Lula critica atraso de quem desaprova investimentos do BNDES fora do Brasil

Jornal GGN – O ex-presidente Lula defendeu nesta quarta-feira (13) o financiamento de obras em países da América Latina pelo BNDES (Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social). Em evento na Zona Sul de São Paulo, realizado pelo Instituto Lula e pela Unasul (União de Nações Sul-Americanas), na presença do ex-presidente da Colômbia e secretário-geral do bloco, Ernesto Stamper, Lula criticou o “atraso” ideológico de quem se diz contra o financiamento por entender que o Brasil não deve investir recursos em vizinhos como Cub, Paraguai e Venezuela.

“Tem gente no Brasil que critica que empresas estão indo produzir no Paraguai ao invés  de produzir aqui. Nós enfrentamos adversidade política quando esse pessoal deveria estar mais maduro. Pessoas que se apresentam ao mundo como pessoas avançadas dizem que financiar o porto de Mariel [em Cuba] ou o Metrô de Caracas [na Venezuela] é dar dinheiro aos outros. É atraso político, a submissão ao que tem de mais atrasado no mundo”, comentou.

Há duas semanas, Lula é alvo de reportagens da revista Época, que afirmou que o ex-presidente poderia ser investigado por tráfico de influência internacional que beneficiaria a empresa Odebretch em obras no exterior financiadas pelo BNDES. Numa segunda investida, Época, quis saber das tratativas de Lula e do Banco para a construção de um metrô em Caracas – cujo financiamento foi liberado durante o governo FHC.

“Esses dias eu vi alguém querendo fazer uma CPI do BNDES, quem sabe isso flexibilizaria a dureza do BNDES em emprestar dinheiro. Só pensa que o BNDES empresta dinheiro fácil quem não precisou. Quem precisou entra lá para pegar dinheiro para ver quantos dias. São mais de 180 dias para avaliar um programa”, disse Lula.

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O ex-presidente afirmou que “temos um problema político a ser resolvido na Unasul. Precisamos transformar a nossa retórica integracionista em atitudes práticas. Nós somos muito mais otimistas no nosso discurso, muito mais ostensivos, mais esquerdistas e progressistas no nosso discurso e mais conservador na execução do nosso discurso.”

Ele lembrou que o comércio entre os países da Unasul era de US$ 35 bilhões, em 2003, e hoje chega a US$ 120 bilhões, apesar da oposição a essa opção do governo brasileiro. 

Na mesa de abertura, Samper falou sobre o papel da Unasul em aprofundar a integração em torno de três eixos: manutenção da paz, da democracia e dos direitos humanos. “Agora, queremos que esse conceito de direitos humanos inclua os direitos econômicos e sociais. Entre os fatores que levaram à criação da Unasul estava a esperança de que, depois da ofensiva neoliberal dos anos 1990, que criou 180 milhões de pobres, um novo caminho se iniciaria, com a decisão de redirecionar o Estado a favor de mais atuação social. Se não somos a região mais pobre, somos a mais desigual do planeta. Por isso o desafio da Unasul nos próximos 20 anos é melhorar as condições de desigualdade que temos”, disse. 

América Latina como alternativa

O ex-ministro Luiz Dulci, diretor do Instituto Lula para América Latina, defendeu uma maior integração da Unasul desde já, inclusive, para enfrentar a crise econômica mundial.

“A Europa está em recessão. Há vários países da Asia em dificuldade. A rigor, só os Estados Unidos que não teve uma chamada desaceleração. Tem gente que diz “vamos esperar passar a crise para retomar a integração”. Um dos consensos aqui do colóquio é o contrário. Avançar na integração ajuda a superar a crise. No caso brasileiro, a região para qual o Brasil mais vende produtos industrializados é a América Latina”, ressaltou Dulci.

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É possível ouvir o áudio da fala do ex-presidente clicando aqui.

Com informações de O Globo e Instituto Lula

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2 comentários

  1. As criticas não são pelos

    As criticas não são pelos emprestimos em si mas sim pela falta de logica politica nessas operações. Os paises ricos que tem bancos de fomento quando emprestam a outro Pais, o fazem dentro de um programa de aumento de influencia politica e economica do pais credor junto ao pais devedor. Nenhum banco de fomento faz um operação de credito por razões puramente comerciais, a operação não é de banco comercial, é de um banco oficial que é instrumento de uma politica de Estado. As operações do BNDES não seguiram essa logica.

    O caso Cuba é emblematico, o Barasil financiou 100% CEM POR CENTO  do Porto de Mariel, nenhum banco de fomento defende 100% de um projeto, mas o Brasil financiou tudo e NÃO EXIGIU A CONCESSÃO DO PORTO, o que seria absolutamente logico e uma compensação para o Brasil emprestar para Cuba, PAIS QUE NÃO TEM NENHUM CREDITO INTERNACIONAL, portanto o Brasil tinha uma posição de excepcional privilegio ao fazer esse emprestimo.

    Porque o Brasil NÃO EXIGIU A CONCESSÃO, que foi entregue a uma empresa de Singapura, país que não investiu um centavo no porto? O Brasil pagou o porto sozinho e não auferiu e nem vai auferir NENHUMA VANTAGEM COM ISSO.

    E não vamos sequer lembrar que CUBA com probabilidade de 95% NÃO VAI PAGAR ESSE EMPRESTIMO, porque Cuba há 60 anaos recebe doações, não emprestimos. Por essa razão os termos desse contrato são ABSOLUTAMENTE SECRETOS pela simples razão que são impublicaveis.

    Um dos emprestimos do BNDES na Africa, para Guiné Bissau, foi PERDOADO a pedido de Lula, eles nunca pagaram nem juros e agora não precisam pagar nada porque é um pais pobre embora o ditador há 31 anos, amigo do Lula, seja um dos homens mais ricos do mundo, o filho tem um apartamento de 40 milhões na Av.Vieira Souto em Ipanema.

    Há portanto uma grande probabilidade que esses emprestimos do BNDES sejam simples doações porque todos os paises beneficiarios, com exceção deum, o Panama, não tem nenhum credito internacional.

  2. Mariel ZEE

     Caro AA,

      Claro que o mais interessante em um porto, ainda mais daquela magnitude e possibilidades, seria a sua operação, algo que jamais foi sequer considerado, pois não temos nenhuma empresa nacional capacitada para isto, já tivemos, faz tempo, hj. nem para “remédio” ( paramos na década de 50/60 ), ainda mais concorrer com a maior operadora mundial de portos, a PSA – Singapore.

       Ainda mais com a PSA – Singapore ( é de Cingapura, mas o capital é pulverizado mundialmente, em grande parte na mão de bancos e corporações chinesas ), somada a COSCO ( chinesa  – ficou com o megaparque de conteiners de Mariel), e ainda com investimentos (shadow ) do empresário bilionário chinês, que esta para construir o Canal da Nicaragua – para vc. ter uma idéia, TODOS os equipamentos, leves e pesados, softwares, operados em Mariel, são chineses ou sul-coreanos ( empresas sul-coreanas com parte de capital chinês ).

        Quanto a receber o que o BNDES/Odebrecht colocaram em Mariel, a operação está, em parte, securitizada com a PSA – COSCO , portanto receber nós vamos, ou em ultimo caso, os titulos advindos da operação – incluindo os securitizados pelos operadores – poderemos liquidar (vender ), com deságio para os “singachinas” ( que adquirem os titulos, tipo no secundário, e com eles podem até estender sua concessão ).

        E meu caro, se nosso governo, coloca-se o regime de trabalho e condições fiscais, que o governo cubano ( e seus parceiros ) estabeleceu para a ZEE/ZPE Mariel para os portos brasileiros, ocorreria uma revolução em nossos portos, não pode ser nem classificada como neoliberal, é liberal ao extremo.

         P.S.:  Já tô imaginando o dia que importaremos onibus de Cuba, montados na ZEE Mariel pela Marcopolo, com peças chinesas.

         P.S.2 : Qual foi a bandeira do 1o navio que atracou no terminal PSA-COSCO Mariel (refrigerado) ?

         “Stars and Stripes” , na rota Nova York – Mariel , com um carregamento de peças de frango.

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