Brasil: os dois vírus mortais, por Márcia Moussallem

Escrevo esse pequeno texto com sentimentos diversos, tudo misturado; dor no coração e na alma, pena, compaixão, revolta, raiva…

do Observatório do 3º Setor

Brasil: os dois vírus mortais

por Márcia Moussallem

Estamos no fundo do poço. Acho que inclusive já passamos dele. O buraco é profundo demais. Falo não só da pandemia que assola o mundo todo, mas também da dupla tragédia que estamos passando no Brasil.

Estamos diante de um cenário de colapso da saúde pública, em que o “dirigente” mais importante da nação corta verbas em todas as políticas públicas, nega a ciência, nega a vida, debocha da dor de inúmeras famílias (mais de 210 mil mortos), entre outras crueldades.

Entretanto, mesmo diante de todo este cenário de dor e sofrimento que milhares de brasileiros estão passando, ainda temos que assistir uma parte da população defendendo o “grande mito” como um Deus que tudo faz pela nação. O bom soldado, que não tem medo de nada, afinal é “só uma gripezinha”. Ah! “Não espalhe medo, espalhe fé e esperança”.

Gripezinha para quem? Fé e esperança? Tratamento precoce evita a covid?

É duro ter que enfrentar dois vírus mortais ao mesmo tempo, pelo menos para mim e uma parte da população de “loucos comunistas”. A outra parte da população vive no “planeta colorido das balas de jujuba” (eu até gostava, mas eu só tinha 5 anos).

Sabe aquela coisa que gruda nos dentes e não sai de jeito nenhum? Aquele cheiro de doce horroroso, a língua toda colorida… Sim, meus amigos… é assim o vírus do negacionismo, da alienação, da cegueira, da crueldade, do orgulho, do individualismo…

Escrevo esse pequeno texto com sentimentos diversos, tudo misturado; dor no coração e na alma, pena, compaixão, revolta, raiva…

Hoje, refletindo às três horas da manhã, pensei… esse vírus, covid, é mortal. O segundo vírus, do negacionismo, também é mortal. Mortes de corpo, de alma… nada sobra, nada fica, tudo morre. O que fizeram? Misturaram os dois vírus de uma só vez. É duro demais.

Choro? Muito! Porque ainda sonho com o planeta verde, das águas e do cheiro da Amazônia. Precisamos urgente sentir a vida que jorra da alegria, de uma grande comunidade, única.

Se alguém acha que isso é utopia ou poesia, que se dane!

Detesto jujubas! Que sejam exterminadas!

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