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O Plano Nacional de Exportação

Em entrevista exclusiva, ao apresentador Luis Nassif do programa Brasilianas.org (TV Brasil), o Ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, Armando Monteiro pediu mais sensatez sobre a avaliação do papel do BNDES como instrumento de financiamento.

“Infelizmente politizam algumas questões de forma muito equivocada como, por exemplo, tudo que diz respeito ao BNDES”, declarou Monteiro. Segundo o ex-presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI) é preciso lembrar que, nos últimos oito anos, o volume total de financiamentos do BNDES foi de US$ 11 bilhões representando apenas 3% do orçamento do banco que, no mesmo período, foi de US$ 400 bilhões.

“[Por isso] vejo no debate equivocado raciocínios como, por exemplo, a frase ‘estão financiando um porto em Cuba, mas deveriam estar financiando no meu estado’. Ora, isso não é Orçamento Geral da União, é banco, e banco é projeto, é financiamento, é demanda”.

Ainda, segundo o Ministro, a construção do porto em Cuba, chamado Mariel, envolveu cerca de 400 empresas brasileiras, fornecedoras de peças e serviços que vão desde parafusos a equipamentos mais complexos de segurança e veículos. Arrematando, em seguida, a importância de se observar a política de exportação como um processo importante para toda a cadeia de fornecedores do Brasil, tendo em vista o conceito de “exportação indireta”, ligando fornecedores que jamais exportariam diretamente para fora.

Durante a entrevista, Armando Monteiro destacou também os principais objetivos do Plano Nacional de Exportação (PNE), lançado este ano, sendo o principal deles o restabelecimento do parque industrial do país, abalado nos últimos anos pela forte contração da demanda doméstica e ajustes econômicos. O governo e o MDIC compreendem que a exportação é um canal importante para o desenvolvimento nacional.

“O comércio exterior é, na essência, um tribunal da competitividade, uma forma de elevar a competitividade das empresas brasileiras”, disse Monteiro ao apresentador Luis Nassif. Dentre os mecanismos desenvolvidos no âmbito do PNE para facilitar a vida dos exportadores brasileiros está à criação de um cadastro positivo, onde serão incluídas empresas que nunca tiveram problemas com o fisco ou com o processo aduaneiro. Para quem entrar nessa lista o trâmite de exportação ocorrerá de forma mais ágil, prometeu o ministro.

Armando Monteiro destacou ao longo da entrevista que o Brasil continuará reforçando laços com o Mercosul, entretanto a prioridade do governo será integrar o país com regiões de maior dinamismo, em especial os Estados Unidos que hoje representa 75% do mercado de bens manufaturados do Brasil. A nova política de comércio também prevê o crescimento de relações com a União Europeia e com os países da América do Sul da Bacia do Pacífico. Em especial, o ministro citou a Colômbia, que deverá se tornar a segunda maior economia da região sul-americana nos próximos anos, ultrapassando a Argentina.

Antes de dar esse passo o MDIC encomendou à APEX-Brasil (Agência de Promoção de Exportações e Investimentos) um mapa estratégico dos mercados alvos para as empresas brasileiras onde foram elencados 32 países mais importantes. O ministro reconheceu que competitividade e a agregação de valor aos produtos são dois problemas da indústria nacional que precisam ser solucionados. Mas ele acredita que a exportação será um canal “extraordinário” para fazer elevar a competitividade da indústria brasileira.

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