Como anda a vida rural no Brasil, por Rui Daher

Foto Gazeta do Povo

Como anda a vida rural no Brasil

por Rui Daher

em CartaCapital

Não será a mão esquerda fraturada que irá me impedir de apontar na única publicação brasileira que permite se olhar com a lupa, até microscópio, as mazelas da agropecuária e do agronegócio, e denunciá-las.

O comum é vê-las assim do alto, para além dos nossos assentados, caboclos, campesinos, ruralistas sem terras (arrendatários) e sertanejos. Ah, também dos pequenos donos de alambiques, produtores do melhor destilado do planeta, a cachaça, e os tiradores de leite puro, pois isentos de pecados enquanto o produto não chega às usinas. É o que noto nas Andanças Capitais.

No último fim de semana, paramentei-me como se fosse desfilar em um bloco carnavalesco. Olhei meu braço imobilizado e fiquei em casa. Dediquei-me à leitura de livros. Que maravilha terminar a leitura de Cronista do Rio, de Lima Barreto, organizado por Beatriz Resende (Autêntica, 2017). Não fosse pelos textos, as fotos são maravilhosas. Em tudo, saudades do Brasil.

De Trotsky, pensara ter lido o suficiente, até que ganhei de um amigo sua biografia (Editora Record, 2017), escrita por Robert Service, professor de história da Rússia em Oxford.

Serão 750 páginas a vencer. Espero terminar durante os dias de Carnaval … de 2019. Se até lá durarem confetes, serpentinas, apitos e eu. Creio leitores e leitoras, nesses quase 5 anos, em todas as minhas colunas dar uma levada de crônica. Gostem ou não, é o meu estilo.

Mas e a nossa vidinha rural como anda? Vocês ainda se interessam por ela? Já entenderam Doriana Júnior e Huck presidentes de um país grande e rico como o Brasil? Pensaram se Rita Cadillac não faria melhor? E Malafaia comparado a Bolsonaro? Diante de opções tão imbricadas sugiro, aos jovens, o estudo da ciência política, antes de votar. Êpa, não se esqueçam de Fernando Collor.

Vamos lá:

1 – Em encontro com Temer, Meirelles, Blairo, em Rio Verde (GO), ruralistas pediram redução de juros para a atividade. Cês também querem? Constantemente, temos sido contestados na Organização Mundial do Comércio (OMC) por subsídios indiretos, via juros;

2 – O País está investindo cerca de 2 bilhões de reais em usinas de etanol de milho, sobretudo no Mato Grosso. Negocialmente, não tenho nada contra, é uma defesa quando há excesso na oferta do grão, mas quando acusamos os EUA de estarem prejudicando a produção de alimentos estávamos certos? Por acaso, a produção de cana-de-açúcar deles é expressiva? E a nossa?

3 – A estimada Sílvia Fagnani, diretora executiva do Sindicato da Indústria de Produtos para Defesa Vegetal, o Sindiveg, em artigo para a revista Globo Rural, imputa a queda no faturamento da indústria à comercialização de “produtos piratas” – sim, aqueles de olhos de vidro e pernas de pau. Não cita números. Nem seus exorbitantes preços e a substituição por produtos naturais mais efetivos e baratos, que crescem a taxas aceleradas;

4 – A equipe de analistas do Rabobank, no Brasil, é séria e boa. Diz crescer o comércio internacional de hortaliças, legumes e frutas no mundo. Tomara! Brasileiros em atual perrengue são exímios plantadores. Somente com a demanda interna não sobrevivem;

5 – A restrição ambiental na China pode elevar preço de defensivos em 30%, segundo a ChemChina. Boa sorte, produtores brasileiros tradicionalistas;

6 – Por que o preço de terras agricultáveis sobe mais na ‘velha fronteira’, Sul e Sudeste – agrícola do Brasil? Sim, nela a tarefa já foi completada e o investimento para produção imediata é menor. Vão pra MAPITOBA, vão. Comprarão terras baratas, mas depois …;

Em todas as publicações especializadas que li, notei anúncios publicitários, curiosamente, identificados com as matérias expostas. Como sou crítico à maioria delas, não esperem, nelas, um dia, eu escrevendo com a lupa.

Nota: inabilidade maneta ou sei lá o quê, não me permitiram postar com imagem e vídeo, como é o costume neste blog.

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1 comentário

  1. como….

    Os chocolates suiços são maravilhosos. Eles produzem leite de excelente qualidade. Nós também. Só que os suiços nunca conseguirão produzir na quantidade que nós podemos. Nem durante o ano todo. E não produzirão cacau nunca. Só se vier o Aquecimento Global, que messiânicas Ongs Internacionais propagandeiam. Elas conseguem enxergar tal milagre, enquanto não enxergam os rios-privadas por todo o Brasil. Rios-Privadas não concorrem com a agropecuária altamente subsidiada deles, não é mesmo? A Agropecuária, maior fonte de renda e qualidade de vida do interior do país, cinco-sextos do nosso território. Não mostrem MATOPIBA como um todo não. Mostrem Barreiras e Eduardo Magalhães, o interior do PI, do RN, do CE…Mostrem as uvas no agreste de Petrolina e Juazeiro. Regiões miseráveis com qualidade de vida semelhantes à Etiópia ou Somália até uns 20 anos atrás. Pasto de Doenças Biblicas como Leschmaniose, Cólera, Lepra,…E de Coronéis, Matadores de Aluguel e Indústria da Seca, que sustentavam as Famílias de Jagunços que se instalaram em Brasilia. A Agropecuária fez e faz a sua parte de forma brilhante e espetacular. Se Governos Progressistas consecutivos não fazem sua parte, não é responsabilidade de agricultores e pecuaristas que já fazem muito.

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