De quando o agronegócio passou a depender do meio ambiente, por Rui Daher

Fossem sérios, estudariam e implantariam o "Plano ABC" (Plano Setorial de Mitigação e Adaptação às Mudanças Climáticas para a Consolidação de uma Economia de Baixa Emissão de Carbono na Agricultura), de 2010, com progressão até 2020.

Foto G1

De quando o agronegócio passou a depender do meio ambiente

por Rui Daher

Para o GGN:

Não há polêmica alguma. Fumaça é fumaça, não sensacionalismo. Desmata-se serrando árvores, passeando correntões ligados a potentes tratores pelas florestas, e botando fogo nas matas. Se, porventura, houver outros métodos, serão inventados por mentes ignorantes ligadas ao Regente Insano Primeiro.

Reafirmo e informo o que expressei na coluna para CartaCapital, abaixo replicada: quando praticada, a agricultura de baixa emissão de carbono (não me venham com os peidos dos rebanhos animais) implica vantagens econômicas, sociais e ambientais.

Jair Bolsonaro, Ricardo Salles e Ernesto Araújo, não dignos de eu perder tempo citando seus cargos, ao não reconhecer esses efeitos, atiram num quitanda de verduras de um bairro pobre da periferia para acertar num dos setores mais expressivos da economia brasileira, o agronegócio.

É cada vez maior a preocupação do planeta com seu futuro. Nas últimas décadas, muito foi contatado pela ciência, o que os três patetas acima não se darem conta de que não conseguirão enganar a comunidade internacional.

Fossem sérios, estudariam e implantariam o “Plano ABC” (Plano Setorial de Mitigação e Adaptação às Mudanças Climáticas para a Consolidação de uma Economia de Baixa Emissão de Carbono na Agricultura), de 2010, com progressão até 2020.

Estamos em 2019.

Para CartaCapital:

Entre 2005 e 2012, colaborei com o Montbläat, semanário eletrônico ou samizdat, como o excepcional e saudoso jornalista Fritz Utzeri seu editor, preferia. A publicação carregava um slogan em sueco, que traduzido: Se você entender o Brasil, me explica.

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Caro amigo na bondade, você só pode estar em local sagrado, onde todos se respeitam, mas se não conseguia entender o Brasil naquela época, nada me pergunte sobre o de hoje, no governo do Capitão Insano Primeiro.

Tomo, pois, para amenizar as dúvidas do (fra)eterno amigo, de Apparício Fernando de Brinkerhoff Torelly, também conhecido pelo falso título de nobreza de Barão de Itararé (1895-1971), pioneiro no humorismo político brasileiro.

Duas de suas máximas:

“O tambor faz muito barulho, mas é vazio por dentro.”

“De onde menos se espera, daí é que não sai nada.”

Das tantas frases geniais do jornalista e escritor, muitas explicariam o Brasil governado por Jair Bolsonaro, filhos, e uma equipe escolhida à dedo para bravatas, evidente despreparo e, contrariando o Barão, de onde saem estúpidas decisões, voltadas à destruição de importantes setores e instituições da sociedade brasileira.

Antes saísse nada, pois pouco se esperava.

Exemplo curioso disso é o agronegócio. Os grandes proprietários de terra, produtivas ou não, e suas entidades associativas patronais, saíram em manada bravia a coonestar, apoiar e financiar a campanha bolsonarista, várias de suas reivindicações prometidas.

As “arminhas” que pediam já as tinham aos montes. Fazendas com verdadeiros arsenais. Licença para matar invasores e invadidos, também. A Justiça, incluídas as polícias, na maior parte dos crimes, decide pelo lado mais forte.

O tsunami de renovações dos antigos e registros de novas moléculas de agrotóxicos é desvario de momento de uma senhora, que veio da Frente Parlamentar da Agropecuária, comprometida e com cartas na manga para fazer marcação alta, como se diz no futebol, logo no começo do jogo. Cedo perderá o fôlego. Até porque a pesquisa e o desenvolvimento de novos insumos exigem altos investimentos e a situação atual da cadeia dos agronegócios não está muito confortável.

O curioso nessa história é que a contrapressão se origina justamente do fulcro de combate ruralista, a preservação do meio ambiente. Burros, antes do tempo, saíram ensandecidos ativando motosserras, acelerando tratores ligados por correntões, e desmataram pra valer na Amazônia (caso mais evidente).

Segundo o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), usando o sistema DETER, tomando-se períodos agosto/julho, teria havido um aumento de quase 50% no desmatamento, entre 2017/18 e 2018/19. No segundo período, foram desmatados 6.834 km² de floresta.

Por óbvio, a comunidade mundial se ouriçou, a isso acrescentando as declarações de nossos ministros do Meio Ambiente e Relações Exteriores, e as patacoadas e gafes de Jair Bolsonaro.

Números divulgados, o que faz o Capitão? Vai lá e demite o diretor do instituto, Ricardo Galvão.

Deveria manter segredo para não prejudicar o agronegócio? Então, tá! Tudo bobinho o povo lá.

 

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