Cuba prepara sua reindustrialização junto à União Eurasiática, por Marcus Atalla

As partes discutiram detalhadamente as condições à criação de um parque industrial eurasiano-cubano

Em acordo histórico, Cuba prepara sua reindustrialização junto à União Eurasiática

por Marcus Atalla

Ignorada pela imprensa corporativa ocidental, ocorreu na semana passada (14-18) a 38ª Feira Internacional de Havana FIHAV-2022. Estiveram presentes representantes de mais de 60 países, apenas das empresas russas foram mais de 20 dos setores: automotivo, químico, médico, indústria leve, tecnologia da informação, design, construção e fabricação de equipamentos.

Entretanto, nada foi mais importante do que a reunião ocorrida às margens da feira oficial, a discussão sobre a criação e desenvolvimento de um parque industrial na Zona Especial de Desenvolvimento Mariel (ZDEM). A área de 465,40 km² já conta com aproximadamente 401 km de estradas concluídas, 125 km de redes de aquedutos, 510 quilômetros de linhas elétricas e 165 quilômetros de fibra óptica.

O diretor do Departamento de Política Industrial da Comissão Econômica da Euroasiática (CEE), Nikolai Kushnarev encontrou-se com o Primeiro-Ministro cubano, Manuel Marrero Cruz, reuniu-se com Ana Teresa Igarsa Martinez, Diretora-Geral da Zona Especial de Desenvolvimento Mariel (ZDEM), o Diretor de Desenvolvimento Industrial do Ministério da Indústria, Edismar Saavedra Yero e com representantes das Câmaras de Comércio cubanas.

À esquerda na foto Nikolai Kushnarev, à direita Manuel Marrero Cruz

As partes discutiram detalhadamente as condições à criação de um parque industrial eurasiano-cubano e as possibilidades na prestação de assistência das empresas industriais dos países da União Econômica Eurasiática (UEE) e a promoção no mercado cubano, incluindo no comércio e nas cadeias de valor da região.

O projeto visa no futuro o desenvolvimento de um parque fabril com a perspectiva de produzir produtos farmacêuticos e biotecnológicos, equipamentos médicos, máquinas e equipamentos para uso agrícola e industrial, para caminhões e veículos de passeio e equipamentos eletrodomésticos voltados aos mercados de parceiros estratégicos regionais (Argentina, Brasil, Chile, Peru, México).

(*)No projeto consta o canal, em construção, da Nicarágua financiado pela China e a razão da intensa campanha realizada pela imprensa corporativa nacional e pró-EUA, que acusam o Governo Ortega de ditatorial. Não antes de tentarem deslegitimar a eleição de Ortega (75% dos votos) em 2021, sob acusações não comprovadas de fraude.

Manuel Marrero destacou o grande interesse de Cuba numa cooperação acelerada entre os Estados da UEE, com foco na cooperação em áreas como engenharia, metalurgia ferrosa, biotecnologia e farmacêutica.

“Também esperamos expandir as entregas mútuas de produtos industriais de interesse mútuo para Cuba e os Estados-membros da UEE”, disse o primeiro-ministro cubano.

Nikolai Kushnarev falou sobre os resultados das negociações com o Ministério da Indústria de Cuba e a ZDEM na preparação de passos concretos para estabelecer a cooperação entre as empresas.

“Convidamos empresas, associações e representantes do Ministério da Indústria de Cuba a participar ativamente de nossos grupos de trabalho setoriais e plataformas técnicas, que facilitarão o estabelecimento de contatos e a inclusão de empresas cubanas nas cadeias de cooperação”, enfatizou Kushnarev.

Ao fim, foi assinado um memorando, onde se enfatizou as amplas vantagens na cooperação industrial entre Cuba e os países membros da UEE e quais são os passos específicos para desenvolver-se a parceria industrial.

  • Países membros da União Econômica Eurasiática: Armênia, Bielorrússia, Cazaquistão, Quirguistão e Rússia.
  • Futuros países membros: Mongólia, Síria e Tajiquistão.
  • Acordos de livre comércio: Camboja, Egito, Índia, Irã, Marrocos, Paquistão, Tailândia, Tunísia e Vietnã.
  • Observadores: Cuba, Moldávia e Uzbequistão.

Marcus Atalla – Graduação em Imagem e Som – UFSCAR, graduação em Direito – USF. Especialização em Jornalismo – FDA, especialização em Jornalismo Investigativo – FMU

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1 Comentário

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  1. Alvíssaras! Valeu a pena esperar. Enquanto o Tio Sam tirou de Cuba tudo o que podia e a economizou para futuros abusos, agora, não tendo mais o que oferecer além de guerras e privações, vai perde-la para os seus inimigos. É lindo de se ver. USA cutuca a China mandando Pelosis e Kamalas para fazer fusquinha ao dragão, alimenta o imbecil ucraniano com carne de canhão para desestabilizar a Rússia, enquanto a Eurásia cresce e se estende para o sul global. Cuba vai ser a Taiwan dos estados unidos, e agora o Xi Jin Pin já tem como irritar o Biden.

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