Coronavírus: uma pandemia de desemprego, por David F. Ruccio

Em artigo, professor emérito da Universidade de Notre Dame explica os efeitos de uma crise pandêmica no mercado de trabalho

David F. Ruccio, professor emérito da Universidade de Notre Dame. Foto: Reprodução/Notre Dame

Jornal GGN – As crises que ocorrem no capitalismo não são previsíveis e nem decorrem de uma única causa, mas em todas as crises existe algo em comum: o desemprego. Seja por conta do estouro de bolhas especulativas, ou porque empresas estenderam seu endividamento além da sua capacidade de pagar no caso de um “choque” inesperado.

“Em outras palavras, as crises capitalistas não seguem leis determinadas e dependem, em vez disso, de circunstâncias corretas”, como explica o economista David F. Ruccio, professor emérito da Universidade de Notre Dame (EUA), em artigo publicado recentemente no blog Real-World Economics Review Blog.

Em toda crise econômica ou quadro de recessão, o desemprego aumentou, e milhões de trabalhadores foram atingidos. Segundo Ruccio, no capitalismo, “os trabalhadores não têm direito a um emprego (ou o direito de participar de decisões sobre quando e onde as vagas serão criadas ou destruídas)”.

“Em vez disso, eles têm de trabalhar duro para tentar vender sua capacidade de trabalho – e são forçados a fazê-lo para sobreviver, porque sua capacidade de realizar um trabalho manual só é valiosa no mercado quando pode ser usada para outra pessoa obter lucro”.

E a atual conjuntura, em meio à pandemia do coronavírus, não é diferente. Segundo Ruccio, mais e mais trabalhadores norte-americanos estão sendo dispensados por empresas que estão encerrando atividades ou cortando suas operações, e o mesmo está ocorrendo em países como China (onde milhões perderam o trabalho) e Itália (onde o número de vítimas fatais pelo coronavírus ultrapassou os registros na China). Nas palavras do articulista, o quadro se configura como uma “pandemia de desemprego”.

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O articulista que, segundo o último relatório do Bureau of Labor Statistics, na semana que terminou em 14 de março, o valor do adiantamento para reivindicações iniciais com ajuste sazonal foi de 281.000, um aumento de 70.000 em relação às 211.000 reivindicações iniciais da semana anterior. Este é o nível mais alto para reivindicações iniciais desde 2 de setembro de 2017.

E tudo indica que os números no mercado de trabalho norte-americano sejam cada vez maiores – e, segundo o economista, não é de se surpreender que o governo de Donald Trump queira que os dados ocultem esses números. “Assim como abordou a nova pandemia de coronavírus – não como um problema de saúde, mas como uma questão de relações públicas – também está tratando a pandemia de desemprego. Esconda-a da vista e finja que ela desaparecerá”.

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