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Clube Malha Santa Rosa. Um jogo, uma sociedade, uma tradição

"Clube de Malha Santa Rosa. Um jogo, uma sociedade, uma tradição."

Um documentário sobre a história do Clube e o jogo de malha na cidade de Indaiatuba, desde 1963.

Sinopse

Através do Clube de Malha Santa Rosa, um grupo de amigos tenta resistir as mudanças dos novos tempos e preservar uma antiga tradição: o jogo de malha. O aculturamento e as novas tecnologias colocam em risco de extinção não apenas um jogo, mas um bem cultural.

O Clube

No município de Indaiatuba, estado de São Paulo, Brasil, com 220 mil habitantes, dentre muitos clubes de malha e campeonatos que outrora existiram, o Santa Rosa, fundado em 1967, é o único em atividade. Esse é um reflexo local do processo de aculturamento baseado em novas tecnologias e entretenimentos, que tem ganhado espaço sobre os conhecimentos lúdicos tradicionais, como o jogo de malha, não só Brasil.

O Clube de Malha Santa Rosa, prestes a completar 50 anos, conta com um pequeno grupo de associados, insuficientes para as despesas, na maioria idosos, unidos pelo objetivo de preservarem o Clube e o jogo. Com instalações muito modestas, um bar, uma cancha de malha oficial e um salão para festas, o Clube resisti há anos para também não fechar. Para a preservação de ambos, o Clube e a malha, a conquista de adeptos de gerações mais novas é essencial.

Devido a faixa etária elevada da maioria de seus frequentadores e sua nostalgia, justamente a mudança de comportamentos e costumes para a conquista de novos adeptos torna-se um desafio a ser resolvido.

A malha

Com poucos dados sobre suas origens, o “jogo da malha”, como é chamado em Portugal, foi introduzido no Brasil pelos portugueses durante o período colonial e difundiu-se por todo País.

Inicialmente era praticado por trabalhadores no fim de suas jornadas ou fins de semana, como uma atividade para ocupar o tempo de forma lúdica. O “jogo da malha”, tanto em Portugal quanto no Brasil, leva diversas variações de peças, regras e nomenclaturas de acordo com cada região, característica essa, comum de jogos tradicionais onde o ensinamento é passado pessoalmente, de forma oral e prática entre os membros da sociedade, de geração a geração, com erros e adaptações.

A partir dos anos de 1930, dada sua popularização, inicia-se a aparição de associações e clubes de malha no Brasil, a organização de campeonatos locais, regionais, estaduais e nacionais, e a profissionalização tanto do jogo quanto de seus jogadores. Com o decorrer do tempo, evoluíram os campos, os artigos de jogo e as táticas de jogar.

Importante notar que, independente se como esporte ou mero passatempo, o jogo proporciona o convívio em grupo, e assim, insere os indivíduos na comunidade e leva jovens e adultos a interagirem e identificarem-se com a cultura local.

Na década de 1980, ainda era comum no Brasil encontrar grupos “jogando malha”, tanto em áreas rurais como urbanas, além da existência dos clubes e associações. Porém, devido as novas tecnologias e formas de entretenimento que moldam uma nova cultura, a realidade é que nas últimas décadas vem ocorrendo um grande declínio na prática de se jogar malha em todas as suas formas. Como um jogo tradicional, o declínio acentuado e prolongado de sua prática como vem ocorrendo pode levar ao esquecimento como bem cultural de uma comunidade ou sociedade, dada sua transmissão de forma oral e prática entre gerações.

Portugal, ao perceber os riscos de perder o tradicional “jogo da malha”, dentre outros, nos anos de 2000 desenvolveu políticas públicas para incentivo desses jogos, apoiando a organização de grandes campeonatos visando a preservação e a transferência entre gerações, como pode ser visto em artigo do site noticioso “Diário Digital”, de Portugal, publicado em 24/05/2008*, sobre a I Convenção de Jogos Tradicionais, daquele país, na qual o então presidente da Confederação Portuguesa das Colectividades da Cultura, Recreio e Desporto (CPCCRD), Jorge Felipe Ferreira disse: “Se não pomos mão nisto e tratamos de reintroduzir estes jogos no quotidiano dos portugueses de todas as idades, daqui a duas ou três gerações já ninguém sabe o que eles eram, perdendo-se assim um património cultural precioso”.

Corre-se o risco da perda definitiva de um bem cultural de uma sociedade, com o fim do tradicional jogo de malhas transmitido por décadas entre gerações.

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