Desculpem, mas eu não vou me cansar de dar aula de SUS, por Rita Almeida

Sem atenção básica e comunitária, sem campanhas de vigilância e vacinação, sem trabalho preventivo, NENHUM ATENDIMENTO HOSPITALAR OU CLÍNICA ESPECIALIZADA SE SUSTENTA.

Foto de Araquém Alcântara

Desculpem, mas eu não vou me cansar de dar aula de SUS

por Rita Almeida

Me aturem!

Primeiramente queria parabenizar todos os agentes comunitários de saúde deste imenso Brasil que, neste momento, estão nos prestando um enorme serviço. Eles estão arriscando a própria saúde, fazendo visitas de casa em casa, especialmente nas áreas mais carentes e distantes do nosso país, a fim de orientar e tranquilizar as pessoas sobre o novo Coronavírus.

Além de fornecerem orientações de cuidado e prevenção e mapear os grupos de risco, eles também estão avaliando previamente pessoas sintomáticas, evitando que elas sobrecarreguem os serviços de saúde sem necessidade. O medo e a ansiedade tem produzido sintomas nas pessoas e estas, ao procurarem o serviço de saúde por uma simples, tosse ou espirro, ou numa crise de ansiedade, correm mais risco de se infectarem, do que serem beneficiadas com algum tipo de tratamento.

Foi exatamente isso que aconteceu na Itália, diante da epidemia, as pessoas correram para os hospitais e clínicas ao menor sintoma, e isso provocou um pico na quantidade de infectados.

Precisamos entender de uma vez por todas que saúde não significa consulta médica ou leito em hospital. Sem atenção básica e comunitária, sem campanhas de vigilância e vacinação, sem trabalho preventivo, NENHUM ATENDIMENTO HOSPITALAR OU CLÍNICA ESPECIALIZADA SE SUSTENTA. Só temos condição de atender a demanda de emergências para cirurgia cardíaca em um mês, por exemplo, porque existe um trabalho comunitário de prevenção e promoção em saúde nas milhares de unidades de atenção primária espalhadas por todo o país, para manter uma média razoável no número de infartados.

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Daí a importância fundamental de um sistema público e universal como o SUS. Daí a importância de sua parceria com Universidades e institutos de pesquisas, para que suas ações sejam fundamentadas em estudos epidemiológicos e de incidência de doenças e agravos, de acordo com a demanda de cada localidade e região. Daí a importância das equipes multiprofissionais da atenção primária e dos agentes de saúde.

O SUS é o maior sistema de saúde público do mundo. Funciona de acordo com uma racionalidade científica, com um sistema de controle e avaliação informatizado e avançado. Possui um forte arcabouço de legislações, portarias e normativas, tem profissionais qualificados, e está vinculado a instâncias nacionais e internacionais de excelência técnica e científica. O SUS funciona dentro de uma rede extremamente rica e complexa, onde o agente comunitário de saúde se faz tão importante quanto os seus mais renomados especialistas.

Graças ao SUS é que, apesar das baboseiras ditas e defendidas pelo (des)presidente Jair Bolsovírus, os nossos governadores e prefeitos conseguirão sustentar as medidas sanitárias indicadas para combater a pandemia do Covid-19.

Salve o SUS!
Salve os agentes comunitários de saúde!

#ForaBolsonaro

Rita Almeida

Psicóloga
Mestre e Doutora
Trabalhadora do SUS de 1994 até 2018
Professora de pós graduação em saúde pública e saúde mental

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