estrutural da política e da sociedade brasileira:

1. As direitas são golpistas, violentas, racistas, entreguistas e elitistas.

2. A burguesia e estratos das classes médias revelam uma mentalidade colonizada, oligárquica, antipopular e escravista. Leia mais »

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Riscos e lacunas no cenário brasileiro

Por Roberto Bitencourt da Silva



 

Em tese, não haveria motivos para grandes preocupações com a participação de cerca de 4 milhões de pessoas destilando ódios fascistóides nas ruas. Nem mesmo contando com apoio e enorme cobertura midiático-judicial-policial.

A população brasileira supera a casa dos 200 milhões, tornando tímidos os números de aderentes aos protestos reacionários de domingo. Mas, o fenômeno suscita enorme preocupação e receio por conta das motivações abaixo: Leia mais »

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