9 de junho de 2026

O Hobbit, por Fábio de Oliveira Ribeiro

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Não vou me referir aqui de maneira específica ao terceiro filme de Peter Jackson baseado na obra de Tolkien. “O Hobbit – A batalha dos cinco exércitos” tem alguns bons momentos, mas a exemplo dos dois filmes que o antecederam é pretensioso e causa sonolência em razão do diretor ficar inserindo passagens que não existem no livro para encadear sua versão da obra na trilogia que fez de “O Senhor dos Anéis”.

“O Hobbit” é um livro infanto-juvenil. Sua virtude literária reside justamente neste fato que foi ignorado por Peter Jackson. Os elementos principais da obra são o mundo fantástico dos hobbits, anões, magos, orcs, etc…, a jornada individual de Bilbo Baggins e a aventura dos anões. O conflito bélico entre os personagens após a morte do dragão Smaug ocupa uma pequena parte da trama. Mesmo assim, o diretor da trilogia que finda com “O Hobbit – A batalha dos cinco exércitos” deu importância demais à guerra retirando da obra de Tolkien seu caráter infanto-juvenil.

A trilogia de Peter Jackson parece ter sido concebida para atrair o público adulto. As crianças que viram os três filmes perderam uma excelente oportunidade. Fariam melhor deixassem para ver a trilogia daqui há alguns anos, depois de ter aproveitado a leitura da obra. Por mais que tenha sido detalhista, Jackson destruiu a magia infantil do livro ao dar tanta atenção às cenas de batalha.

A versão de “O Hobbit” que eu gostaria de apresentar e recomendar aos leitores do GGN é aquela feita na URSS em 1985 e que pode ser encontrada no Youtube com legendas em inglês. Os idealizadores daquele programa televisivo, que tem 72 minutos, preservaram a natureza infanto-juvenil do livro de Tolkien.

Um narrador apresenta a obra como se fosse o próprio autor. Os personagens são mais alegres e muito menos violentos, grandiloquentes e sérios do que os da trilogia de Peter Jackson. O próprio dragão Smaug, que foi caracterizado pelo escritor como um fanfarão orgulhoso, solitário e egoísta eternamente sentado sobre algo de que não poderia tirar proveito, foi tratado com mais leveza pelos russos do que pelo diretor neozelandês.

Os efeitos especiais utilizados na versão soviética de “O Hobbit” não podem ser comparados aos da trilogia de Peter Jackson. A computação gráfica estava apenas engatinhando na década de 1980. Mesmo assim, os russos conseguiram fazer um excelente trabalho recorrendo à truques cênicos que são próprios do teatro. O resultado é interessante, inclusive porque a carnificina da guerra não foi apresentada de maneira tão sanguinária quanto em “O Hobbit – A batalha dos cinco exércitos”. Dito isto, só me resta sugerir aos interessados ver o filme russo:

https://www.youtube.com/watch?v=XALj24n1F2k width:700 height:390

Fábio de Oliveira Ribeiro

Fábio de Oliveira Ribeiro, 22/11/1964, advogado desde 1990. Inimigo do fascismo e do fundamentalismo religioso. Defensor das causas perdidas. Estudioso incansável de tudo aquilo que nos transforma em seres realmente humanos.

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4 Comentários
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  1. JorgeSP

    3 de janeiro de 2015 11:51 am

    Que interessante esse

    Que interessante esse filme.

    Alguém sabe me dizer o nome da música tema?

  2. Carlos FM

    3 de janeiro de 2015 12:02 pm

    Não vi e não gostei!

    Peter Jackson agiu como se não tivesse ganho uma fortuna com os três filmes do SdA. Esticar o Hobbit desse jeito só pra ganhar dinheiro é chamar os fãs do livro de trouxas.

  3. Vitor Carvalho

    3 de janeiro de 2015 4:26 pm

    Se tem gosto pra tudo, mas…

    Pode-se criticar o Hobbit de Jackson por ter sido extendido em 3 partes por artimanha comercial para se alavancar lucros, mas elogiar essa obra soviética em detrimento do Hobbit atual e de doer. Pra mim, essa obra soviética representa o declinio daquele império de outrora. 

    1. Fábio de Oliveira Ribeiro

      3 de janeiro de 2015 4:34 pm

      A decadência do Império
      A decadência do Império Espanhol corresponde ao período de maior importância cultural da Espanha. O mesmo não se pode dizer dos EUA, cuja decadência militar e econômica tem sido acompanhada pela decadência cultural. Quando a URSS só se pode falar que foi capaz de ser mais fiel a natureza do livro infanto-juvenil de Tolkien do que Peter Jackson. Isto basta.

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