Nem tech, nem pop: agro precisa de rodas para ser tudo, por Rui Daher

Nem tech, nem pop: agro precisa de rodas para ser tudo

por Rui Daher

em CartaCapital

Como presenciamos nos últimos dias, faltam pelo menos rodinhas para que o agro seja tudo, pois só se justifica quando seus produtos chegam aos destinos.

Pois é, quando as federações e confederações patronais do setor agropecuário sentiram-se relativizadas em sua importância para a economia e estigmatizadas por servirem “apenas” aos exportadores de bens primários, encomendaram à Rede Globo uma campanha para revigorar sua imagem. Foi quando surgiu o slogan “Agro é Tech, Agro é Pop, Agro é Tudo”, bobagem há mais de ano massivamente divulgada nas folhas e telas cotidianas.

Como presenciamos nos últimos dias, nem tech, nem pop, muito menos tudo. Faltam, pelo menos, rodinhas para que fosse tudo isso, pois só se justifica quando os produtos chegam aos destinos de consumo.

No passado erramos a matriz de transportes em país de tal extensão? Demos prioridade ao modal rodoviário e a mínima aos modais ferroviário, hidroviário e de cabotagem? Claro que sim, mas hoje em dia seria reclamar o leite derramado.

Deixemos, pois, o passado. Até porque, ainda vemos projetos de expansão dos modais adequados ao país serem abortados ou demorarem tanto na conclusão. Tudo se explica por canalhice política e falta de investimentos, públicos e privados, produtivos. Escolhemos premiar o rentismo.

Não, não é assim no mundo todo. Fora da Federação de Corporações, as raízes do neoliberalismo já começam a apodrecer. Aqui se espalham ao custo de desemprego e queda de renda entre trabalhadores.

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Não pensem apenas na última semana. A situação vem-se tornando grave desde que, após o impeachment da presidente legitimamente eleita, Dilma Rousseff, mudou-se a política da Petrobras.

Por certo, isso não será agora, caos instalado, reconhecido por Brasília. Temer, Parente e ministros, ineficientes e fisiológicos cabeças duras (ou pior), vêm jogar tudo nos ombros das cotações internacionais da commodity e do câmbio.

Em parte, sim, mas essas altas são recentes. Não ocorrem desde outubro de 2016, quando os preços dos combustíveis passaram a sofrer reajustes muito mais altos e frequentes. Nem mesmo se preocuparam em proteger-se de sua volatilidade.

Mas não só. O senhor Pedro “Serpente” Parente, depois de desmontar as centrais produtoras de fertilizantes (quando na Bunge), começou a vender em peças a Petrobras, em retalhos como se faz em lojas de tecidos.

Isso, sem considerar a unicidade das etapas de prospecção, refino, distribuição e transporte, segmentos a serem integrados para o sucesso e que transformou a BR em uma das maiores petroleiras do planeta.

No absurdo, chegamos à importação maciça de derivados, o que fez a empresa perder mercado, restando às refinarias 25% de capacidade ociosa e a desovar o estoque de diesel norte-americano. Bonito, não, Dr. Parente?

Por seu lado, o ilegítimo presidente Temer cobriu o rombo com recursos orçamentários em meio a fabulosa crise fiscal. Além dos acionistas da empresa, mais alguém se beneficiou? Com certeza.

E quem não? Aqueles que há uma semana, valentemente, lutam pela sobrevivência, em oposição ao retrocesso que sofre o País desde 2016.

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Sustentar uma atividade a custos crescentes, patrimônio se depreciando, e demanda em queda, faz impossível aumentar os preços dos fretes na mesma proporção, e justifica greve, paralisação, bloqueio, manifestação, locaute, peleguismo, “falta de solidariedade com o povo brasileiro”, enfim, o raio de nome que quiserem dar a isso.

Agronegócio, agropecuária, agricultura familiar sofrem. Sou de lá e vejo. Não há robótica inventada que leve tomates ou soja às nossas mesas ou aos portos para exportação.  

O que mais me espanta. No momento em que um grupo representativo da sociedade causa abalo de tal envergadura contra um governo corrupto, golpista, com 5% de aprovação, entregando às pressas nossos patrimônio e soberania, as bandeiras vermelhas que se espalharam pelo País em protesto a tantos desmandos, inclusive a arbitrária prisão do ex-presidente Lula, se escondem e discutem um candidato a votar.

Quem espera faz a hora, não espera acontecer.

Nota: mantive título, lide e imagem da CartaCapital. Foram muito felizes. Parabéns!

https://www.youtube.com/watch?v=gobWsm9uvsQ]

[video:https://www.youtube.com/watch?v=wnZofJo2bW8

 

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5 comentários

  1. Quem não se beneficiará com a cobertura do rombo

    Quem não se beneficiará com a cobertura do rombo com recursos orçamentários?

    Aqueles que há uma semana, valentemente, lutam pela sobrevivência, em oposição ao retrocesso que sofre o País desde 2016, retrocesso com o qual eles mesmos contribuiram significativamente com suas panelas e paralisações anteriores, acabaram de tirar suas casquinhas. Quem não se beneficiará é a maioria esmagadora da população brasileira, que viu, com o atendimento das reivindicações dos Caminhoneiros, seus prejuízos aumentarem ainda mais.

    Desculpa, Xará, mas eu quero é que os Caminhoneiros, o Temer e os Abacates Golpistas morram todos abraçados.

  2. E POR FALAR NISTO, QUEM MATOU MARIELLE?

    Brasileiros, Bem Vindos ao Brasil !! Descobriram o que realmente importa não é o Celular de 5 mil reais de última geração?  O AGRO é Pop. O Agro é Tech. O Agro é Business. O Agro é Indústria. O Agro é Negócio. Mas principalmente e o que realmente importa: o Agro é Brasil. É Agricultura e Pecuária. Todo resto é papo furado de parasitas que se sustentam sobre o serviço e suor dos outros. Mais nada !!! Esta ‘Conversa pra Boi Dormir’ só serve para Criminalizar e Burocratizar o Trabalho dos Brasileiros. Como viveríamos tão nababescamente sem estes Recursos e Tamanha Burocracia, não é mesmo Dona Marina Silva? A questão é Salvar o Meio Ambiente e a Nossa Amazônia? E eu não sabia disto !!!! Com dinheiro pouco, ‘perdeu a graça’ pagar pedágios extorsivos criados na República Picolé de Chuchu da Dinastia Tucanistão? Estradas construídas pelo Governo Militar e Paulo Salim Maluf? E Sem Pedágios !! Que foram algumas duplicadas e reformadas com Dinheiro Público, depois entregues para Concessionárias se esbaldarem? E FHC teve dois Mandatos. Quem colocou o gênio lá? AntiCapitalista tanto quanto 1/4 de século Progressista. Estamos vendo. Politica de extorquir do Dinheiro da Sociedade, da tal Classe Me´dia, para sustenta o Paquiderme Estado Brasileiro. Construção Ditatorial de Urnas Obrigatórias, realizadas a partir do Caudilho Getulio Vargas. Endeusado até hoje por Nossos Esquerdopatas. Por que será? É só Combustível? E Energia Elétrica? E Gás de Cozinha? E Remédios das MultiNacionais? E Passagens de Ônibus? E Preços Controlados? Algum dia na sua vida, eles foram tão baratos como o TOMATE ou BATATA, que sobrevivem das Leis do Mercado Livre, sem controle ou ajuda do Governo ou Estado Brasileiro? Nem do Monopólio ou Oligopólio de alguma MultiNacional? O Brasil dos Brasileiros. “Do Povo, pelo Povo, para o Povo”. O resto é farsa.     

    • E…

      Continuam as fotos da Agropecuária Brasileira sem rostos e histórias dos Brasileiros que a produz. Psicopatas não conseguem enxergar tal realidade. Deve ser Esquerdopatia Bipolar Congênita. Começa com a pessoa perdendo a capacidade de enxergar a realidade, evolui para a crença que Dom Sebastião descerá do Nordeste. Mas a boa noticia é que tem tratamento. 

  3. Uma nação de culpados

    A esquerda errou novamente. Deveria ter explicado para o povo que tudo não passa de uma briga entre direitistas. E se eles continuarem no poder a vida sera assim.

    E lembrar tambem quanto e como a ditadura militar gastou para tentar construir a Transamazonica. E se esses recursos tivessem sido investidos na então ja sucateada malha ferroviaria hoje a dependencia do transporte rodoviario não seria tão critica.

    A tempo, a Mercedez Beinz ajudou a financiar a ditadura e seus porões.

  4. Quem sabe faz a hora

    “arbitrária prisão do ex-presidente Lula”

    Todos sabem que o caminho passa por Lula.

    Uma hora o povo vai libertar Lula.

    O que resta saber é se vão esperar todo o resto ser surrupiado na “ponte para o phuturo” ou se vão aproveitar essa oportunidade em que os ladrões estão na lona e tentar salvar o que restou.

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