Por causa da Amazônia, mais de 18 marcas suspendem compra de couro brasileiro

'É inegável a demanda de contenção de danos à imagem do país no mercado externo sobre as questões amazônicas', diz porta-voz do setor de curtumes no Brasil

Gado em áreas recém-desmatadas. Foto: Greenpeace/Daniel Beltra

Jornal GGN – Cerca de 80% da produção de couro brasileiro é exportada, segundo o presidente do CICB (Centro das Indústrias de Curtumes do Brasil), José Fernando Bello.

A entidade enviou nesta terça-feira (27) uma carta ao ministro do Meio Ambiente, Ricardo Sales, informando que mais de 18 marcas internacionais, como Vanz, Kipling e Timberland, suspenderam a compra de couro brasileiro por conta das queimadas na região amazônica relacionadas à atuação do agronegócio no Brasil. As informações são da Folha de S.Paulo, que teve acesso ao documento.

“Recentemente, recebemos com muita preocupação o comunicado de suspensão de compras de couros a partir do Brasil de alguns dos principais importadores mundiais. Este cancelamento foi justificado em função de notícias relacionando queimadas na região amazônica ao agronegócio do país”, escreve o porta-voz do CICB ao ministro.

“Entendemos com muita clareza o panorama que se dispõe nesta situação, com uma interpretação errônea do comércio e da política internacionais acerca do que realmente ocorre no Brasil e o trabalho do governo e da iniciativa privada com as melhores práticas em manejo, gestão e sustentabilidade”, pontuou Bello.

O representante da entidade pede ainda que o ministro tenha atenção especial ao setor, destacando ser “inegável a demanda de contenção de danos à imagem do país no mercado externo sobre as questões amazônicas”.

Para a reportagem da Folha, Bello reduziu o tem da carta. Ele disse que as marcas não fizeram cancelamento, mas enviaram um documento aos curtumes solicitando a garantia de rastreabilidade. “Claro que enquanto isso não estiver esclarecido, eles não vão colocar novos pedidos”, completou.

Ele explicou ainda que esse tipo de questionamento, feito pelas marcas aos curtumes brasileiros, é comum incluindo a exigência de certificações nacionais e internacionais.

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“Nada mais é do que uma preocupação deles porque esse assunto está muito quente no mercado. Então eles querem esclarecimento para dar continuidade aos pedidos”, comentou.

Bello acrescentou que a proposta da carta enviada ao Ministério do Meio Ambiente era para indicar que os setores que atuam no Brasil respondem internacionalmente.

“Para eles [do governo] se sensibilizarem que tem uma cadeia toda envolvida nesse bioma. Uma cadeia organizada, não é uma cadeia clandestina. É toda documentada. Nós exportamos 80% da produção de couro brasileiro.”

Além de Vanz, Kipling e Timberland, solicitaram também suspensão de compra de couro do Brasil Dickies, Kodiak, Terra, Walls, Workrite, Eagle Creek, Eastpack, JanSport, The North Face, Napapijri, Bulwark, Altra, Icebreaker, Smartwoll e Horace Small.

*Clique aqui para ler a matéria da Folha na íntegra

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4 comentários

  1. Os ricos fazendeiros do sul do Brasil, vêm de longas datas invadindo as terras do Mato Grosso,parte do Piaui ,do Maranhão , de Goias e parte da Amazônia. Sem em nenhum escrúpulo estão destruindo tudo. Pra plantar soja ou pra criar gado. Pra isso eles já mataram muitos índios pra tomares suas terras .São assassinos !!! Mas não é de estranhar , o que sobrou de NAZISTA na Europa, vieram pro Brasil e no sul se instaram .

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