Sem freios, Bolsonaro leva o país ao caos e à convulsão, por Aldo Fornazieri

Bolsonaro se vale da ousadia dos celerados, da ousadia dos traidores, da ousadia tiranos, para semear a discórdia, a desunião, a confusão, o caos e a convulsão social.

Sem freios, Bolsonaro leva o país ao caos e à convulsão

por Aldo Fornazieri

Bolsonaro perdeu as condições políticas, morais e mentais para continuar como presidente. Ele, seus filhos e seus seguidores sabotam o Brasil e o povo brasileiro num momento de gravíssima crise e de temor generalizado da sociedade. Bolsonaro, além de não governar, investe contra os poucos bolsões de governabilidade que existem em seu governo. Traidor do Brasil e de seu povo, investe no caos, na desordem e na convulsão para manter-se no poder. Isolado politicamente e, provavelmente, cada vez mais isolado dos militares que  sustentam o seu governo, entende que a única saída para a sua sobrevivência é a divisão do Brasil, a desunião, justamente no momento em que todos deveriam se unir para enfrentar o perigo maior, o perigo da pandemia e da morte.

Neste momento grave, no entanto. Bolsonaro se vale da ousadia dos celerados, da ousadia dos traidores, da ousadia tiranos, para semear a discórdia, a desunião, a confusão, o caos e a convulsão social. Se ninguém o detiver, o Brasil mergulhará na anomia e, quiçá, na guerra civil. Para salvar vidas, vários setores institucionais, instâncias federativas e a maior parte da sociedade estão em desobediência civil em relação aos desmandos do presidente. Mas há criminosas conveniências e covardes omissões.

A Procuradoria Geral da República pratica uma criminosa conivência com os crimes e ilegalidades do presidente. O Congresso nacional, os presidentes da Câmara e do Senado, as bancadas parlamentares do centro político e das esquerdas não agem com a firmeza necessária para deter a escalada de crimes e desatinos cometidos por Bolsonaro e seus filhos. O  STF precisa ser acionado com urgência para abrir processos criminais contra Bolsonaro, visando afastá-lo com urgência. Em toda a história e nas várias histórias políticas dos povos, os tiranos triunfaram porque aqueles que deviam agir para detê-los não agiram, se omitiram e foram derrotados pela sua covardia.

O centro  político, as esquerdas e os ditos democratas querem tratar com mesuras aqueles que se pautam pela desmesura e pela arruaça política e institucional; querem tratar com polidez aqueles que só  conhecem a linguagem do grotesco e da incitação à violência; querem tratar com condescendência aqueles que, se alcançarem um regime de força, não terão nenhuma condescendência, nenhuma piedade, nenhuma misericórdia. Esses camisas de punhos de renda parece que nunca estudaram a história. É certo que Bolsonaro está isolado politicamente e que não tem forças para intentar uma aventura golpista neste momento. O problema é que as tiranias se implantam na esteira da confusão, do caos e das indecisões dos políticos pusilânimes.

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Bolsonaro sabe que a pandemia está mergulhando o povo no medo e que a crise econômica e social vai se agravar com o desemprego e com a fome. Como ninguém assume o comando do país, ele investe numa tese que aumenta a desgraça para depois se apresentar como o salvador. Sem lideranças políticas e sem atitudes viris do centro e das esquerdas, Bolsonaro poderá levar massas desordenadas e desesperadas de roldão para tentar implantar um regime de força. Por isso precisa ser detido antes que o caos e a convulsão se instaurem.

Grave responsabilidade pesa neste momento sobre os militares. Eles precisam dizer de que lado estão no presente e como querem ser vistos pela história. Precisam decidir se estão no lado da sensatez e da razão ou se estão no lado da aventura criminosa e da irresponsabilidade. Precisam decidir se estão do lado do Brasil e de seu povo ou se estão do lado de uma família de celerados que só querem o poder para cometer atrocidades. Precisam decidir se estão engajados no processo de construção de um país democrático e justo ou se estão secundando um projeto de destruição do país e da dignidade de seu povo.

Os militares conhecem bem Bolsonaro e não podem dizer que foram enganados. Bolsonaro foi expulso do Exército por atos de indisciplina, por ser um mentiroso contumaz por ser incapaz de observar honra militar e a disciplina e por planejar atos terroristas. O movimento bolsonarista está descambando para o terrorismo: proferem ameaças de todos os tipos contra seus inimigos e adversários políticos, inclusive ameaças de morte. Isto precisa ser investigado como terrorismo.

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Os militares imaginaram que poderiam controlar Bolsonaro na presidência, exercendo uma função de tutores. Não só não estão fazendo nem uma coisa e nem outra, como foram humilhados por Bolsonaro e seus filhos várias vezes, quando estes assumiram o partido de Olavo de Carvalho contra o partido dos generais. Pelo que se lê nas análises, hoje os generais que estão no governo não só têm medo de confrontar Bolsonaro, como sequer se arriscam a aconselhá-lo com os argumentos da sensatez, da razão e do amor à pátria. Estas omissões são perigosas porque podem se tornar conivência criminosa – algo que a história não perdoará. Não perdoará porque não há nenhuma dúvida de que Bolsonaro está no lado da maldade, contra o Brasil e seu povo.

Neste momento de tensão e medo, o Brasil precisa de um governo que unifique o povo numa direção única, definida por critérios científicos, técnicos e pelos ditames da Saúde e da OMS. O Brasil precisa de um governo que chame à unidade de ação para enfrentar a pandemia pelas melhores recomendações médicas e pelas melhores experiências já vividas até agora no âmbito de outros países. O Brasil precisa de um governo que seja capaz de fornecer prontas respostas para enfrentar o desemprego, socorrer as empresas que não demitirem e buscar saídas anticíclicas para a crise econômica. O Brasil precisa de um governo que seja o chefe da solidariedade, da fraternidade e da compaixão neste momento triste e trágico, onde todos precisam se ajudar, onde todos precisam obedecer as recomendações para evitar a doença e a morte. Bolsonaro é o oposto extremado de todas as qualidades e virtudes do tipo de governo que o Brasil precisa neste momento.

Cada vez mais teremos pessoas desesperadas, passando fome e morrendo por conta da pandemia e das crises social e econômica. Nem o povo e nem o Brasil podem esperar. A vida é o maior bem que uma pessoa tem. As pessoas querem viver. Não importa a idade ou se é mais um dia, mas uma semana, mais um mês, mais um ano de vida. Ninguém, muito menos o Estado, muito menos os governos, muito menos as autoridades públicas podem decidir que uma pessoa possa viver menos um minuto sequer. Bolsonaro despreza a vida dos outros e não sente a menor compaixão com a dor e a morte dos outros. Ele é a encarnação do Terrível e do Funesto. Razão ele nunca teve. Até as pedras duvidam de que ele tenha coração. Por isso, precisa ser afastado com urgência.

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Aldo Fornazieri – Professor da Escola de Sociologia e Política (Fespsp).

 

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1 comentário

  1. Irresponsavel e inclemente, Bolsonaro deve ser afastado do cargo, do qual não esta à altura de ocupar. O Brasil fez uma escolha impensada e agora paga um alto preço e nem o Congresso nem o STF sabem como fazer para que Bolsonaro e seus filhos caiam fora rapidamente, sem precisarem lançar mão de mais um impeachment. Até porque, depois do golpe em Dilma, esperam que se encontre uma via mais “simples” para retira-lo do Palacio do Planalto sem traumas.

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