Chile OUT-2019: do oásis à guerra, por Arkx

assim como Junho de 2013 no Brasil não foi por 20 centavos, no levante no Chile no son 30 pesos, son 30 años.

Chile OUT-2019: do oásis à guerra, por Arkx

dissipa-se em chamas a miragem do oásis neoliberal periférico, revelando a realidade infernal de uma guerra de classes travada em toda a América Latina: a lumpenburguesia contra o povo.
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assim como Junho de 2013 no Brasil não foi por 20 centavos, no levante no Chile no son 30 pesos, son 30 años.
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do estopim da juventude rebelde ao motim da multidão em movimento está esgotado o duopólio chileno, sempre pendulando no espaço restrito de uma Concertación mantenedora da amaldiçoada constitucionalidade herdada da ditadura.
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a sanguinária ditadura de Pinochet viabilizou pela doutrina do choque o ultraliberalismo selvagem de Hayek e Friedman.
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enquanto a caravana da morte percorria o Chile a Operação Condor sobrevoava o cone sul, impulsionada pelo vento norte da tortura, do assassinato e do desaparecimento.
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“Desaparecia-se muito naqueles dias. Desaparecia-se a olhos vistos e não era miopia. Bastava que alguém visse um desaparecido e o desaparecido desaparecia. Não, não era fácil ser poeta naqueles dias. Porque os poetas, sobretudo – desapareciam.”
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agora estão novamente se abrindo as grandes alamedas por onde há de passar o homem livre para construir uma sociedade melhor.
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a marcha da História não pode ser detida indefinidamente, sendo sempre pelos passos insubmissos da juventude que ela retoma seu caminho.
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“Não há cova funda que sepulte a rasa covardia. Não há túmulo que oculte os frutos da rebeldia. Cai um dia em desgraça a mais torpe ditadura, quando os vivos saem à praça e os mortos da sepultura.”
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de novo repete-se uma conjuntura política de ruptura, com o movimento de massas ocupando las calles.
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do motim à insurreição e desta à revolução?
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ou o futuro repetirá o passado, com uma restauração de novos governos “progressistas” encarregando-se de reciclar a velha e decadente ordem burguesa?
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Néstor Kirchner, Evo Morales e Rafael Correa elegeram-se impulsionados por poderosos movimentos populares demandando cambiarlo todo, porém a mudança se reduziu a um rearranjo para pouco mudar e nada ficar tão diferente.
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sem encontrar à Esquerda ou à Direita quem lhe dê resposta, a crise de representação se alastrou por toda parte.
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ela é consequência da crise sistêmica de um Capitalismo contemporâneo diante de seus limites e incapaz de se autoregenerar.
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a única resposta possível vem pela ruptura: que se vaya tudo!
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se o movimento de massas é a luta de classes viva ocupando as ruas, uma insurreição é aquele momento no qual andamos lado a lado com a História: o impossível se torna uma das possibilidades.
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o Paro Equatoriano se deu num país secundário mesmo no contexto regional da América Latina.
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o Levante Chileno ocorre no útero do modelo neoliberal periférico, justo onde foi inseminado pelos Chicago’s Boys e parido pela ditadura militar agora também se defronta com sua tumba.
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qual seria o impacto de um novo Junho de 2013 no Brasil?
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na América Latina as ditaduras nunca acabaram. ainda perduram. sempre sob a chantagem das armas e a ameaça dos quartéis. Ditaduras na Democracia. Democracias “Protegidas” pelas Leis da Anistia, do Ponto Final, da Obediência Devida….
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se todos pleiteamos o justo direito de viver em paz, isto só se torna possível quando formos capazes de vencer a guerra suja que nunca deixou se ser travada contra nós.
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ver também:

Leia também:  Duas ocasiões perdidas na geopolítica brasileira, por Andre Motta Araujo

Equador OUT-2019: a insurreição e nosotros.

vídeo: Chile Insurrecto – 2019 – do Estopim ao Motim

vídeo: Chile Insurrecto – 2019 – no son 30 pesos

vídeo: Chile Insurrecto – 2019 – Guerra de Classes

vídeo: Chile Insurrecto – 2019 – Renunciá Piñera

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1 comentário

  1. Esse movimento, popular, para mim tem que ser analisado pela experiencia europeia de 2012. Lá Portugal e Espanha surgiu movimentos populares, que negavam a política partidária. No entanto, a sociedade portuguesa optou em apoiar uma união de partidos a esquerda, que se tornou governo e conseguiu a maioria parlamentar. Já na Espanha, um partido se formou, e se negou a apoiar os demais a esquerda. Todos sabem o que aconteceu depois.
    Para mim esse movimento irá fracassar, pois está negando a política partidária.

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