Agronegócio brasileiro e português em Moçambique

Jornal GGN – O Instituto Humanitas Unisinos entrevistou o coordenador de advocacia, comunicação e cooperação da União Nacional de Camponeses de Moçambique. Eles falaram sobre a instalação do agronegócio no país, as parcerias com outras nações, as principais culturas da região, os conflitos de interesses econômicos diversos e o papel do Brasil nessa história, numa exploração que remonta aos tempos coloniais.

Enviado por José Carlos Brandes

A recolonização de Moçambique pelas mãos do agronegócio. Entrevista especial com Vicente Adriano

Do Instituto Humanitas Unisinos

“A redução da produtividade em novas terras chega a atingir 60%, o que coloca famílias em situação de insegurança alimentar. Assim, quanto maior for o avanço do agronegócio, menor será a disponibilidade de alimentos”, destaca o ativista.

Vejamos esta história. Um país que tem em seu povo uma lógica muito própria de vida. Tribos, que aos olhos estranhos podem ser vistas como primitivas, têm uma relação de subsistência com a terra. No entanto, povos europeus chegam e subvertem essa relação. O homem nativo passa a ser mão de obra, e a terra, espaço para formação de grandes monoculturas. Estamos no início do século XVI. Passam-se anos, o povo serve aos interesses dos colonizadores, surgem conflitos, e cai em miséria.

Chegamos ao século XXI e este lugar está entre o piores emDesenvolvimento Humano. Começa a se pensar uma saída. Qual? A abertura de seu patrimônio cultural e natural a estrangeiros mais uma vez, numa espécie de recolonização. Há quem possa pensar que estamos falando de Brasil. Mas, não. Falamos de Moçambique, o país do sudeste da África, agora dado à exploração de multinacionais do agronegócio. E, pasme, com significativa participação brasileira. O quadro acima é pintato por Vicente Adriano, integrante da União Nacional de Camponeses, em entrevista concedida por e-mail à IHU On-Line.

Adriano destaca que a instalação do agronegócio está sendo vista como grande forma de livrar o país da miséria. Mas o preço é alto, e o resultado ainda pode não ser o esperado. “Experiência dos últimos cinco anos tem mostrado que grandes investimentos em culturas alimentares em Moçambique respondem a uma demanda internacional por alimentos, focando a sua produção em commodities”, completa. O problema é que enquanto se manda alimento para fora, famílias são destituídas de suas terras e deixam de produzir alimentos para si mesmas. “Quem alimenta o país são os camponeses, que representam mais de 70% da população, produzindo mais de 90% dos alimentos consumidos no país.”

Países como Portugal e Brasil chegam ao corredor de Necala com suas empresas. Região que começa a ser entregue a multinacionais que se apoderam da terra, das sementes e da tecnologia e deixam os camponeses completamente reféns e ainda poluem a terra. “Enquanto os movimentos de campo trabalham na divulgação e adoção de práticasagroecológicas, o Ministério da Agricultura e Segurança Alimentar de Moçambique segue um curso diferente, apostando no uso cada vez maior de agrotóxicos”, completa, ao referenciar a prática exploratória do agronegócio. Ao longo da entrevista, Adriano ainda destaca o papel do governo e da Igreja nessa reabertura e os princípios que movimentos camponeses percorrem para defender a terra e a cultura dos nativos.

Vicente Adriano é coordenador de advocacia, comunicação e cooperação da União Nacional de Camponeses(UNAC) de Moçambique.

Confira a entrevista.

IHU On-Line – O que leva o governo de Moçambique a buscar parcerias com outros países para estimular a agricultura de exportação/de grande escala?

Vicente Adriano – Há dois fundamentos falaciosos centrais alegados pelo governo. O primeiro se deve ao fato de olhar para a agricultura de grande escala como uma resposta imediata ao problema de insegurança alimentar e nutricional, onde a situação de desnutrição crônica é mais alarmante. Os dados do último Inquérito Demográfico e Saúde (IDS), divulgados em 2013, revelam que 43% das crianças menores de cinco anos sofrem de desnutrição crônica. Porém, em algumas províncias como Nampula, Cabo Delgado e Zambézia estes dados estão acima de 50%, representando um problema grave de saúde pública cujas consequências são irreversíveis. Porém, a experiência dos últimos cinco anos tem mostrado que grandes investimentos em culturas alimentares em Moçambique respondem a uma demanda internacional por alimentos, particularmente os mercados emergentes asiáticos e o velho mercado europeu, focando a sua produção em commodities, como soja, banana e cana-de-açúcar. De fato, quem alimenta o país são os camponeses, que representam mais de 70% da população, produzindo mais de 90% dos alimentos consumidos no país.

O segundo fundamento é a alegação da criação de postos de trabalho no meio rural. Esta concepção é similar à adotada no período após a independência, que assentava na ideia de proletarização do campesinato, por via de criação de aldeias comunais, cooperativas agrícolas e empresas estatais. Esta concepção de criação de postos de trabalho é falaciosa, visto que em 1.500 hectares na agricultura camponesa trabalham aproximadamente mil famílias; ao desterrá-las, perdem o seu emprego pelo menos 2 mil pessoas e, em contrapartida, o novo investimento pode criar em cada 100 hectares dois postos de trabalho. Por exemplo, nas plantações florestais de eucalipto e pinheiros nas províncias de Niassa e Nampula, a situação é ainda pior. Em cada mil hectares são criados apenas dois postos de trabalhos locais.

Assim, devemos ver esta orientação para a agricultura de grande escala num prisma ainda maior, onde o continente africano é visto como a nova fronteira agrícola, com países como Moçambique, Etiópia e Sudão como os grandes focos do investimento em aquisições de terra. Ao mesmo tempo que este processo é acompanhado com importantes benefícios econômicos para a elite política local, que é simultaneamente econômica, por via de tráfego de influência, clientelismo e esquemas obscuros de corrupção.

IHU On-Line – De que forma a relação com investidores estrangeiros vem impactando na produção de alimentos em Moçambique? Como isso tem se refletido na economia do país? Que culturas estão sendo introduzidas em Moçambique?

Vicente Adriano – Penso que um exemplo prático ajudaria a responder esta questão. Ao nível da Província de Niassa, o governo de Moçambique tem a ambição de implantar investimentos em plantações florestais estimadas em 3 milhões de hectares, o que tornaria Moçambique um dos maiores produtores de celulose na África, ao lado da vizinha África do Sul. No entanto, o avanço das plantações florestais da Chikweti, uma empresa de capitais suecos recentemente adquirida pela Lúrio Green Resources, em aproximadamente 50 mil hectares já plantados, levou à redução drástica da produção do feijão e milho nos distritos de Sanga, Lago e Chimbonila. Isso resultou na expulsão das comunidades para terras marginais e improdutivas.

Para que se tenha ideia, a redução da produtividade em novas terras chega a atingir 60%, o que obviamente coloca as famílias em situação de insegurança alimentar. Assim, quanto maior for o avanço do agronegócio no Corredor de Nacala, menor será a disponibilidade de alimentos, o que fará aumentar os índices de insegurança alimentar na região e não só, visto que a mesma é o celeiro do país. Paralelamente, quanto menor for a disponibilidade de alimentos, a inflação localizada vai aumentando, o que obviamente tem impacto na inflação nacional.

Soja, eucalipto e pinheiro

Em termos de culturas alimentares, a de maior expressão é a soja. Por sinal, uma cultura nova introduzida em Moçambique nos anos 1980, no distrito de Gurué, Província da Zambézia, cuja produção média anual até a safra 2011/2012 era de pouco mais de 30 mil hectares. Para a presente safra 2014/2015, estima-se que sejam colhidas acima de 100 mil toneladas. Sendo que, futuramente, com programas como Prosavana e a Nova Aliança do G8, caso avancem nos moldes perversos em que foram concebidos, ainda podem aumentar a produção em milhões de toneladas produzidas pelas grandes corporações.

Casas da comunidade local abandonadas no distrito de Lago, em Niassa, devido a plantações florestais.Foto: unac.org.mz

Por outro lado, assiste-se igualmente a uma massiva introdução das plantações florestais de eucalipto e pinheiro nas províncias de Nampula, Niassa, Zambézia e Manica. As culturas são controladas por duas grandes empresas — aPortucel, de capitais portugueses, que conta com apoio financeiro do International Financial Corporation – IFC, o braço financeiro do Banco Mundial, e a Lúrio Green Resources —, ambas detendo concessões de terra de cerca de 660 mil hectares. Vale destacar que os impactos de ambas as empresas são catastróficos sobre as comunidades.

IHU On-Line – Estimativas anteriores mostram que há alguns anos o uso de adubos, tração animal ou sementes selecionadas ainda era bastante restrito em Moçambique. Como é a produção local atualmente?

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Vicente Adriano – Os sistemas informais e seculares de sementes tradicionais continuam dominando o setor, contribuindo com a disponibilização de sementes para mais de 70% da produção nacional. O maior destaque é para sementes nativas de cereais, legumes, assim como as culturas de propagação vegetativa, como a batata-doce e a mandioca. No entanto, por via da Nova Aliança do G8, deu-se a revogação de toda legislação de sementes, com a aprovação do Decreto nº 12/2013, de 10 de abril (Regulamento de Sementes), que impõe restrições no manuseio de sementes nativas, conferindo, assim, mais poder ao setor comercial das empresas, prevendo-se, no curto prazo, a entrada de gigantes como a Monsanto. Por outro lado, o mesmo instrumento, contrariamente ao Decreto nº 41/94, de 20 de setembro, autoriza o uso e comercialização dos Organismos Geneticamente Modificados, bastando para o efeito a adoção de uma legislação específica que já está sendo preparada pelo Ministério da Ciência e Tecnologia de Moçambique.

O uso de fertilizantes químicos e pesticidas em Moçambique é dos mais baixos em nível de África, estando mesmo abaixo de 5%. O tronco central da agricultura camponesa tem sido a agricultura de conservação, associada a sistemas produtivos plurativos. No entanto, enquanto os movimentos de campo, como a União Nacional de Camponeses – UNAC, trabalham na divulgação e adoção de práticas agroecológicas, o Ministério da Agricultura e Segurança Alimentar de Moçambique – MINAG segue um curso diferente, apostando no uso cada vez maior de agrotóxicos. A prova disso é a recente aprovação do Regulamento sobre Gestão de Fertilizantes, através do Decreto nº 11/2013, de 10 de abril, que em grande medida elimina as medidas restritivas que o decreto precedente impunha ao manuseio e uso de fertilizantes.

IHU On-Line – A União Nacional de Camponeses – UNAC e a Ong GRAIN revelam que muitas dessas áreas de cultivo para a agricultura de exportação desalojam camponeses do Corredor de Nacala. Qual a situação dessas famílias?

Vicente Adriano – A situação evidentemente é dramática, visto que estas famílias foram desterradas para áreas improdutivas e não têm a quem recorrer para fazer valer os seus direitos. A liberdade de expressão e reivindicação em Moçambique varia em função da localização geográfica. Ou seja, há evidências de que quanto mais distante do meio urbano as pessoas se encontram, menor é a liberdade de expressão e reivindicação, dada a repressão estrutural do aparelho governativo. Vale lembrar que os impactos cumulativos vão se tornando cada vez maiores na medida em que os planos de investimento destas empresas vão se efetivando. À medida que uma empresa que detém uma concessão de 10 mil hectares vai avançando, significará mais pessoas desalojadas.

Nos últimos anos, temos assistido a um uso abusivo, por parte do Conselho de Ministros, dos poderes que lhe são conferidos pela Lei de terras (Lei nº 19/97, de 1º de outubro), particularmente no artigo que autoriza o Conselho a conceder áreas superiores a 10 mil hectares desde que a sua efetivação seja possível tendo em conta o mapa local de uso de terra. No entanto, pode ainda ser que o ministro da Agricultura não esteja cumprindo efetivamente as competências de dar parecer sobre os pedidos de uso e aproveitamento da terra relativos a áreas que ultrapassem os 10 mil hectares.

IHU On-Line – Por que essa região é cobiçada, ainda que seja pertencente à África subsaariana?

Vicente Adriano – Há um estereótipo muito banal construído no mundo afora sobre a África subsaariana. Durante anos, foi apelidada de África Negra, sendo que muitos ocidentais e os menos atentos a consideram símbolo da desgraça, a periferia das periferias, depositária de todos os males da humanidade. Devemos ter a coragem de dizer ao mundo que a África subsaariana foi a que mais sofreu com as formas mais perversas da escravidão, que permitiu a acumulação da riqueza no velho continente europeu, que o sangue derramado pelos escravos africanos fez desenvolver substancialmente os Estados Unidos e tantos outros países. É um ato de hipocrisia ver figuras comoBarack Obama, como o fez na última reunião de cúpula entre a África e os EUA em 2014, dizer que os africanos devem deixar de se fazer de vítimas.

Na prática é o mesmo indivíduo que através da Nova Aliança do G8 para Segurança Alimentar está tirando a terra de milhares de africanos. O líder político e militar de Burkina Faso – país da África Ocidental – Thomas Sankara, como um dos líderes da revolução democártica e popular de seu país, disse: estas iniciativas para salvar a África representam na prática “uma reconquista cuidadosamente organizada da África, para que seu crescimento e desenvolvimento obedecessem a níveis e a normas que nos são completamente estrangeiros”. O mesmo sucede com o Corredor de Nacala. Como o meu falecido avô me disse: “filho, jamais te esqueças das tuas tradições ngonis, por mais que atravesses mares e passes por mil escolas, continuarás sendo da tribo likuleni”.

As riquezas subsaarianas

A África subsaariana tem mais de 800 milhões de pessoas, é depositária de inúmeros recursos, assim como é palco de interesses hegemônicos conflitantes que remontam à era colonial. Em 2010, a Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura – FAO e o Banco Mundial lançaram um relatório com o título “Savana da Guiné – sleeping giant”, que ilustra as potencialidades dessa região. Para que se tenha ideia, a Savana da Guiné atravessa 25 países da África subsaariana, incluindo Moçambique e o seu respectivo Corredor de Nacala.

A savana possui cerca de 600 milhões de hectares de terra, dos quais 400 milhões de hectares aráveis, estando apenas 10% em uso — ou seja, 40 milhões de hectares, o que representa um grande potencial para o desenvolvimento do agronegócio, com cerca de 360 milhões de hectares de terra. Porém, estes cálculos revelam uma profunda ignorância na lógica de ocupação de espaços das comunidades africanas e da função social e cultural multidimensional do uso e aproveitamento da terra, florestas e água.

É este potencial promovido por instituições como a FAO, Banco Mundial e outros organismos multilaterais em cooperação com as grandes corporações e conivência da elite política e econômica africana no poder. Isso confere regiões como o Corredor de Nacala em Moçambique, Corredor de Mtwara e Tazara na Tanzânia, com grandes focos de investimentos em agronegócio.  

IHU On-Line – Relatório da UNAC e da organização internacional GRAIN, concluido esse ano, constata que várias empresas que atuam em Moçambique são registradas em paraísos fiscais e offshores com ligações estreitas às elites políticas moçambicanas e que estão explorando terras no Corredor de Nacala e fazendo fortuna ao estilo da época colonial. Quais as implicações desta constatação?

Vicente Adriano – A primeira implicação é que o envolvimento das elites políticas nacionais fragiliza qualquer tentativa de fazer vingar a lei. Assim, fica-se claramente numa situação de conflito de interesse entre o público e o privado. Abre espaço para o clientelismo, corrupção e atropelo a todos os procedimentos legais. A segunda é que este é um mecanismo que permite a evasão fiscal por estas empresas, o que multiplica os seus lucros. Terceira: há uma restrição no acesso à informação em relação às operações financeiras, à natureza de atividades. Isto pode permitir o envolvimento das empresas em outras operações, não sendo necessariamente as aprovadas pelos seus planos de investimento.

IHU On-Line – Nesse mesmo relatório é apontada a volta do colonialismo português. Em que consiste esta ideia e como o Brasil tem se portado diante desse cenário?

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Vicente Adriano – Constatamos que partes das empresas portuguesas que regressam a Moçambique são firmas que remontam ao tempo colonial. Muitas acumularam riqueza durante este período em Moçambique e outras colônias. Ocorre que, após a independência, houve a nacionalização destas antigas fazendas. Fazendas que passaram a pertencer a camponeses e camponesas cultivando culturas alimentares, contrariamente às culturas de exportação cultivadas pelos colonos (tabaco, algodão e sisal), o que à luz da lei de terra lhes confere hoje o Direito de Uso e Aproveitamento de Terra (DUAT).

No entanto, hoje, constata-se que estas famílias estão sendo expulsas para dar lugar às velhas empresas colônias, cujo modelo de exploração é semelhante ao do período colonial. Ou seja, com a produção de culturas voltadas para exportação (soja, algodão, tabaco, milho).

O papel do Brasil

O envolvimento do Brasil deve ser visto sob duas perspectivas. A primeira é governamental. Através de sua política externa, o Brasil se alia às potências tradicionais na concepção e implementação de iniciativas do agronegócio. É o caso da parceria com o Japão para o desenvolvimento do Prosavana, tendo como base a experiência acumulada durante anos no desenvolvimento do desastrosoPrograma de Desenvolvimento do Cerrado Brasileiro – Prodecer. Na sua parceria com os Estados Unidos, através da atuação conjunta entre a Embrapa e a USAID (agência norte-americana que trabalha o desenvolvimento internacional), o Brasil assume um papel de potência subimperialista, como servidor dos EUA, mas assegurando os seus interesses.

A segunda perspectiva deriva de uma percepção pessoal. Noto que a política externa brasileira foi capturada pelos interesses das grandes corporações transnacionais. A mesma não representa necessariamente o ideal da cooperação horizontal Sul-Sul e tampouco o Interesse Nacional do Brasil. O avanço das empresas do agronegócio brasileiro para Moçambique ilustra essa matriz de servidão da política externa para com o investimento privado. Trata-se de uma situação similar ao papel assumido pelo Brasil para com os seus países vizinhos, como o Paraguai, e não só, que levou à constituição da famosa República da Soja.

IHU On-Line – Brasil e Japão são os principais parceiros do governo de Moçambique na implantação desse novo sistema de produção de alimentos através do programa Prosavana. No que consiste esse programa? Quais os principais problemas que percebem com o programa Prosavana?

Vicente Adriano – Em relação ao Prosavana, as grandes demandas das organizações da sociedade civil e movimentos do campo de Moçambique foram muito bem sintetizados na Carta Aberta para Deter o Prosavana.

O documento é dirigido ao então presidente de Moçambique, do Brasil e ao Primeiro-Ministro japonês, e não teve uma resposta elucidativa por parte dos três governos. A este documento associam-se as demandas apresentadas pelaCampanha Não ao Prosavana.

IHU On-Line – O Brasil tem sua história marcada pela exploração por parte de colonizadores de povos e terras indígenas, impondo o sistema de produção de alimentos que subverte totalmente a lógica dos povos nativos. Agora, em 2015, acredita que o Brasil esteja agindo da mesma forma com o povo moçambicano?

Vicente Adriano – Se o Brasil explora o seu próprio povo, como se pode esperar que faça diferente com outros povos? Obviamente, a intervenção do Brasil no âmbito do agronegócio espelha a mesma matriz exploratória. Programas como oProsavana apresentam vícios insanáveis de concepção, e que em nada respondem às demandas soberanas do meu povo. Pelo contrário, destroem e desvirtuam uma agenda voltada para a soberania alimentar que vem sendo construída pelos movimentos do campo.

Ainda pior é que a política externa do Brasil, no caso do Prosavana, conduzido pela Agência Brasileira de Cooperação – ABC, não apresenta mecanismos de diálogo e abertura. Pelo contrário, limita-se a se desculpar, atribuindo toda a responsabilidade ao governo de Moçambique, com o pretexto de que a ABCapenas promove a cooperação técnica.

IHU On-Linde – A história do povo africano tem outro ponto em comum com o Brasil. A chegada de missionários deu início a uma desculturalização. Os nativos eram catequizados enquanto trabalhavam e cediam suas terras aos colonizadores. Hoje, qual a postura da Igreja diante do que ocorre em Moçambique?

Vicente Adriano – A respeito disso, o fundador da nação queniana, Jomo Kenyatta, disse: “quando os missionários chegaram, os africanos tinham a terra e os missionários tinham a Bíblia. Eles nos ensinaram a rezar de olhos fechados. Quando nós os abrimos, eles tinham a terra e nós tínhamos a Bíblia”. Penso que, após a independência, o papel da igreja na questão agrária passou a ser marginal. Com a política da socialização do meio rural introduzida pelo então governo socialista, que tinha em vista a proletarização do meio rural por via das aldeias comunais, as cooperativas de produção e as empresas estatais, o papel da igreja passou a ser secundário. Até porque, neste período, adotou o slogan marxista da religião como o ópio do povo, assim como o combate ao obscurantismo.

Penso que hoje a igreja está mais sensível às questões globais da defesa dos direitos humanos, incluindo a questão agrária. No entanto, dada a pressão política, muitas congregações religiosas não se posicionam publicamente. Assistimos a alguma abertura, por exemplo, do lado da Conferência Episcopal da Igreja Católica. Mas esperamos maior engajamento. Em regiões de maior incidência de conflitos como em Nampula, vê-se uma intervenção das Comissões Pastorais de Terra da Cidade de Nampula e de Nacala. Esperamos que estas frentes se multipliquem e os gritos de pressão aumentem junto do governo para que se altere este cenário negro.

IHU On-Line – O Brasil vive o chamado conflito da terra e tem muitas dificuldades de realizar um projeto eficaz de reforma agrária. UNAC e GRAIN acompanham esse processo? Como veem esse processo e qual a relação que podem fazer com a situação de Moçambique?

Vicente Adriano – Temos acompanhado as lutas dos nossos irmãos brasileiros, particularmente por uma reforma agrária cujas jornadas seguem em marcha há mais de três décadas. Como movimento do campo, a UNAC é solidária a esta luta e pensamos igualmente que o acesso à terra precisa ser democratizado, assegurando o cumprimento da sua função social. Não só a terra, mas todos os bens (terra, água, florestas, minérios, ar e outros) pertencem ao povo e não devem ser capturados por uma pequena elite no poder, ou pelas nações mais poderosas.

A situação de Moçambique e a do Brasil são diferentes, mas caminham no mesmo sentido. Os movimentos do campo no Brasil lutam pelo acesso à terra. Osmovimentos moçambicanos lutam para preservar a terra, a maior conquista que ganharam com independência. Porém, a situação de Moçambique, com o avanço do agronegócio, tende igualmente a levar ao surgimento de grupos de famílias e comunidades sem terra.

Os movimentos do campo de Moçambique e do Brasil têm uma pauta comum. Ela consiste em garantir que: a edificação da soberania alimenta, assegurando a transformação social para um estado de justiça social, econômica, política e cultural.

IHU On-Line – Em 2013, foi realizada a primeira Conferência Triangular dos Povos. O encontro discutiu a forma como a terra em Moçambique vem sendo explorada. Quais os avanços conquistados desde então?

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Vicente Adriano – Mais do que discutir a forma como a terra vem sendo explorada, a primeira Conferência Triangularem 2013, assim como a segunda em 2014, tiveram o mérito de congregar as grandes pautas de luta dos movimentos do campo, comunidades, organizações da sociedade civil de Moçambique, Brasil e Japão, em torno do Prosavana. Também quer apresentar propostas alternativas e este modelo de desenvolvimento agrícola. A grande conquista destes movimentos foi a consolidação da sua unidade, ao mesmo tempo que conseguiram alterar o avanço de algumas componentes do Prosavana, como a instituição de um Banco de Terra e a avalanche de investidores brasileiros ávidos pelas terras do Corredor de Nacala; assim como retardaram o lançamento do Plano Diretor do Prosavana, nos moldes perversos em que fora concebido, dando uma oportunidade aos governos para instituição de mecanismos de um diálogo democrático, inclusivo e transparente. Porém, penso que ainda há um longo caminho de lutas e resistência a ser trilhado.

IHU On-Line – Moçambique — e a África de um modo geral — é visado pela exploração de minerais. Há, inclusive, empresas brasileiras atuando nessa área. Em que condições se dá a exploração de recursos naturais e da mão de obra através da mineração?

Vicente Adriano – Os recursos minerais devem ser vistos como patrimônio dos povos, cabendo a estes decidir os moldes e mecanismos do seu aproveitamento. No entanto, a prática nos mostra que estes são assumidos como uma oportunidade da elite no poder de tirar o maior proveito dos mesmos. Daí, que mais do que uma bênção, estes se transformam em maldição para milhões de pessoas um pouco pelo mundo. E, nos casos mais extremos, como o daRepública Democrática do Congo, em fonte de conflito armado.

No caso de Moçambique, a exploração do carvão mineral na província de Tete evidencia este desrespeito pelas comunidades locais. Lá, assistimos reassentamentos compulsivos, condições de trabalho deploráveis. Para que se tenha ideia, olhando para os investimentos da Vale, Rio Tinto, Jindal e Minas do Rovubue, perto de 5 mil famílias foram sujeitas a reassentamentos, quer pela atividade mineira direta ou para infraestruturas de logística. Além disso, prevê-se que nos próximos três anos estes números ultrapassem 10 mil famílias, com a entrada plena dos novos investimentos.

IHU On-Line – Moçambique tem um dos piores Índices de Desenvolvimento Humano, segundo a Organização das Nações Unidas – ONU. Quais são os principais problemas e como superá-los sem dizimar com os recursos naturais e a cultura local?

Vicente Adriano – Trata-se de uma questão complexa, no entanto a resposta reside na estrutura da nossa própria economia. Os dados revelam que a agricultura contribui com quase 25% do Produto Interno Bruto – PIB, emprega 81% da população economicamente ativa, dos quais mais de 95% são camponeses, e responde pela produção de mais de 90% de alimentos. Em contrapartida, analisando o orçamento, nota-se que no último quinquênio foram alocados em média apenas 5% do orçamento para a agricultura. Isso contraria a declaração de Maputo de 2003, em que os líderes africanos se comprometeram a incrementar o orçamento para agricultura em pelo menos 10%. Para piorar este cenário, dos 5% alocados à agricultura, perto de 60% destes recursos ficam ao nível central, entre 10% a 20% a nível provincial, e pouco mais de 20% vai para investimento na produção. Vale lembrar que o setor da defesa recebe mais recursos do que a agricultura.

Na última década, a economia moçambicana cresceu em média 7%. No entanto, os índices de redução da pobreza estagnaram a partir de 2012, estando hoje em 54%. Em algumas províncias, a pobreza aumentou. É o caso da província de Gaza, a sul de Moçambique. Este cenário é o reflexo das prioridades de desenvolvimento do país, cujo crescimento econômico é sustentado pelo setor extrativista, de construção, e não no investimento nas pessoas. Paralelamente se constata uma redução de investimentos nos setores sociais, como a saúde, cujo sistema público continua com problemas profundos ao mesmo tempo que a sua cobertura nacional é limitada.

Incentivos fiscais aos “exploradores”

Os incentivos fiscais dados aos grandes investimentos como a Vale são inaceitáveis. Não se justifica que o cidadão comum tenha que pagar mais impostos, ao passo que as grandes empresas gozam de isenções fabulosas. Isso reduz a capacidade de arrecadação de receitas pelo estado, que poderiam ser investidas em outros setores.

Por outro lado, a corrupção, o clientelismo e o nepotismo minam a administração pública, provocando prejuízos avultados para o povo. Estes são males que precisam ser combatidos. No entanto, os que presumivelmente deviam fazer valer a lei são os infratores, pelo que, não se pode ser juiz em causa própria. 

IHU On-Line – Como é possível melhorar a qualidade de vida destas pessoas, sem que elas necessariamente tenham que perverter sua cultura perante a lógica produtivista e exploradora do agronegócio internacional?

Vicente Adriano – Os nós de estrangulamento para a agricultura já foram identificados por diversos estudos e relatórios, incluindo potenciais saídas. Se olharmos para a extensão pública veremos que, nos anos 1980, Moçambique tinha pouco mais de mil extensionistas. Hoje, o país conta com perto de 1.300 extensionistas para assistir a cerca de 7 milhões de hectares cultivados. É impossível. O aumento da rede de extensionistas é uma questão emergencial.

O setor das sementes foi totalmente destruído pelas políticas do ajustamento estrutural. A pesquisa deixou de estar a serviço da extensão. Assim, a massificação de produção de sementes adaptadas às condições locais deve ser uma prioridade.

Falta de investimento na irrigação

As infraestruturas de apoio à produção destruídas durante a guerra dos 16 anos nunca chegaram a ser reabilitadas e tampouco foram pensadas novas formas de infraestruturas. Isso faz com que o país, por exemplo, aproveite apenas 6% do seu potencial de irrigação, considerado o nível mais baixo entre os países da Comunidade para Desenvolvimento da África Austral – SADC. Revelam-se cruciais investimentos em microssistemas de irrigação, principalmente à gravidade ao serviço dos camponeses e camponesas, e não os investimentos que estão sendo feitos pelo governo em grandes regadios que posteriormente são entregues à gestão privada e assinados contratos de exploração dos referidos hectares, cabendo aos camponeses se instalarem junto de canais terciários.

Juros elevados

As taxas de juros praticadas pelos bancos comerciais acima de 20% são proibitivas ao campesinato. As taxas praticadas pelas instituições públicas (Fundo de Apoio a Reabilitação Econômica e o Fundo de Desenvolvimento da Agricultura) oscilam entre 10% a 15%, sujeitas a garantias. Ou seja, são igualmente inviáveis. O único financiamento compatível com os camponeses, o Fundo de Desenvolvimento Distrital (FDD) foi politizado, o que exclui o grosso número de camponeses. Neste campo penso que o papel do estado em criação de créditos realísticos e bonificados é crucial, ao mesmo tempo que as iniciativas de economia social solidária promovidas pelos movimentos do campo têm jogado um papel central.

Associado às questões já arroladas, penso que o país precisa desenvolver políticas endógenas de apoio à comercialização agrícola. Necessita de mais infraestruturas associadas ao impulso de atividades produtivas. É fundamental, ainda, a adoção de programas sociais visando à criação de mercados formais institucionais, tendo em vista o alcance da soberania alimentar.

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18 comentários

  1. Tem um ponto intrigante.

    Logo no início da entrevista tem um ponto intrigante nas declarações de Vicente Adriano em que ele diz:

    ” Esta concepção de criação de postos de trabalho é falaciosa, visto que em 1.500 hectares na agricultura camponesa trabalham aproximadamente mil famílias; ao desterrá-las, perdem o seu emprego pelo menos 2 mil pessoas e, em contrapartida, o novo investimento pode criar em cada 100 hectares dois postos de trabalho.”

    Em 1500 hectares não se sustentam mil famílias nunca, isto daria 1,5 hectar por família, não permite nem uma agricultura de subsistência.

    Parece que em estados mais desenvolvidos no Brasil, em regiões junto as cidades o módulo rural, a dimensão mínima para que o agricultor viva é em torno de 7 hectares, isto mesmo para produção de hortifrutigranjeiros.

    Logo as contas não fecham, pois achar que um agricultor moçambicano poderá sobrevir com 1,5 ha, ou seja, com 1,5x100x100m² (15.000m²) é conservá-lo na miséria eterna.

    • São realidades sócio-econômicas muito distintas.

      Incrível achar gente que se arrota de “esquerda” apoiando a concentração capitalista da terra, com o despejo de milhares de famílias. Trata-se de sociedades camponesas tradicionais, existentes de maneira muito ampla na África, Índia, China, em diversos lugares da Ásia, em alguns países da América, mas praticamente desaparecido do Brasil. A produção é apoiada em trabalho braçal e familiar, nada mecanizado; são cultivos de subsistência e criação de pequenos animais.

      Ainda que fossem necessários sete e meio hectares por família, isto implicaria em despejo de duzentas famílias. Não há estruturas econômicas na sociedade moçambicana para absorver, o imenso êxodo rural que a disseminação do agronegócio traria para essas comunidades camponesas, com a expulsão de milhões de suas terras. No Brasil, com o enorme surto de industrialização verificado dos anos trinta aos oitenta do século passado, ainda assim, não conseguimos até hoje integrar satisfatoriamente as massas que vieram parar nas cidades, onde existem enormes bolsões de miséria e exclusão social, carentes de infraestruturas de serviços urbanos, de educação, saúde e emprego.

      Agora, imagine tal situação em país paupérrimo e sem capitais para promover industrialização e desenvolvimento de suas cidades; um país que deixou de ser colônia há menos de quarenta anos e foi devastado por uma guerra civil, por quase duas décadas, incentivada pelo EUA associado ao regime de Apartheid? Incentivar, dar prioridade ao modelo do agronegócio capitalista, com sua brutal concentração de terras, marginalização e exclusão das sociedades camponesas e tribais, chega a ser genocida, mas há uma certa “esquerda” que enxerga nisso “progresso”, “desenvolvimento”, “evolução” (“vamos evoluir”, não é mesmo?), enfim, que todas misérias e desgraças promovidas na implantação do modelo seriam “virtuosas”.

      • Razões muito simples.

        Nos países desenvolvidos há um mercado para uma produção baseada em produtos especiais como mel, champinhons, flores, ou alguns hortifrutigranjeiros e outras produções com alta tecnologia. Porém  este tipo de produção tem um mercado extremamente restrito e só consegue produzir um mínimo para ser vendido a preços razoáveis e com isto comprar alimentos e outras necessidades básicas.

        Entretanto a produção africana baseada e mandioca, batata doce e outros cereais, além de não serem suficientes para alimentar corretamente a família o valor de venda desses produtos não conseguem que seja obtida renda suficiente para suprir as outras necessidades.

        No Brasil criou-se a figura do módulo rural que é variável de município a município exatamente para evitar isto, ou seja, abaixo de um módulo rural verifica-se a inviabilidade da exploração da terra.

        No caso dos países africanos é possível fazer uma política de agricultura familiar voltada para a produção de alimentos, entretanto não se pode simplesmente torturar os dados por ideologia. Imaginem em Moçambique cem mil famílias produzindo mandioca, batata e outros cereais, para quem eles venderiam? Para seus vizinhos que plantam mandioca, batata e os mesmos cereais? Ou teriam que se deslocar centenas de quilômetros para vender cinquenta quilos de farinha de mandioca para as populações urbanas com baixo nível de renda.

        É uma ilusão e um verdadeiro crime contra as populações africanas, dar uma fração abaixo da mínima necessária para que possam por exemplo plantar estes mesmos produtos e com estes produzirem proteína vegetal, como porco e aves que além do sustento tem um valor maior na comercialização.

        Não adianta se fazer fantasias sobre o futuro de toda uma população em minifúndios pois em todos os países que a partição da terra chega a estes níveis os agricultores abandonam as suas terras não porque alguém os expulsa, mas porque a fome e a miséria os expulsam.

        No Rio Grande do Sul há centenas de propriedades que foram vendidas, transformadas em sítios de lazer ou até mesmo abandonadas por simplesmente não fornecerem condições de sustento as famílias, a migração para as cidades ocorreram mais pelo fracionamento por herança do que por outros mecanismos, quando a superfície de cada herdeiro atinge um valor abaixo do mínimo simplesmente os agricultores migram. Nas zonas em que a declividade do terreno não permite a mecanização agrícola simplesmente as terras são abandonadas, voltando a vegetação nativa ou eram vendidas ou arrendadas para reflorestamento de acácia, pinus ou mesmo eucalipto.

        Esta visão de pequenos e felizes agricultores cuidando e vivendo em terras minúsculas é possível em países europeus, em que o rendimento obtido por subsídios é maior do que o rendimento da própria produção, mas isto é Europa, não é Ásia, América Latina e muito menos a África.

         

        Talvez o mais importante de tudo, que esqucem os ideólogos da manutenção da agricultura tradicional africana é que há cem, duzentos ou trezentos anos o que permitia as formas tradicionais da agricultura era a seleção natural aplicada aos agricultores, a cada grande seca, grande parte da população morria de fome e doenças, mantendo a população estável e equilibrada com a quantidade de terra disponível. Os dados demográficos são incontestáveis, em 1950 a população de Moçambique era de 6,5 milhões de pessoas e já em 2013 estima-se em 25,8 milhões, e os 6,5 milhões em 1950 já era uma população bem maior do que a população antes da colonização (algo em torno de 3 a 4 milhões de pessoas). Talvez os nossos amigos naturalistas achem isto o ideal, pois afinal de contas é a natureza que regula. Não sou naturalista!

        • Comparação absurda, Moçambique não é o Rio Grande.

          O Rio Grande do Sul faz parte de um país independente há dois séculos, é uma sociedade praticamente urbana, com economia industrializada e um setor de serviços bastante estruturado; ainda assim, uma parcela significativa de sua população vive em situação precária nas periferias das cidades, em grandes bolsões de pobreza e miséria, em condição de exclusão social. A população moçambicana é esmagadoramente rural, a industrialização é incipiente, o setor de serviços bastante frágil; desestabilizar a economia rural numa situação dessas, com concentração de terras e massivo êxodo rural para as cidades, provocaria uma calamidade genocida.

          Quem produz noventa por cento dos alimentos do país são os camponeses, agronegócio é voltado para o mercado externo; como todo negócio capitalista, ele produz mercadorias, enquanto que o modo de produção dos camponeses é de subsistência, voltado para suas necessidades de alimentação. Você como idiota se pergunta para quem os camponeses venderiam sua produção, não lhe ocorre que eles a comem, daí ser chamado de subsistência sua economia, só de maneira marginal a produção vira mercadoria;  desterrados, não teriam como se alimentar. Uma plantação de eucaliptos que desloque mil famílias não produz alimentos e nem empregos para os camponeses deslocados; ninguém come papel e celulose, uma planta moderna de produção dessas commodities não absorve sequer mão de obra camponesa, exige mão de obra capacitada e em quantidade extremamente inferior àquela desterrada, pelas plantações necessárias  ao seu desempenho.

          Sua histeria antiambientalista lhe provoca cegueira, você foi incapaz de ler as credenciais do entrevistado, Vicente Adriano. Ele não fala em nome de nenhum movimento ambientalista, ele advoga para o movimento dos camponeses de Moçambique, um movimento social com características semelhantes ao do MST ou dos agricultores familiares no Brasil. Suas  reivindicações e seu posicionamento político refletem as posições dos camponeses organizados em seu país. Você se arvora em querer saber mais o que interessa aos camponeses moçambicanos, do que os próprios.

          O desenvolvimentismo que você abraça é o mesmo da Katia Abreu, do mesmo projeto colonialista que os milicos tinham para a Amazônia, colonialismo que o capitalismo agromercantil quer reimplantar na África; não há espaço para a reforma agrária nesses projetos, tanto que foi paralisada no governo Dilma, e a agricultura familiar é marginalizada, recebe pífios recursos em comparação ao agronegócio. Enfim, você faz aí acima uma defesa do colonialismo em Moçambique – traz até números pra mostrar que ele “beneficiou” os moçambicanos fazendo-os crescerem – e do imperialismo das multinacionais do agronegócio e ainda se diz de “esquerda”, usando argumentos de direita para desacreditar um movimento popular de camponeses, os mesmos que a direitona usa para justificar a concentração de terra. Você é um cretino.

          • Quem sofre de bloqueio mental não sou bem eu.

            O que está bem claro e quantificável são os números apresentados no texto, e não fui eu que os criei.

            Se um movimento propõe o reforço da agricultura familiar não pode começar propondo a criação de núcleos de pobreza absoluta rurais. Deslocar massas que já haviam migrado para as cidades de novo para o campo e colocando-os em situação de risco mais sério que nas cidades é simplesmente um crime, o Khmer Vermelho já fez isto, e a história mostrou o seu preço.

            Abaixo de uma determinada área, não há possibilidade de sobrevivência de uma agricultura tradicional ou mesmo com algum grau de desenvolvimento tecnológico, se este movimento popular moçambicano está propondo isto ou é um movimento altamente despreparado ou altamente mal-intencionado. Podes gentilmente, como fizeste, me qualificar como cretino, porém não sou Burro. E se alguém do tal Instituto Humanitas Unisinos visitou estes companheiros deveria ao menos alertá-los do possível crime que estão propondo e não replicá-los em um elogio.

            Por não ser burro, e vendo que o viés ideológico ambientalista obscurece a tua visão, vejo que claramente não responde as minhas observações, como em 1,5ha uma família africana poderia com uma agricultura tradicional sobreviver ao mínimo acima do grau da miséria?

            A semelhança deste movimento moçambicano com o MST talvez esteja no falar português, pois jamais o MST ou qualquer movimento de reforma agrária no Brasil proporia a colocação de agricultores em áreas que mais servem para chácaras de lazer do que uma propriedade rural de economia familiar. Stédile e seus companheiros podem por seus opositores receber denominações, do mesmo tipo que tu usas quando não tem mais argumentos, de idiota ou de imbecil e outras coisas que povoam o teu vocabulário, mas ninguém em sã consciência poderá chamar Stedile de BURRO.

            Esta visão de camponeses caminhando felizes cantando canções da revolução da nova economia verde para suas chácaras para plantar alfaces e pepinos, talvez esteja no imaginário dos ecologistas alemães, franceses e luxemburgueses, porém aplicar esta imagem a países subdesenvolvidos é UM CRIME.

            Sem conhecer a realidade agrícola de Moçambique, mas fazendo um paralelo com módulos mínimos para uma sobrevivência digna que em regiões mais longínquas do Brasil, para um agricultor e sua família sobreviver eles vão ter que no mínimo possuir uma área entre 40 a 70 hectares, com isto eles conseguirão a sua sobrevivência e a geração de um excedente que poderá ser transportado de forma econômica às cidades que consumirão seus produtos. Isto não é uma questão de vontade política ou de alinhamento ideológico, é simplesmente uma questão de capacidade de produção da terra, de custo de transporte e outras variáveis reais.

            Como já disse, até cretino posso ser, mas não sou burro.

            (Talvez comer alface demais e não se alimentar de proteína animal, consuma os neurônios lentamente, agravando os sintomas de perda de QI)

          • O embotamento mental é todo seu, e moral também.

            Você trouxe números para justificar o colonialismo português, pois, segundo os números trazidos por você, a situação dos moçambicanos “melhorou” muito, com tráfico negreiro e tudo, desde que os portugueses começaram a explorar a colônia no século XVI (“em 1950 já era uma população bem maior do que a população antes da colonização”). 

            Um camponês tradicional explora uma pequena área, porque sem ferramentas adequadas, sem tecnologia, sem mecanização, sem arado e um  animal de tiro, sem energia, ele não consegue cultivar áreas maiores. Na base da enxada, ninguém consegue cultivar somente com a família, os “40 a 70 hectares” que você imagina para os agricultores moçambicanos. 

            O portal Brasil de Fato, ligado ao  MST, tem muitas matérias de apoio à luta dos camponeses moçambicanos e a UNAC; denuncia as investidas do agronegócio brasileiro naquele país e o ProSavana, basta pesquisar que se acha matérias como esta: http://www.brasildefato.com.br/node/12405 (O que quer o Brasil com o ProSavana?). A luta dos camponeses de Moçambique é uma luta pela sobrevivência.

            Você confessa desconhecer a realidade moçambicana (“Sem conhecer a realidade agrícola de Moçambique”), mas mesmo assim, na sua arrogância ignorante e estupida quer desacreditar quem vive aquela realidade, a UNAC e os camponeses moçambicanos, e aqueles que divulgam os seus clamores, como o IHU, o Brasil de Fato, o MST e outros. Você não é apenas o cretino que admite ser (“até cretino posso ser”). Você é um verme, que na sua cruzada reacionária antiambientalista, lança mão da defesa do colonialismo, do latifúndio agromercantil, do imperialismo de corporações do agronegócio, e ainda quer se passar de “esquerda”.

          • Quem disse que com um arado com tração animal …

            Quem disse que com um arado com tração animal não é possível cultivar mais que 1 hectare?

            Se o sujeito tem 1,5 hectare ele não cultiva nem 0,5hectare por ano, tem que deixar a terra descançar, tem que ter lugar para outras coisas, só olhando uma propriedade rural que se vê como é a lida.

            Com mais área ele tem um boi para puxar o arrado, uma vaca para dar leite (ou cabras no caso africano).

            Tá bom sou cretino, como tu dizes, mais verme e provalvemente mais “elogios” de um sujeito equilibrado como tu. Porém insisto, não sou burro e não acho que as pessoas devem morrer de fome.

            Astes de ficar dizendo um monte de bobagens procure algum agronomo teu amigo e peça para ele te falar sobre como se faz uma boa exploração familiar, não estou defendendo o agronegócio, mas tu estás defendendo um negocio-de-agricultura, sem pé nem cabeça, sem racionalidade e sem o mínimo criitério.

            Pergunte também ao MST se eles aceitam fazer reforma agrária no Brasil dando para cada agricultor 2 hectares para cada família lá no interior do Mato Grosso ou outro estado pioneiro, eles vão rir de ti, ou vão ficar brabos, esta é a questão, o resto é sonho de comedor de alface (e brócolis, tem mais ferro!).

          • Você não leu a entrevista que comenta.

             Bastou ler o nome há IHU, para associá-la a causa ambientalista, quando se toca nessa  questão você se eriça, “sente urticária”, como já confessou. O entrevistado é porta-voz de um movimento de camponeses do seu país, a UNAC, conhece a realidade do que fala. Na maior parte da entrevista ele aborda temas de interesse da econormIa camponesa. Não é a criação de latifúndios que resolverá os problemas dos camponeses, isto agrava a situação, expulsa-os para periferias de cidades onde já é enorme o número de excluídos sem chances de emprego. 

            O que os governos do Brasil e Japão fazem com o projeto ProSavana é incentivar criação de latifúndios. Basta o atual governo estar metido em algum projeto, para você acriticamente apoiar. Se ele incorpora no seu ministério uma latifundiária e representante do agronegócio, pronto, você passa não só a dar vivas ao latifúndio e às multinacionais do agronegócio, mas chega até a defender o neocolonialismo, o velho colonialismo e o imperialismo.

            Mocambique tem uma renda per capita de seiscentos dólares, no Brasil ela atinge doze mil, vinte vezes maior, não cabe comparações de módulos ideais para assentamentos aqui, com a realidade de lá. Aqui, com dois mil dólares de renda familiar mensal, leva-se uma vidinha de classe média no arame, com isto lá se faz parte da elite. Uma discrepância extrema  das rendas médias, na ordem de vinte vezes, descreve realidades sócio-econômicas também extremamente distintas, não cabe transplantar soluções ideais de um país para o outro. Os camponeses moçambicanos pedem apoio para a agricultura nos módulos em que eles a aplicam e arrumam sua sobrevivência, não é criando e incentivando latifundios, que expulsam camponeses para cidades sem empregos, que se vai ajudar a sobrevivência deles.

            Pelo mundo afora, os movimentos dos camponeses e pequenos agricultores se aproximaram da causa ambiental, eles começaram a se conscientizar que são as maiores vítimas dos desequilíbrios do eco-sistema, da pauperização dos solos, do envenenamento por agrotóxicos, da perda da biodiversidade; todas essas pragas são trazidas e incentivadas pelo modelo latifundiário do agronegócio, então, na condição de vítimas eles as denunciam. Como você é um militante e porta-voz do antiambientalismo, é muito coerente da sua parte apoiar os latifúndios, as multinacionais do agronegócio e seu imperialismo dos projetos neocoloniais.

          • Pior cego é aquele que é caolho!

            Uma coisa é certa, abaixo de determinado valor mínimo de quantidade de terra é impossível sair do limite da miséria (não estou dizendo da pobreza, estou falando da miséria), este valor está longe de latifúndios que falas com insistência, ou é a miséria ou é o latifúndio.

            Países africanos ainda tem uma densidade populacional que permite que uma parte significativa de sua população viva com dignidade com produção familiar.

            Mesmo nestes lotes mínimos que EU FALO, será necessário a ajuda e a assistência rural para que os agricultores aliando práticas tradicionais e milenares de cultivo com práticas modernas inclusive com mecanização utilizada por grupos de agricultores, porém fascinado por qualquer coisa que escrevem esquece que a terra não faz milagres, e que uma vida digna não é somente ter um prato de comida. As pessoas precisam educação, saúde e até lazer, e vivendo abaixo o nível da miséria só sobreviveriam como animais.

            Agora que se a IUH, na ânsia de provar qualquer coisa disse besteira, não é por eles serem fantásticos e maravilhosos que tudo que eles falam é verdade.

            Quanto a questão de latifúndios como solução para qualquer coisa, leia o que escrevi e me diga onde apoio isto, só disse que outros disseram bobagens, e se bobagens propagadas é algo extremamente perigoso, o Khmer Vermelho começou assim.

            Um pouco de espírito crítico e modéstia, nunca é demais.

          • Comprova que não leu a entrevista.

            Ninguém falou em forçar populações urbanas para retornarem ao mundo rural, em nenhum lugar está escrito isto, mas você no seu delírio vem com esse papo de comparação ao Khmer Vermelho, mais um pouco vai chamar o entrevistado de terrorista. A UNAC é um movimento legítimo dos camponeses, tem existência legal, seus objetivos são pacificos, mas você se presta a difamar a organização, tal qual nossa direitona e os latifundiários ligados a UDR fazem com o MST. Isto demonstra bem o lado que você escolhe.

            Você se apegou a um detalhe da entrevista, que distorceu ao seu gosto, para tentar desacreditá-la inteira. Quando ele compara um latifúndio de mil e quinhentos hectares e o baixíssimo número de empregos que gera, em relação a mil ocupações familiares da tradicional agricultura camponesa do seu país, ele quer com isto demonstrar a falácia de geração de empregos, pois o latifúndio provocaria o deslocamento de quase mil famílias, que ficariam sem sustento, sem meios de sobrevivência. As cidades moçambicanas estão longe de estar aparelhadas para receber êxodo rural massivo, haveria fome, é preferível mil famílias ocupadas e obtendo o que comer na agricultura tradicional, do que passando fome na exclusão social das periferias urbanas. Será difícil entender isto?

            O entrevistado protesta contra as políticas em prol da formação de latifúndios agromercantis no seu país; é disso que se trata o projeto ProSavana que o governo brasileiro incentiva na África, esse projeto não contempla pequenos agricultores, aliás, não é só na África em que o governo brasileiro prioriza latifúndio do agronegócio, por aqui também os latifundiários recebem mais apoio do que os pequenos agricultores. O objetivo da entrevista é denunciar a política neocolonialista que o governo brasileiro está promovendo.

            Ele quer terras, financiamentos, incentivos, ajuda técnica, apoio para os camponeses e a pequena agricultura. Se você está preocupado em aumentar o tamanho das ocupações de terra das famílias moçambicanas, eu pergunto, o projeto ProSavana e os governos do Japão e do Brasil estão fazendo isto, criando minifúndios, ou gerando latifúndios? Então, por que você apoia a política latifundiaria e ataca o entrevistado como um radical do Khmer Vermelho? Leia a entrevista com cuidado e sem sua birra preconceituosa, para aprender a respeitar a luta dos camponeses de Moçambique. Ao apoiar o governo brasileiro nessa empreitada e desacreditar um militante moçambicano que a denuncia, você está, sim, apoiando a criação de latifúndios em terras africanas.

          • Quanto a demografia africana.

            Quanto a demografia africana tem dois dados que certamente tu desconheces, há os imensos massacres feitos em diferentes partes da África e estes massacres foram feitos exatamente após o maior desatre ecológico que se conhece no mundo, a morte do gado bovino e bufalino provocado pela peste bovina durante o fim do século XIX.

            Aproximadamente 95% do gado africano morreu de peste (é só pesquisar e veras que é a verdade) e o que permitiu que os europeus ocupassem o centro e o sual da África foi exatemente a fome e a miséria que levou esta peste, se ela não tivesse ocorrido a história da África seria outra.

            O mais interessante é que esta peste foi levada por missionários italianos que levaram gado europeu (onde a peste era endêmica) para o chifre da África, em menos de dois anos chegou à África do Sul, e os Ingleses conseguiram ganhar a guerra contra os Zulus porque eles já estavam debilitados, pois senão além de ter ganho a Primeira guerra os Zulus teriam ganhado a segunda, a terceira, a…….

            É interessante os nobres missionários mataram milhões de pessoas, um século depois, também bem intensionados, os comedores de alface querem matar mais outros milhões.

            Como diz o ditado: O inferno está cheio de boas intensões.

          • Escassamente populações europeias adentraram na África.

            O que adentrou principalmente foram capitais europeus, cooptando elites tribais locais, como agora fazem capitais brasileiros, portugueses e japoneses nesse projeto ProSavana. O nome disso é colonialismo, que sempre levou miséria para as massas camponesas da África, e que conta com sua simpatia e apoio.

          • Rio Grande do Sul não é Moçambique!

            Claramente o Rio Grande do Sul não é Moçambique, mas a mandioca que se planta aqui é igual a mandioca que se planta em Moçambique, com um agravante, no Rio Grande do Sul, o mercado consumidor disposto a pagar um preço melhor pela farinha de mandioca (principalmente para comer com churrasco) é bem maior do que o moçambicano, logo o teu raciocínio, embotado por preconceitos modernos, vai exatamente na direção do raciocínio. Por exemplo, no RS próximo a cidades turísticas, pequenos agricultores familiares estão com um nível de renda alto exatamente por terem um mercado de ávidos turistas que adquirem geleias, embutidos, pães coloniais com um preço justo. Estes produtores familiares com uma área relativamente pequena, conseguem um rendimento alto, que lhes dão uma qualidade de vida invejável perante pequenos agricultores do resto do país que possuem a mesma área de terra.

            Parece que muitos ignoram princípios básicos de qualquer teoria econômica, tanto de esquerda como de direita, na ânsia de provar que a plantação de alface é a salvação do mundo.

          • Agricultura de subsistência.

            Existem ignorantes, que nem desenhando eles entendem, são aqueles que fazem questão de não aprender, mas vou colar o texto abaixo para o imbecil ver que existem atividades, formações econômicas e modos de produção, que não são voltadas ou dirigidas pelo mercado. A agricultura de subsistência é um exemplo; a economia doméstica, os nossos afazeres dentro do lar, outro. Desde que se inventou a agricultura, há dez mil anos atrás, a humanidade sobrevive com o modelo de subsistência, a criação do modelo agromercantil apareceu em época relativamente próxima na história.Segue o desenho, para o idiota não insistir mais em comparar Moçambique com o Rio Grande:

            “Agricultura de subsistência é uma modalidade que tem como principal objetivo a produção de alimentos para garantir a sobrevivência do agricultor, da sua família e da comunidade em que está inserido, ou seja, ela visa suprir as necessidades alimentares das famílias rurais[1] .

            É aquela em que, basicamente, a plantação é feita geralmente em pequenas propriedades (minifúndios), com pouco (ou nenhum) recurso tecnológico. Os instrumentos agrícolas mais usados são: enxada , foice e arado. Raramente são utilizados tratores ou outro tipo de máquina. A finalidade principal é a sobrevivência do agricultor e de sua família, não para a venda dos produtos excedentes, em contraposição à agricultura comercial.

            Pouco o nada difere da agricultura familiar, naquela não há objetivo de lucro. Ou seja, conceptualmente, a agricultura de subsistência pode ser um tipo da agricultura familiar; mas a agricultura familiar ainda pode apresentar outras formas de produção.[2] O contraponto da agricultura familiar é a agricultura patronal.

            A agricultura de subsistência, por sua vez, pode conviver com outras formas de produção, como por exemplo nas grandes plantações do café no Brasil colonial muitas vezes os colonos praticavam esta forma de cultivo para a sua mantença pessoal e familiar.[3]

            Fonte: http://pt.m.wikipedia.org/wiki/Agricultura_de_subsistência

            PS – Até o aparecimento da máquina a vapor, com as locomotivas, os comboios e os vapores de longo curso mais velozes, o comércio de grandes quantidades de alimentos era restrito ao âmbito regional; seguia por navegação fluvial ou de pequeno curso, quando havia tal possibilidade. Só as mercadorias de maior valor agregado, especiarias, vinhos, azeites, e menos perecíveis eram transportadas em maiores distâncias. Pode se afirmar sem erro, que até anos recentes da segunda metade do século XX, a maioria da humanidade se alimentava da produção local de alimentos, vindos de um raio em torno de + 50 km.

  2. “…filho, jamais te esqueças

    “…filho, jamais te esqueças das tuas tradições ngonis, por mais que atravesses mares e passes por mil escolas, continuarás sendo da tribo likuleni”.

    fome e miséria antes da chegada dos novos colonizadores. Fome e miséria depois. Sem saída, sobretudo devido a esse apego doentio(?) a tradições que levam a permanência na miséria, conforme dito acima, que por sua vez leva a que novos colonizadores tenham espaço para se apoderar da terra  e das riquezas. Essa idéia de tribo – interessante lá pelos anos 1500 – é que sobretudo leva a fome e a miséria. A ação dos colonizadores é devido a condições ideais criadas por essas tradições idiotas.

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