Piñera não fala em Constituinte, mas cede em Estado de Exceção e mudança ministerial

O presidente do Chile manteve a chamada "Agenda Social" criada pelo seu governo, determinou o fim do toque de recolher e a intenção de retirar o Estado de Exceção a partir deste domingo

Fotos: Agência UNO/PiensaPrensa

De Santiago, Chile

Jornal GGN – A maior manifestação da história do Chile, que levou entre 1 e 2 milhões de chilenos nas ruas de Santiago e de outras regiões do país, fez o presidente do país, Sebastián Piñera, conceder novo discurso em rede nacional neste sábado (26). Sem ceder ao pedido da população de uma Constituinte, manteve a chamada “Agenda Social” criada pelo seu governo, mas determinou o fim do toque de recolher e a intenção de retirar o Estado de Exceção a partir deste domingo. Anunciou, também, uma mudança de gabinete ministerial.

Piñera introduziu sua declaração elogiando as manifestações que ocorreram na noite desta sexta-feira (25), que, segundo ele, tiveram conduta “exemplar”. As forças de segurança interferiram pouco no ato de ontem, diante da multidão de, pelo menos, 1,2 milhão de chilenos nas ruas centrais da capital, atuando de maneira focalizada e com bombas de gás lacrimogêneo, sem capacidade de enfrentamento público.

Mas como vem adotando em suas declarações nos últimos dias, o presidente tratou de associar os baixos incidentes com a postura dos manifestantes, responsabilizando as violências de atos anteriores aos próprios chilenos. “A marcha de ontem foi exemplar”, afirmou, assumindo um tom de empatia às reivindicações: “Foi uma forte mensagem, mensagem de uma imensa maioria de chilenos que pede um Chile mais justo, mais solidário. Todos escutamos esta mensagem. Todos mudamos e estamos com uma nova atitude”, apresentou-se.

Em seguida, como resposta à essa “escuta”, Piñera insistiu na Agenda Social, um pacote de medidas anunciado por ele na segunda-feira (21), que inclui subsídios e aportes estatais à seguros de saúde, farmácias, à aposentadoria capitalizada e ao salário mínimo, entre outros pontos [leia mais aqui], e que foi recebido com repúdio pela população pela inexistência de mudanças estruturais nas propostas. Cobrou do Congresso Nacional a aprovação dos pontos, ainda que rejeitados pelos cidadãos, sem qualquer garantia de que se tornará vigente.

Leia também:  Como a direita boliviana reagirá à confirmação da vitória de Luis Arce?

O presidente não mencionou a possibilidade de se realizar uma Assembleia Constituinte, tampouco pretende renunciar do posto da Presidência, que foram as duas principais demandas dos manifestantes nos grandes atos desta sexta (25), mas, por outro lado, anunciou que pretende fazer uma mudança de gabinete, e pediu aos seus ministros que renunciem.

“Pedi a todos os ministros que coloquem seus cargos à disposição para poder estruturar um novo gabinete, a fim de enfrentar estas novas demandas e darmos conta dos novos tempos”, disse, na que foi a principal mudança anunciada até hoje, desde o início dos protestos há 8 dias.

Outros dois pontos de duras críticas e resistência da população – o toque de recolher e o Estado de Exceção, que permite a centralização de todo o aparato militar e forças de Segurança sob o comando de um chefe de Defesa subordinado à Piñera, foram também cedidos pelo mandatário.

Em seu anúncio, afirmou que pretende, “caso haja condições”, retirar o Estado de Emergência a partir de amanhã (27). “Quero anunciar a todos os meus compatriotas que, se as circunstâncias permitirem, é minha intenção retirar todos os Estados de Emergência a partir das 24h do próximo domingo”, declarou, juntamente com a retirada do toque de recolher a partir de hoje.

 

 

ACOMPANHE O QUE ACONTECE NO CHILE:

A maior manifestação da história do Chile: 1,2 milhão de vozes pedem nova Constituição
Uma semana de Exceção no Chile: 90,5% veem motivos para protestar
Governo do Chile tenta minimizar repercussões do Estado de Emergência
Chile: relato de um Estado de Exceção
Nossa repórter em Santiago, imagens inéditas
Protestos no Chile: violência e denúncias de torturas se intensificam
Piñera pede desculpas: chilenos não aceitam, querem renúncia e Constituinte
O que acontece no Chile: como acompanhar o Estado de Exceção no país
Sob repressão e táticas militares, chilenos mantêm protestos nas ruas
Ajustem seus relógios para 1973: Chile protesta pelo custo da vida
Entrevista ao vivo: Chile em Estado de Emergência
Chile: O saldo das manifestações, após Piñera decretar “guerra” contra o povo
Fim da aposentadoria capitalizada é uma das lutas das manifestações no Chile

Você pode fazer o Jornal GGN ser cada vez melhor.

Assine e faça parte desta caminhada para que ele se torne um veículo cada vez mais respeitado e forte.

Assine agora

1 comentário

  1. Piñera cortou os dedos acreditando que poderá conservar as bolas. Coitado… Nem mesmo o vagabundo Jair Bolsonaro conseguirá impedir o povo chileno de castrar aquele tirano.

Deixe uma mensagem

Por favor digite seu comentário
Por favor digite seu nome