CLACSO: Pela paz e diálogo na Venezuela

Guerras e invasões, carregando o eufemismo de "intervenções humanitárias", nunca foram uma solução para qualquer crise

Exército venezuelano na fronteira com o Brasil - Foto: Reuters

Da Secretaria Executiva do Conselho Latino-americano de Ciências Sociais (CLACSO)

Não ao intervencionismo. Pela paz e pelo diálogo na Venezuela

Hoje a Venezuela vive uma situação grave, que prefigura a possibilidade de uma intervenção ou guerra civil, violando os princípios de soberania da República Bolivariana da Venezuela.

O confronto político entre o processo bolivariano e seus adversários, aliados a interesses estrangeiros, responsáveis pelos eventos que levam anos de profunda polarização, tem sido agravado pela intervenção dos governos da região e fora dela, que tomaram posições de franca beligerância e interferência nos assuntos e decisões da Venezuela. O papel do governo dos Estados Unidos nos eventos mais recentes é especialmente evidente.

Guerras e invasões, carregando o eufemismo de “intervenções humanitárias”, nunca foram uma solução para qualquer crise. Pelo contrário, os fatos sempre se agravaram, com perdas humanas, materiais e feridas que persistem por muito tempo.

Nosso continente tem sido tradicionalmente caracterizado pela busca ávida pela paz, defensora de uma importante doutrina sobre o não uso da força, a não intervenção nos assuntos internos dos Estados, o respeito pela soberania e pela igualdade jurídica. No final de janeiro de 2014, em Havana, a Comunidade dos Estados Latino-Americanos e Caribenhos (CELAC) declarou a região como Zona de Paz.

Sabemos que desde o início de 2019, o agravamento do conflito criou mais dificuldades e sofrimento para o povo venezuelano, no contexto de sérios obstáculos para o abastecimento de alimentos, cuidados e suprimentos médicos, inflação e deterioração dos salários reais dos trabalhadores, a falta de transporte e problemas gerais dos serviços. A crise, como sempre acontece, vitimiza especialmente os mais fracos, que são os primeiros devastados por qualquer tipo de violência que ocorra.

Leia também:  E pur si muove! Como devem ser tratadas as análises sobre o futuro, por Rogério Maestri 

Decidimos convidar a comunidade internacional para que, honrando o princípio da não-intervenção, apoiemos a paz, o diálogo e a negociação como solução para a atual situação na Venezuela.

Estamos convencidos de que as venezuelanos e os venezuelanos têm responsabilidade, integridade e capacidade suficientes para resolver seus próprios problemas e conflitos. Apoiamos a implementação de um mecanismo de diálogo como uma alternativa pacífica e democrática que privilegia a paz para alcançar uma solução abrangente, compreensiva e duradeira.

CLACSO se solidariza com as forças democráticas, entidades acadêmicas e movimentos populares da Nossa América e do mundo, lutando pelo princípio da não-intervenção, apoiando a paz, o diálogo e a negociação na República irmã da Venezuela.

Você pode fazer o Jornal GGN ser cada vez melhor.

Assine e faça parte desta caminhada para que ele se torne um veículo cada vez mais respeitado e forte.

Assine agora

Deixe uma mensagem

Por favor digite seu comentário
Por favor digite seu nome