O passado pinochetista de Pablo Longueira

Jornal GGN – O ex-candidato da União Democrata Independente (UDI), Pablo Longueira, que renunciou, nesta quarta-feira (17) à corrida presidencial chilena depois de ganhar as primárias da Alianza governista, tem uma biografia profundamente ligada ao governo militar do general Augusto Pinochet. Seguidor do ex-ditador, Longueira era o azarão da direita, principalmente contra ao ex-ministro da Defesa, Andrés Allamand, do partido Renovação Nacional (RN), que contava com o apoio do presidente Sebastián Piñera (RN). Outro ponto que pesava contra Longueira é que ele teve apenas dois meses para fazer campanha, já que assumiu o lugar de outro candidato.

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A renúncia do candidato da direita no Chile

O engenheiro civil de 54 anos teve seu primeiro cargo em 1981, designado por Pinochet, para presidir a Federação de Estudantes da Universidade Católica do Chile. Fundador da UDI, grupo que deu apoio ideológico à ditadura militar e que depois da volta å democracia se converteu no partido de direita mais votado, Longueira contava com uma presença importante em setores populares, derrotando Allamand com pouco mais de 51% dos votos nas primárias da direita.

De caráter controverso, já senador, Longueira teria dito que teve uma conversa com o então finado Jaime Guzmán (senador chileno assassinado em 1991), depois que este morreu, na qual o espírito indicava o rumo político do país.

Nascido no interior do Chile, na cidade de Osorno, Longueira foi deputado entre 1990 e 2006 e senador nos próximos seis anos, atéjulho de 2012, quando renunciou a seu mandato para ser ministro da Economia, cargo que abandonou para trabalhar por seu partido nas primárias. Depois da desistência do então pré-candidato da UDI, Laurence Golberne (por denúncias de corrupção), Longueira assumiu a candidatura e fez sua campanha em pouco mais de dois meses.

Na Câmara de Deputados, Longueira foi membro das Comissões Permanentes de Economia, Fomento e Desenvolvimento e Obras Públicas, Transportes e Telecomunicações, e presidiu a Comissão Permanente da Fazenda. No Senado, participou de diversas comissões, como a do Meio Ambiente e Bens Nacionais; Trabalho e Previdência Social: Obras Públicas e Habitação e Urbanismo.

Durante a ditadura, ficou conhecido em manifestações contra os setores da Igreja Católica que defendiam os Direitos Humanos ou a presença no Chile de personagens como Edward Kennedy.

A forte rejeição nas pesquisas e as agressões com ovos durante seu trabalho político em regiões populares, não desanimou Longueira, mas o sonho de ser presidente do Chile e continuar o trabalho de Sebastián Piñera parece ter se encerrado, pelo menos por ora, uma semana depois de ganhar as primárias.

Por meio de uma carta lida por seu filho mais velho, Longueira abriu mão da corrida presidencial. O candidato alegou um quadro grave de depressão, algo completamente compreensível já que outro filho, de 14 anos, foi diagnosticado com um câncer em estágio avançado.

As imagens que ficam daquele que acreditou ser “a única alternativa capaz de derrotar Michelle Bachelet” são as do jovem pinochetista, que em janeiro de 1986 foi um dos organizadores do protesto que atacou com paus pedras e insultos o então senador norte-americano Ted Kennedy, conhecido por ser um grande defensor dos Direitos Humanos, em visita ao Chile. Pelo menos desta vez, as eleições chilenas perderam um dos candidatos mais extremistas da direita do país. 

Sugerido por Frederico Füllgraff

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Visita de Ted Kennedy ao Chile

Documentário sobre a visita de Edward Kennedy ao Chile

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