Bolsonaro prioriza política e perde credibilidade

Pandemia impulsiona popularidade de governadores e ministros; presidente se isola e tem projeto de poder ameaçado

Foto: Carolina Antunes/PR

Jornal GGN – Com o foco em permanecer no poder em 2002 desde que tomou posse, Jair Bolsonaro transformou o combate ao coronavírus em arena política, mas a decisão mostra que o presidente está cada vez mais isolado politicamente. Assim, está radicalizando seu discurso pelo menos para tentar manter sua base de apoiadores.

Como explica o jornal Correio Braziliense, Bolsonaro prioriza uma campanha contra as medidas de isolamento social indicadas por praticamente todas as entidades ligadas à saúde, com o objetivo de atingir principalmente os governadores – alguns deles eventuais concorrentes no futuro.

O jornal lembra que, em julho de 2019 (com apenas seis meses de mandato), Bolsonaro deixou clara sua pretensão de disputar a reeleição – na ocasião, prometeu entregar país “muito melhor para quem nos suceder em 2026”. Agora, Bolsonaro passa pelo pior momento de seu mandato e colhe os frutos de antecipar a disputa eleitoral quando o país mais precisa de união.

Bolsonaro adota a política até mesmo nos debates sobre a ajuda a quem precisa, ao culpar a burocracia pela demora no pagamento do auxílio de R$ 600 aos trabalhadores informais, e que foi aprovada pelo Congresso depois que o governo havia proposto um pagamento de R$ 200.

Soma-se a isso a insistência do presidente em apontar o fechamento do comércio e outras restrições necessárias em um período de distanciamento social como obstáculos à retomada econômica – algo quase semelhante à insistência do ministro da Economia, Paulo Guedes, em colocar as reformas em andamento.

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E essa percepção ruim pode ser vista em pesquisas como o último Datafolha, que apontou que governadores e o Ministério da Saúde tem uma percepção popular muito mais favorável do que o presidente.

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2 comentários

  1. A pesquisa do datafolha é desalentadora. Como pode um presidente manter um terço de apoiadores depois de tantos absurdos?

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