A campanha anticorrupção e a indústria do compliance, por André Araújo

Por André Araújo

A INDÚSTRIA DO “COMPLIANCE” – Na esteira da campanha mundial anticorrupção promovida pelo Departamento de Justiça dos EUA , tem grande crescimento a indústria do “compliance”, um setor de atividades que cuida de proteger as empresas para que não sejam processadas por leis anticorrupção e leis de lavagem de dinheiro.

O faturamento dessa indústria é estratosférico, a PETROBRAS sozinha vai gastar centenas de milhões de Reais com a tarefa que faz tudo para não terminar. Quanto mais problemas melhor para essa “indústria” que é basicamente anglo-americana e está nadando de braçadas com faturas milionárias que não representam qualquer geração de riqueza real.
 
Os departamentos de “compliance” das grandes corporações tomam uma dimensão incrivel, em bom número de empresas é o MAIOR DEPARTAMENTO DA EMPRESA, é uma atividade gerada pelo pavor da empresa ser processada e portanto não se medem custos. Os executivos atraídos para essa atiidade são de perfis “procuradores-investigadores-auditores” tipos chamados “cris-cris” com prazer em procurar pelo em ovo em todas as transações.
 
Além dos departamentos internos já super custosos vem as consultorias de vários tipos, as de investigação interna e externa, checagem e cópias de arquivos, leitura de e-mails, verificação de contas de hoteis, restaurantes, telefones, que podem ser empresas de auditoria, de investigação tipo Kroll, escritórios de advocacia que exploram esse grande filão de faturamento, tambem estão se criando consultorias específicas de compliance.
 
Toda esse grande atividade é ECONOMICAMENTE ESTÉRIL, não agrega valor nem para a empresa e nem para a sociedade.
 
Os custos somados dessa “indústria” superam dezenas de vezes o potencial de corrupção que visam combater.
 
Mais do que os custos diretos, exise um custo ainda maior, aquele que se agrega a todas as operações da empresa para evitar riscos, novos tipos de formulários a preenher, declarações em bancos e corretoras, ginásticas que pessoas e empresas tem que fazer para diminuir o risco de serem importunadas por esses controles.
 
Um quarto custo é o maior de todos: o grande número de negócios e tentativas de negócios que deixam de ser feitas pelo potencial de risco, mesmo pequeno, que as pessoas querem evitar de correr. Projetos não são levados adiante, empresas deixam de expandir, TUDO SE TRAVA em nome do COMPLIANCE, essa atividade absolutamente inútil que importuna empresas e cidadãos em nome de um objetivo moral que sequer toca de relance as grandes organizações criminosas.
 
O “COMPLIANCE” não evita e nem minimamente incomoda o grande tráfico de drogas, de armas, de contrabando, de madeiras, de animais silvestres, de pessoas, de orgãos, de pornografia, não impede terrorismo, ISIS, corrupção na África e no Oriente Médio. Não consegue nada disso mas PERTURBA TODA A ECONOMIA MUNDIAL, TRAVA NEGÓCIOS E INVESTIMENTOS, reduz o dinamismo da economia por excesso de controles, o mundo inteiro está se paralisando em nome dessa alucinação de controlar tudo e todos para resultados que parecem importantes mas cuja relação custo benefício é totalmente negativa para a economia e para a sociedade.
 
Se houvesse COMPLIANCE na era das ferrovias, na era da navegação, na era do grande crescimento industrial, não existiriam os aventureiros, empreendedores como Gulbenkian, Onassis, Stanford, Rockefeller, Deterding, Mattei, Thyssen, Ford, Carnegie, nem sequer começariam suas aventuras pessoas de inovação, empreendimentos e criatividade.
 
Casos anedóticos ocorrem todos os dias. Um colega advogado enviou de presente de Natal uma garrafa de vinho a um executivo de companhia americana. Dez dias depois veio um motoboy trazer o vinho de volta. Um telefonema esclareceu o problema: o beneficiário do presente mandou a secretaria à loja onde o vinho foi comprado e lá verificou que a garrafa tinha custado 77 Reais, o limite para receber brindes e presentes nessa empresa era de 50 Reais, então o mimo ultrapassou aquilo que o “compliance” permite e por isso estava sendo devolvido.
 
Eu mesmo tenho sido vítima de uma absurda burocracia de Banco ao receber honorários do exterior, pequenos, coisa de três mil Euros, a liquidação do câmbio que no passado era feita no dia, hoje pode levar 50 dias para checagem para ver se não é “lavagem de dinheiro”, esse caso relatei aqui em artigo específico há uns oito meses, o altíssimo custo para mim, para o banco e para o país dessa “verificação” de uma transação onde nas duas pontas estão firmas antigas e cadastradas, ao mesmo tempo que em São Paulo foi preso um traficante com 1.600 quilos de cocaína cujo pagamento deve ter sido feito sem nenhum problema e ainda o elemento, conhecido como “Capuava” foi solto dois dias depois por um Habes Corpus, segundo o despacho, por “falta de provas”.
 
A lógica do “compliance” é incomodar 10.000 pessoas honestas para pegar um eventual criminoso, quando pegam.
 
Enquanto isso sustentam imensas burocracias oficiais e privadas, geram incalculáveis custos nas empresas e para os cidadãos, criou-se no mundo um verdadeiro HOSPÍCIO que reflete a cabeça paranoica dos procuradores americanos que estão se lixando para os efeitos econômicos de sua cruzada para puriticação do mundo.
 
Um certo grupo religioso no passado conhecido como INQUISIÇÃO pensava a mesma coisa.
 
Em algum momento esse manicômio de “controles” precisa ser desmontado para que o mundo possa crescer.

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28 comentários

  1. MORTE DA DILMA

    NASSIF e leitores. O PMDB se associou ao PT porque contava com a morte de Dilma ainda no primeiro mandato (ela teve ou tem um câncer, lembram disso?). Mas para a infelicidade do PMDB, a Dilma sobreviveu. Então, o PMDB está no PREJUÍZO, porque não conseguiu assumir o governo quando imaginava, em razão de a morte (física) de Dilma não ter acontecido. Agora resta tomar o poder por qualquer método. Por que o PMDB não se associou ao PSDB (Aécio)? Porque sabia que não tinha como assumir o poder pois o Aécio demonstrava boa saúde. Então tentaram o caminho mais curto. O pensamento do PMDB era: “a Dilma com câncer não deve durar muito, aí assumimos legitimamente”. Mas não foi o que aconteceu e o PMDB está num violento e incalculável prejuízo. Esperamos a queda da Dilma e do Temer juntos, via TSE.

  2. Inflação virtual para enfrentar ameaça idem.

    O excelente texto do André faz parte do fenômeno de inflação virtual dos negócios reais. Trata-se de uma elevação geral do custo da atividade (para todos), onde uma fatia significativa fica na nuvem onde aqueles negócios virtuais transitam.

    Desde o preço de uma cerveja até o passe de um jogador de futebol há então um componente virtual que ajusta a transação para valores que incluem o negócio virtual situado na nuvem.  A “marca”, a publicidade e outros aspectos, levam a cerveja (no caso do exemplo) a lugares muito distantes da fábrica e do mestre cervejeiro responsável. O Neymar é vendido por algum dinheiro magro, na ótica do clube Santos e do investidor local, mas receve 10 vezes mais na Europa, sendo esta uma mesma transação.

    Tempo atrás tinha um comercial de uma senhora pedindo um litro de leite e, o vendedor lhe pergunta: de qual marca? Dá vontade de gritar: leite de vaca seu fdp!” A publicidade não é a alma do negócio, mas apenas o componente virtual que enriquece poucos intermediários, que nem suam nem sujam as mãos com o produto ou serviço divulgado.

    Empresas ditas de mineração (tipo Xtrata ou Glencore, dentre outras) compram barata a commodity, no país de origem, onde pagam pouco tributo e elevam o preço depois de passar por off-shore em paraíso fiscal, guardando o lucro maior para sim mesmos. A “Casas Bahia” não precisaria gastar tanto em publicidade (cujo custo é pago pelo consumidor) se a “Ricardo Eletro” não fosse tão insistente fazendo o mesmo, ou a Magazine Luiza. Paga mais o consumidor e ganham os meios de comunicação.

    Para não descer o excelente nível do texto do André, vamos aqui fazer uma analogia com relação à política, por exemplo.

    O texto de André ilustra como, por causa apenas do medo a eventual erro jurídico e futura cobrança de terceiros, as negociações de determinadas empresas elevam os seus custos com base em resguardo jurídico adicional, o que eleva a espuma e encarece o negócio, em favor destas equipes especializadas. Na mineração, por exemplo, o medo ao erro faz que empresas de engenharia sejam extremamente conservadoras, elevando artificialmente o CAPEX em muitos projetos. A engenharia não faz por um dólar o que um cidadão comum faria por dois; hoje, a engenharia faz por três dólares, por causa do medo de errar.

    No caso da política, a COMPLIANCE, neste caso, estaria nas mãos das empresas de publicidade e da mídia. Político que não gasta não é eleito e, em nome da democracia, bilhões de reais são torrados apenas em divulgação, não apenas para divulgar a imagem de um determinado político – que algumas vezes já é conhecido e respeitado, mas, principalmente, para evitar que o concorrente o supere, com ainda mais publicidade. Isso é uma bolha, que não acaba nunca. O político brasileiro custa muitas vezes mais do que custava 20 anos atrás.

    Ou seja, o político deve gastar mais do que o concorrente e, esse conceito é o que inflaciona o custo das campanhas e, digamos assim, o “valor” de mercado da classe política. Todos sabem que campanha política é a festa do PIG, das empresas de publicidade e das gráficas.

    No filme “A espera de um Milagre”, o ator grandão que tinha poderes de cura falava que o criminoso usava o amor que uma menina tinha pela sua irmã (e vice-versa), para que estas aceitassem o crime perpetuado contra elas.

    No Brasil e no mundo todo isso funciona mais ou menos assim. O vizinho constrói um muro enorme, com cerca elétrica e câmeras de TV, para não ser assaltado, deixando então – em termos relativos – mais “vulnerável” ao seu vizinho, o qual se vê obrigado a fazer o mesmo, até que o outro coloque guarita com militares e assim por diante. Seria um negócio de empresas de segurança, assim como de advogados, assim como empresas de publicidade e por aí vai, no mundo todo.

    Existe uma indústria virtual, uma MATRIX, baseada apenas na desconfiança que um tem do outro e, ambos, de um risco que pendura gratuitamente acima das suas cabeças. Algo poderia fazer o poder público. Lugares com bom policiamento e com uma sociedade mais justa e fraterna não precisam de muros nem cercas elétricas, pois confiam na policia e também nos seus vizinhos. 

  3. compliance no BACEN
    “Os custos somados dessa “indústria” superam dezenas de vezes o potencial de corrupção que visam combater.”

    Discordo. Experimente fazer uma “compliance” de verdade no Banco Central, para ver o retorno gigantesco que isso vai dar à sociedade.

  4. baratinho
    Eu cobro baratinho para fazer a “compliance” no Bacen: 0,1% do dinheiro que deixar de ser roubado ou que for recuperado.

  5. A lógica do “compliance” é

    A lógica do “compliance” é incomodar 10.000 pessoas honestas para pegar um eventual criminoso, quando pegam.  [  é essa lógica desgraça que faz gastarmos com segurança, justiça, etc. Pois, por mais assassinos que haja sempre haverá mais gente no mundo que não mata nem uma mosca

  6. http://www1.folha.uol.com.br/

    http://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/2015/09/1685352-desembargador-que-soltou-traficante-e-afastado-pelo-tj-em-sao-paulo.shtml

    Enquanto o COMPLIANCE inferniza a vida das empresas visando evitar corrupção o verdadeiro crime organizado nada de braçadas sem ser incomodado por nenhum  “compliance”.

    O COMPLIANCE assim demonstra sua função de “”teatro”” de boas intenções custando carissimo para a sociedade enquanto

    o verdadeiro crime ignora a existencia de COMPLIANCE e trabalha como sempre trabalhou,

    Um traficante pego com 1.600 quilos de cocaina pura consegue Habeas Corpus em dois dias e é libertado por “falta de provas”. O pagamento dessa imensa carga foi transitado sem ser interrompido por “leis de lavagem de dinheiro” que no entanto perturbam milhares de pequenas transações nomais do dia a dia. Essa é a industria do “compliance”.

    • “Industria de compliance” eh

      “Industria de compliance” eh so outro nome pra eterna maquina de gigolagem de sempre.

  7. Pelo jeito, oficializou-se a

    Pelo jeito, oficializou-se a espionagem de forma pacífica. Tudo em nome da corrupção. Todos os segredos já não são segredos. Espionagem industrial? Coisa do passado. Se as empresas são investigadas, o que dizer dos Estados?  Bond. James. James Bond? Demitido.

  8. Até que seria bom uma

    Até que seria bom uma Compliance no pessoal da Zelotes, da Lista do HSBC e nas fraudes do câmbio, que o BC quer abafar.

  9. Alguma regra é necessário. O

    Alguma regra é necessário. O que tem que ser feito é simplificá-las assim como os controles para torná-los mais transparentes. Minha experiência de trabalho em compras no setor público mostra que esssas burocracias ganham uma vida própria com um fim dentro de si mesmas.

  10. Eu hein…

    Uma hora reclamam contra a desregulamentação dos mercados. Quando os mercados passam a ser regulamentados, reclamam da regulamentação. Na selva burocrática do estado brasileiro o compliance é uma gota no oceano. Mas disso não vemos reclamação aqui no blog, até porque os governos petistas nunca moveram uma palha sequer em relação a isso. Mas como são governos petistas os que estão afundando em corrupção, dá-lhe matérias contra a burocracia do compliance. 

    • O quê?

      O Engavetador Geral da República era homem forte de FHC, do PSDB e do DEM, ou vc se esqueceu? Agora pelo menos temos muito mais liberdade para se agir e as coisas serem escancaradas. Hj mesmo veio a tona a notícia sobre o Aécio Neves e cia., vc leu? Se deu conta de que são 2 pesos, duas medidas? É claro, enquanto as coisas do PT merecem todo o destaque, os do PSDB, do DEM, do PPS safado, etc, ficam nos rodapés dos noticiários … taí o que falta ser corrigido, o equilíbrio e atenção qto. a roubalheira dos partidos queridinhos das elites burras deste país e de muitos outros cidadãos totalmente mal informados, como vc. Desliga a Globo, cancele sua assinatura da VEJA e  Folha de SP, não ouça mais CBN e JovemPan, não leia mais UOL …, outro mundo vai se abrir à sua frente …, a miopia mental vai melhorar bastante …

      • Não entendi o que tem seu comentário a ver com o que eu disse

        Que paranóia hein? O que eu disse é que o compliance não é um décimo da burocracia enfrentada pelas empresas brasileiras em comparação, por exemplo, com a burocracia tributária insana em que vivemos. E mencionei também a contradição em quem reclama da ausência de regulamentações para os mercados vir reclamar justamente quando essas regulamentações aparecem, como no caso do compliance. Esse é um artigo escrito sob medida para querer dizer que a prevenção à corrupção está no fundo sendo prejudicial ao país. Muito conveniente…… mas a selva burocrática que pesa mesmo sobre as empresas brasileiras não é a do compliance. 

  11. Compliance, para além do diligencie investigatório

    Mais um post muito interessante, de que parabenizo. Permita-me, no entanto, apresentar um contraponto.

    Um colega de meu tempo de pós-graduação na FGV de SP é, atualmente, o “head” da divisão de Governança, Regulação e Risco de uma dessas grandes multis de consultoria de Gestão presente no Brasil. Certa feita, questionei-o, sem delongas, acerca do modo em que o tal compliance agregaria reais valores à cadeia de negócio de uma empresa.

    Em um ponto me fiz por satisfeito: disse que a atividade de compliance não é tão somente engendrar diligências investigatórias; tem ela a relevância também em buscar racionalizar os processos dentro da empresa, para além da visão politécnica de “engenharia de processos”, presente na cadeia produtiva do chão de fábrica. Melhor explicando: na medida em que mais de 60% das atividades de empresas hoje são serviços, as empresas constatarm a necessidade de, de um lado, dar métrica de eficiência nestes processos, e, de outro lado, monitorar os riscos inerentes. Assim, começou-se , a partir do início dos anos 2000, a se dar nas empresas uma maior profundidade aos processos, a partir de ferramentais existentes como os de ISO 9000 ou de Qualidade Total, para as atividades de serviços . Hoje, evoluiu-se para aquilo que se pode chamar de Gestão de Governança Corporativa, englobando desde o compliance de diligência –  análise de fraudes, regulamentação (os Sarbox, Dodd-Frank, Anti-Corruption Acts) -, até gestão  e monitoramente de riscos financeiros, procedimentais e operacionais (cases Aracruz e Sadia estão aí para dizer), e de revisão de processos, esta última, aglutinando conceitos de eficiência/eficácia e de mitigação de riscos, visando a racionalização e a transparência.

    Talvez aí esteja motivações que justifiquem, a meu ver do sentido de agregação de valor, sob a ótica das empresas, para investidura de recursos nesta ativiade.

    Fica aqui uma posição, mas, obviamente, sem desmerecer o ponto de vista colocado neste post.

    Abraços,

     

     

  12. Na Adm Pública é pior ainda

    Se nas empresas privadas existe esse travamento todo, imagine na Administração Pública. Obras fundamentais que são interrompidas, repartições caindo aos pedaços ou com falta de material, sistemas de informática obsoletos, tudo porque qualquer contratação depende de inúmeros controles e filigranas. Logicamente, os funcionários envolvidos têm medo de serem responsabilizados por qualquer irregularidade, e o mais seguro a fazer é, na dúvida, não fazer nada.

    É evidente que o prejuízo para a Administração, na maioria dos casos, é muito maior do que eventuais gastos excessivos que poderiam ocorrer se os controles fossem menos detalhistas. E da mesma forma, esses controles todos não impedem falcatruas grandiosas que, volta e meia, acabam sendo descobertas por outros caminhos.

  13. essa luta do andré contra a

    essa luta do andré contra a esteridade merece elogios e

     um dia será mais reconhecida…

    claro que deve haver normas, porém, sem exageros que

    acabam criando máfias da purificação universal;;;

    agora talvez paraíso inquisitoriais….

  14. Eu, que não sabia o que era compliance

    Tive de cair na wikipedia, onde dizem que

    Nos âmbitos institucional e corporativo, Compliance é o conjunto de disciplinas para fazer cumprir as normas legais e regulamentares, as políticas e as diretrizes estabelecidas para o negócio e para as atividades da instituição ou empresa, bem como evitar, detectar e tratar qualquer desvio ou inconformidade que possa ocorrer.

    O termo compliance tem origem no verbo em inglês to comply, que significa agir de acordo com uma regra, uma instrução interna, um comando ou um pedido.

    https://pt.wikipedia.org/wiki/Compliance

    Ou seja, no viaduto que desabou em BH não teve compliance, teve o fazer-nas-coxas, e aquilo desabou sem penalidade alguma para os malfeitores.

    Porém, se tivessem instituído compliance naquela obra de viaduto, aposto que o tal viaduto estaria sendo construído até hoje, pois administração pública em geral  fica paralisada quando submetida a controles.

  15. FISA, Patriot Act

       Caro AA,

       A origem destas leis, melhor escrevendo, destas práticas, que obrigam empresas a montarem estes tipos de departamentos, não são apenas oriundas da legislação FCPA de 1977, que todos conhecem, mas esta legislação foi completada em 1978 através da FISA ( Foreing Intelligence Surveillance Act ), uma lei pouco conhecida, a qual permitia que investigações por quaisquer meios, até espionagem, fossem conduzidas, sem aviso, pelo DoJ, visando “praticas não condizentes”, exercidas fora do território americano.

        Após o 11 de setembro, com a aprovação das varias leis, em outubro de 2001, que levaram a instituição do “Patriot Act”, varias “linhas” dele foram referentes ao combate a “lavagem de dinheiro e corrupção”, nesta origem visando o combate ao financiamento relativo a “grupos e organizações terroristas e crime organizado transnacional”,  em uma destas “linhas” foi alterada a legislação FISA, a qual permitiu o exercicio dela em território americano, principalmete referente a seus bancos, tanto os comerciais como os de investimento, portanto qualquer “verba”, capital, ou mera transação, que circula-se por bancos americanos, pode ser escrutinada pelo DoJ.

        As administrações Bush e Obama, apesar de todo este arcabouço legal disponivel, não lograram romper o financiamento a estes grupos/organizações, por motivos varios, inclusive geopoliticos, e interferencias externas relevantes ( de governos e interesses mutuos ), mas :

         A administração Obama, após se “livrar” de Holder  , nomeou a ” vestal” ( em termos bem relativos ) Loretta Lynch, em 2010, que “virou o disco” , das ações contraterrorismo de Holder , para ações contra empresas, organizações ( caso FIFA por exemplo ), utilizando para tais ações, brechas existentes e legais no Patriot Act e na FISA, e a Dra. Lynch sabe o que esta fazendo, afinal a carreira dela na iniciativa privada, como advogada ( procuradores americanos, são nomeados pelo Presidente, após carreiras sólidas, não por meros concursinhos ), sempre foi na area financeira, até mesmo foi do “board” assessor do Federal Reserve Nova York , podem falar o que quiserem dela, mas que ela conhece o ramo, ela conhece.

         P.S.: Espero, com fé, que após novembro de 2016, os negócios retornem ao usual, sem vestais e torquemadinhas para encherem o saco, pois estes “democratas obamicos” são insuportaveis, odeiam os negócios, um monte de academicos e funcionarios publicos, todos “peixes ensaboados”, prefiro os “republicanos”, os quais, como não estou nem ai com suas neuroses sociais/raciais/religiosas, nos negócios e na diplomacia, pelo menos são diretos.

       

    • Meu caro Junior, a economia

      Meu caro Junior, a economia mundial pode chegar a um “gridlock”, um travamento geral por causa dessas cada vez maiores BARREIRAS à livre criação de negocios e circulação de recursos e investimentos.

      Nada disso nem levemente atrapalhou o trafico de todo tipo e nem o terrotismo, nem as mafias russas, israelenses, turcas, chinesas, chechenas, japonesas, jamaicanas, nigerianas, sicilianas, corsas , colombianas e mexicanas. Todos continuam operando com o sistema bancario e as leis anti-lavagem não os alcançam, é mais facil prender empresario de 60 anos de idade do que prender bandido bem armado.

      O CUSTO dessas leis POLITICAMENTE CORRETAS é infinitamente maior do que eventual corrupção e os danos que essa trava causa aos negocios tira 2 ou 3% do crescimento mundial, no Brasil a operação mediatica-teatral anti corrupção custou 2,5% da queda do PIB, destruiu-se a espinha dorsal do complexo de construção publica do Brasil e das empresas que poderiam liderar PPP de infra estrutura, abrindo caminho para empreiteiras nada santas da Asia e da Espanha. Veja o exemplo do Aeroporto de Brasilia, foi privatizado por um consorcio liderado pela Engeveix, com a Lava Jato acabaram com a empresa e o outro socio, o grupo argentino Corporacion America, do grupo Eizakeian, de reputação mais que duvidosa, ficou com tudo.

      Estamos abrindo espaços para grupos estrangeiros comprarem tudo a preço de fim de feira, o dano à economia brasileira é gigantesco e ainda está  cheio de bocós aplaudindo essa loucura enm nome do “politicamente correto”.

      • Eurnekian, e outros assuntos

           Caro AA,

            Vc. comenta sobre o atual “dono” de um País, que não mora nele, Eurnekian é um icone, comparavel aos “tycoons”, do século anterior , com uma visão de futuro incrivel, a maior tacada da Corporacion América, no Brasil, é no Aeroporto de São Gonçalo do Amarante ( próximo a Natal – RN ), BSB não se compara ao que pode gerar a combinação de cargas e polo multimodal Nordeste ( eles tb. querem a operação do porto – a legislação nossa ainda emperra , mas será quebrada), e em minha opinião, este grupo, não tem “reputação duvidosa”, apenas busca oportunidades, incluindo as que são dadas por governos, e se a oportunidade aparece, a analise de risco é positiva, a ” compliance ” ( sei que vc. não gosta ) é suportavel, o Grupo Eurnekian assume ( compliance é um custo o qual se analisa, tabula-se, joga-se no passivo e depois, se nada ocorrer, passa-se aos ativos ).

              Quanto ao “politicamente correto”, é ótimo em colunas de gossips, o “povo” adora, jornalista orgasma ( o editor dele sabe o que esta realmente ocorrendo ), mas quando estes “éticos de fachada”, “vestais juridicos”, “rabulas de concurso”, atuam sobre as instancias mais importantes, como Esteves ( Pactual) e Marcelo ( ODT ), levando-os a cadeia, os execrando, não apenas a eles, mas a suas empresas, uma vez que eles são a vitrine delas, a “massa” – não importa o espectro politico na qual se inclua – vai ao paroxismo do “gozo patriotico” , afinal milionãrios estão “em cana”, é o politicamente correto, uma tremenda besteira a nivel economico – os que estão agora gozando, irão perder seus empregos, o pequeno empresário, levará uma porrada em matéria de juros, o “classe média” que comprou um carro financiado terá seus juros aumentados, o País em seu PIB irá sofrer, nossa tx. de risco subirá, refinanciar os papéis de qualquer empresa sofrerá majoração, tudo graças ao politicamente correto.

              Os torquemadinhas de Curitiba, e seu Moro ( juizinho de 1a instancia que trava o Brasil ), estão fazendo um trabalho, possivelmente ético, politicamente correto, mas completamente inconsequente, irresponsavel, nem ao menos comparavel com seus “decanos” ( a US Attorney General ), que resolve as situações rapidamente e deixa a economia funcionar.

               Cara, nossas empresas, as empreiteiras, estalerios, até mesmo a “vaca sagrada” ( PBR ), graças a estas injunções, processos, pentelhação *, todas estão expostas a ações externas, como disse o cara da GE, ” não saio do Brasil, vcejo o futuro ” , ou um cara da israelense de defesa ( Rafael ADA ), ” a ODT Defesa esta cara, vai ficar mais barata “.

                Desisto.

                * pentelhação: Sou de mercado, e quando um destes procuradores falam, cometem entrevistas, sem minimas evidencias, só papo, sobre alguma empresa, o preço dela cai, ele a expõe, é uma tremenda irresponsabilidade de um agente publico, e nada a ele acontece.

  16. André, o embrião do atraso

    André, o embrião do atraso está nos Evangelhos: os fariseus. Focando sempre em miudezas: coando um mosquito e engolindo um camelo. Voltando aos dias atuais, os neofariseus de hoje, como os de outrora, travam o progresso. Ah, e tentam se locupletar do poder político e da riqueza da sociedade. Pior, como gente tosca e inculta, tendem a destruir a fonte de geração de riquezas… Isso é tema de outro comentário. Mas, para finalizar o pensamento: como eles, os neofariseus, são intelectualmente inúteis ao setor produtivo: não são capazes de fazer nem mesmo um barquinho de papel, aí criam esse universo burocrático onde o controle (eles) é mais relevante que a coisa controlada (as ações da sociedade).

    Os americanos são espertos. Sabem que esse é o calcanhar de aquiles da sociedade brasileira e o turbina!! Burocracia, travamento e atraso. Esse é o lema! Em marcha a tragédia tosca da nossa burocracia, com pensamento medieval, destruindo o setor produtivo nacional. Depois da terra arrasada virá uma neocolonização pelas empresas estrangeiras com Estado mínimo, óbvio (e espero!!). Mas, não será tão ruim. O caminho é doloroso e estúpido, mas o fim pode ser melhor e mais rápido.

    O mais importante é implodir o Estado Burocrático de Controle como um fim em si mesmo, mas enquanto isso vemos, lamentavelmente, o nosso setor produtivo sendo dizimado: empregos, grandes empresários, empreendedores… Tudo porque, no momento certo, eles não enfrentaram o atraso: (1) funcionários públicos, (2) cartórios, políticos vindo de (1) e, sobretudo, (3) a imprensa. Esta última talvez seja o setror mais atrasado da sociedade brasileira!

    Por fim, talvez o pior de tudo seja assistir, em tempo real, o protagonismo tolo e inculto do transitório e insustentável Estado Burocrático de Privilégios Nababesco como farol de uma modernidade futura… Mas, nas Leis de Deus, até alta burocracia improdutiva e encastelada tem uma utilidade para o resultado final do progresso da humanidade. E, como toda ação tem uma reação: os caras destroem o setor produtivo estupidamente, sem sequer calcular que fatalmente catalizam uma verdadeira reação química contrária aos seus interesses medievais.

  17. Absurdo esse texto

    Parece que o autor do texto não sabe o que é compliance ou se leu alguma coisa a respeito não entendeu.  Compliance é smplesmente seguir a as regras, é sinônimo de conformidade. Se você não quer ter problemas siga as regras. Por exemplo, se você não quer ser multado no trânsito não ultrapasse a velocidade máxima permitda da via ou não avance o sinal vermelho, simples! O que as empresas fazem ou deveriam fazer é fomentar e dissiminar essa cultura para todos seus colaboradores e dirigentes e assegurar que esse objetivo seja cumprido.

    • Aceitar bovinamente regras

      Aceitar bovinamente regras absurdas sem tentar discuti-las e comabtae-las através de seus orgãos associativos, grupos de pressão, seus representantes no Congresso?  Aqui é uma democracia e as leis tem que ser debatidas, há espaço para isso, há audiencias publicas, Federações e Confederações que devem representar as empresas.

      Esse conceito se aplica a toda e qualquer burocracia, por mais absurda que seja, as empresas tem que se mexer e tentar

      mudar o que não é logico ou razoavel. Atrás de “”leis bem intencionadas” entrega-se o Poder politico a corporações com objetivos proprios de criar espaços de de poder para si, sempre sob a capa de  “etica e morlismo” conceitos que através dos tempos escondem as maiores mazelas e maldades sempre com a desculpa de “estamos fazendo o bem””., tal qual a Inquisição, que tambem apregoava que só estava fazendo o bem.

      Alguns congressistas estão propondo alterações na Lei Anticorrupção porque há absurdos nelas, especialmente ao punir muito mais pesadamente os empresarios do que autoridades corruptas e burocratas que achacam o empresario que é obrigado a pagar propina e se vê condenado a 30 anos enquanto o extorsionista se safa ou sequer é processado.

      Compliance ou obediencia cega e exagerada às regrinhas dos politicamente corretos é um conceito que deve ser debatido

      discutido nos tribunais e no Congresso, no meio tempo garante o emprego e os honorários dos santelmos que geralmente vão muito alem do que a Lei pede, para ficar mais “seguro”, aumentando incrivelmente os custos das empresas.

      Quanto a conhecer compliance , conheço desde que isso existe, fui dos primeiros executivos no Brasil a assinar relatorios da FCPA em 1974, as empresas ´para as quais trabalhei ou fui do Conselho de Administração  tinham  e tem enormes departamentos de compliance em nivel de Vice Presidencia, conheço o tema do avesso e de trás para a frente.

  18. Flexibilização da ética?
    Impressão minha ou o aitor defende que a ética atrapalha os negócios e que certo nível de corrupção é até favorável ao desenvolvimento da sociedade?

    Me desculpe, mas na minha concepção ética não tem meio termo, ou você é ético ou não, e nunca vi corrupção ser vantajosa para pessoas além do corruptor e do corrompido.

    • Jamais poderá triunfar a

      Jamais poderá triunfar a ética no capitalismo desregulamentado. Desregulmentado, o capitalismo tende a servir a uma ditadura mundial crescente de centros de poder que nem como capitalistas podem mais se definir. Quanto mais desregulamentado, mais gera corrupção o capitalismo. E não há como combater esta corrupção de modo eficaz. Tudo o que seja criado para tal, estará sujeito ao brotamento da mesma corrupção em seu próprio corpo. A regulamentação do capitalismo deverá se basear em colocar os ideiais iluministas e homanistas acima dos ideais puramente capitalistas. O remédio para a corrupção é cortar a liberdade desvairada do capitalismo através de mecanismo de controle e ajuste internacionais, multilaterais, e estatais. A comunicação de massas dos países precisa se libertar dos interesses de grupos que querem dominar o mundo através da manipulação permanente das informações. Através da criação de uma estrutura de comunicação de massas livre da crescente escravidão aos interesses corporativos dos capitalistas financistas, os países poderão se libertar de uma falsa caça à corrupção fraudulentamente dirigida a certos grupos e não sendo de alcance universal. O capitalismo ocidental está a evoluir para a degradação da própria democracia ocidental e para a destruição de qualquer estatuto da ética e neste cenário a corrupção, acompanhada pela alta tecnologia de espionagem, está a tornar-se instrumento de exploração em defesa dos interesses capitalistas degenerados e da submissão a eles da política.    

  19. Para enganar bobos

    A paranoia contra a corrupção foi instrumentalizada pelos espertos para fazer os menos poderosos se  encherem de custos e afazeres. Vejam se as Google, Apple,  Amazon e muitas outros gigantes que também produzem seus produtos fora do solo americano, se não espalham suas filiais por paraísos fiscais para reduzirem quase a zero o pagamento de impostos e trocam despesas entre elas, sem nenhum controle ou constrangimento dos proprietários, dos acionistas e mesmo das autoridades fiscalizadoras.

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