Maçons Progressistas divulgam carta aos brasileiros em defesa da democracia

"A liberdade é tão necessária ao homem quanto o Sol à Terra. O fato de esbarrar ante as dificuldades de usá-la, jamais deverá servir de desculpa para negá-la a seus semelhantes".

Jornal GGN – Em tempos estranhos, em que as liberdades individuais passam a correr risco e as democracias fenecem a olhos vistos, vários indivíduos se unem em defesa da liberdade. Criticados por se aliarem ao poder, Maçons também formam grupo de democratas, defensores das liberdades individuais e pela manutenção da democracia.

Em um trecho podemos ler: “A Maçonaria sempre esteve e sempre estará ao lado dos que, independentes, revoltam-se contra a tirania e a arbitrariedade. Sempre, e sob qualquer circunstância, levantar-se-á em defesa da liberdade, essência da vida, princípio fundamental da natureza humana e tesouro inalienável de uma sociedade bem constituída.“

O grupo destaca a importância da Presidência da República, onde o exercício ‘envolve fibra, determinação, inteligência, paciência, tolerância, capacidade de articulação e, acima de tudo, sensatez’.

Leia a carta a seguir, enviada pelo grupo ao Jornal GGN.

Por Maçons Progressistas do Brasil

Carta Aberta aos Brasileiros

Há cerca de 2.500 anos, os gregos cunharam o termo democracia, com a junção de duas palavras: dḗmos, que significa povo, e κρατία, que quer dizer poder. Identificava, já então, o governo que emana da população, pois era sabido que a melhor forma de organização social é aquela construída sobre estruturas comunitárias e sistemas igualitários. Na mesma época, os romanos usaram pela primeira vez o a expressão res publica, que séculos depois viria se transformar em república, identificando a forma de governo na qual o povo é soberano, governando o Estado por meio de representantes investidos nas suas funções em poderes distintos.

A Constituição da República Federativa do Brasil, diz o seu preâmbulo, foi elaborada visando “…instituir um Estado democrático, destinado a assegurar o exercício dos direitos sociais e individuais, a liberdade, a segurança, o bem-estar, o desenvolvimento, a igualdade e a justiça como valores supremos de uma sociedade fraterna, pluralista e sem preconceitos, fundada na harmonia social e comprometida, na ordem interna e internacional, com a solução pacífica das controvérsias…”.

Seus três primeiros artigos estabelecem:

“Art. 1o – A República Federativa do Brasil, formada pela união indissolúvel dos Estados e Municípios e do Distrito Federal, constitui-se em Estado Democrático de Direito e tem como fundamentos:

I – a soberania;

II – a cidadania;

III – a dignidade da pessoa humana;

IV – os valores sociais do trabalho e da livre iniciativa;

V – o pluralismo político.

Parágrafo único. Todo o poder emana do povo, que o exerce por meio de representantes eleitos ou diretamente, nos termos desta Constituição.

Art. 2o – São Poderes da União, independentes e harmônicos entre si, o Legislativo, o Executivo e o Judiciário.

Art. 3o – Constituem objetivos fundamentais da República Federativa do Brasil:

I – construir uma sociedade livre, justa e solidária;

II – garantir o desenvolvimento nacional;

III – erradicar a pobreza e a marginalização e reduzir as desigualdades sociais e regionais;

IV – promover o bem de todos, sem preconceitos de origem, raça, sexo, cor, idade e quaisquer outras formas de discriminação.”

Diz também seu artigo 5o: “Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade…”

Os Três Poderes da República, a exemplo de muitas outras democracias bem sucedidas no mundo, foram concebidos de forma a se complementarem e a atuarem em consonância com as aspirações do povo brasileiro, garantindo o progresso sob a égide da lei e da ordem.

Numa república democrática, busca-se a convivência harmoniosa entre os Poderes que, em tese, devem trabalhar em função de pautas e projetos de interesse nacional. Ocorre – e é natural que seja assim – que o equilíbrio de forças entre os Poderes, especialmente entre executivo e legislativo, oscile em função dos interesses, prioridades e compromissos de seus integrantes. 

O convívio nem sempre é tranquilo e sereno, exigindo do executivo determinação e competência para obter, no legislativo, o número suficiente de votos para aprovação de seus projetos. A menos que as alianças políticas garantam ao executivo a maioria dos votos do legislativo, as relações entre estes Poderes sempre caminham no fio da navalha, cada qual tendo de fazer concessões ou alianças, às vezes pouco ortodoxas, para atingir seus objetivos.

Um candidato à Presidência da República deve, a priori, estar preparado para jogar este jogo, pois toda relação entre poderes de qualquer natureza implica avanços e recuos, êxitos e reveses. Envolve fibra, determinação, inteligência, paciência, tolerância, capacidade de articulação e, acima de tudo, sensatez.

Na visão do coletivo Maçons Progressistas do Brasil, os três Poderes da República brasileira, embora sujeitos a críticas e eventuais aperfeiçoamentos, são inatacáveis, pelo que julgamos dever de todo cidadão repudiar qualquer atentado ao seu pleno funcionamento e das demais instituições republicanas e democráticas.

A Maçonaria sempre esteve e sempre estará ao lado dos que, independentes, revoltam-se contra a tirania e a arbitrariedade. Sempre, e sob qualquer circunstância, levantar-se-á em defesa da liberdade, essência da vida, princípio fundamental da natureza humana e tesouro inalienável de uma sociedade bem constituída. 

Entendemos as dificuldades inerentes ao exercício do poder, mas rechaçamos toda e qualquer pretensão ao cerceamento de liberdades. Por mais árdua que seja a tarefa de conduzir o país, não se pode abrir mão dos postulados democráticos, sob pena de levar o povo à cegueira, à mordaça, à ignorância, ao facciosismo e ao embrutecimento, cobrindo de trevas uma nação que nasceu para ser Luz. 

Assim como não há ser humano perfeito, não existe instituição criada pelo homem que seja isenta de defeitos. Ainda que a Presidência da República, o Congresso Nacional e o Supremo Tribunal Federal apresentem falhas e que seus integrantes possam não ser um primor de sabedoria, sensatez e retidão, o fato é que, sendo os homens livres, sempre poderemos ter esperança em seu aprimoramento.

A liberdade é tão necessária ao homem quanto o Sol à Terra. O fato de esbarrar ante as dificuldades de usá-la, jamais deverá servir de desculpa para negá-la a seus semelhantes. Um homem íntegro terá generosidade de alma para vencer os obstáculos e garantirá, a si e a todos, o usufruto pleno dos direitos naturais. 

É para isso que um maçom trabalha e é nisso que acredita!

Nós, Maçons Progressistas do Brasil, unidos ao povo brasileiro, levantamos nossa voz e bradamos com veemência: Liberdade, Igualdade, Fraternidade! Tirania jamais!

Leia também:  Nota: Apagão no Amapá é o colapso da privatização

Maçons Progressistas do Brasil

maio de 2020

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17 comentários

  1. Bonito!!! Palmas!!!
    O papel aceita tudo. Na vida real, não é assim que os maçons atuam. Tráfico de influências, chantagem, poder e controle dentro das organizações, impunidade, prepotência, superioridade racial e de grupo, sonegação de impostos aos borbotões e controle total da sociedade (escravidão).
    Todos esses grupos privados armados que estão se multiplicando pelo Brasil são liderados e formados, em sua maioria, por membros da maçonaria. Uns milicianos, dementes, inconsequentes e “inimputáveis”.

    • Seria interessante que vc apontasse meia duzia de casos ou exemplos pontuais e concretos para não ficarmos apenas na generalização espanhola do “soy contra”.

  2. Assim como quase todas as instituições brasileiras, a maçonaria está dominada pelos ideais fascistas.
    O maior erro das esquerdas e do PT enquanto governo, foi se eximir da luta ideológica. A direita em geral e o fascismo em especial, nadaram de braçada, conseguindo hegemonizar o pensamento retrógrado nas FFAA, polícias, Ministério Público, poder judiciário e na mídia tradicional.
    Precisamos aprender com os direitistas e passarmos a disputar a hegemonia ideológica.

  3. Faltou o nome dos bois.
    Escudarem-se na denominação acima em tempos tão obscuros é um ato um tanto quanto covarde e muito, muito comodo e confortável.

    Pesa sobre os maçons e suas organizações graves acusações nunca negadas de alianças profundas com o que há de mais execrável contra o Estadao Democrático de Direito em todo o mundo.

    Conheci um pequeno empresário grafico no Ipiranga que era maçon e comunista do PCdoB que me convidou para entrar para a maçonaria. Recusei, incrédulo com aquela combinação.

    Mas que existem existem, tá na hora de por a cara para bater. Do que ou de quem tem medo? Da sua própria organização? Mas não é um grupo de autoproteção e ajuda ou isso não inbcluem os de esquerda? Se assim for, por que lá permanecer?

  4. Na maçonaria como em qualquer lugar deste mundinho existem pensamentos e comportamentos de todos os matizes. Não se pode né deve dizer que o maçom é assim, o baiano é assim, o grego é assim. Em todos os lugares há de tudo. No caso da Maçonaria é ou foi triste constatar o comportamento principalmente do grão mestre de S. Paulo apoiando alegremente o ultra direitista e boicotando o outro candidato numa atitude vil, vulgar, baixa e antimaçonica. Mas o grão mestre miúdo não representa todos ele represente a escumalha dos bajuladores tão comuns onde existem cargos. Continuo nutrindo o mais triste desprezo por esses pavões e pelos pavõezinhos que punem à volta deles. Não são justos nem perfeitos são fascistas. Vergonha da civilização e da civilidade.

    • Questão complexa, é emitir juízo de valor sobre o que se desconhece.

      Julgar a presente Instituição, pelos homens que a integram, por exemplo, constitui o primeiro equívoco.

      Jesus, tal qual se sabe, era justo e perfeito, mas, mesmo assim muitos judeus e romanos, à época, não deixaram de acusá-lo, de julgá-lo, de condená-lo e, de executarem a sua imerecida sentença de morte !

      Julguemos menos, e solidarizemos-nos mais.

      Maurício Azevedo Gonçalves

  5. Maçonaria no Mato Grosso do Sul nos anos 70

    Nunca tinha ouvido falar em maçonaria até out/1975, quando entrei no BB, em Ponta Porã, divisa com Pedro Juan Caballero, Paraguai.

    E descobri que era uma força considerável no Mato Grosso de então, antes da divisão do Estado, as lojas maçônicas eram compostas pela “nata” da sociedade, médicos, advogados, invariavelmente o prefeito, vereadores, os oficiais do quartel do Exército local, e…a cúpula do Banco do Brasil local.

    Fazer parte da maçonaria era uma distinção social, para poucos, tinha de aguardar ser convidado, não era pra quem queria. Era risível quando a gente lá no banco via um cliente que havia entrado recentemente na “ordem” ir alterar o cartão de autógrafos, a assinatura era rigorosamente a mesma, exceto pelos três pontinhos em formato de pirâmide.

    Havia todo um imenso folclore em torno da “sociedade secreta”, o mais bizarro deles dava conta do alcance da rede da irmandade. E citavam como exemplo (cansei de escutar a mesma história) que o carro de um “irmão” havia sido roubado no interior de São Paulo, e com certeza levado para o Paraguai. Acionaram a rede e chegaram até ao Big Boss, nada menos que o chefão do Paraguai, o também maçon Fawd (Fuad) Jamil Georges, o Rei da Fronteira, na época já foragido do Brasil, morador do lado de lá. O Fuad teria exigido da bandidagem a devolução do carro roubado para o irmão do interior de São Paulo, e foi atendido. Nada como ter um irmão poderoso.

    Chegou um subgerente novo na agência, mineirinho de Conceição das Alagoas, rapidamente foi aliciado para a irmandade. Nos tornamos grandes amigos. Uma segunda feira ele chegou até minha mesa e começou a contar, em pé, ao lado, em voz baixa, que no sábado à tarde estava dormindo no sofá, porta aberta, quando foi acordado pelo chefão da maçonaria local, disse que uma pessoa queria conhecê-lo. Entrou no carro e foi levado até à fortaleza que era a casa do Fuad Jamil Georges, capangas por todo lado, em Pedro Juan Caballero. O motivo era um só, queria conhecer o subgerente novo do Banco do Brasil, o irmão recentemente ingressado na confraria, e mandou trazer até sua presença, para troca de idéias e conversar amenidades. Ele podia, era protegido do governo Stroessner.

    Meu ex-sogro era maçom (meu irmão mais velho também). Toda quinta-feira ele saía de terno e avental para a reunião semanal. Do que me lembro, era uma esbórnia de comida e bebida. O saldo da reunião eram muitas garrafas de vinho abatidas e carneiro, cabrito e leitoas em profusão. Dois momentos distintos, a maçonaria do Mato Grosso dos anos 70, atuante e relevante, e a do interior de SP, anos 80 e 90.

    Não consigo enxergar mais a maçonaria atual com a força política que já teve em priscas eras, vejo uma porção de velhinhos reacionários e mais nada. E, claro, maçons progressistas é uma contradição. Monitoro cada um dos meus ex-colegas maçons daquela época, tornaram-se velhos, irremediavelmente velhos, reacionários e bolsonaristas empedernidos. Sem exceção.

  6. Podem publicar o site da instituição que fez a carta, nomes dos responsáveis? Precisamos saber para podermos compartilhar com fieldade de infrmações.

  7. Os moralistas da maçonaria gostam de falar em liberdade, mas adoram uma Ditadura…gostam de falar em Democracia mas apoiaram em massa a derrubada do governo Dilma, a prisao ilegal de Lula e a ascensao do Capitáo miliciano…
    Tudo sobre Bolsonaro foi dito desde Outubro do 2018 !
    Mostre-me um Moralista e eu te mostrarei um Canalha !

    Seria o Brasil uma concessáo da maçonaria ?

  8. Os moralistas da maçonaria gostam de falar em liberdade, mas adoram uma Ditadura…gostam de falar em Democracia mas apoiaram em massa a derrubada do governo Dilma, a prisao ilegal de Lula e a ascensao do Capitáo miliciano…
    Tudo sobre Bolsonaro foi dito desde Outubro do 2018 !
    Mostre-me um Moralista e eu te mostrarei um Canalha !

    Seria o Brasil uma concessáo da maçonaria ?

  9. Antes de tudo, vocês são uma sociedade secreta, oculta cheia dos melindres, mete o pé e rala fora.
    se considerarmos isso como anonimato, lembro que existe uma lei que diz que o direito de se expressar é livre e o anonimato é proibido! como fica?
    que ambiguidade louca é essa!? o que vocês querem!? direitos iguais, democracia?
    fala serio, a mascara de vocês já caiu!

  10. No começo eu não estava entendendo no, no meio parecia que tinha alguma coisa, mas no final parecia que estava no começo!
    Maçonaria genérica e sem nome certo, existe vários grupos maçons, mas na minha opinião eles so defendem os interesses deles, não estão nem ai para a população brasileira, eles fazem o seguinte, engordam a cria pra depois matar e comer a carne, por isso eles parecem serem menos maus do que o comunismo/socialismo, mas são caras da mesma moeda, pq foi isso que o PT fez durante anos enquanto governou o pais!

  11. Eu ia fazer um comentario para desenvolver o assunto, mas ao ver o conentario anterior percebi que estamos em um ambiente de não maçons. Acho que está nos fundamentos da maconaria ser progressista. Não há como existir maçons não progressistas. Mas nao vou colocar lenha na fogueira, não.

  12. + comentários

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