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Profissão Professor
Formação Pós-doutor e doutor em História (UFF), mestre em Ciência Política (UFRJ)

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Desafios para as esquerdas, no presente e em futuro próximo

Por Roberto Bitencourt da Silva

O presente cenário político é demasiadamente desolador para as esquerdas. A correlação de forças é flagrantemente desfavorável ao campo popular-democrático.

Isso por conta de uma saliente capilaridade social de valores sintonizados com ideias neoliberais, do ponto de vista político e econômico, e conservadores, sob o ângulo da moralidade cotidiana.

Ademais, anos sucessivos de governos, naturalmente, tendem a desgastar a qualquer partido político. Escolhas adotadas para o exercício de governo podem, é claro, incrementar o desgaste.

O acentuado abandono de valores e propostas de esquerda, assim como a opção pela tradicional e antipopular transação política pelo alto, bem refletida em alianças institucionais conservadoras, sobretudo com o PMDB, marcam o período de governos do PT.

A fatura tem sido entregue ao partido. Aliados de véspera, todos pimpões, descaradamente flertam com o golpe. Aliam-se ao PSDB, empedernido adversário eleitoral do PT.

Com a eventual aplicação do golpe sobre a vontade eleitoral expressa nas urnas ano passado, não seria exagero argumentar que o horizonte potencialmente seria a emergência de um semi-Estado policial.

Um possível governo norteado por ações que avancem nas privatizações, no desmonte dos direitos sociais e na entrega do patrimônio e dos centros decisórios nacionais para o exterior, que ainda restaram do legado nacionalista popular de Getúlio/Jango.

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A história econômica do Equador, por Luiz Gonzaga Belluzo

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O bolivarianismo venezuelano: dificuldades, derrota eleitoral e vitória moral

Por Roberto Bitencourt da Silva

A oposição conservadora venceu as eleições parlamentares na Venezuela, com ponderável diferença.

De um total de 167 cadeiras para a Assembleia Nacional, foram confirmados 99 assentos para a oposição (Mesa da Unidade Democrática – MUD) e 46 para o bloco governista Grande Pólo Patriótico – GPP.

O GPP é formado, entre outros, pelo Partido Socialista Unido de Venezuela – PSUV, de inspiração chavista, e pelo Partido Comunista – PCV.

Resta definir a distribuição de 22 cadeiras parlamentares (17 nominais, duas em lista fechada e 3 indígenas).

O presidente Nicolás Maduro, imediatamente após a divulgação dos resultados eleitorais, reconheceu, com absoluta dignidade e emocionado, a adversidade política.

Definiu os resultados como “um tapa” no seu governo, frisando a necessidade de “retificar” os rumos do socialismo bolivariano. Conclamou os imperativos do diálogo e da paz política para superar os sérios problemas econômicos enfrentados pelo povo venezuelano.

Contudo, não deixou de salientar a pressão financeira-midiática internacional sofrida pelo bolivarianismo. Denunciou a sabotagem empresarial, que estoca alimentos e paralisa a produção.

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Jango, mártir da democracia: 39 anos sem ele, por João Vicente Goulart

Enviado por Roberto Bitencourt da Silva

Do Instituto Presidente João Goulart

Por João Vicente Goulart

É com muitas saudades que nós do Instituto João Presidente João Goulart, lembramos hoje, neste 6 de dezembro, o dia de seu desaparecimento físico.

Morreu no exílio em circunstâncias ainda em investigação pelo Ministério Público Federal do Rio Grande do Sul; mas sua principal lembrança foi sua luta tenaz contra a ditadura, sem nunca envergar, esmorecer ou dobrar-se aos ditadores e àqueles políticos que embarcaram na aventura do golpe em 1964  elevados pela mosca azul do poder e que foram, literalmente abatidos, levando junto nosso povo à desgraça da  ditadura que acabou fechando o Congresso Nacional e instalou um regime de prepotência e falta de liberdade que imperou no Brasil durante 21 anos de escuridão, quebra da legalidade e perseguições aos direitos constitucionais e individuais.

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As eleições na Venezuela e a imprensa de oposição ao governo, por Roberto Bitencourt

Por Roberto Bitencourt da Silva

A eleição para o Legislativo venezuelano ocorrerá no domingo e tem servido de mote para os conglomerados brasileiros de mídia acusarem de “ditatorial” ao governo bolivariano.

Concedendo credibilidade apenas às vozes da oposição conservadora, os veículos hegemônicos de comunicação, em nossos país, vêm apresentando contornos noticiosos aterrorizantes, em que chamam a atenção preocupações com a lisura da eleição. Com isso, salientam um pretenso “autoritarismo” do governo de Nicolás Maduro.

A respeito, pretendo problematizar a tentativa de monopólio do significado de democracia, pela mídia tupiniquim, e o perfil das matérias políticas de dois jornais venezuelanos de oposição ao governo bolivariano, El Nacional e La Verdad, às vésperas da eleição.

Isso porque a crítica à “ditadura bolivariana”, habitualmente, é acompanhada de denúncias em torno do cerceamento das liberdades de opinião e de imprensa, liberdades intrinsecamente associadas a ideais, sociedades e governos comprometidos com a democracia.

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Rio de Janeiro em crise: os números contradizem o governador Pezão

O ano tem sido marcado por inúmeros cortes orçamentários na educação básica e superior do estado do Rio de Janeiro. Com isso, o governador Luiz Fernando Pezão (PMDB) vem realizando a suspensão, sistemática, de aulas, cursos e vagas públicas no ensino carioca e fluminense.

Segundo informações da Comissão de Educação da Assembleia Legislativa, desde o início do governo Sérgio Cabral Filho (PMDB), em 2007, mais de 250 escolas de ensino médio foram fechadas pela Secretaria de Educação.

Pezão aprendeu com Cabral Filho, o seu padrinho político, e esse ano estendeu a lastimável prática de encerramento de vagas públicas à Fundação de Apoio à Escola Técnica (Faetec), que se dedica à oferta dos ensinos superior e técnico em nível médio.

O governo tem criado condições inadmissíveis para a manutenção das unidades educacionais. A Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj) talvez configure o símbolo maior de desprezo do governo peemedebista com a educação.

Endividada, a Uerj teve que suspender as aulas por uma semana, em novembro, por falta de pagamento dos trabalhadores terceirizados. A insalubridade das instalações motivou a iniciativa da reitoria. Leia mais »

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Um Ipes renovado: a imagem da Venezuela na Band

O Jornal da Band, desde terça-feira, tem veiculado uma série de reportagens sobre a Venezuela. Trata-se de uma produção da própria equipe de jornalismo da empresa da família Saad. Intitulada “Venezuela no fundo do poço”, a série resvala no grotesco, distante de qualquer prática que se possa chamar adequadamente de jornalismo.

O unilateralismo domina a cena. São entrevistados, única e exclusivamente, atores que manifestam clara oposição ao governo de Nicolás Maduro. Os enquadramentos noticiosos apoiam-se decididamente em imagens associadas ao caos, a descontentamentos e ao medo.

A respeito, a memória pode evocar com facilidade o perfil de abordagem que a mídia carioca, sobretudo as Organizações Globo, privilegiava no noticiário sobre os governos de Leonel Brizola, no Rio de Janeiro (1983-1986 e 1991-1994). Semelhanças claras e de triste lembrança, em virtude do uso de contornos interpretativos criminalizantes, que visa(va)m causar repulsa no telespectador. Leia mais »

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Entre Minas e Paris, a demanda crítica pelo direito à informação

 
Por Roberto Bitencourt da Silva
 
Muitos aspectos negativos são mencionados a respeito da disseminação do uso das redes sociais. Chamam demasiadamente a atenção expressões deselegantes e preconceituosas de comunicação, que se encontram a léguas de distância de um ideal habermasiano da deliberação pública, racional e argumentativa, eventualmente (a ser) transposto para o ambiente em redes.
 
As recorrentes manifestações de ódio e intolerância em rede derivam de fato elementar: a técnica é fruto da cultura e apropriada pelas aspirações, os esquemas de percepção, os interesses e os costumes dos sujeitos individuais e das classes sociais. Desse modo, em elevada medida, a cultura antecipa e molda a apropriação da técnica.

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A crise econômica e o amesquinhamento do professorado como política “pública”

Limitações e problemas impostos à educação pública são fenômenos recorrentes na sociedade brasileira. Contudo, neste ano, a educação pública está sendo submetida a especiais testes de sobrevivência. Isso devido à decantada crise econômica do país e a constrangimentos orçamentários, pelos quais governos das diferentes esferas da Federação alegam encontrarem-se sujeitados.

Em São Paulo, o governo estadual adota a medida do fechamento de cerca de cem escolas. Em Goiás, outro governador tucano especula a introdução de iniciativas consoantes à terceirização do ensino e à suspensão definitiva do ingresso ao magistério via concurso público. Em âmbito federal, o governo petista impôs às universidades, meses a fio, a suspensão dos salários de trabalhadores terceirizados e um raquítico reajuste para o professorado. Leia mais »

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O futuro do mundo será a energia renovável e limpa, por Leonel Brizola Neto

Enviado por Roberto Bitencourt da Silva

O futuro do mundo será a energia renovável e limpa

Do Facebook de Leonel Brizola Neto (*).

O professor Bautista Vidal afirmava que o futuro do mundo será a energia renovável e limpa. E de onde vem a energia renovável e limpa? Dos trópicos e nos trópicos, o Brasil é uma grande potência. Com base nesta situação, podemos inferir o que Bautista Vidal pensaria sobre um projeto energético baseado no combustível fóssil. O que ele diria do Pré-sal? Ele aprovaria esse caminho, considerado obsoleto e antiecológico?

Bautista Vidal analisou a importância da Petrobrás nos anos 50, mas dizia que a Petrobrás não deveria ficar restrita ao petróleo, pois uma vez esgotado o petróleo, como é que ficaria a Petrobrás. Então, para o maior entendido de energia na cultura brasileira, o destino da Petrobrás estaria na utilização do álcool combustível e dos óleos vegetais.

Mas atenção: Bautista Vidal concebia estes combustíveis não apenas para encherem os tanques dos automovéis, esses combustíveis seriam uma alavanca da civilização da fotossíntese, limpa, renovável, solidária e apontando rumos para uma sociedade socialista no Brasil.

A calamidade natural é uma calamidade ambiental e de caráter social. Se o combustível fóssil é o responsável pela ameaça do dilúvio, se a alternativa encontra-se na energia vegetal (biomassa), e se o trópico é a geografia por excelência dessa energia do sol, então porque o governo brasileiro insiste em furar o oceano com o Pré-sal em busca de um combustível que é anacrônico e danificador do ambiente?

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Aumento do salário mínimo na Venezuela é 50% maior que a inflação em 2015

Reportagem do Diário Liberdade.

Este ano, o governo venezuelano aumentou em 137% o salário mínimo, 57% mais alto do que a inflação prevista para 2015, de 80%.

O salário mínimo teve seu quarto aumento no ano anunciado na última quinta-feira (15) pelo presidente Nicolás Maduro. O novo incremento foi de 30%, subindo de 7.421,66 para 9.649 bolívares (R$ 5.885,89). Leia mais »

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As esquerdas precisam recolher lições dos grandes mestres, por Roberto Bitencourt

Por Roberto Bitencourt da Silva

A crise de legitimidade do sistema representativo brasileiro é por demais evidente para me estender sobre o assunto. Vale apenas frisar o acentuado processo de erosão da credibilidade das práticas e das instituições políticas, que envolvem um contumaz desapreço dos principais partidos políticos pelas promessas de campanha e pelas suas próprias diretrizes programáticas e origens formativas. A maioria esmagadora dos organismos partidários mal disfarça sua vocação exclusivamente talhada no negocismo da transação lucrativa sobre a coisa pública.

Um fenômeno que consiste em uma importante variável da crise política em vigor. Especificamente no tocante ao PT, um longo processo de diluição de ideias e propostas de natureza esquerdista tem culminado, atualmente, no mais absoluto distanciamento do governo federal em relação a quaisquer laivos de atenção às suas pretensas bases sociais.

A indiferenciação do PT em face dos partidos liberal-conservadores torna-se a cada dia mais saliente, não deixando de dar sua cota de contribuição para a perda de legitimidade do sistema político. Antigo vetor da esperança de um país mais justo e soberano, o PT tem colaborado para desvanecê-la de vez.

Gostemos ou não, por conta da hegemonia alcançada nas últimas décadas entre as forças progressistas e esquerdistas, o anoitecer do PT compromete e desgasta a imagem de todos os setores sociais e partidários associados a uma cosmovisão de esquerda. Uma poderosa máquina midiática não deixa de operar diuturnamente com a desqualificação de movimentos sociais, sindicatos e partidos. Guardem ou não relação com o petismo.

Nesse sentido, levando em conta a experiência petista de governo desde 2003, os segmentos partidários e sociais de esquerda precisam recolher alguns ensinamentos e arregaçar as mangas, de modo a dialogar com as classes trabalhadoras, populares e médias, tendo em vista a construção de um projeto alternativo de nação.

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Um ministro "compatível"com o status da ciência e tecnologia no Brasil

Por Roberto Bitencourt da Silva

Sobre o novo ministro da Ciência e Tecnologia, sr. Celso Pancera, classificado como o "pau mandado do Cunha", pelo noticário da grande imprensa, convenhamos, não há muita surpresa em sua indicação. Nem me refiro às eventuais e controversas experiências na seara política do novo ministro peemedebista. Basta lembrar o seguinte: a economia brasileira entrou há cerca de duas décadas em um processo acentuado de desnacionalização e desindustrialização.

A indústria corresponde a algo em torno de 10% do PIB nacional. Quase 50% dela é de propriedade forânea, sobretudo nos ramos portadores de maior dominio técnico-científico e de capital. Isso quer dizer que grossa parte dos empregos gerados no país são de baixa densidade educacional e precários, do ponto de vista da seguridade social e trabalhista.

O novo ministro, aqui no Rio, foi durante um par de tempo, até o ano passado, presidente da Fundação de Apoio à Escola Técnica do Estado do Rio de Janeiro - Faetec. Notabilizou-se por privilegiar a oferta de cursos de curta duração, com a alegada intenção de dar suporte ao mercado de trabalho, à qualificação dos trabalhadores.

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"Não aguento mais o FHC", por Valter Duarte Ferreira Filho

Enviado por Roberto Bitencourt da Silva

Do Facebook de Valter Duarte Ferreira Filho (1)

Não aguento mais o FHC. Como é que pode um sociólogo que foi relator da Constituição de 1988 e presidente do país em dois mandatos mostrar ignorância a respeito dos motivos para “impeachment” de presidente, em especial por crime de responsabilidade?


Na entrevista publicada ontem na Folha de São Paulo (2), FHC disse que “o impeachment depende de você ter uma argumentação convincente, não só para o Congresso, mas para o povo”. Desse modo, embora isso tenha certa procedência, fala apenas na importância da representação no sentido sociológico do “impeachment” e não nas suas razões constitucionais.

Assim, ignora também que está propondo um caminho golpista. Será que mesmo no seu estreito maniqueísmo político (democracia, bem – ditadura, mal) não consegue ver isso? Será que pensa que “impeachment” não passa de questão de ter ou não ter uma boa retórica para o Congresso e para o povo de modo a executar um golpe sem armas?
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Rio de Janeiro: uma cidade a cada dia mais partida, por Roberto Bitencourt da Silva

Por Roberto Bitencourt da Silva

Primeiro escravizaram os antepassados. No mesmo compasso estupraram as suas mulheres, que deram crias negras e morenas. Mais braços para a lavoura, as minas e a geração de riqueza canalizada para o colonizador e o fazendeirão.

Mais tarde "libertaram" o escravo sem o correspondente acesso à terra. Adiante, com as terras concentradas, foram adotados maquinários no campo. Resultou disso a expulsão do meio rural, com um processo massificado e marginalizado de urbanização. Sem acesso à moradia. Criaram-se as “latolândias”, como designava o trabalhista Alberto Pasqualini às favelas, paridas do ventre da injustiça social e da espoliação capitalista.

Mora(ra)m sob o improviso e a precariedade. Foram e são chamados de "criminosos". Ao menos, potencialmente assim vistos. Na cidade não foram nem são concebidos como gente. Não tem empregos regulares e com garantias mínimas. O setor produtivo, preenchido por multinacionais ou por empresas nacionais que importam equipamentos e máquinas, não absorvem a contento a força de trabalho. Nem de longe.

Vivem de bico e trabalho irregular. São tidos como "camelôs e biscateiros marginais". Mal têm acesso à escola, por que não há emprego minimamente qualificado no horizonte. Gente descartável, sobrante. Classificados, frequentemente, como "criminosos" e "suspeitos" de "banditismo", as suas áreas de moradia são ocupadas pela polícia. As célebres UPPs.

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