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imagem de Roberto Bitencourt da Silva
Formação Pós-doutor e doutor em História (UFF), mestre em Ciência Política (UFRJ)

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A viagem à Venezuela: senadores reacionários e esquerdas débeis

Por Roberto Bittencourt da Silva

Muito já se escreveu e foi veiculado pelo jornalismo alternativo e pelos conglomerados de mídia, a respeito da hostil visita de senadores brasileiros conservadores à Venezuela.

O webjornalismo, sintonizado com a produção de uma informação contra-hegemônica, problematizou, com especial pertinência, as alegações dos senadores sobre pseudo “agressões” recebidas de manifestantes chavistas no país co-irmão.

Os meios massivos e comerciais de comunicação, por seu turno, espetacularizaram e reforçaram as pretensas denúncias dos senadores, legitimando balbucios de esdrúxulas alegações, que tendem a reiterar imagens muito negativas da Venezuela e, em particular, da experiência da esquerda chavista, na opinião pública do nosso país.

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A construção da agenda pública, ontem e hoje

Por Roberto Bitencourt da Silva

Um dos pressupostos centrais da democracia é a existência de uma opinião pública diversificada, que envolva os diferentes setores da sociedade civil. Nesse sentido, a democracia, enquanto regime político que demanda o exercício da soberania popular, requer luzes para uma opinião plural, de modo a permitir a construção da agenda pública. Isto é, uma agenda que traduza os temas e as questões de interesse coletivo, que afetam as sensibilidades e as preocupações da população em torno dos negócios públicos. Leia mais »

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PT, para que o governo?

Muitos militantes, simpatizantes e aderentes petistas justificam toda e qualquer (in)ação do partido no governo federal. Nos últimos tempos, a bola da vez é argumentar que as coisas “estão difíceis”, que o “Congresso é muito conservador”.

À revelia de qualquer compromisso com ideias e propostas de esquerda, há anos o PT mantém alianças com partidos, forças sociais, econômicas e personagens os mais obscuros e reacionários, para assegurar a decantada governabilidade.

Nesse ano, em “tempos de vacas magras” – como afirmam articulistas da grande imprensa e diversos personagens dos círculos políticos –, em pleno governo do PT, perdas de direitos sociais e trabalhistas, históricos, tramitam no Legislativo e têm enorme possibilidade de aprovação. Não raro, subproduto de projetos parlamentares apresentados ou ardorosamente defendidos por aliados. Leia mais »

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Demissão de professor no RJ: Justiça lava as mãos

O professor Breno Mendes, integrante dos quadros do magistério municipal do Rio de Janeiro, foi demitido em 04 de maio, por meio de ato administrativo da Prefeitura carioca.

A Prefeitura explorou princípios normativos do Estatuto do Funcionalismo Público Municipal, editado em 1979 (ainda em meio à ditadura civil-militar), que prescrevem determinados comportamentos aos servidores. Particularmente, mobilizou normas que vedam críticas públicas, feitas por servidores, à Administração, sob o imperativo da disciplina.

O professor Mendes, assim como inúmeros docentes, tecia questionamentos às escolhas de gastos públicos na educação e às iniciativas pedagógicas adotadas pela Prefeitura. Não raro, como uma miríade de tantos outros servidores, professores, no calor dos debates, inseria palavrões em suas críticas, realizadas em um fórum virtual de discussão, no Facebook, restrito aos docentes. A “violação” do código de ética foi o mote argumentativo para a decisão da Prefeitura em demitir a Mendes.

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Comunistas mudam nome de rua do Rio de Janeiro para "Avenida Josef Stalin"

Do Sputnik Brasil 

Militantes de partidos e organizações comunistas do Rio de Janeiro mudaram o nome de uma das ruas do centro da cidade de "Rua Santa Luzia" para "Avenida Marechal Josef Stalin". A alteração foi feita como protesto pelo esquecimento histórico demonstrado pelos meios de comunicação e historiadores ocidentais.

A ação, organizada pelo Partido Comunista Revolucionário (PCR) em conjunto com o Partido Comunista Marxista-Leninista (PCML) e a organização brigadas Populares, passou despercebida pelo grande público da cidade até esta sexta-feira, quando o jornal O Globo registrou a imagem do "novo" nome da rua. Leia mais »

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Brizola é incluído no Livro dos Heróis da Pátria

do Congresso em Foco

Comissão do Senado inclui Brizola entre Heróis da Pátria

A Comissão de Educação, Cultura e Esporte (CE) aprovou, nesta terça-feira (12), projeto que inclui o nome de Leonel de Moura Brizola no Livro dos Heróis da Pátria. Lançado na vida política por Getúlio Vargas, ele foi o único político do país eleito em votação popular para governar dois estados diferentes – Rio Grande do Sul e Rio de Janeiro. Também se notabilizou pela atenção que sempre deu ao tema da educação e pela resistência ao regime militar instalado em 1964.

A matéria, que agora irá a Plenário para decisão final, teve origem na Câmara dos Deputados. De autoria do ex-deputado Vieira da Cunha, o projeto (PLC 67/2014) também altera a legislação para diminuir a exigência de 50 anos da morte do homenageado para a inclusão de seu nome no livro.

O autor sugere o tempo máximo de dez anos. Para isso, muda a Lei 11.597/2007, que trata da inscrição de nomes no Livro dos Heróis da Pátria. Para Vieira da Cunha, é de fato necessário um período de tempo entre a data da morte e a edição de lei para que os homenageados ganhem lugar no Livro dos Heróis. Porém, considera que 50 anos “é tempo excessivamente longo, que não se justifica”.

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TV brasileira: a mídia sem regulação, por Gustavo Gindre

Por Gustavo Gindre (*)

A recente recusa da presidente da República em convocar a tradicional cadeia de rádio e TV no Dia do Trabalhador, 1° de maio, foi defendida por parte da militância do Partido dos Trabalhadores (PT) como prova de perda de importância da TV aberta. Mas, será mesmo?

Segundo a pesquisa TIC Domicílios, do Comitê Gestor da Internet (CGI.br), provavelmente a mais confiável sobre a realidade brasileira do setor, em 2013, 52% dos lares urbanos e 85% daqueles em áreas rurais não possuíam um computador ou um tablet conectado a Internet. No total, eram 56% das residências brasileiras sem acesso. Como não poderia deixar de ser, este percentual aumenta nas camadas menos remuneradas. Cerca de 88% de quem ganha até 1 salário mínimo e 73% daqueles que recebem entre 1 e 2 salários mínimos não possuem acesso residencial à Internet.

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AGB-RJ posiciona-se contra demissão de professor no RJ

 

Por Roberto Bitencourt da Silva

Precisamente no dia (04/05) em que publicamos matéria sobre o processo de demissão do professor Breno Mendes,  da Rede Municipal do Rio de Janeiro, a Prefeitura carioca publicou no Diário Oficial a sua exoneração

Saiba mais: http://jornalggn.com.br/blog/roberto-bitencourt-da-silva/educacao-e-dire...  

Sob a alegação de violação do Código de Ética, por proferir críticas ácidas, em rede social, a políticas voltadas à educação do município, por conta das problematizações tecidas pelo professor, o processo administrativo, de maneira célere e com sombrio corte ditatorial, teve um desfecho desfavorável ao professor Breno. 

A respeito, a Associação dos Geógrafos Brasileiros (seção RJ) emitiu nota, demandando esclarecimentos da Prefeitura. Para a entidade, a Prefeitura adotou medida arbitrária, pois "criticar medidas governamentais que se acredita ir contra o interesse da população e, por conseguinte, da Administração Pública municipal, é exercer um direito, e não violar deveres. É defender a instituição pública, e não desrespeitá-la". Leia mais »

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Os 80 anos da Aliança Nacional Libertadora

Muniz Ferreira (*)

Frente política de massas anti-imperialista, antilatifundiária e antifascista, a Aliança Nacional Libertadora – ANL – foi oficialmente instituída no dia 30 de março de 1935, em ato público realizado no Teatro João Caetano, no Rio de Janeiro. 

Agregou em torno de si personalidades, organizações de trabalhadores, partidos e movimentos de corte revolucionário, democrático e progressista e sua construção contou com a participação ativa dos comunistas, tendo em Luiz Carlos Prestes, militante do PCB desde 1933, um de seus principais dirigentes, aclamado como presidente de honra. Leia mais »

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Educação e direito à opinião: ameaça de demissão de professor no Rio de Janeiro

Por Roberto Bitencourt da Silva

O capitalismo, como bem assinala o sociólogo Zygmunt Bauman, é um sistema parasitário de organização social. No afã de reproduzir e pôr em circulação o capital, o sistema sempre persegue novas fronteiras para a acumulação. Há décadas a educação tem se convertido em foco parasitário e terreno explorado pelo capital.

Conhecida e remota é a atuação de empresas na educação básica e superior, alcançando lucros com mensalidades, subsídios fiscais e baixos salários oferecidos aos docentes. Ademais, a depreciação da escola pública – com investimentos escassos – tradicionalmente criou campo fértil à proliferação de unidades privadas de ensino. Fato sobejamente conhecido no país.

Contudo, nos últimos anos, a expropriação privada dos fundos públicos, em especial na educação, tem sido disseminada. Contratos com ONGs, fundações e empresas terceirizadas pululam em diferentes sistemas públicos de ensino Brasil afora. São materiais e programas educacionais, concebidos à revelia do envolvimento pedagógico dos professores, bem como contratos voltados a serviços de apoio e limpeza, nas escolas e universidades públicas, iniciativas que em muito têm comprometido os recursos públicos da educação.

Nesse sentido, em meio à atual crise econômica, as mazelas têm sido incrementadas na escola pública, afetando ainda mais as condições de trabalho dos professores. Profissionais desprezados pelos meios massivos de comunicação. Tidos, de maneira velada, como atores “ilegítimos” para participar da construção da opinião pública. Portanto, desconsiderada a sua voz crítica na esfera pública, a educação e o seu protagonista, o professor, agonizam.

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Rede Globo: o dia após a primeira transmissão televisiva

A Rede Globo de Televisão, que ora completa 50 anos de existência, teve a primeira transmissão realizada em 26 de abril de 1965, por meio do seu canal televisivo original: a TV Globo, canal 4 do Rio de Janeiro.

O jornal O Globo, no dia seguinte, publicou animadas matérias a respeito. Em notícia editada na página 6, o periódico oferecia um registro parcial da recepção política sobre o acontecimento. Afirmava que a transmissão televisiva inaugural havia sido motivo para aplausos na Assembleia Legislativa da Guanabara (atual município do Rio de Janeiro, à época cidade-estado).

Destacou, em especial, os nomes de alguns parlamentares que faziam parte da base legislativa do governador Carlos Lacerda (UDN), assim como congratulações oferecidas pela bancada udenista.

Como exercício de memória, cumpre observar que a UDN foi o partido que preconizava, aberta e histericamente, durante o regime democrático de 1946, a exclusão do trabalhismo, do comunismo e das forças populares da cena pública. Um bastião do golpismo.

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Crise capitalista, terceirização e parasitismo empresarial

Capitalismo e a criação de valores de uso e de troca

Sem deixar de caracterizar uma propriedade peculiar à sua história, há anos o capitalismo vivencia uma aguda crise. Em razoável medida, a crise contemporânea deve-se às limitações da expansão territorial contínua, que favoreça a criação e a ampliação dos negócios. O mercado mundial tornou-se realidade nesse século. A última grande fronteira para o capital, o Leste europeu, caiu com a dissolução do bloco soviético. Leia mais »

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Jovens comunistas se reúnem no Rio de Janeiro

Delegações nacionais e internacionais de juventudes comunistas estão reunidas no Rio para uma série de eventos.

Por Fania Rodrigues (*)

A Juventude Comunista Brasileira (UJC) se reúne com delegações internacionais para discutir o rumo das lutas e os desafios da esquerda em diferentes países do mundo. A série de eventos, que começou no dia 16 e vai até 21 de abril, foi aberta com o "Seminário Internacional: 70 anos da Federação Mundial da Juventude Democrática e a luta anti-imperialista hoje". Na ocasião estiveram presentes dirigentes da Juventude Comunista Grega, Aris Evangelidis, da Federação dos Jovens Comunistas, do México, Omar Cota, do Partido Comunista do Paraguai, da Marcha Patriótica e Juventude Rebelde, as duas da Colômbia.

O evento foi realizado no Instituto de Filosofia e Ciências Sociais (IFCS), da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), e representou um momento único de debate entre a juventude comunista, universitária e o público em geral.

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Protestos golpistas no Brasil e a rejeição ao governo venezuelano

Neste domingo, na esteira das manifestações reacionárias que se desenrolam no país, chamou bastante a atenção uma faixa estendida na Avenida Paulista: "Aqui não é a Venezuela". No que tange às referidas manifestações, aquela é a única mensagem ou ideia com a qual tendo a concordar com a turma reacionária, vestida com o verde-amarelo "by CBF". Uma turma teleguiada, sobretudo, pelas Organizações Globo.

Do ponto de vista histórico, remotamente, Brasil e Venezuela guardam em comum a experiência de um passado colonizado, escravista e oligárquico, que ainda hoje possui força de incidência sobre as suas respectivas estruturas sociais.

Contemporaneamente, ambos os países, na condição de periferia capitalista, apresentam uma inserção econômica e tecnologicamente dependente no "sistema-mundo" (como chama Immanuel Wallerstein ao capitalismo mundial, hierárquico e desigualmente espoliativo).

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Presidente João Goulart: importante e injustiçado líder das esquerdas

Por Roberto Bitencourt da Silva

Uma das ideias mais marcantes na memória construída em torno do golpe empresarial-militar de 1964, especialmente disseminada pela produção jornalística dos conglomerados da mídia, é a seguinte: o ex-presidente João Goulart era temido por setores da sociedade (não-dito: altos e médios), assim como por parcelas das Forças Armadas, por "aproximar-se da esquerda".

Trata-se de uma ideia, no mínimo, controversa, mas convencionalmente veiculada e aceita, que acompanha as interpretações correntes sobre o golpe, que ora completa 51 anos (1).

Não apenas na grande mídia, mas também em uma miríade de trabalhos acadêmicos – inclusive produzidos por pesquisadores considerados de esquerda –, vemos acentuada a referida ideia. Deliberadamente ou não, ela, de maneira "semi-ingênua", revela um viés interpretativo que coloca Goulart na condição de um político "oportunista", que buscou se "aproveitar" do cargo e do momento, em que foi pujante a mobilização popular. Nesse sentido, em respeito às memórias brasileira e do ex-presidente, algumas considerações se fazem necessárias:

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