A Economia solipsista e a negação do desemprego, por Albertino Ribeiro

Temos no Brasil um caso típico, onde Paulo Guedes é a única mente pensante e toda a realidade a sua volta não passa de meras impressões que não tem existência própria

Foto: Sergio Moraes/Reuters

A Economia solipsista e a negação do desemprego

Por Albertino Ribeiro

A escola neoclássica não está muito longe de um solipsismo econômico. Temos no Brasil um caso típico, onde Paulo Guedes é a única mente pensante e toda a realidade a sua volta não passa de meras impressões que não tem existência própria.

Por que o governo não faz nada de efetivo para diminuir o desemprego? Você já parou para pensar nisso, leitor? Como um ministro que nega a existência do desemprego vai implementar alguma política para mitigá-lo?

A doutrina é consentânea com o postulado neoclássico que afirma não existir desemprego involuntário, por exemplo. A realidade pode gritar e espernear através dos números e fatos, mas a mente dominada pela ortodoxia é intransigente e não enxerga existência própria de outros entes e objetos.

Para um seguidor da antiga escola de Chicago, o problema está nas regulações e na interferência do estado e dos sindicatos na economia. Se não houvesse qualquer interferência externa, e se as pessoas aceitassem trabalhar por qualquer salário, e sem qualquer direito, o mundo seria melhor.

Não é de hoje que Bolsonaro e Guedes insistem na precarização do trabalho como solução para o desemprego  involuntário que nós, simples mortais, insistimos em dizer que existe.

Existe, inclusive, um grande risco de que os números sejam torturados para se adequar a realidade dos seus donos. Sendo assim, é necessário que o povo, que insiste em existir, fique atento, pois o próximo passo talvez seja fazer-nos acreditar que a terra é plana e sustentada por uma mão invisível.

Não adianta, leitor! Não cabe outro mundo na mente solipsista que hoje governa o país. Podemos ver que não é coincidência que esse governo esteja cercado por terra planistas e admiradores de teorias conspiratórias.