Lobby do agrotóxico: subcomissão na Câmara sobre uso de químicos é formada por ruralistas

Subcomissão é ligada à Comissão de Agricultura, Pecuária, Abastecimento e Desenvolvimento Rural e, dos 11 integrantes do grupo, nove são da bancada ruralista

Ativistas da Campanha Permanente contra os Agrotóxicos e pela Vida, participam de ato no Dia Internacional de Luta contra os Agrotóxicos, em frente Câmara de Vereadores (Fernando Frazão/Agência Brasil)

Jornal GGN – A Câmara dos Deputados realiza na tarde desta segunda-feira (16), no Plenário Ulysses Guimarães, o encontro da comissão geral sobre a utilização de agrotóxicos.

“Queremos tirar um pouco de alguns mitos e também mostrar as verdades que existem”, disse o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM), quando propôs o debate no final de agosto.

Entre os objetivos do grupo está analisar o crescimento do número de registros de agrotóxicos no último ano e avaliar o potencial impacto dessas substâncias na saúde pública, meio ambiente e nos interesses comerciais no mercado externo.

Comissão geral é o nome protocolar de um tipo de sessão plenária da Câmara. Nesse caso a reunião acontece para debater assunto relevante, projeto de iniciativa popular ou para ouvir ministros de Estados. Além de deputados, podem falar representantes da sociedade relacionados ao tema debatido.

Lobby do agrotóxico

Na semana passada, a Comissão de Agricultura, Pecuária, Abastecimento e Desenvolvimento Rural da Câmara dos Deputados instalou a subcomissão de registros de produtos agrícolas.

A criação foi um pedido dos deputados Carlos Veras (PT-PE) e Marcon (PT-RS), alertando para o crescimento “vertiginoso” do número de registros de agrotóxicos no último ano. Segundo deles, o grupo deve discutir o “potencial dos impactos dos venenos agrícolas na saúde pública e no meio ambiente, e mesmo para os interesses comerciais do Brasil no mercado externo”

Mas, segundo informações da coluna de Mônica Bergamo, na Folha de S.Paulo, dos onze parlamentares que integram o grupo, nove são da frente agropecuária, ou seja, diretamente ligados à bancada ruralista, principal interessada na liberação de agrotóxicos.

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O presidente da subcomissão é o deputado José Mário Schreiner (DEM-GO). Segundo ele o grupo irá promover “uma discussão equilibrada” do tema.

“O debate ideológico prejudica a chegada de produtos mais modernos e menos agressivos”, disse à Folha o parlamentar que não gosta de usar a palavra “agrotóxicos” e se refere aos produtos como “remédio para plantas”.

Em julho, a TV GGN entrevistou a coordenadora do “Atlas Geográfico do Uso de Agrotóxicos no Brasil e Conexões com a União Europeia”, Larissa Mies Bombardi. Em pouco mais de seis meses de governo Bolsonaro, a Anvisa liberou o registro de 290 novos produtos agrotóxicos para serem comercializados no Brasil.

Segundo a pesquisadora, em média, um terço dos agrotóxicos utilizados no Brasil são proibidos na União Europa. “Dos dez mais vendidos hoje, três são proibidos lá. E se a gente pega essa leva dos agrotóxicos que foram autorizados recentemente, todos mantêm esse padrão de um terço das substâncias proibidas nos países europeus”, contou.

No Atlas, Larissa alerta para o que ela chama de “as três faces do Minotauro”. “As empresas [que comercializam os agrotóxicos no Brasil] têm sede na União Europeia”, explicou. Em outras palavras, um terços dos agrotóxicos aplicados em lavouras brasileiras são produzidos por multinacionais, sediadas em países onde os mesmos produtos químicos são proibidos.

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