The Guardian: O desdém de Bolsonaro pela cultura refletida no silêncio pela morte de artistas

Embora a população chorasse suas perdas, o presidente de extrema direita respondeu com silêncio, um quadro claro de seu ódio às artes e à academia.

Rubem Fonseca, Aldir Blanc, Moraes Moreira, Luiz Alfredo Garcia-Roza, Dona Neném e Flávio Migliaccio.

Jornal GGN – O jornal inglês The Guardian evidencia o silêncio do presidente brasileiro Jair Bolsonaro pela morte de artistas, em momento que a cultura brasileira sofre perdas irreparáveis. Dentre os que se foram estão expoentes do mundo da música, como Aldir Blanc e Moraes Moreira; Dona Neném, lenda do carnaval; o ator Flávio Migliaccio; e os escritores Luiz Alfredo Garcia-Roza, Sérgio Sant’Anna e Rubem Fonseca.

Se este fosse um presidente normal em país normal, estas perdas seriam marcadas com luto oficial ou palavras de homenagem, destacam Tom Phillips e Caio Barretto Briso, que assinam a matéria. Mas não, embora a população chorasse suas perdas, o presidente de extrema direita respondeu com silêncio, um quadro claro de seu ódio às artes e à academia.

Para Chico Buarque, tal comportamento demonstra que Bolsonaro não tem a menor ideia do que é a cultura brasileira. E a filha de Rubem Fonseca, a escritora Bia Corrêa do Lago, disse que já era esperado tal desrespeito, visto que o autor preferido de Bolsonaro é Carlos Alberto Brilhante Ustra, um torturador da era da ditadura.

‘Os autores representam a liberdade, enquanto os torturadores representam tudo o que mais detestamos: crueldade, ditadura, covardia, um pavor de diversidade e diferença’, acrescentou Bia Lago.

A matéria discorre sobre a campanha de Jair Bolsonaro, que foi eleito pregando guerras culturais e atacando o que ele chamava de a elite artística da esquerda brasileira. E, desde que assumiu, sua ação mais contundente foi cortar o financiamento público para as artes.

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Do presidente anti-cultura, a matéria traz também Regina Duarte, a secretária de Cultura, que usou como desculpa para o não pronunciamento diante de tantas mortes pois não era obrigada a se tornar um ‘obituário’ ambulante. ‘Você está desenterrando os mortos. Você está carregando um cemitério sobre seus ombros… Relaxe’, disse ela aos entrevistadores da CNN.

Por fim, o texto evidencia a postura de Bolsonaro como sendo uma atitude deliberada em relação aos artistas que os ideólogos bolsonarianos consideram uma ‘parte de uma trama marxista de décadas para controlar a produção de ideias’.

Leia a matéria no The Guardian clicando aqui.

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2 comentários

  1. Bolsonaro é uma pobre criatura, que em breve talvez não se arrependa, mas que já deve ficar impressionado pelo que vem acontecendo. É só reparar no grau de irritabilidade aumentado e no olhar entristecido e caído em muitas fotos recentes. O modo de vida que ele foi alimentando, da desconstrução, da destruição, da infâmia, da inimizade, inclusive por causa da Covid-19, tem vindo a acelerar a queda de antigos conceitos e métodos. Se aos “normais” não tem sido fácil a prática da aceitação, imagine aos que treinaram na vida o método do negacionismo, do conspiracional. As situações por si só são nulas e com isto, não tem o poder de tornar ninguém melhor ou pior. Porém os mais fracos, menos sensatos (ou insensatos) e com mente obtusa, a chance de se perturbar e decair, é maior. Pior para ele é que está ativamente contribuindo para a crise da pandemia ser mais longa e mais profunda no país. Quanto mais longa e profunda, muitos mais sofrimentos passarão os negacionistas e obtusos. Alea jacta est.

  2. Peraí. Não sei quantos médicos e enfermeiros já faleceram, estão pegando o touro a unha. Como o Jair se manifestou? Se for para criticar as não atitudes, acredito que caberia poderia começar pela que citei.

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