Onde está Santiago Maldonado?, por Maíra Vasconcelos

Onde está Santiago Maldonado?

por Maíra Vasconcelos

Na última sexta-feira, primeiro dia de setembro, na Praça de Maio, mais de 250 mil pessoas pediam o aparecimento com vida de Santiago Maldonado, 28 anos, desaparecido há um mês, após participar de um protesto. “Com vida o levaram, com vida o queremos”, diziam alguns cartazes. O irmão de Santiago, Sergio Maldonado, falou aos manifestantes, e também Estela, a mãe do jovem desaparecido, com o apoio de representantes das Avós e Mães de Praça de Maio e organismos de direitos humanos da Argentina.

Essa foi a segunda manifestação multitudinária em Buenos Aires, que reclama o paradeiro de Maldonado. Em que pese a pressão popular de inconformados na porta da Casa Rosada, o presidente Mauricio Macri (da fórmula Cambiemos) ainda não saiu publicamente a falar sobre o caso. A ministra de Segurança Pública, Patricia Bullrich, nega que seja um caso de “desaparecimento forçado”, termo jurídico que denomina um tipo de violação dos direitos humanos. Bullrich argumenta que não há provas de que a polícia tenha participado do desaparecimento de Maldonado e nega a responsabilidade do Estado. As perícias realizadas até o momento não comprovam rastros de Maldonado no local dos incidentes, nem no carro da polícia.

Maldonado é da província de Buenos Aires, artesão, e foi viver na cidade de El Bolsón, no sul do país. Não é militante, mas se solidariza com a luta de terras dos povos originários e viajou para uma localidade próxima, na província de Chubut, para apoiar um protesto. Fecharam uma estrada e a polícia reprimiu a ação. Maldonado se encontra desaparecido desde então, 1 de agosto.

A manifestação em Buenos Aires, na última sexta-feira, foi massiva e teve convocatória em todo o país. A Argentina e a Venezuela, hoje na América Latina, são os dois únicos países que assumem protestos massivos. Considerando que os demais países da região têm problemas sociais coincidentes, e outros particulares de cada sociedade latina, infelizmente não encontramos reações similares pelos direitos sociais.

A marcha por Maldonado é de importância absoluta para a imprensa latino-americana. Por decisão política, em acordo com sua linha editorial, a Folha de São Paulo, O Globo e Estadão conseguiram ignorar os protestos em Buenos Aires, mesmo mantendo correspondentes locais e sendo este um acontecimento de inquestionável apelo no que tange à informação, tanto pela capacidade de mobilização da sociedade civil argentina, e pelo fato de que o desaparecimento de Santiago Maldonado traz consequências políticas ao governo de Macri. A Argentina terá eleições municipais em outubro deste ano, e o desaparecimento de Maldonado representa, hoje, um ponto de desequilíbrio para o governo e um assunto com o qual se vê obrigado a saber lidar politicamente.

A luta para que apareça Santiago Maldonado vai além do viés partidário, pois o desaparecimento involuntário de pessoas é um caso de direitos humanos. Valor tão caro à sociedade argentina, que persiste, como poucos na região, na busca pela memória, verdade e justiça pelos mortos e desaparecidos na época da ditadura militar (1976-1983), ao julgar os repressores e torturadores.

Somos muitos os que queremos saber onde está Santiago Maldonado, ainda que a grande imprensa brasileira ignore o caso de direitos humanos, de desaparecimento forçado, negado pelo governo de Mauricio Macri. Então é necessário perguntar também em português: onde está Santiago Maldonado?

 

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2 comentários

  1. Guantanamo?

    Se agora os governos devem obediência ao governo norte americano, também querem dele serviço, não? Guantanamo é um bom lugar para sumir com quem implica com governos facistas.

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